Solidéu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Solidéu (em latim Pileolus), yarmulke (em iídiche יאַרמלקע, yarmlke, do polonês jarmułka, que significa "boina") é um pequeno barrete usado na cabeça por motivos religiosos. Seu nome provém do latim soli Deo, "somente para Deus".

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Solidéus à venda como quipás (kipót) em Jerusalém

O solidéu popularizou-se entre os judeus, desde o século XIX, como forma mais comum de quipá. A popularização foi tal que por vezes o solidéu passou a ter a designação de «chapeuzinho de judeu» e o sinônimo de quipá[1] .

O solidéu é utilizado como quipá em lembrança da soberania divina e como símbolo da identidade cultural judaica. Não há padrão de materiais ou de feitio. É normalmente feito de tricô, seda, veludo ou tecidos sintéticos e cosido em gomos ou numa única peça.

Catolicismo[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Católica, o solidéu foi adotado inicialmente por razões práticas — manter a parte tonsurada da cabeça aquecida em igrejas frias ou úmidas —, acabando por sobreviver como item tradicional do vestuário clerical. Consiste em oito partes costuradas, com um pequeno talo no topo.[2]

Solidéu branco usado pelos Papas.

Todos os membros ordenados da Igreja Católica podem usar o solidéu. Como grande parte da indumentária eclesiástica, a cor do solidéu denota o grau hierárquico do portador: o solidéu do Papa é branco, o dos cardeais é vermelho e designa-se por barrete cardinalício e o dos bispos, abades territoriais e prelados territoriais é violeta.

Monsenhores usam solidéu negro com algumas linhas violetas. Padres e diáconos usam solidéu negro, embora seja extremamente raro o uso do solidéu por padres (com exceção dos abades) e ainda mais por diáconos.

Todos os clérigos que possuem caráter episcopal retêm o solidéu durante a maior parte da missa, removendo-o no início do cânon e recolocando-o depois de concluída a comunhão. Os demais clérigos não podem usá-lo senão fora da liturgia.

Protestantismo[editar | editar código-fonte]

Bispo e teólogo protestante Johan Amos Comenius com solidéu
Arcebispo anglicano Desmond Tutu com solidéu

No Protestantismo, entre os séculos XVI e XVIII, era comum o porte de solidéus por ministros e teólogos. O uso de vestimentas distintivas para o clero protestante não é praticado por todas as denominações. Nalgumas, há ainda a proibição de o homem orar com a cabeça coberta. A partir do século XVIII, o solidéu praticamente desapareceu dos paramentos clericais. Hoje, o costume de usar solidéu limita-se praticamente aos anglicanos. O pastor brasileiro Caio Fábio costuma aparecer de solidéu.

Islam[editar | editar código-fonte]

muçulmano com taqiyah

Também no Islam há o uso de solidéus, normalmente feitos de crochê, chamados taqiyah. Há vários modelos e materiais, como topi, tubeteika, doopa, kufi. Embora não haja mandamentos corânicos para o seu porte, tornou-se costumário. As orações de sexta-feira e os serviços nas mesquistas são ocasiões para o uso da taqiyah. Alguns muçulmanos vestem taquiyah diariamente.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Steele, Valerie. The Berg Companion to Fashion, p. 451
  2. McCloud, Henry (1948), Clerical Dress and Insignia of the Roman Catholic Church, Milwaukee: The Bruce Publishing Company

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Solidéu

Vestuário religioso judaico