Star Trek: First Contact

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Star Trek: First Contact
Star Trek: O Primeiro Contato (PT)
Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato (BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
1996 • cor • 111 min 
Direção Jonathan Frakes
Produção Rick Berman
Roteiro Brannon Braga
Ronald D. Moore
Baseado em Rick Berman
Brannon Braga
Ronald D. Moore
Elenco Patrick Stewart
Jonathan Frakes
Brent Spiner
LeVar Burton
Michael Dorn
Gates McFadden
Marina Sirtis
Alfre Woodard
James Cromwell
Alice Krige
Género Ficção Científica
Idioma Inglês
Música Jerry Goldsmith
Joel Goldsmith
Cinematografia Matthew F. Leonetti
Edição Anastasia Emmons
John W. Wheeler
Distribuição Paramount Pictures
Lançamento Estados Unidos 22 de novembro de 1996
Brasil 21 de fevereiro de 1997
Orçamento US$ 46 milhões
Receita US$ 146.027.888[1]
Cronologia
Último
Último
Star Trek Generations
Star Trek: Insurrection
Próximo
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Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Star Trek: First Contact (no Brasil, Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato) é o oitavo filme da franquia de ficção científica Star Trek. First Contact é o primeiro filme da franquia a não ter nenhum membro do elenco da série original de Star Trek dos anos 1960. O elenco principal é formado pelos atores da série Star Trek: The Next Generation, com a adição de Alfre Woodard, James Cromwell, Alice Krige e Neal McDonough. No filme a tripulação da USS Enterprise viaja do século XXIV para o século XXI para salvar o futuro após os Borg terem conquistado a Terra e alterado a linha do tempo.

Depois do lançamento de Star Trek Generations, em 1994, a Paramount encarregou os roteiristas Brannon Braga e Ronald D. Moore com a tarefa de desenvolver uma sequência. Braga e Moore queriam colocar os Borg na trama, enquanto o produtor Rick Berman queria uma história que envolvesse viagem no tempo. Os roteiristas combinaram as duas ideias; eles inicialmente colocaram o filme na Renascença Européia, porém mudaram para o início do século XXI depois de temerem que a ideia da Renascença seria muito brega. Depois que dois renomados diretores terem recusado o trabalho, Jonathan Frakes foi escolhido para dirigir e para se ter certeza que o trabalho seria feito por alguém que entendesse Star Trek.

O roteiro requeria a criação de novas naves estelares, incluindo uma nova USS Enterprise. O diretor de arte Herman Zimmerman e o ilustrador John Eaves colaboraram para fazer uma nave mais elegante que sua predecessora. As filmagens começaram com semanas de gravações em locações no Arizona e Califórnia antes de se mudarem para os cenários das naves dentro de estúdios. Os Borg foram redesenhados para parecerem como se estivessem sendo convertidos em seres ciborgues de dentro para fora; as novas maquiagens levavam quatro vezes mais tempo para serem aplicadas do que aquelas usadas na série de televisão. A companhia de efeitos especiais Industrial Light & Magic correu para completar os efeitos do filme em cinco meses. Técnicas tradicionais de efeitos ópticos foram complementadas com imagens geradas por computador. Jerry Goldsmith e seu filho Joel colaboraram para fazer a trilha sonora.

Star Trek: First Contact foi o filme de maior arrecadação em seu fim de semana de estréia, conseguindo US$ 30.7 milhões. O filme arrecadou US$ 92 milhões nos Estados Unidos e adicionais US$ 57.4 em outros territórios, para uma arrecadação total mundial de mais de US$ 146 milhões. A recepção da crítica foi em grande parte muito positiva; os críticos o consideraram um dos melhores filmes da franquia Star Trek. Os Borg e os efeitos especiais foram elogiados, enquanto as caracterizações foram recebidas de forma menos uniforme. First Contact foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem e venceu três Saturn Awards. Análises escolares sobre o filme se focaram nos paralelos entre o Capitão Jean-Luc Picard e o Capitão Ahab, de Herman Melville, e a natureza dos Borg.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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O Capitão Jean-Luc Picard acorda de um pesadelo onde ele re-vive sua assimilação pelos cibernéticos Borg seis anos antes (anteriormente mostrada no episódio em duas partes "The Best of Both Worlds". A Frota Estelar informa que os Borg estão atacando a Terra mais uma vez, porém ordena que a nova USS Enterprise-E patrulhe a Zona Neutra Romulana para não incluir um "elemento instável" na luta. Descobrindo que a Frota está perdendo a batalha, a tripulação de Enterprise desobedece suas ordens e viaja a Terra, onde um único Cubo Borg está atacando as naves da Frota. A Enterprise chega bem na hora para salvar a tripulação da USS Defiant e seu Oficial Comandante, o Tenente-Comandante Worf. Após Picard ouvir as comunicações Borg em sua cabeça, ele ordena que a frota concentre todo o seu poder de fogo em uma seção aparentemente sem importância do Cubo.[2] O Cubo é destruído, porém lança uma pequena esfera que vai em direção do planeta.

