Software livre
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Software livre, segundo a definição criada pela Free Software Foundation, é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído sem restrições. O conceito de livre se opõe ao conceito de software restritivo (software proprietário), mas não ao software que é vendido almejando lucro (software comercial). A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e também deixar disponível o código fonte do programa.
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[editar] Definição
Um software é considerado como livre quando atende aos quatro tipos de liberdade para os usuários do software definidas pela Free Software Foundation:
- Liberdade 0: A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito;
- Liberdade 1: A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades;
- Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias do programa de modo que você possa ajudar ao seu próximo;
- Liberdade 3: A liberdade de modificar o programa e distribuir estas modificações, de modo que toda a comunidade se beneficie.
Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para as liberdades 1, 2 e 3.
A liberdade de executar o programa significa que qualquer tipo de pessoa física ou jurídica pode utilizar o software em quantas máquinas quiser, em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou atividade, sem nenhuma restrição imposta pelo fornecedor.
A liberdade de redistribuir o programa executável (em formato binário) necessariamente inclui a obrigatoriedade de disponibilizar seus códigos-fonte. Caso o software venha a ser modificado e o autor da modificação queira distribuí-lo, gratuitamente ou não, será também obrigatória a distribuição do código fonte das modificações, desde que elas venham a integrar o programa. Não é necessária a autorização do autor ou do distribuidor do software para que ele possa ser redistribuído, já que as licenças de software livre assim o permitem.
Para que seja possível estudar ou modificar o software (para uso particular ou para distribuir) é necessário ter acesso ao código-fonte. Por isso a disponibilidade desses arquivos é pré-requisito para a liberdade do software. Cada licença determina como será feito o fornecimento do código fonte para distribuições típicas, como é o caso de distribuições em mídia portátil somente com os códigos binários já finalizados (sem o fonte). No caso da licença GPL, a fonte deve ser disponibilizada em local de onde possa ser acessado, ou deve ser entregue ao usuário, se solicitado, sem custos adicionais (exceto transporte e mídia).
Para que essas liberdades sejam reais, elas devem ser irrevogáveis. Caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licença, o software não é livre.
A maioria dos programas livres é licenciada através de uma licença de software livre. A mais conhecida das licenças é a GNU GPL, entretanto, existem diversas outras: AGPL, LGPL, MPL, Apache, MIT/X11 e BSD.
[editar] Software Livre e Software em Domínio Público
Software livre é diferente de software em domínio público. O primeiro, quando utilizado em combinação com licenças típicas (como as licenças GPL e BSD), garante a autoria do desenvolvedor ou organização. O segundo caso acontece quando se passam os anos previstos nas leis de cada país de proteção dos direitos do autor e este se torna bem comum. Ainda assim, um software em domínio público pode ser considerado como um software livre, desde que atenda as liberdades definidas pela Free Software Foundation, como citadas anteriormente.
[editar] Software Livre e Copyleft
Licenças como a GPL contêm um conceito adicional, conhecido como copyleft, que se baseia na propagação dos direitos. Um software livre sem copyleft pode ser tornado não-livre por um usuário, caso assim o deseje. Já um software livre protegido por uma licença que ofereça copyleft, se distribuído, deverá ser sob a mesma licença, ou seja, repassando os direitos.
Associando os conceitos de copyleft e software livre, programas e serviços derivados de um código livre devem obrigatoriamente permanecer com uma licença livre (os detalhes de quais programas, quais serviços e quais licenças são definidos pela licença original do programa). O usuário, porém, permanece com a possibilidade de não distribuir o programa e manter as modificações ou serviços utilizados para si próprio.
[editar] Venda de Software Livre
As licenças de software livre permitem que eles sejam vendidos, mas estes em sua grande maioria estão disponíveis gratuitamente.
Uma vez que o comprador do software livre tem direito às quatro liberdades listadas, ele poderia redistribuir este software gratuitamente ou mediante remuneração. As versões pagas geralmente são acompanhadas de algum tipo de serviço adicional, como direito a assistência técnica por determinado período e manuais, por exemplo. Muitas vezes comprar o software é mais vantajoso para o cliente final que não tem muita experiência em programação, poupando tempo.
