Soro da verdade

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"Truth serum; o "soro da verdade".
Pentotal sódico, uma droga usualmente utilizada como "soro da verdade".

Soro da verdade (original, em inglês: Truth serum) é o termo utlizado para referir-se a uma droga ou conjunto de drogas que, ministrada a um suspeito ou paciente que tem algo de relevante a esconder, o levaria a revelar a informação que esconde, mediante a supressão e mesmo eliminação da sua força de vontade em não fazê-lo. Várias drogas são utilizadas com esse intuito, figurando entre as mais comuns e conhecidas a escopolamina e o pentotal sódico (um barbitúrico) 1 .

A expressão "soro da verdade" não mostra-se em verdade adequada à realidade, pois de fato não há, pelo menos até hoje, uma droga ou coquetel que relaxe e suprima o livre arbítrio da pessoa a ponto dessa revelar a verdade - e nada mais que a verdade - quando seus efeitos. Os candidatos a soros da verdade foram amplamente estudados por diversas entidades e organizações dado o seu interesse estratégico em certas situações; e uma análise fria de caso revela que, ao fim, uma expressão mais adequada para o soro seria, talvez, "soro da tagarelice". A CIA, a agência de inteligência norteamericana, manteve entre seus projetos um de codinome MKULTRA2 , que durante 25 anos investigou o comportamento humano quando sujeito às mais variadas situações, inclusive no tocante ao soro da verdade. A conclusão a que chegou foi a de que "Tudo que esses soros fazem é soltar a língua da pessoa, mas não há a menor garantia do que aquilo [que dizem] seja verdade."1 .

Quando começou a ser estudado, rapidamente percebeu-se que os "soros da verdade" tinham melhor efeito quando administrados a pacientes previamente dopados com anestésicos, em uma situação onde os padrões normais de pensamento mostravam-se suprimidos ou interrompidos 1 . Os melhores resultados foram obtidos com o paciente em estágio de sedação e relaxamento, em estado de pouca coordenação motora e fala arrastada1 . Apenas mais tarde, contudo, percebeu-se que os relatos dos pacientes sob ação do soro, quer dopados quer não, não necessariamente e de fato poucas vezes correspondiam à realidade; apresentando-se quase sempre carregados de alucinações traduzidas de medos e fantasias do "entrevistado" que, ao fim das contas, não podiam ser separados entre verídicos e não veríficos de forma segura. Sobre o soro da verdade, várias pessoas confessaram crimes, incluso assassinatos, que não cometeram; simplesmente porque, quando investigados, constatou-se que tais crimes de fato nunca ocorreram 1 3 .

O uso de soros da verdade é classificado como uma forma de tortura, de acordo com o direito internacional.4 Mesmo diante de proibições de ordem internacional, estes soros ainda têm uso difundido; relatando-se ocorrências inclusive junto aos serviços secretos tanto russo como norteamericano.5 6 3 O uso aida se justifique talvez porque um dos efeitos confirmados do soro seja induzir a pessoa a pensar que revelou muito mais informações do que ela realmente revelou; levando-a a deslizes ou mesmo confissões subsequentes que por fim trazem à tona a verdade que ela antes não revelou 1 .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Kruszelnicki, Karl - Grandes Mitos da Ciência - "O soro da verdade" (pág. 106) - Editora Fundamentos Educacional Ltda - São Paulo, SP - 2013 - ISBN: 978-85-395-0164-9
  2. Project MKULTRA, The CIA's Program of Research in Behavioral Modification, Senate Hearing on MKULTRA: Truth Dugs in Interrogation, 1977.
  3. a b Use drug on al-Qaeda prisoners: Ex-CIA chief, The Sydney Morning Herald, p.13, 27-28, abril de 2002
  4. Winfried Brugger. (2000). "May government ever use torture? Two responses from German law". The American Journal of Comparative Law 48: 661–678. DOI:10.2307/840910.
  5. Alexander Kouzminov Biological Espionage: Special Operations of the Soviet and Russian Foreign Intelligence Services in the West, Greenhill Books, 2006, ISBN 1-853-67646-2 [1].
  6. Alex Goldfarb and Marina Litvinenko. Death of a Dissident: The Poisoning of Alexander Litvinenko and the Return of the KGB. New York: Free Press, 2007. ISBN 978-1416551652.
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