Sofia Albertina da Suécia

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Sofia Albertina
Abadessa de Quedlimburgo
Sophie Albertine Sweden.jpg
Sofia Albertina
Governo
Vida
Nascimento 8 de Outubro de 1753
Estocolmo, Suécia
Morte 17 de Março de 1829 (75 anos)
Estocolmo, Suécia
Pai Adolfo Frederico da Suécia
Mãe Luísa Ulrica da Prússia

Sofia Albertina da Suécia (Sofia Maria Luísa Frederica Albertina), (8 de outubro de 1753 - 17 de março de 1829) foi a última princesa-abadessa da Abadia de Quedlimburgo e, como tal, reinava como monarca vassala do Sacro Império Romano.

Sofia Albertina era filha do rei Adolfo Frederico da Suécia e da princesa Luísa Ulrica da Prússia, sendo assim uma princesa da Suécia, de Holstein-Gottorp e irmã do rei Gustavo III da Suécia. Pertencia à Academia de São Lucas.

Recebeu os seus dois nomes em honra das suas duas avós: a rainha prussiana Sofia Doroteia de Hanôver, e a marquesa Albertina Frederica de Baden-Durlach.

Na corte sueca[editar | editar código-fonte]

Sofia Albertina ainda criança.

Sofia Albertina e o seu irmão mais novo, o príncipe Frederico Adolfo da Suécia, eram os filhos preferidos da sua mãe e também eram muito chegados um ao outro. Sofia vivia na corte da mãe sob um controlo rigoroso até à morte desta em 1782. Durante o conflito de 1778, quando a sua mãe, a rainha-viúva, apoiou o rumor de que o seu irmão, o rei Gustavo III, tinha entregue a tarefa de produzir um herdeiro para a coroa ao conde Frederick Adolf Munk, Sofia e o irmão Frederico ficaram do lado da mãe.[1] Em 1780, quando a carruagem da rainha-viúva e de Sofia se cruzou com as carruagens do rei e da rainha, Sofia evitou uma discussão acenando para o casal, o que ocultou a sua mãe da perspectiva do imão e da cunhada.[1] Em 1781, Sofia envolveu-se num conflito com o seu irmão, o rei, que esteve perto de a banir da corte quando a sua mãe se recusou a cumprir o cerimonial que devia à rainha, mas a situação resolveu-se graças à intervenção de outra cunhada sua, a duquesa Edviges Isabel Carlota de Holstein-Gottorp. Após a morte da sua mãe, Sofia e o irmão Frederico queimaram alguns dos seus papéis antes de o rei os poder ver. Foi construído um palácio em Estocolmo para sua residência oficial, o Arvfurstens Palats.

Sofia Albertina não era considerada bonita ou inteligente, mas gostava de festas e participava alegremente nas festividades da corte de Gustavo III. Segunda a sua cunhada Edviges, Sofia tinha bom coração, mas era muito temperamental e difícil de controlar. No geral, dizia-se da princesa que era generosa e preocupada, mas enfurecia-se facilmente. Sofia não gostava de ver mulheres a ser maltratadas e intervinha muitas vezes quando sabia que uma mulher da corte tinha sido insultada ou maltratada de qualquer maneira, tal como quando considerou que o seu irmão Gustavo tratou as damas-de-companhia que participaram numa peça de teatro amadora, à sua ordem, de forma demasiado bruta e quando a sua cunhada não teve um bom lugar no teatro, o que levou Sofia a acusá-la de não defender os seus direitos. Também intercedeu em favor de Magdalena Rudenschöld durante a conspiração de Armfelt e conseguiu fazer com que a sua sentença de morte fosse revogada. Durante uma sessão parlamentar em 1789, quando Gustavo III entrou em conflito com a nobreza, Sofia juntou-se à sua cunhada em protesto, recusando-se a estar presente na corte.