[editar] Vantagens e Desvantagens do Software Livre
Conforme Sabino e Kon [1] e Kon [2] destacaremos as principais vantagens e desvantagens da utilização do software livre.
O compartilhamento do código-fonte pode simplificar o desenvolvimento de aplicações personalizadas, que não precisam ser programadas a partir do zero, mas baseadas em soluções existentes. Essa vantagem tem impacto significativo na redução de custos e na diminuição na duplicação de esforços. Além disso, o compartilhamento se refere à possível melhoria na qualidade devido ao maior número de desenvolvedores e usuários envolvidos com o software. Um maior número de desenvolvedores é capaz de identificar e corrigir mais bugs em menos tempo e um número maior de usuários gera situações de uso e necessidades variadas. É esperado que o desenvolvedor seja mais cuidadoso com o seu trabalho pois sabe que a sua produção será avaliada por outros profissionais e possivelmente terá reflexos em sua carreira profissional.
Do ponto de vista econômico o software livre promove o estabelecimento de vários fornecedores entre si com base no mesmo software. Esta competição entre fornecedores traz vantagens aos usuários, pois dá melhores garantias quanto ao desenvolvimento futuro do sistema e induz a uma redução nos preços, uma vez que não há necessidade de pagar por novas versões do sistema quando o software é fechado. Para os fornecedores, os custos quanto os riscos associados ao desenvolvimento do software são diluídos entre os diversos concorrentes. Segundo Ghosh (Ghosh et al, 2006) [3] a maior parte (mais de 80%) tanto do dinheiro gasto com software pelas empresas quanto dos postos de trabalho no mercado de software são voltados para aplicações personalizadas e treinamento. Desta forma, a software livre se insere também nesta faixa de mercado. Estas vantagens possibilita e incentiva o surgimento de pequenas empresas que podem atender os mercados locais e consequentemente redução na dependência de empresas estrangeiras. Apesar das vantagens mencionadas, o software livre também tem limitações e que algumas delas também são comuns ao software restrito. Uma dos principais motivos em não utilizar software livre consiste na ausência de garantias e suporte. As licenças de software livre em geral, eximem o autor de qualquer responsabilidade por problemas gerados pelo software. Dessa forma, no caso em que uma empresa precisa fornecer garantias a seus clientes, ou quando a indisponibilidade de um sistema pode causar grandes prejuízos, pode ser melhor que a empresa adquira uma solução em que eventuais problemas sejam delegados a um fornecedor ou que esse tenha que indenizar a empresa. Por outro lado, existem empresas que oferecem contratos de prestação de serviços baseados em software livre onde essas empresas assumem formalmente a responsabilidade pelo funcionamento adequado do produto e também grande parte do software restrito disponível também busca em seu contrato se eximir de responsabilidades tanto quanto a legislação permite.
Qualidade, reputação e imagem também são vistos como desvantagens na adoção do software livre. Quando não há empresa de renome por trás do software oferecido, há uma maior dificuldade em avaliar as alternativas. Também há o receio se o software livre vai continuar sendo mantido no futuro e deixe-se de oferecer suporte para ele. Por outro lado, a disponibilidade do código-fonte alivia esses problemas, pois é possível avaliar a qualidade do próprio código e o usuário pode continuar investindo em sua manutenção caso o software seja abandonado.
Para quem produz o software, optar pelo modelo aberto pode ser visto como desvantagem à medida que a propriedade intelectual está exposta. Mesmo que a empresa criadora do software implemente novas funcionalidades, essas funcionalidades são automaticamente absorvidas pelas concorrentes, eliminando a possibilidade de uma diferenciação rápida no mercado e as possibilidades de lucro são reduzidas. Nessa situação é necessário buscar outros modelos de negócios.
A pouca experiência do mercado em lidar com o software livre e o próprio fato de o software ser, em geral, gratuito, podem gerar dúvidas sobre a viabilidade econômica ou a qualidade do software.