A Enterprise persegue a esfera em um vórtice temporal. Enquanto a esfera desaparece, a Enterprise descobre que a Terra é agora povoada por Borgs. Percebendo que os Borg viajaram no tempo para mudar o passado, a nave os segue no vórtice.[3] A Enterprise chega a centenas de anos no passado, no dia 4 de abril de 2063, um dia antes de a humanidade fazer primeiro contato com uma forma de vida alienígena depois do histórico voo em velocidade de dobra feito por Zefram Cochrane; a tripulação percebe que os Borg planejam impedir o primeiro contato. Depois de destruírem a esfera, um grupo de desembarque é transportado para Montana, onde Cochrane está construindo sua nave, a Phoenix. Picard manda a assistente de Cochrane, Lily, para cuidados médicos na Enterprise e retorna para a nave, deixando o Comandante William T. Riker na Terra para ter certeza que o voo da Phoenix saia como planejado.[4] A tripulação da Enterprise vê Cochrane como uma lenda, porém ele está relutante em assumir sua posição histórica.[3]

Os sobreviventes Borg invadem a Enterprise e começam a assimilar a tripulação e modificar a nave. Picard em uma equipe tentam chegar a engenharia para derrotar os Borg com um produto corrosivo que é usado para refrigerar os motores, porém falham e Data é capturado. Uma assustada Lily toma o Capitão como refém, más ele consegue ganhar sua confiança. Eles escapam de uma área infestada por Borgs criando uma distração no holodeque.[4] Picard, Worf e o navegador da nave, Tenente Hawk, impedem que os Borg chamem reforços usando a antena defletora, porém Hawk é assimilado. Enquanto os Borg prosseguem assimilando a nave, Worf sugere destruí-la, porém Picard recusa veementemente e chama Worf de covarde e promete continuar a luta. Lily confronta a Capitão e o faz perceber que ele está agindo irracionalmente devido ao seu desejo de vingança. Picard inicia a sequência de autodestruição da nave e se desculpa com Worf. Enquanto a tripulação abandona a nave, ele vai tentar salvar Data.[5]

Enquanto Cochrane, Riker e o engenheiro Geordi La Forge preparam o lançamento da Phoenix; Picard descobre que a Rainha Borg enxertou pele humana em Data, dando a ele uma nova gama de sensações. Ela apresentou essas modificações como presentes ao androide, esperando obter os códigos de encriptação do computador da Enterprise. Porém, Picard se oferece no lugar de Data. O androide se recusa a partir. Ele desabilita a autodestruição e atira torpedos na Phoenix, porém ele erra e a Rainha percebe que ele a traiu.[5] Data abre o tanque de refrigeração. O gás corrói os componentes biológicos dos Borg matando todos. Cochrane completa seu voo,[3] e no dia seguinte a tripulação observa um grupo de vulcanos, atraídos pelo rastro de dobra da Phoenix, aterrissarem na Terra e cumprimentarem Cochrane. Tendo consertado a história, a Enterprise retorna ao século XXIV.[3]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Patrick Stewart como Jean-Luc Picard, o Capitão da Enterprise que é atormentado pela sua assimilação pelos Borg. Stewart foi um dos membros do elenco que teve papel importante no desenvolvimento do roteiro, oferecendo sugestões e comentários.[6] O personagem de Picard mudou de um "personagem angustiado (na visão dos fãs) visto antes" para um herói de ação. Stewart notou que Picard está muito mais fisicamente ativo do que o usual.[7]
  • Jonathan Frakes como William T. Riker, o Primeiro Oficial da Enterprise. Frakes disse que não teve dificuldades em atuar e dirigir ao mesmo tempo, tendo feito isso na série de televisão.
  • Brent Spiner como Data, o androide Segundo Oficial da Enterprise. Rumores antes do lançamento do filme diziam que a pele de Data tinha sido removida no filme para permitir que outro ator fizesse o papel.[6]
  • LeVar Burton como Geordi La Forge, o Engenheiro Cefe da Enterprise. La Forge é um personagem cego, e para a série de TV e o filme anterior ele usava um visor especial para ver. Burton, por muito tempo, pediu para os produtores que seu visor fosse substituído e o público visse seus olhos, já que o visor original limitava sua atuação. Moore finalmente concordou, dando ao personagem implantes oculares que nunca são explicados no filme.[6]
  • Michael Dorn como Worf, o Chefe da Segurança da Enterprise e Comandante da Defiant. A USS Defiant foi muito avariada no confronto contra os Borg, porém é deixada para ser salva. Uma ideia anterior tinha a nave sendo destruída, porém o produtor de Deep Space Nine, Ira Steven Behr, fez uma objeção a destruição da nave de seu programa, então a ideia foi descartada.[8]
  • Gates McFadden como Beverly Crusher, a Oficial Médica Chefe da Enterprise. McFadden considerou que as mulheres finalmente estavam no mesmo nível de importância dos homens.[9]
  • Marina Sirtis como Deanna Troi, a Conselheira da Enterprise. A atriz sentia falta de trabalhar na série e tinha conhecimento das expectativas de First Contact eram altas; "tínhamos medo de que as pessoas achassem que não poderíamos fazer isso sem a tripulação original", disse.[10]
  • Alfre Woodard como Lily, a assistente de Cochrane. Quando Frakes se mudou para Los Angeles, Woodard foi uma das primeiras pessoas que ele conheceu. Em uma conversa durante um churrasco, ela disse que seria sua madrinha, já que ele não tinha uma. Através dessa relação, Frakes conseguiu escalar Woodard no filme.[11] Woodard considerou Lily, entre as que ela interpretou, como a personagem mais parecida com ela mesma.[12]
  • James Cromwell como Zefram Cochrane, o piloto e o criador da primeira nave de dobra da Terra. O personagem de Cochrane já tinha aparecido no espisódio da Série Clássica "Metamorphosis", interpretado por Glenn Corbett.[13] O Cochrane de Cromwell é bem mais velho e não tem nenhuma semelhança com o de Corbett, o que não incomodou os roteiristas.[6] Eles queriam mostrar Cochrane como um personagem que passa por uma grande transição, ele começa cínico, egoísta e bêbado que é mudado pelos personagens que encontra.[8] Apesar do papel ter sido escrito parra Cromwell, Tom Hanks, um grande fã de Star Trek, recebeu uma proposta da Paramount, porém teve de recusar por já estar comprometido com That Thing You Do!.[13]
  • Alice Krige como Rainha Borg. A escolha da interprete levou muito tempo, já que a atriz precisava ser sexy, perigosa e misteriosa. Frakes escolheu Krige após descobrir que ela possuía todas as qualidades mencionadas, e por ficar impressionado com sua atuação em Ghost Story.[8] Frakes a considera como a vilã mais sensual de Star Trek.[11] Krige sofreu muito desconforto nas filmagens; seu figurino era muito apertado e as dolorosas lentes de contato prata não podiam ser usadas por mais de 4 minutos.[14]
  • Neal McDonough como Sean Hawk, o piloto da Enterprise. McDonough foi realista sobre seu papel como camisa vermelha, dizendo já que um dos personagens no escudo defletor teria de morrer, "seria eu".[6]
  • Dwight Schultz como Reginald Barclay, um dos membros da engenharia da Enterprise.
  • Patti Yasutake como Alyssa Ogawa, uma enfermeira da Enterprise.
  • Robert Picardo como Holograma Médico de Emergência. Picardo interpretou o Doutor em Star Trek: Voyager. Sua aparição em First Contact é uma pequena ponta para os fãs. Sua fala "Eu sou um médico, não um porteiro", é uma alusão ao médico da Série Clássica, Leonard McCoy.[11]
  • Majel Barrett como voz do computador da Enterprise. Barrett, viúva de Gene Roddenberry, que interpretou Christine Chapel na Série Clássica, continua a fazer a voz do computador da Enterprise, algo que ela já fazia desde a série original.