Sofia Albertina interessava-se por teatro e dança apesar de, segundo Axel von Fersen, não ser muito boa em nenhuma das artes, e participava nas peças de teatro amadoras na corte. Também se interessava por cavalos e caça e tinha pelo menos treze cães. Pintava em pastel e fazia retratos de perfil e caricaturas. Durante uma visita a Roma em 1793, foi introduzida na Academia de São Lucas.

Vida privada[editar | editar código-fonte]

Os planos de casamento para Sofia começaram cedo. Em 1772, o seu irmão Gustavo, que ainda não tinha consumado o seu casamento, teve a ideia de entregar a responsabilidade de produzir herdeiros aos seus irmãos mais novos e Sofia e Carlos foram os primeiros a ser considerados para a tarefa. Entre os possíveis maridos estavam o seu primo, o príncipe Pedro de Holstein-Gottorp, mas esse plano foi abandonado em 1780, e o rei Estanislau II da Polónia, que não passou de um rumor.

Sofia era por vezes chamada de "A princesa com o coração de gelo", contudo, existe uma lenda conhecida entre o povo de Estocolmo que pode provar que a princesa não estava completamente isolada de uma vida amorosa. Existiam rumores conhecidos e persistentes de que Sofia tinha dado à luz uma criança algures entre 1785-86. Por vezes diz-se que a criança era um filho chamado Peter Niklas ou então uma filha chamada Sofia em sua honra. Já se sugeriu que o local de nascimento tinha sido Allmänna Barnbördshuset, um hospital público onde as mulheres podiam dar à luz com as caras tapadas com uma máscara para manter o seu anonimato. A filha foi supostamente criada por pais adoptivos e teve um casamento arranjado com um mercador rico. O rumor nunca foi confirmado e a sua autenticidade é desconhecida. Alguns afirmaram que o pai seria o conde Fredrik Vilhelm von Hessenstein, filho do rei Frederico I da Suécia e da sua amante Hedvig Taube. Outros sugeriram que o pai era Gustav Badin, o seu mordomo africano, mas não existem relatos de que a criança fosse mestiça.

Fredrik Vilhelm é frequentemente apontado como o grande amor da vida de Sofia e diz-se que sempre foi o seu desejo casar com ele, mas a união foi proibida pelo seu irmão Gustavo devido ao facto de a mãe de Fredrik ser uma amante real. Uma amiga chegada de Sofia, Caroline Rudenschöld, fala deste assunto numa carta datada de 1792, onde faz referência aos dois homens que interessavam à princesa. Caroline disse que estava preocupada com uma confidência que a princesa lhe tinha feito, mas que tinha a certeza de que Sofia faria "tudo o que está ao seu alcance para ultrapassar esta paixão infeliz" e "recorrer ao seu bom senso para ser mais forte do que ela", acrescentando também que "posso compreender que esta sua inclinação é muito mais infeliz que a última."

O caso Lolotte Forssberg[editar | editar código-fonte]

Em 1795, aconteceu o caso Lolotte Forssberg e despertou bastante atenção. Forssberg era a camareira e irmã adoptiva de Sofia Albertina. Nesse ano, Sofia encontrou uma carta anónima onde se dizia que a camareira era a sua irmã secreta. Sofia ordenou então uma investigação e acreditou que tinha razões para acreditar que o conteúdo da carta era realmente verdadeiro e, por isso, resolveu assumir responsabilidade pela camareira e começou a tratá-la oficialmente como sua irmã. Durante algum tempo acreditou que Lolotte era a sua irmã legítima e que os seus pais tinham tido os seus motivos para esconder o seu nascimento, exigindo que ela fosse reconhecida. Esta atitude causou escândalo, não só na Suécia, mas também na Alemanha onde os seus parentes maternos, a família real prussiana, mostrou a sua reprovação pelo caso, afirmando que Sofia estava a ser enganada. É realmente provável que Lolotte fosse sua irmã, mas apenas pelo lado do pai, visto que se acreditava que a camareira era fruto de uma relação do rei com uma dama-de-companhia. Em 1799, foi a própria Sofia que afirmou que ela era apenas sua meia-irmã ilegítima e arranjou o seu casamento com um cortesão, o conde Magus Stenbock, mantendo-a perto de si na corte. Algum tempo depois surgiram rumores de que Lolotte era, na verdade, filha de Sofia, mas tal é improvável visto que a camareira nasceu em 1766 e o filho que terá resultado da relação de Sofia com Fredrik tinha nascido em 1785. Lolotte foi a companhia de Sofia toda a sua vida e foi a sua única herdeira quando Sofia morreu.