Por fim, uma dificuldade que é compartilhada pelo software livre e pelo software restrito é a existência de patentes de software. Esse tipo de patente é considerada desvantajosa para a comunidade e o mercado de software, a ponto de não ser reconhecida na maioria dos países (inclusive no Brasil). No entanto, na prática, vários países reconhecem, pelo menos parcialmente patentes desse tipo e na medida em que o software livre ganha notoriedade, restrições causadas por patentes em um país têm efeito sobre toda a comunidade.
[editar] Breve Histórico
Conforme Kon [2], apresentaremos uma breve evolução histórica desde de 1956 à 2011 do início e desenvolvimento da comunidade de software livre.
[editar] Início
Na década de 60, os computadores de grande porte, utilizados quase exclusivamente em grandes empresas e instituições governamentais, dominavam o mercado da Computação. Nesta época, não era comum do ponto de vista comercial a ideia do software como algo separado do hardware. O software era entregue junto com o código-fonte ou, em muitas vezes, apenas o código-fonte. Existiam grupos de usuários que compartilhavam código e informações. Assim, no início, o software era livre: pelo menos para aqueles que tinham acesso à tecnologia da época.
1956: O governo dos EUA proíbe a AT&T de entrar no comércio de software (isso levou, posteriormente, o Bell Labs a distribuir livremente o seu Unix).
1960: O software é distribuído com seu código-fonte e sem nenhuma restrição em grupos de software como SHARE (IBM) e DECUS (DEC).
1969: O Request for Comments (RFC), que descreve a primeira Internet (depois chamada de ARPANET), é publicado; Ken Thompson e Dennis Ritchie, pesquisadores do Bell Labs, criaram a primeira versão do Unix, um sistema operacional multitarefa.
[editar] Surgimento do Software Restrito e Berço do Software Livre
A IBM, líder do mercado de computadores de grande porte, anunciou que a partir de 1970 iria vender parte de seus programas separada do hardware. Assim, a indústria de software mudou a sua cultura, tornando cada vez mais comum as restrições de acesso e as possibilidades de compartilhamento de código entre desenvolvedores. O software começou a ser comercializado como os produtos de prateleira de um supermercado. Bill Gates, aos 21 anos, através da “carta aberta aos hobistas” levanta o potencial comercial do software como produto no mercado de microcomputadores e questiona a viabilidade do desenvolvimento fora do “modelo de prateleira”. Nesta carta Bill Gates alega que a prática de compartilhamento de software não é justa e afirma que tal prática evita que software bem feito seja escrito. Neste mesmo período houve iniciativas que levaram à produção de sistemas de software livre que estão em uso até os dias de hoje, como o SPICE, TeX e Unix. Desde 1972, o Unix está em contínuo desenvolvimento e deu origem a diversas variantes, comercializadas por dezenas de empresas. O Unix tornou-se popular entre os desenvolvedores por conta da sua filosofia de compartilhamento e a relação com as universidades e centros de pesquisas. Mesmo assim, em 1991, a AT&T Bell Labs demonstrou uma mudança de mentalidade ao tentar processar a Universidade de Berkeley por conta da publicação do código Unix BSD que o grupo de pesquisa de Berkeley (CSRG – Computer Systems Research Group) tinha criado. Desde 1973, o CSRG havia sido um dos principais centros de desenvolvimento do Unix e aplicações a ele relacionadas.
1970: Surge a ARPANET, precursora da Internet; A IBM começa a vender seu software separadamente, estabelecendo assim o início da indústria do software restrito.
1972: Unix começa a ser distribuído em universidades e centros de pesquisa.
1973: Inicia-se a história do Unix BSD com a chegada do Unix à Universidade de Berkeley, na Califórnia; SPICE é colocado por Donald Pederson em domínio público.
1975: Lançada a primeira versão do Ingres, banco de dados livre (o ancestral do PostgreSQL).
1976: Bill Gates escreve a “carta aberta aos hobistas”.
1977: A Arpanet atinge mais de 100 computadores.
1978: Donald Knuth, da Universidade de Stanford, começou a trabalhar no TeX, distribuído como software livre.