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1995, dois meses depois do lançamento de Star Trek Generations, a Paramount Pictures decidiu produzir um novo filme de Star Trek para lançamento no inverno de 1996.[15] A Paramount queria que os roteiristas Brannon Braga e Ronald D. Moore, que escreveram Generations e vários episódios de Star Trek: The Next Generation, escrevessem o roteiro.[8] O produtor Rick Berman disse a Braga e Moore que ele queria uma história que envolvesse viagem no tempo. Os roteiristas, ao mesmo tempo, queriam usar os Borg. "Direto no ponto, talvez possamos fazer ambas, os borg e a viagem no tempo", lembra Moore.[15] Os Borg não haviam sido vistos com força total desde a quarta temporada de The Next Generation, com o episódio "The Best of Both Worlds", e nunca apareceram muito na série devido a restrições orçamentárias e ao medo que eles perdessem o poder de assustar as pessoas.[8] "Os fãs gostavam muito dos Borg, e nós gostamos muito deles", disse Moore, "Eles dão medo. Eles não podem ser parados. São os vilões perfeitos para a nossa história".[15]

Ao decidir combinar as duas histórias, os roteiristas decidiram que a viagem no tempo poderia ser uma tentativa dos Borg para evitar que a humanidade chegasse ao espaço e se tornasse uma ameaça.[15] "Nossos objetivos em certo ponto eram criar uma história que fosse maravilhosa e um roteiro que fosse [...] produzível nos limites de orçamento de um filme de Star Trek", disse Berman.[6] Uma grande questão era escolher um período histórico para quando os Borg viajariam. Berman sugeriu a Renascença; os Borg tentariam impedir o nascimento da civilização européia moderna. O primeiro rascunho, chamado de Star Trek: Renaissance, tinha a tripulação da Enterprise seguindo os Borg até o centro da coletividade em uma masmorra de castelo. O filme teria luta de espadas e fasers no século XV, enquanto Data virava o aprendiz de Leonardo da Vinci. Moore achou que filme poderia ficar exagerado,[15] enquanto Patrick Stewart se recusou a usar calças justas.[16] Braga, enquanto isso, queria ver o "nascimento de Star Trek", quando vulcanos e humanos se conhecem; "isso, para mim, foi o que fez a história fresca", disse ele.[8]

