Sociedade

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Jovens interagindo em uma sociedade diversa do ponto de vista étnico.

Em sociologia, uma sociedade (do latim: societas, que significa "associação amistosa com outros") é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade.

A sociedade é objeto de estudo comum entre as ciências sociais, especialmente a sociologia, a história, a antropologia e a geografia.

É um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.

A sociedade pode ser vista como um grupo de pessoas com semelhanças étnicas, culturais, políticas e/ou religiosas ou mesmo pessoas com um objetivo comum. Uma delimitação física (como um território, um país ou um continente) não pode definir uma sociedade, já que entre eles podem ter diferenças que podem se afastar do conceito da sociedade.

Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico.

Pessoas de várias nações unidas por tradições, crenças ou valores políticos e culturais comuns, em certas ocasiões também são chamadas de sociedades (por exemplo, Judaico-Cristã, Oriental, Ocidental etc.). Quando usado nesse contexto, o termo age como meio de comparar duas ou mais "sociedades" cujos membros representativos representam visões de mundo alternativas, competidoras e conflitantes.

Também, alguns grupos aplicam o título "sociedade" a eles mesmos, como a "Sociedade Americana de Matemática". Nos Estados Unidos, isto é mais comum no comércio, em que uma parceria entre investidores para iniciar um negócio é usualmente chamada de uma "sociedade". No Reino Unido, parcerias não são chamadas de sociedade, mas cooperativas.

Embora haja quem considere não existem sociedades sem classes sociais[1] , pelo contrário Margaret Thatcher (Dama de Ferro), uma política britânica que ascendeu ao lugar de Primeiro-Ministro, chegou a afirmar que ela própria (a sociedade) não existe. Conforme disse, só existem os indivíduos e suas famílias.[2] Mas ela não foi a única a dizer que não existe sociedade.

Teóricos marxistas como Louis Althusser, Ernesto Laclau e Slavoj Zizek argumentam que a sociedade nada mais é do que um efeito da ideologia dominante e não deveria ser usada como um conceito sociológico.

Concepções de sociedade[editar | editar código-fonte]

Uma pintura do século XII, versão da Dinastia Song de Festas Noturnas de Han Xizai, original de Gu Hongzhong. É uma obra-prima da arte da época, retratando servos, músicos, monges, crianças e hóspedes todos em um mesmo ambiente social. Ele serve como uma visão profunda da estrutura social da China do século X.

A sociedade, em geral, considera o fato de que um indivíduo tem meios bastante limitados como uma unidade autônoma. Os grande macacos sempre foram mais (Bonobo, Homo, chimpanzé) ou menos (Gorila, orangotango) animais sociais, portanto situações parecidas com as vividas por Robinson Crusoe são ficções ou casos um tanto incomum para a ubiqüidade do contexto social dos seres humanos, que se situa entre os pré-sociais e eusociais no espectro da etologia animal.

Na antropologia[editar | editar código-fonte]

As sociedades humanas são na maioria das vezes organizadas de acordo com seu principal meio de subsistência. Cientistas sociais identificaram sociedades caçadoras-coletoras, sociedades pastorais nômades, sociedades horticultoras ou simples sociedades agrícolas e sociedades intensivas em agricultura, também chamadas de civilizações. Alguns consideram que as sociedades industrial e pós-industrial são qualitativamente diferente das tradicionais sociedades agrícolas.

Atualmente, os antropólogos e muitos cientistas sociais se opõem vigorosamente contra a noção de evolução cultural e "etapas" rígidas como essas. Na verdade, muitos dados antropológicos têm sugerido que a complexidade (civilização, crescimento e densidade populacional, especialização, etc) nem sempre tomam a forma de organização ou estratificação social hierárquica.

Além disso, o relativismo cultural como uma abordagem generalizada ou ética tem substituído as noções de "primitivo", melhor/pior ou "progresso" em relação às culturas (incluindo a sua cultura material/tecnologia e organização social).