[editar] O Nascimento do Movimento do Software Livre
Em 1980 foram criados os primeiros projetos organizados de forma consciente para serem software livre, assim como foram estabelecidos os fundamentos éticos, legais e financeiros desse movimento. Em 1984, Richard Stallman, então funcionário do laboratório de inteligência artificial do (AI Lab) MIT, deixou seu emprego e começou a trabalhar no Projeto GNU. Stallman gostava de compartilhar seus interesses tecnológicos, conhecimentos e código, algo incompatível com seu ambiente de trabalho no MIT. Foi neste contexto que ele começou a escrever o GCC e o Emacs, ferramentas populares até hoje. Richard Stallman criou um mecanismo legal a fim de garantir que, além daqueles que receberiam os programas diretamente do Projeto GNU, todos pudessem desfrutar os direitos de copiar, redistribuir e modificar o software. Inclusive, todos aqueles que recebessem algum software após qualquer número de redistribuições e, eventualmente, modificações, também deveriam poder gozar dos mesmos direitos associados ao software original distribuído pelo Projeto GNU. Esta foi a razão pela qual ele elaborou a Licença GPL. Além disso, para institucionalizar o Projeto GNU, bem como obter fundos para desenvolver e proteger o software livre, de acordo com os princípios éticos que ele publicou no Manifesto GNU, Stallman fundou a Free Software Foundation (FSF). Dessa forma, definitivamente nomeado, nasce o Movimento do Software Livre.
1981: A IBM fecha acordo com Microsoft para que ela forneça o DOS para o PC, mas desconsidera a relevância do software e abre mão do copyright do DOS, abrindo espaço para a expansão da Microsoft graças ao mercado de clones do PC surgido posteriormente.
1983: Richard Stallman posta mensagem no grupo net.unix-wizards com o assunto “new Unix implementation”. Anuncia a criação do GNU e explica seus princípios para a necessidade de criação de um novo Unix. Ele menciona que serão necessários um núcleo, um editor e um compilador, entre outras ferramentas. No final ele pede contribuições na forma de máquinas, dinheiro e ajuda para escrever o software.
1984: Stallman pede demissão do AI Lab do MIT para se dedicar ao Projeto GNU, e usa o termo "software livre" no Manifesto GNU; O primeiro software do projeto GNU é liberado, o GNU Emacs, escrito por Richard Stallman e Guy L. Steele.
1985: O consórcio X distribui o sistema de janela X como software livre; Richard Stallman funda a Free Software Foundation (FSF). A FSF define software livre baseado em 4 liberdades fundamentais; GCC, escrito por Richard Stallman e Len Towe, tem sua primeira versão finalizada.
1987: Para arrecadar dinheiro, a FSF vende cópias do software GNU em fita magnética por 150 dólares.
1989: A FSF cria o conceito de copyleft e a Licença GPL para garantir as 4 liberdades do software; Michael Stonebreaker, criador do Ingres, lança o PostgreSQL como software livre; A Cygnus, primeira empresa que essencialmente começou a prover serviços para software livre, é fundada por Michael Tiemann, David Henkel-Wallace e John Gilmore; Começa a ser desenvolvido o Network Simulator (NS), um simulador livre de rede de telecomunicações que passaria a ser o mais usado por pesquisadores de todo o mundo.