Com a ideia da gênese de Star Trek na cabeça, o arco principal da história se tornou o teste de dobra de Zefram Cochrane e o primeiro contato da humanidade. Esboçando a partir de pistas dadas em episódios anteriores, Cochrane foi colocado em Montana na metade do século XXI, onde os humanos estavam se recuperando de uma guerra devastadora. No primeiro roteiro, os Borg atacariam o laboratório de Cochrane, deixando-o em coma; Picard assumiria o papel de Cochrane e faria o teste de dobra para restaurar o futuro.[15] Nesse roteiro, Picard era o interesse romântico de uma fotógrafa local, Ruby, enquanto Riker lidera a luta contra os Borg na Enterprise.[17] Outro rascunho incluía John de Lancie e seu onipotente personagem Q.[18] Ao olhar para os rascunhos anteriores, o trio percebeu que um trabalho sério era necessário. "Não fazia sentido [...] que Picard, o único personagem que tem histórico com os Borg, nunca os encontra", lembra Braga. Os papéis de Riker e Picard foram trocados, e a história no planeta foi diminuída e alterada. Braga e Moore focaram o novo arco de história no próprio Cochrane, fazendo o futuro de Star Trek vir de um homem cheio falhas. A ideia de ter os Borg lutando no meio de figurinos da época virou a sequência de "Dixon Hill" no holodeque. O segundo rascunho, Star Trek: Resurrection, foi considerado completo o suficiente para que a equipe de produção estipulasse custos.[17] O filme recebeu um orçamento de US$ 45 milhões, "consideravelmente mais" que Generations, que teve um custo de US$ 35 milhões; isso permitiu a produção um número maior de sequências de ação.[19] [20] [21] [22]

Braga e Moore queriam que o filme fosse facilmente acessível a qualquer espectador e pudesse funcionar sozinho, ainda satisfazendo os fãs de Star Trek. Já que muito do papel de Picard faz referência aos episódios "The Best of Both Worlds", a sequência de abertura de seu sonho foi adicionada para explicar o que aconteceu com ele no programa.[8] A dupla descartou a abertura original que mostrava o que a tripulação estava fazendo desde Generations em favor de ambientação rápida da história.[6] Apesar de os roteiristas terem tentado preservar a ideia de que os Borg possuiam uma mente única no rascunho original, o chefe da Paramount, Jonathan Dolgen, achava que o roteiro não estava dramático o bastante. Ele sugeriu a criação de um indivíduo Borg para que os personagens pudessem interagir, algo que levou a criação da Rainha Borg.[8]

O membro do elenco Jonathan Frakes foi escolhido para dirigir o filme. Frakes não era a primeira escolha para ser o diretor; Ridley Scott e John McTiernan haviam recusado o trabalho.[21] Stewart se encontrou com um candidato em potencial e concluiu que "ele não sabia o que era Star Trek". Ficou decidido que o trabalho ficaria com alguém que entendia a "essência de Star Trek", então Frakes recebeu o trabalho.[23] Ele chegava para trabalhar todos os dias às 6h30. Uma grande preocupação durante a produção era a segurança—o roteiro de Generations havia vazado na internet e medidas firmes foram tomadas para evitar que isso ocorresse novamente. Algumas páginas do roteiro foram distribuídas em papel vermelho para tentar evitar cópias, "Tínhamos muitas dificuldades para lê-los", lembra Frakes.[24]

Frakes havia dirigido muitos episódios de The Next Generation, Star Trek: Deep Space Nine e Star Trek: Voyager, porém First Contact foi seu primeiro filme.[25] Apesar dele ter sete dias de preparação seguidos por sete dias de filmagens na série, o diretor recebeu dez semanas de preparação antes de doze semanas de filmagens, e tinha de se adaptar no formato anamórfico 2.35:1, ao invés do padrão 1.33:1 da televisão.[26] Em preparação, ele assistiu Jaws, Close Encounters of the Third Kind, 2001: A Space Odyssey e os trabalhos de James Cameron e Ridley Scott.[21]

Nas múltiplas revisões de roteiro, vários títulos foram considerados, incluindo Star Trek: Borg, Star Trek: Destinies, Star Trek: Future Generations e Star Trek: Generations II. O título planejado de Resurrection foi descartado quando a Fox anunciou o título do quarto filme da série Alien. O filme recebeu o título oficial de Star Trek: First Contact em 16 de maio de 1996.[27]

Desenho de Produção[editar | editar código-fonte]

A nova classe-Sovereign USS Enterprise-E foi desenhada para ser mais elegante que sua predecessora.[7] A nave foi o último elemento adicionado a cena acima; a nebulosa gerada por computação gráfica foi criada primeiro e a nave estelar foi colocada depois.[28]

First Contact foi um dos primeiros filmes de Star Trek a usar proeminentemente modelos de computação gráfica junto com modelos físicos.[29] Com a destruição da Enterprise-D durante os eventos de Generations, a tarefa de criar uma nova nave estelar caiu para o desenhista de produção veterano de Star Trek, Herman Zimmerman. A única descrição que o roteiro fornecia para a nova nave era a frase "a nova Enterprise elegantemente sai da nebulosa".[17] Trabalhando com o ilustrador John Eaves, os desenhistas conceberam a Enterprise-E como "enxuta, elegante, e um meio de responder a qualquer ameaça dos Borg que você possa imaginar".[7] Braga e Moore queriam que a nave fosse mais muscular e militaresca.[8] Eaves olhou a estrutura das antigas naves Enterprise e desenhou uma mais racionalizada, mais apta para a guerra do que a Enterprise-D, reduzindo a pescoço da nave e aumentando o tamanho das naceles. Eaves fez de 30 a 40 desenhos antes de achar um desenho final que ele gostou, a partir dai ele fez pequenas alterações.[29] Trabalhando a partir de plantas criadas por Rick Sternbach, a Industrial Light & Magic fabricou uma miniatura de 3,2 m em um período de cinco meses. Os padrões do casco foram esculpidos em madeira, então montados sobre uma armação de alumínio. Os painéis do modelo foram pintados em um esquema alternado de fosco e brilhante para criar uma textura.[28] A equipe teve múltiplas dificuldades para preparar o modelo para as filmagens; apesar da fabricante do modelo originalmente querer economizar tempo usando fibra de vidro para as janelas, o material chegou pegajoso. A ILM cortou as janelas usando laseres.[29] Pedaços de cenários foram adicionados atrás das janelas para fazer o interior parecer mais dimensional quando a câmera passasse pela nave.[28]