Segundo o antropólogo Maurice Godelier, uma novidade importante na sociedade humana, em contraste com os parentes biológicos mais próximos da humanidade (os chimpanzés e os bonobos), é o papel de pai assumido pelos homens, que supostamente está ausente em nossos parentes mais próximos, para os quais a paternidade geralmente não é determinável.[3] [4]

Na ciência política[editar | editar código-fonte]

As sociedades também podem ser organizados de acordo com a sua estrutura política. A fim de crescer em tamanho e complexidade, existem sociedades de bandos, tribos, chefias, e sociedades estatais. Estas estruturas podem ter diferentes graus de poder político, dependendo dos ambientes cultural, geográfico e histórico nos quais essas sociedades estão inseridos. Assim, uma sociedade mais isolada com o mesmo nível de tecnologia e cultura que as outras sociedades tem mais probabilidade de sobreviver do que uma em estreita proximidade com outras sociedades que possam interferir em seus recursos. Uma sociedade que é incapaz de oferecer uma resposta eficaz para outras sociedades que concorram com ela normalmente é subsumida pela cultura da sociedade concorrente.

Na sociologia[editar | editar código-fonte]

O sociólogo Gerhard Lenski difere as sociedades com base em seu nível de tecnologia, economia e comunicação: (1) caçadores e coletores, (2) agrícolas simples, (3) agrícolas avançadas (4), industrial, e (5) especial (sociedades, por exemplo, de pesca ou marítima[5] Esta classificação é semelhante ao sistema anterior desenvolvido pelos antropólogos Morton H. Fried, um teórico do conflito, e Elman Service, uma teórica da integração , que produziram um sistema de classificação para as sociedades para todas as culturas humanas com base na evolução da desigualdade social e do papel do Estado. Este sistema de classificação contém quatro categorias:

Além delas, também existem:

Ao longo do tempo, algumas culturas evoluíram para formas mais complexas de organização e controle. Esta evolução sociocultural tem um efeito profundo sobre os padrões da comunidade. Tribos de caçadores-coletores se estabeleceram em torno de fontes de alimentos sazonais para tornarem-se aldeias agrárias. As aldeias cresceram para se tornarem vilas e cidades. As cidades se transformaram em cidades-estados e estados-nação.[6]

Muitas sociedades distribuem generosidade a mando de algum indivíduo ou algum grupo maior de pessoas. Este tipo de generosidade pode ser vista em todas as culturas conhecidas. Normalmente, indivíduo ou grupo generoso ganha prestígio ao realizar esses atos. Por outro lado, membros de uma sociedade também podem evitar ou excluir os membros que violem as suas normas. Mecanismos, tais como o ato de dar presentes, relações jocosas e bode expiatório, que podem ser vistos em vários tipos de agrupamentos humanos, tendem a ser institucionalizados em uma sociedade. A evolução social como um fenômeno traz consigo alguns elementos que poderiam ser prejudiciais para a respectiva população.

Algumas sociedades concedem status a um indivíduo ou um grupo de pessoas, quando esse indivíduo ou grupo executa uma ação admirada ou desejada. Este tipo de reconhecimento é concedido sob a forma de um título, nome, forma de se vestir, ou recompensa monetária. Em muitas sociedades, o status de adultos do sexo masculino ou feminino está sujeito a um ritual ou processo deste tipo. Ações altruístas no interesse da comunidade são vistas em praticamente todas as sociedades. Os fenômenos de ação comunitária, bode expiatório, generosidade, de risco compartilhado e recompensa são comuns a muitas formas de sociedade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Conceitos jurídicos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Estratificação e Classe Social, filosofiaacademico
  2. “Essa tal de sociedade não existe...”: O privado, o popular e o perito no talk show Casos de Família
  3. Maurice Godelier, Métamorphoses de la parenté, 2004
  4. New Left Review - Jack Goody: The Labyrinth of Kinship. Página visitada em 24/07/2007.
  5. Lenski, G. 1974. Human Societies: An Introduction to Macrosociology.
  6. Effland, R. 1998. The Cultural Evolution of Civilizations.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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