[editar] Linux
Em julho de 1991, Linus Torvalds, um estudante finlandês da Universidade de Helsinki, de 21 anos de idade, divulgou sua primeira mensagem mencionando o seu projeto de construir um sistema livre similar ao Minix. Linus já estava na pós-graduação e resolveu fazer experiências com o novo computador 386 que recebera na época. Ele conseguiu fazer com que um primeiro esboço do que seria o núcleo de seu sistema operacional executasse dois programas concorrentemente. Assim, anunciou na Internet que tinha um protótipo de sistema operacional. Em setembro do mesmo ano, Linus lançou uma versão oficial. Em março de 1994, a versão 1.0, a primeira a ser chamada de estável, foi liberada. Durante esse período, centenas de desenvolvedores se juntaram ao projeto para integrar todo o sistema GNU em torno do núcleo do Linux. Ao contrário dos BSDs, o núcleo do Linux e um grande número de componentes integrados em torno dele foram distribuídos sob licença GPL. Dessa forma, nasceu o sistema operacional GNU/Linux. Linus relata que não queria dinheiro para esta empreitada por uma série de razões. Quando ele postou o Linux originalmente, ele sentiu que estava seguindo os passos de centenas de cientistas e outros acadêmicos: Pessoas que construíram seu trabalho apoiando-se em outros, ou seja, “apoiando-se nos ombros de gigantes”. Em 1992, surgiram as primeiras distribuições GNU/Linux, entre elas a SLS, que mais tarde deu origem ao Slackware (ainda distribuída atualmente). Isso levou à criação de uma competição no mundo dos sistemas empacotados em torno do GNU/Linux. Desse momento em diante, o modelo original de desenvolvimento de software e compartilhamento de conhecimento foi resgatado, porém coexistindo com o modelo de software restrito que ganhara força nas duas décadas anteriores. O aspecto mais revolucionário do movimento de software livre não está na questão do código ser aberto, mas no fato de ter sido a primeira comunidade a explorar as novas possibilidades de desenvolvimento e colaboração, geograficamente distribuídos, que a Internet possibilita.
1990: A FSF anuncia que pretende desenvolver um núcleo para o sistema GNU, chamado de GNU Hurd, com o objetivo de completar o sistema operacional.
1991: William e Lynne Jolitz escrevem uma série sobre “como adaptar o BSD Unix para PC i386”; Linus Torvalds anuncia a criação do Free Minix, usando as ferramentas do projeto GNU, como o GCC, e poucos meses depois lança a primeira versão do Linux.
1992: A força aérea dos Estados Unidos faz um contrato com a universidade de Nova York para desenvolver uma versão livre do compilador ADA. Eles escolhem o GNU GCC como base e criam o GNAT (GNU NYU Ada 95 Translator ); Lançado 386BSD 0.1, que depois deu origem ao NetBSD, FreeBSD e OpenBSD.
1993: A empresa SuSE é fundada com negócios são baseados em Slackware traduzido para o Alemão; Ian Murdock inicia o desenvolvimento da distribuição Debian do GNU/Linux; FreeBSD 1.0 é disponibilizado na Internet.
1994: A Ada Core Technologies é fundada pelos desenvolvedores do GNAT e se torna líder do mercado de compiladores ADA; Debian GNU/Linux 0.91 é lançado, como resultado do desenvolvimento voluntário de 20 pessoas; Marc Ewing lança a primeira versão do Red Hat Linux.
1995: Bob Young funda a Red Hat Software ao comprar a distribuição Red Hat Linux; O Red Hat Linux 2.0 é lançado, a primeira com o formato de empacotamento RPM; Apache 0.6.2, primeira versão oficial, é lançado; Criado o MySQL.
1996: O projeto KDE é anunciado com o objetivo de tratar os problemas de usabilidade para o usuário final de ambientes similares ao Unix, que utilizam o sistema de janelas X.
[editar] Eric Raymond, a criação da OSI e o restante da história
Em 1997, Eric Raymond, apresenta o artigo e palestra A catedral e o bazar, onde discute as vantagens técnicas do software livre e aborda os mecanismos de funcionamento do desenvolvimento descentralizado. Em 1998, Raymond foi um dos protagonistas, junto com Linus Torvalds, da criação da Open Source Initiative (OSI), defendendo a adoção do software livre por razões técnicas e sugerindo o uso da expressão open source ao invés de free software. A principal motivação para a adoção da expressão open source foi introduzir o software livre no mundo dos negócios de uma forma mais palatável para empresas mais conservadoras, evitando a ambiguidade do termo free (que pode significar tanto livre quanto gratuito, na língua inglesa). Para divulgar o lançamento desta nova forma de apresentar o movimento do software livre, Raymond publica, em fevereiro de 1998, o texto Goodbye, free software ; hello, open source . Alguns membros da comunidade, em especial Richard Stallman e parte da comunidade em torno da FSF, não concordaram com o uso do termo pois, para eles, o termo software livre é mais apropriado. Assim, Stallman publica, em resposta, o texto: Why Free Software is better than Open Source. Como a receptividade do termo Open Source nas empresas foi bem significativa, ele foi adotado por muitos como a melhor maneira de se referir ao software livre, particularmente na língua inglesa. A pluralidade de ideias e concorrência natural entre os sistemas e aplicações dentro do movimento software livre fazem parte de seu mecanismo de evolução, bem como influencia positivamente em sua qualidade. A concorrência entre os navegadores, ferramentas de escritório, gerenciador de janelas e banco de dados são os exemplos mais conhecidos. Do restante da história do software livre até os dias atuais, podemos encontrar uma grande quantidade de soluções de alta qualidade que foram e estão sendo liberadas sob licença livre, em geral apoiadas tanto pela OSI quanto pela FSF. Com este breve resumo da história do software livre, mostramos que ele, como movimento e como solução tecnológica de alta qualidade e segurança, já é realidade há mais de duas décadas.