Nos filmes anteriores, a gama de naves da Frota Estelar foi predominantemente representada pela classe-Constitution Enterprise e apenas outras cinco classes: a classe-Miranda de Star Trek II: The Wrath of Khan (representada pela USS Reliant), a classe-Excelsior e a classe-Oberth (a USS Grisson) de Star Trek III: The Search for Spock, a Galaxy e Nebula de Star Trek Generations. O supervisor da ILM, John Knoll, insistiu que a batalha espacial de First Contact tivesse várias configurações de naves estelares. "A Frota Estelar provavelmente mandaria tudo que ela pudesse nos Borg, incluindo naves que não vimos antes", ele disse, "E já que nos percebemos que muito da ação na batalha teria de ser feita com naves geradas por computação gráfica que deveriam ser construídas a partir do nada, eu percebi que não havia motivo para não criarmos algumas naves novas". Alex Jaeger recebeu o trabalho de diretor de efeitos visuais e ganhou a tarefa de criar quatro novas naves. A Paramount queria naves que fossem diferentes vistas a distância, então Jaeger criou diferentes formatos de casco.[28] Knoll e Jaeger tinham decidido que as naves deveriam obedecer as naves precedentes, com um casco em formato de disco e naceles de dobra alongadas em pares.[6] A classe-Akira tem o disco tradicional e as naceles combinadas com um estilo de casco duplo de catamarã; a classe-Norway foi baseada na USS Voyager; a classe-Saber era uma nave menor com as naceles saindo da ponta da seção do disco; e a classe-Steamrunner tinha naceles duplas saindo do disco e se conectando com a seção da engenharia. Cada modelo foi criado de forma tridimencional.[28]

O filme também precisou de um número de naves pequenas que não pertenciam a Frota Estelar. A nave de dobra Phoenix foi concebida como um antigo míssil nuclear reformado, significando que as naceles tinham que ficar em um espaço de menos de 3m. Eaves quis enfatizar o aspecto mecânico da nave, para sugerir seu aspecto de tecnologia altamente experimental e não testada. Eaves considerou a nave vulcana como uma nave "divertida" para criar. Apenas duas naves vulcanas tinham sido mostradas em Star Trek, incluindo a nave de transporte de Star Trek: The Motion Picture. Já que o desenho de dois motores havia sido mostrado várias vezes, os artistas decidiram sair do traçado tradicional, criando um desenho mais artístico e funcional. A nave encorporou elementos de uma estrela-do-mar e de um caranguejo. Devido ao orçamento, a nave completa foi criada apenas por computação. Apenas o pé de pouso foi fabricado para os atores interagirem.[29]

Os cenários do interior da Enterprise eram quase totalmente novos. A ponte foi desenhada para parecer confortável, com cores aconchegantes.[6] O cenário tinha todas as estações da ponte viradas para a cadeira do capitão no centro. Entre as novas adições estava uma grande tela holográfica que operaria apenas quando ativada, deixando uma parede quando desativada. Novos monitores de tela plana foram usados, usando menos espaço e deixando a ponte com um visual mais limpo. Os desenhistas criaram uma grande sala de conferências, mantendo elementos da série de televisão. Zimmerman adicionou um conjunto de miniaturas das Enterprises do passado em um armário de vidro. O deque de observação tinha um traçado similar ao da Enterprise-D, suas janelas foram reutilizadas da série. A engenharia foi feita com três andares, corredores, um lobby e o maior núcleo de dobra da história da franquia.[30] Para o estado corrompido pelos Borg, a seção da engenharia recebeu várias alcovas Borg, conduites e a "mesa de assimilação" de Data, onde ele é interrogado pela Rainha Borg.[31] Alguns cenários que já existiam foram usados para economizar dinheiro, a enfermaria foi uma modificação da enfermaria da USS Voyager, enquanto a USS Defiant usou seu cenário normal da Deep Space Nine.[30] Alguns cenários tiraram inspiração de Alien, Star Wars e 2001.[11] [23]

A caminhada espacial no exterior da Enterprise foi um dos cenários mais desafiadores para criar e construir. A produção teve de criar trajes espaciais que fossem práticos e não exagerados. Quando os atores colocavam seus capacetes, o desenho todo fechado fez difícil suas respirações. Depois de um minuto usando a roupa, Patrick Stewart ficou doente e as filmagens tiveram de ser suspensas.[14] O cenário para o casco e a antena defletora foram construídos no maior estúdio da Paramount,[28] cercados por uma tela azul e equipada com cabos para as sequências sem gravidade.[11] Mesmo assim, o estúdio não era grande o bastante para acomodar uma réplica em tamanho real da antena defletora da Enterprise, então Zimmerman teve de reduzi-la em 15%.[6]

Figurino e Maquiagem[editar | editar código-fonte]

