Spirulina

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Spirul2.jpg

Classificação científica
Reino: Bacteria
Divisão: Cyanobacteria
Ordem: Oscillatoriales
Género: Spirulina
Espécies
Spirulina corakiana

Spirulina crispum
Spirulina labyrinthiformis
Spirulina laxa
Spirulina laxissima
Spirulina major
Spirulina meneghiniana
Spirulina nordstedtii
Spirulina princeps
Spirulina subsalsa
Spirulina subtilissima
Spirulina platensis
Spirulina tenerrima
Spirulina weissii

Spirulina é uma bactéria pertencente ao grupo Cyanobacterium (anteriormente conhecido como Cyanophyta ou como grupo das algas verde-azuladas). Trata-se de organismos unicelulares e fotoautótrofos que, apesar de serem unicelulares, se agrupam formando tricomas ou formas filamentosas [1] [2] .

Realmente se tratam de organismos procariotas, e não de algas como se acreditava anteriormente [3] . Possuem uma região central, onde se localiza o ácido nucleico (uma só molécula de ADN), uma região periférica que contém as membranas tilacoidais e várias inclusões ou estruturas citoplasmáticas, rodeadas frequentemente por uma capa de mucílago. Esta capa não está presente entre as células que formam o tricoma. A parede celular contém peptidoglicano e a estrutura e composição características das bactérias Gram negativas. No citoplasma se encontram as inclusões (grânulos de polifosfato, glicogênio e cinanoficina), os carboxissomas ou corpos poliédricos, onde está a RBP-carboxilasa (RuBisCO, a principal enzima responsável pela fixação fotossintética de dióxido de carbono) e ribossomas 70S.

Habitat[editar | editar código-fonte]

Na Espanha, a Spirulina habita de forma selvagem o Parque nacional de Doñana (Huelva), cuja população juntamente com outras cianófitas é a dominante nos primeiros meses de verão, substituindo algas clorófitas como parte do fitoplâncton principalmente na lagoa de Santa Olalla. Apesar desta bactéria não ser originária da Espanha, acredita-se que chegou transportada por flamingos desde as lagoas vulcânicas africanas em suas migrações, visto que é na superfície onde crescem com maior profusão, devido à ausência de competidores provocada pela alcalinidade e salinidade de suas águas.

Usos[editar | editar código-fonte]

O emprego de Spirulina para a alimentação não é algo novo, visto que existem evidências de que os aztecas a consumiam, procedente do Lago de Texcoco.[4] Assim mesmo outras culturas da região do Lago Chade, como os Kanenmbu, também incluíam em sua dieta habitual spirulina na forma de bolos.

Por se tratar de um alimento rico e por se expandir ao contacto com a água do corpo, o consumo desta bactéria confere uma sensação de saciedade que inibe a fome. A humanidade conhece esta bactéria há séculos, mas foi na última metade do século XX que começou a ser empregada industrialmente. O seu cultivo industrial não se iniciou até 1962 na zona do Chade.[4] Trata-se de um cultivo adequado para zonas áridas nas quais a salinidade da água a torna inapta para o seu emprego agrícola tradicional.

Diretamente, o seu principal emprego é para a alimentação, principalmente na forma de pílulas ou tabletes de Spirulina prensada. Os seus principais consumidores são os vegetarianos[carece de fontes?] devido a duas características: o seu elevado conteúdo em proteínas de alto valor biológico. Também se emprega como fonte de pigmentos como são a ficocianina ou xantofilas, ou de ácidos graxos poli-insaturados [5] [6] [7] [8] . Devido ao alto conteúdo em proteínas também se tem estudado a substituição de proteína de soja com spirulina para alimentação animal. Como tal, outro nome da spirulina é "proteína unicelular" ou "single cell protein". Além disto, também é utilizada como alimento para peixes.

Características Nutricionais[editar | editar código-fonte]

Suas características nutricionais são as seguintes [9] :

  • Proteínas: ao redor de 65% em peso seco é formado por proteínas.O mais importante destas é a sua composição em aminoácidos já que não só contém todos os essenciais, mas também a sua disponibilidade é muito alta. Por exemplo para a lisina se tem descrito até 85% de biodisponibilidade. A metionina é o aminoácido limitante na maioria das espécies
  • Lipídios: aproximadamente 6%, mas tanto as suas quantidades como composição variam em função das condições de cultivo, principalmente luz e nitrogénio. Se a luz for escassa aumentará o conteúdo de lípidos como reserva de energia.
  • Ácidos nucleicos: seu baixo conteúdo em ácidos nucleicos faz da Spirulina um produto adequado para suplementação em pacientes com antecedentes ou predisposição à gota, visto que no metabolismos dos ácidos nucleicos se produz ácido úrico.
  • Vitaminas: por tratar-se de organismos fotoautótrofos, têm elevadas concentrações de pigmentos, entre eles β-caroteno, isto é, pró-vitamina A. Além disto, a Spirulina é o organismo não animal com maior conteúdo em vitamina B12 ou cobalamina, porém essa vitamina é análoga. Não é uma vitamina B12 ativa em seres humanos, ela apenas é dosada no sangue como se fosse a verdadeira, não sendo uma fonte segura [10] .

Referências

  1. HOEK, C. van den et al. Algae: an introduction to phycology. London: Cambridge University, 1995.
  2. RAVEN, J.A. Limits to growth. In: BOROWITZKA, M.A.: BOROWITZKA, L.J. (Eds). Micro-algal biotecnology. Cambridge: Cambridge University, 1988. p.331-356.
  3. Margulis, L. y Sagan, D. 2002. Acquiring genomes. A theory of the origins of species. Perseus Books Group, Boston ISBN 0 46504 391 7
  4. a b JOURDAN, J.P. Cultivez votre spiruline – manuel de culture artisanale, 1996. Capturado em 20 mar. 2004. Online. Disponível na Internet www.spirulinasource.com
  5. BECKER, W. Microalgae in human and animal nutrition. In: RICHMOND, A. (Ed). Handbook of microalgal culture: biotechnology and applied phycology. London: Blackwell Science, 2004. p.312-351.
  6. BECKER, E.W. Micro-algae for human and animal consumption. In: BOROWITZKA, M.A.; BOROWITZKA, L.J. (Eds). Micro-algal biotecnology. Cambridge: Cambridge University, 1988. p.222-256.
  7. COLLA, L.M. et al. Fatty acids of Spirulina platensis grown under different temperatures and nitrogen concentrations. Zeitschrift für Naturforschung, v.59c, p.55-59, 2004.
  8. PULZ, O.; GROSS, W. Valuable products from biotechnology of microalgae. Applied Microbiology Biotechnology, v.65, p.635-648, 2004.
  9. ABALDE, J. et al. Microalgas: cultivo e aplicaciones. España: Universidade da Coruña, 1995. 210p. (Monografías n.26).
  10. Watanabe et al. Pseudovitamin B12 Is the Predominant Cobamide of an Algal Health Food, Spirulina Tablets 6 de outubro de 1999. Página visitada em 6 de abril de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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