1997: Eric Raymond apresenta a palestra A catedral e o bazar. Miguel de Icaza anuncia o projeto GNOME, um concorrente do KDE que nasce como resposta da FSF a problemas de licença com o KDE.
1998: Netscape libera o código-fonte do navegador Mozilla sob licença livre; Eric Raymond cria o movimento Open Source e cria a OSI; Corel anuncia o NetWinder, uma rede de computador baseada em Linux; Sun Microsystems e Adaptec são as primeiras grandes empresas a fazerem parte da Linux International; IBM anuncia que irá comercializar e dar suporte à Apache; Debian GNU/Linux 2.0, como trabalho de mais de 300 voluntários; KDE 1.0 é lançado e incorporado a várias distribuições GNU/Linux; Linus é capa da revista Forbes, representando o reconhecimento do mundo corporativo ao Linux e ao software livre; Microsoft reconhece o GNU/Linux e o software livre como importantes concorrentes e descreve como atacá-los, de acordo com os Halloween documents.
1999: Dell, HP e SGI anunciam que irão dar suporte a GNU/Linux em seus computadores; GNOME 1.0 é lançado; Red Hat Software compra a Cygnus e se torna a maior empresa do mundo na área de software livre; Criado o SourceForge.net, maior repositório de projetos de software livre.
2000: Mozilla M13, o primeiro considerado estável, é lançado; Criada a fundação GNOME; A Sun libera o código-fonte do seu StartOffice sob licença LGPL e é criado o projeto OpenOffice.org.
2001: Linux 2.4 é lançado; IBM anuncia investimento de US$1bi no Linux; Surge a Wikipedia.
2002: Consórcio ObjectWeb é fundado pela Bull, France Telecom e INRIA, na França; KDE 3.0 e GNOME 2.0 são lançados e os gerenciadores de janelas chegam ao nível de concorrer com os desktops comerciais; Mozilla 1.0, o primeiro oficial estável, é disponibilizado; OpenOffice.org 1.0 é lançado; As primeiras licenças Creative Commons para compartilhamento de outros tipos de obras intelectuais (que não software) são publicadas.
2003: Motorola inicia vendas do A760, o primeiro telefone celular com um Linux; Mozilla Foundation é criada; Lançado o Fedora Core, versão comunitária do Red Hat Linux; SCO processa IBM por suposto código de sua propriedade inserido no Linux, levantando dúvidas no mercado sobre a legitimidade do software livre e da licença GPL, mas perde.
2004: Novell compra da SuSE por 210 milhões de dólares; Primeira versão do Ubuntu e do Firefox são lançadas;
2005: MandrakeSoft compra a empresa brasileira Conectiva e a americana Lycoris, resultando na Mandriva; ODF (open document format), usado pelo OpenOffice 2.0, é reconhecido como padrão pela OASIS; Sun Microsystems disponibiliza o Open Solaris, versão livre do sistema operacional Solaris; Nicholas Negroponte anuncia o projeto OLPC (One Laptop Per Child), projeto do MIT tendo como base o Linux.
2006: Primeiro protótipo do XO (One Laptop per Child) é disponibilizado; Sun libera a máquina virtual Java sob licença GPL (alterada para permitir que se distribua em aplicações comerciais); OpenDocument Format (ODF), padronizado pela OASIS ODF TC, se torna um padrão ISO; Firefox atinge 200 milhões de downloads (12% do mercado mundial e 20% do Europeu); Neo1973, usando a plataforma OpenMoko para telefones móveis, é apresentado.
