Soneto 18

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Soneto 18

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate;
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

–William Shakespeare

O Soneto 18 está entre os mais famosos e conhecidos dos 154 sonetos de William Shakespeare. A maioria dos estudiosos concordam que o destinatário verdadeiro do poema, o amante do eu-lírico, a quem o poeta está escrevendo, é um homem, embora o poema é comumente usado para descrever uma mulher.

No soneto, o eu-lírico compara o seu amor com um tempo de verão, e argumenta que o seu amor é melhor que o verão. Ele também afirma que o seu amante viverá para sempre através das palavras do poema. Os estudiosos descobriram paralelos entre esse soneto e os poemas Tristia e Amores de Ovídio. Várias exegeses revelaram vários duplos sentidos dentro do poema, dando-lhe uma maior profundidade de interpretação.

Traduções[editar | editar código-fonte]

Fac-símile da impressão original do Soneto 18.

Na tradução de Arnaldo Poesia, houve o cuidado e a preservação de manter o destinatário como uma pessoa do sexo masculino:

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes obscurece com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na eterna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás exausta ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos ardentes te farão viver.[1]

Na tradução de Thereza Christina Roque da Motta, a tradutora preferiu que o destinatário fosse uma mulher:

Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.[2]

Contexto[editar | editar código-fonte]

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O poema é parte da sequência "Fair Youth" (a qual inclui os sonetos 1 a 126 ordenados como na primeira edição de 1609). É também o primeiro do ciclo depois da introdução da sequência agora conhecida como Procreation sonnets, apesar de alguns estudantes o verem como parte da "Procreation sonnets", pois ainda aborda a idéia de alcançar a vida eterna pela palavra escrita, que é o tema dos sonetos 15 a 17. Desta maneira pode ser visto como parte da transição do tempo do tema do sonnet 20.[3] Existem algumas teorias sobre a enigmática identidade, à qual o Quarteto de 1609 foi dedicado,que é o Mr. W.H. Alguns estudantes afirmam que este poema pode expressar uma esperança que a Procreation sonetts desmonstra: a esperança da procriação metafórica numa relacao homossexual.[4] Outros estudantes referem que a ordem, na qual os sonetos se encontram, pode ter sido uma decisão dos publicadores e não do próprio Shakespeare. Assim introduz-se a possbilidade de que o Soneto 18 foi originalmente dedicado a uma mulher.[5]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

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Sonnet 18 is a typical English or Shakespearean sonnet. It consists of three quatrains followed by a couplet, and has the characteristic rhyme scheme: abab cdcd efef gg. The poem carries the meaning of an Italian or Petrarchan Sonnet. Petrarchan sonnets typically discussed the love and beauty of a beloved, often an unattainable love, but not always.[6] It also contains a volta, or shift in the poem's subject matter, beginning with the third quatrain.[7]

Syllabic structure of a line of Sonnet 18[8]
Stress x / x / x / x / x /
Syllable Thou art more love- ly and more temp- pe- rate

Exegeses[editar | editar código-fonte]

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"Complexion" in line six, can have two meanings: 1) The outward appearance of the face as compared with the sun ("the eye of heaven") in the previous line, or 2) the older sense of the word in relation to The four humours. In the time of Shakespeare, "complexion" carried both outward and inward meanings, as did the word "temperate" (externally, a weather condition; internally, a balance of humours). The second meaning of "complexion" would communicate that the beloved's inner, cheerful, and temperate disposition is sometimes blotted out like the sun on a cloudy day. The first meaning is more obvious, meaning of a negative change in his outward appearance.[9]

The word, "untrimmed" in line eight, can be taken two ways: First, in the sense of loss of decoration and frills, and second, in the sense of untrimmed sails on a ship. In the first interpretation, the poem reads that beautiful things naturally lose their fanciness over time. In the second, it reads that nature is a ship with sails not adjusted to wind changes in order to correct course. This, in combination with the words "nature's changing course", creates an oxymoron: the unchanging change of nature, or the fact that the only thing that does not change is change. This line in the poem creates a shift from the mutability of the first eight lines, into the eternity of the last six. Both change and eternity are then acknowledged and challenged by the final line.[6]

"Ow'st" in line ten can also carry two meanings equally common at the time: "ownest" and "owest". Many readers interpret it as "ownest", as do many Shakespearean glosses ("owe" in Shakespeare's day, was sometimes used as a synonym for "own"). However, "owest" delivers an interesting view on the text. It conveys the idea that beauty is something borrowed from nature—that it must be paid back as time progresses. In this interpretation, "fair" can be a pun on "fare", or the fare required by nature for life's journey.[10] Other scholars have pointed out that this borrowing and lending theme within the poem is true of both nature and humanity. Summer, for example, is said to have a "lease" with "all too short a date." This monetary theme is common in many of Shakespeare's sonnets, as it was an everyday theme in his budding capitalistic society.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Sonetos de William Shakespeare. Acesso: 18 de dezembro, 2010.
  2. Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoraçao Aos 400 Anos Da 1ª Ediçao 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 85-7823-026-4
  3. Shakespeare, William et al. The Sonnets. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. pg. 130 ISBN 0-521-29403-7
  4. Neely, Carol Thomas. (October 1978). "The Structure of English Renaissance Sonnet Sequence". ELH 45 (3): 359–389. ELH, Vol. 45, No. 3. DOI:10.2307/2872643.
  5. Schiffer, James. Shakespeare's Sonnets. New York: Garland Pub, 1999. pg. 124. ISBN 0-8153-2365-4
  6. a b Jungman, Robert E.. (January 2003). "Trimming Shakespeare's Sonnet 18.". ANQ a Quarterly Journal of Short Articles Notes and Reviews 16 (1): 18–19. ANQ. DOI:10.1080/08957690309598181. ISSN 0895-769X.
  7. Preminger, Alex and T. Brogan. The New Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics. Princeton: Princeton University Press, 1993. pg. 894 ISBN 0-691-02123-6
  8. Simpson, Paul. Stylistics. New York: Routledge, 2004. pg. 27. ISBN 0-415-28105-9
  9. Ray, Robert H.. (October 1994). "Shakespeare's Sonnet 18.". The Explicator 53 (1): 10–11. DOI:10.1080/00144940.1994.9938800. ISSN 0014-4940.
  10. Howell, Mark. (April 1982). "Shakespeare's Sonnet 18". The Explicator 40 (3): 12. ISSN 0014-4940.
  11. Thurman, Christopher. (May 2007). "Love's Usury, Poet's Debt: Borrowing and Mimesis in Shakespeare's Sonnets". Literature Compass 4 (3): 809–819. Literature Compass. DOI:10.1111/j.1741-4113.2007.00433.x.
  • Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
  • Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
  • Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
  • Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
  • Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
  • Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
  • Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
  • Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]