Os novos uniformes da Frota Estelar foram criados pelo veterano de Star Trek Robert Blackman. Já que Blackman também estava trabalhando com o figurino das séries de televisão, os figurinos de fora da Frota foram delegados a Deborah Everton,[27] uma novata em Star Trek que ficou responsável por mais de 800 figurinos durante a produção.[6] Everton recebeu a tarefa de criar um novo visual para os Borg, porém mantendo o padrão da série. As novas roupas receberam luzes de fibra óptica.[6] O aspecto de viagem no tempo da história necessitou de figurinos do século XXI e da década de 1940, para o holograma de "Dixon Hill". Everton gostou de criar os figurinos de Alfre Woodard, porque a personagem passava por muitas mudanças durante o filme, passando de roupas utilitárias em muitas cenas para o vestido glamoroso no holodeque.[6]

Star Trek: First Contact Tomei consciência, um dia no cenário, que quando um borg se movia para a mesa do café, quem quer que estivesse lá lentamente se retirava. Então os borg não estavam apenas em dor, eles eram ostracizados. Todos ficam desconfortáveis em sua presença. O que era terrivelmente interessante para mim, porém eu fiquei de coração partido por meus lacaios. Star Trek: First Contact

 — Alice Krige, na reação das pessoas para com os borg[32]

Everton e os maquiadores Michael Westmore, Scott Wheeler e Jake Garber queriam melhorar e atualizar o visual dos Borg, que fora criado para economizar custos na segunda temporada de The Next Generation. Cada Borg tinha um visual único e Westmore criou várias maquiagens diferentes para fazer parecer que os Borg possuíam um exército, quando na verdade eles tinham apenas de 8 a 12 atores para interpretar os zangões.[11] [14] Borgs de fundo foram simulados com manequins meio-terminados.[8] Westmore pensou que já que os Borg vinham do outro lado da galáxia, eles teriam assimilado outras espécies além dos humanos. Na série, muitas das faces dos Borg foram cobertas com um capacete, porém em First Contact os maquiadores removeram os capacetes e adicionaram versões assimiladas dos alienígenas familiares de Star Trek, como os klingons, bolianos, romulanos, bajorianos e cardassianos. Cada zangão recebeu um olho eletrônico. As luzes piscando em cada Borg foram programadas pelo filho de Westmore para repetir o nome de algum membro da produção em código Morse.[6]

O tempo de maquiagem dos Borg foi expandido de uma hora na série de televisão para cinco horas, mais 30 minutos para colocar o figurino e 90 para retirar a maquiagem ao final do dia.[14] Apesar de Westmore ter estimado que uma equipe ideal de artistas de maquiagem para o filme seria de 50 pessoas, First Contact teve de usar 10 para a preparação e no máximo 20 em determinados dias.[6] Apesar das longas horas, a equipe de Westmore começou a ficar mais criativa com as próteses, diminuindo o tempo de aplicação. "Eles estavam usando dois tubos, e depois eles estavam usando três tubos, e depois estávamos colando tubos das orelhas até o nariz", explica Westmore. "E nós estávamos usando uma coloração caramelo pegajosa, talvez usando só um pouquinho, porém quando chegamos ao final do filme nós tínhamos o negócio escorrendo dos rostos [dos borg]—parecia que eles estavam vazando óleo! Então, no final [do filme], eles estavam mais ferozes".[14]

A Rainha Borg foi um desafio devido ao seu visual único entre os Borg, e por manter algum visual humano; Westmore fez questão de evitar comparações com filmes como Alien.[27] A aparência final envolvia uma pele cinza pálida, com cabeça oval e fios saindo como se fossem fios de cabelo.[6] Krige lembra que em seu primeiro dia ela teve sua maquiagem aplicada e: "Eu vi todos serrilhando. Eu pensei, 'Excelente; eles fizeram isso e eles se assustaram!'".[23] [32] Frakes percebeu que a Rainha ficou sedutora de uma forma perturbadora, apesar de sua aparência e comportamento perverso. Zimmerman, Everton e Westmore combinaram seus esforços para criar as seções assimiladas dos Borg na Enterprise, criando tensão e para fazer o público sentir a presença dos Borg em cada corredor.[11]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

As filmagens principais ocorreram de forma mais calma do que em The Next Generation devido ao seu cronograma menos agitado, apenas 4 páginas de roteiro precisavam ser filmadas por dia e não 8 como na série de televisão.[33] First Contact viu a introdução do diretor de fotografia Matthew F. Leonetti a franquia Star Trek; diretor Jonathan Frakes contratou Leonetti após admirar alguns de seus filmes como Poltergeist e Strange Days. Leonetti não conhecia Star Trek quando Frakes o contratou; para se preparar para o trabalho, ele estudou os últimos quatro filmes da franquia, cada um com um diretor de fotografia diferente—Star Trek IV: The Voyage Home (Don Peterman), Star Trek V: The Final Frontier (Andrew Laszlo), Star Trek VI: The Undiscovered Country (Hiro Narita) e Star Trek Generations (John Alonzo). Seu câmera também passou vários dias nas gravações de Star Trek: Deep Space Nine e Star Trek: Voyager para estudar as filmagens.[26]

Leonetti criou múltiplos métodos de iluminação para os interiores da Enterprise e para suas operações padrão, "alerta vermelho" e "emergência". Ele disse que já que a nave estava sendo tomada por uma força exterior, ela precisava de uma iluminação mais dramática. Enquanto muitas cenas foram filmadas com lentes de 50-70 mm anamórficas, lentes esféricas de 14 mm foram usadas para as cenas com o ponto de visão dos Borg. Leonetti preferiu filmar com lentes longas para dar uma sensação mais claustrofóbica, más teve o cuidado para a lente não achatar as filmagens. Câmeras de mão foram usadas nas batalhas para dar ao público a sensação de estar no meio da ação e para acompanhar os movimentos dos atores.[26] As cenas dos borg foram recebidas de forma positiva por platéias testes, então depois das filmagens terem sido completadas, uma cena de assimilação da tripulação da Enterprise foi adicionada usando um pouco do dinheiro que sobrou do orçamento para colocar mais ação.[8] [11]

Uma cápsula de fibra de vidro foi colocada no topo deste míssil Titan para criar a nave de dobra de Cochrane, a Phoenix.