2007: A Sun libera também a JDK sob GPLv2; Após longas controvérsias, FSF lança a versão definitiva da GPL versão 3; O estudo FLOSSImpact sobre o efeito (especialmente econômico) do software livre, financiado pela Comissão Europeia, é publicado (o primeiro estudo de larga escala sobre o assunto).
2008: Nokia compra TrollTech, dona da biblioteca multiplataforma e livre Qt, e anuncia transformação do Symbian em software livre.
2009: Oracle compra Sun Microsystems por US$ 7,4 bilhões e entra definitivamente no mercado de software livre, inclusive adquirindo o MySQL que havia sido comprado pela Sun.
2010: Oracle fecha escritórios da Sun na América Latina e não mantém a mesma relação com a comunidade software livre. A comunidade do Java ligada ao movimento do software livre volta a discutir a preferência e investimentos no OpenJDK.
2011: Linus Torvalds disponibiliza a versão 2.6.38 kernel do Linux. Entre as novidades, uma modificação no gerenciamento de processos (o wonder patch), que permite um melhor desempenho aos ambientes Desktop. OSI define uma nova política de estruturação interna que prevê a participação direta da comunidade em sua governança. Anuncia-se que os membros do corpo diretivo da OSI serão agora eleitos pelas instituições associadas a OSI e pelos grupos de trabalho da comunidade.
[editar] Movimento Software Livre
[editar] Motivação
Os desenvolvedores de software na década de 70 frequentemente compartilhavam seus programas de uma maneira similar aos princípios do software livre. No final da mesma década, as empresas começaram a impor restrições aos usuários com o uso de contratos de licença de software. Em 1983, Richard Stallman iniciou o projeto GNU, e em outubro de 1985 fundou a Free Software Foundation (FSF). Stallman introduziu os conceitos de software livre e copyleft, os quais foram especificamente desenvolvidos para garantir que a liberdade dos usuários fosse preservada.
[editar] Ideologia: as diferenças entre Software Livre e Código Aberto
Muitos defensores do software livre argumentam que a liberdade é valiosa não só do ponto de vista técnico, mas também sob a ótica da moral e ética. É neste aspecto que o movimento de software livre (encabeçado pela FSF) se distingue do movimento de código aberto (encabeçado pela OSI), que enfatiza a superioridade técnica em relação a software proprietário, ao menos em potencial.
Os defensores do código aberto (também conhecido como open source em inglês) normalmente argumentam a respeito das virtudes pragmáticas do software livre ao invés das questões morais. Não há uma grande discordância entre as duas vertentes, boa parte da comunidade se indentifica com ambas as organizações (FSF e OSI), a diferença sutil está no discurso e no público alvo. Enquanto o foco do discurso da FSF chama a atenção para valores morais, éticos, direitos e liberdade, o discurso da OSI enfoca as vantagens técnicas e para a sociedade, o que muitas vezes é mais palatável às empresas. Com isso, o discurso da FSF condena o uso e desenvolvimento de software proprietário, enquanto o movimento de código aberto é algumas vezes conivente com o desenvolvimento e uso de software proprietário.
As definições oficiais de software livre e de código aberto são as mesmas, porém escritas de formas distintas. A OSI define o código aberto usando a definição Debian de software livre, que é apenas um detalhamento das 4 liberdades da FSF. Desta forma todo software de código aberto é também um software livre.
O movimento software livre não costuma tomar uma posição sobre trabalhos que não sejam programas de computador, i.e., software e suas respectivas documentações, mas alguns defensores do software livre acreditam que outros trabalhos que servem a um propósito prático também devem ser livres (veja Free content).
Para o Movimento do software livre, que é um movimento social, não é ético aprisionar conhecimento científico, que deve estar sempre disponível, para assim permitir a evolução da humanidade. Já o movimento pelo Código Aberto, que é um movimento mais voltado ao mercado, prega que o software desse tipo traz diversas vantagens técnicas e econômicas. O segundo surgiu para levar as empresas a adotarem o modelo de desenvolvimento de software livre.