Abadessa de Quedlimburgo[editar | editar código-fonte]

Sofia Albertina.

Em 1767, Sofia Albertina recebeu o título de coadjutora da Abadia de Quedlimburgo do seu tio materno, o rei Frederico II da Prússia.

Em 1787, um ou dois anos depois do suposto nascimento em segredo do seu filho, Sofia sucedeu à sua tia materna, a princesa Ana Amélia da Prússia, como princesa-abadessa de Quedlimburgo, um convento de mulheres protestantes na Alemanha. Como tal, passou a ser a monarca reinante de um pequeno estado alemão que estava sob a alçada do Sacro Império Romano-Germânico.

Quando chegou a esta posição, Sofia recebeu uma oferta do rei da Prússia, Frederico II, que desejava "aliviá-la" do seu posto através da compra do reino de Quedlimburgo com a intensão de o anexar à Prússia. Sofia recusou a oferta, afirmando que não podia acreditar que o seu tio estava a falar a sério. A princesa viajou até Quedlimburgo em 1787 e foi oficialmente nomeada abadessa no dia 15 de Outubro desse ano.

Como princesa-abadessa, Sofia esteve muito envolvida na governação da cidade de Quedlimburgo e os testemunhos afirmam que o seu reinado foi popular. Abriu escolas para crianças pobres, fundou o primeiro teatro da cidade e aumentou o salário dos vigários. Na altura havia o rumor de que as mulheres nobres que engravidassem fora do casamento iam a Quedlimburgo dar à luz os seus filhos ilegítimos em segredo. Sofia levou consigo uma corte de cinquenta pessoas e recebia convidados com frequência, principalmente os seus parentes alemães. A princesa este em Quedlimburgo pela primeira vez entre 1787 e 1788, depois durante uma segunda temporada entre 1792 e 1795 e, finalmente, entre 1799 e 1803.

Em 1803, durante a Mediatização Alemã, o estado de Quedlimburgo foi dissolvido e Sofia Albertina foi automaticamente deposta do seu trono, apesar de lhe ter sido assegurado um rendimento do estado para o resto da vida.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Após a dissolução da Abadia de Quedlimburgo, Sofia Albertina não voltou a sair da Suécia. Não era chegada ao herdeiro eleito, o duque Carlos Augusto de Augustenburg, uma vez que este não apreciava a companhia de mulheres. Apesar de tudo, Carlos ofereceu-lhe a posição de abadessa do convento dinamarquês de Vallo, depois de em 1809 o governo ter cancelado a sua pensão e o rendimento de Quedlimburgo começar a ser irregular, mas Sofia recusou a oferta. Durante o reinado do seu irmão Carlos XIII raramente apareceu na corte, uma vez que o rei não gostava de Lolotte Forssberg, que se dizia dominar completamente Sofia nos seus últimos anos de vida.

Sofia também não tinha proximidade com a nova dinastia Bernadote, mas durante os seus últimos anos de vida, passou muito tempo com o casal herdeiro, visto que tinha consciência da importância da sua posição como último membro da antiga dinastia. Participou em todas as cerimónias da corte até à sua morte: no casamento do príncipe-herdeiro em Estocolmo, em 1823, foi ela quem colocou a tiara na cabeça da princesa Josefina de Leuchtenberg e, em 1826, ainda viu o nascimento do futuro rei Carlos XV da Suécia, tendo sido incumbida da tarefa de anunciar ao rei que tinha tido um filho varão.

Referências

  1. a b Alma Söderhjelm (1945). Gustav III:s syskon (Os Irmãos de Gustavo III) Estocolmo: Albert Bonniers Förlag. 23033 (em sueco)
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