Já que muitos cenários tiveram de ser criados, a produção começou as filmagens em locações. Quatro dias foram passados no Titan Missile Museum, ao sul de Tucson, Arizona—o míssil nuclear desativado recebeu uma cápsula de fibra de vidro para ser o modo de comando da Phoenix.[34] O uso do silo de lançamento criou um cenário que teria sido proibido de ser construído do zero, porém o espaço pequeno causou dificuldades.[26] Cada movimento de câmera foi planejado com antecedência para que se pudesse trabalhar nas áreas onde luzes deveriam ser adicionadas antes das filmagens. Para dar uma dimensão maior para o foguete e dar a ele uma aparência mais futurista, Leonetti escolheu compensar a superfície metálica do míssil com cores mais acolhedoras. O uso de gels coloridos diferentes fizeram com que o foguete parecesse maior do que ele é na verdade. Para complementar o efeito, cenas da Phoenix vista de cima e de baixo foram filmadas com câmeras de 30 mm para aumentar sua extensão.[26]

Depois das cenas da Phoenix terem sido completadas, a equipe se mudou para duas semanas de filmagens noturnas na Angeles National Forest. Zimmerman criou quatorze cabanas para serem a locação de Montana, o elenco gostou das cenas, pois era a chance dos atores saírem de seus uniformes da Frota normais.[11] A última locação das filmagens foi um restaurante na Union Station, em Los Angeles, que serviu como o holograma de Dixon Hill. Frakes queria um grande contraste com as cenas escuras dos Borg.[11] Leonetti queria filmar a cena em preto e branco, porém os executivos da Paramount não gostaram da ideia.[26] Mesmo assim, ele usou uma luz sem coloração para dar a cena um ar de preto e branco. "Eu gosto de criar separações com iluminação em oposto ao usar cor", ele explica, "Você não pode confiar sempre na cor porque o ator pode começar a se misturar com o fundo". Ao separar as luzes de fundo, Leonetti teve a certeza de que os atores estavam fora do pano de fundo.[26] As filmagens usaram uma orquestra de 10 músicos, 15 dublês e 120 figurantes.[34] Entre as pessoas na cena, estavam Braga e Moore, Ethan Phillips; o Neelix de Voyager; e o cordenador de dublês, Ronnie Rondell.[8]

Após as filmagens nas locações, as filmagens no cenário da engenharia começaram em 3 de maio. Os cenários duraram apenas um dia em seu estado perfeito antes de serem assimilados pelos Borg. As filmagens então foram para a ponte.[34] Durante as operações normais na ponte, Leonetti usou uma iluminação cruzada nos atores principais; isso fez com que o teto fosse removido e luzes fossem colocadas ao redor do cenário. Essas luzes então foram apontadas para os rostos dos atores em ângulos de 90°. Após o ataque dos Borg, as luzes eram emitidas apenas dos painéis e dos monitores. A iluminação do cenário foi diminuída para que os atores passassem por sombras na ponte e em outros interiores. Pequenas lâmpadas de 30 e 50 W foram usadas para jogar feixes de luz localizados nos cenários.[26]

A seguir vieram as cenas de ação na Enterprise, uma fase que os produtores chamaram de "Inferno Borg".[34] Frakes dirigiu as cenas como um filme de terror, criando o máximo de suspense possível. Para balancear esses elementos, ele adicionou mais cenas cômicas na Terra, com a intenção de tirar um pouco o público da tensão para colocá-los nela de novo pouco tempo depois.[11] Leonetti reconfigurou as luzes para refletir a tomada da nave. "Quando os Borg assimilam a nave, tudo é mudado para uma aparência mais robótica", disse ele. Para dar aos corredores mais forma, Leonetti os iluminou por baixo. Já que os corredores eram pequenos e os tetos seriam visíveis, atenção especial foi tomada para esconder os pontos de emissão de luz.[26]

Para as cenas da caminhada espacial, o supervisor de efeitos visuais Moore trabalhou duas semanas nas filmagens com tela azul na antena defletora.[28] Frakes considerou as filmagens dessa cena a mais tediosa do filme devido a necessidade de muita preparação para cada dia de filmagem.[11] Já que o resto da Enterprise-E, junto com a Terra e as estrelas, seriam adicionadas na pós-produção, a coordenação das cenas se tornou confusa. Moore usou um laptop com reproduções digitais para orientar a equipe e ajudar Frakes a visualizar a sequência.[28] Um ator de um braço só foi usado para a cena onde Worf corta o braço de um zangão, atingindo um efeito completamente realista.[11] Os sapatos dos atores receberam pesos especiais para lembrá-los que eles deveriam se mover lentamente como se estivessem usando botas de gravidade. McDonough lembra que ele se juntou a Stewart e Dorn ao perguntar se eles poderiam fazer as cenas sem o peso adicional, já que "eles nos contrataram porque somo atores", porém a produção insistiu para que eles usassem.[6]