Como a diferença entre os movimentos "Software Livre" e "Código Aberto" está apenas na argumentação em prol do mesmo tipo de software, é comum que esses grupos se unam em diversas situações ou que sejam citados de uma forma agregadora através da sigla "FLOSS" (Free/Libre and Open Source Software).
[editar] Movimentos Relacionados
Inspirados na GPL e nas propostas do movimento do software livre, foi criado um repositório de licenças públicas, chamado Creative Commons, cujos termos se aplicam a variados trabalhos criativos, como criações artísticas colaborativas, textos e software.[4] Entretanto a maioria destas licenças não são reconhecidas como realmente livres pela FSF e pelo movimento de software livre.
O software livre está inserido num contexto mais amplo onde a informação (de todos os tipos, não apenas software) é considerada um legado da humanidade e deve ser livre (visão esta que se choca diretamente ao conceito tradicional de propriedade intelectual). Coerentemente, muitas das pessoas que contribuem para os movimentos de Conhecimento Aberto — movimento do software livre, sites Wiki, Creative Commons, etc. — fazem parte da comunidade científica.
Cientistas estão acostumados a trabalhar com processos de revisão mútua (ou por pares) e o conteúdo desenvolvido é agregado ao conhecimento científico global. Embora existam casos onde se aplicam as patentes de produtos relacionados ao trabalho científico, a ciência pura, em geral, é livre.[5]
[editar] Software Freedom Day
No dia 20 de setembro comemora-se o Dia da Liberdade do Software (Software Freedom Day) com eventos envolvendo as comunidades de usuários e desenvolvedores de software livre em todo o mundo.[6]
[editar] Softwares livres notáveis
-
Ver página anexa: Lista de softwares livres notavéis
[editar] Ver também
[editar] Associações
[editar] Conceitos
[editar] Eventos de software livre
- FISL (Fórum Internacional de Software Livre)
- LinuxTag - Link Externo
- Desktop Summit - Link Externo
- ENSL - Link Externo
- Flisol - Link Externo
- Latinoware - Link Externo
- Consegi - Link Externo
[editar] Exemplos famosos
- Ambiente de trabalho GNOME.
- GNU, projeto de desenvolvimento de um sistema operacional completamente livre.
- Núcleo operacional Linux.
- Servidor web, Apache.
- Gerenciador de conteúdos WordPress.
- Suite de criação de conteúdo 3D Blender.
[editar] Indivíduos
[editar] Licenças livres
[editar] Movimentos
[editar] Ligações externas
- Associação Software Livre.Org
- A identificação da ideologia através da análise do discurso (sobre Software Livre x Código Aberto)
- Página oficial da Free Software Foundation (em inglês)
- Free Software Foundation Latin America
- Associação Nacional para o Software Livre (Portugal)
- LISA - Laboratório para a Iniciativa de Software Aberto (Organização Governamental de Portugal)
- O que é o Software Livre?
- Artigo: O Mercado e a Revolução do Software Livre
- Explicação sobre Tipos de Software
Referências
- ↑ Sabino, V; Kon, F. Licenças de Software Livre, História e Características. Relatório Técnico. Março de 2009. Disponível em http://www.visual.pro.br/old/sl/pdf/licencas.pdf [Acesso em 05 jan 2012]
- ↑ a b Kon, F. et al. Software Livre e Propriedade Intelectual: Aspectos Jurídicos, Licenças e Modelos de Negócios. Disponível em http://ccsl.ime.usp.br/files/slpi.pdf [Acesso em 05 jan 2012]
- ↑ Ghosh, R. A. et al. “Economic impact of open source software on innovation and the competitiveness of the information and communication technologies (ICT) sector in the EU. Relatório de Estudo. 2006. Disponível em http://www.flossimpact.eu [Acesso em 05 jan 2012]
- ↑ Simone Aliprandi, Creative Commons: a user guide
- ↑ Lawrence Lessig, Cultura Livre
- ↑ Happy Software Freedom Day to everyone!