A última cena filmada na verdade foi a cena de abertura do filme, o pesadelo de Picard.[14] Uma tomada que começava no interior da íris de Picard saindo e mostrando a imensa nave Borg. A tomada continua a ir para trás até revelar o exterior da nave. A cena foi inspirada no musical da Broadway Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, onde um enorme cenário cercava a platéia, dando um senso maior de realismo.[11] A tomada foi filmada como três elementos separados que foram juntados usando computação gráfica. A equipe usou lentes de 50 mm para facilitar o trabalho do time de efeitos em dissolver os closes com outros elementos. Começando no olho de Stewart, a câmera se afastava 7.6 m, requerendo que a luz aumentasse de intensidade para que houvesse profundidade suficiente para manter o olho em foco. A superfície do estúdio era muito desnivelada para se realizar o suave recuo necessário para a equipe de efeitos, que necessitava de uma tomada estável para misturar o olho gerado por computador de Picard a tomada. O trilho de 41 m da câmera foi elevado do chão do estúdio com peças de compensado. O cenário inteiro da cena tinha 100 de largura e 7,6 m de altura; lacunas deixadas pelo movimento da câmera foram preenchidas digitalmente.[26] As filmagens terminaram no dia 2 de julho de 1996,[35] dois dias atrasada, porém ainda dentro do orçamento.[14]

Efeitos[editar | editar código-fonte]

A maioria dos efeitos visuais de First Contact foram feitos pela Industrial Light & Magic, sob a direção de John Knoll. Sequências com efeitos menores, como tiros de fasers e efeitos de transporte, foram delegados à um time liderado pelo supervisor de efeitos visuais David Takemura.[6] Acostumado a dirigir episódios da série de televisão, Frakes foi constantemente lembrado pelo artista de efeitos Terry Frazee a "pensar grande, exploda tudo".[11] A maioria das sequências de efeitos foram planejadas usando animações de baixa-resolução. Essas animações brutas estabeleciam duração, ação e composição, permitindo que os produtores e o diretor verifiquem como a sequência vai se desenrolar antes dela ser filmada.[28]

Para a introdução dramática da Enterprise, a equipe de efeitos combinou passagens controladas pela miniatura da Enterprise com imagens de fundo geradas por computador. O supervisor de sequências Dennis Turner, responsável por criar a faixa de energia em Generations e especialista em criar fenômenos naturais, ficou encarregado de criar a nebulosa, modelada com base na Nebulosa da Águia. As colunas da nebulosa e as áreas sólidas foram modeladas com geometria básica, com sombras aplicadas nas bordas para a nebulosa brilhar. Um renderizador de partículas que a ILM criou para o filme Twister foi usado para criar um efeito turbulento na nebulosa. Quando as tomadas da Enterprise foram capturadas, Turner combinou a nave contra o fundo criado.[28]

A passagem da Enterprise pela tela em sua abertura foi responsabilidade do diretor de fotografia de efeitos visuais Marty Rosenberg, que trabalhou com todas as outras miniaturas, explosões e alguns dos efeitos de tela azul. Rosenberg tinha trabalhado em algumas tomadas da Enterprise-D em Generations, porém teve que ajustar algumas de suas técnicas para o novo modelo; o diretor de fotografia usou lentes de 50 mm ao invés das de 35 mm usadas em Generations porque as lentes menores faziam o disco da nova Enterprise-E parecia esticado. Knoll decidiu filmar o modelo de cima ou de baixo o máximo possível, pois tomadas de lado faziam a nave parecer achatada e alongada.[28] Knoll gostou mais das passadas controladas pelo modelo do que versões computadorizadas, já que era mais fácil capturar um alto nível de detalhe com modelos físicos do que recriá-los no computador.[6]

Para a batalha com os Borg, Knoll insistiu em fazer close-ups que fossem perto do cubo, necessitando um modelo físico.[6] A ILM criou uma miniatura de 76 cm, com 12 cm adicionais de latão gravado sobre uma caixa de neon para iluminação interna. Para fazer a nave parecer ainda maior, Knoll fez com que as pontas do cubo sempre estivessem viradas para a câmera como a proa de um navio, e que ele cruzasse as bordas da tela. Para dar ao cubo mais textura e profundidade, Rosenberg iluminou o modelo com uma luz severa.[28] "Eu criei essas três luzes de fundo muito estranhas vindas dos lados direito e esquerdo, que eu equilibrei com redes e algumas pequenas luzes. Eu queria que ela parecesse misteriosa e assustadora", disse ele.[28] Pequenas luzes foram colocadas na superfície do cubo para ajudar a criar o visual requerido e a escala. O modelo foi deliberadamente filmado de forma devagar em contraste com as filmagens rápidas das naves da Federação na batalha. O impacto das armas da Federação no cubo foi simulado usando um modelo de 150 cm da nave. A miniatura tinha áreas específicas que poderiam ser explodidas múltiplas vezes sem danificá-lo no processo. Para a explosão final, Rosenberg filmou 10 cubos de 76 cm com cargas de explosivas. Os cubos foram suspensos no ar com a câmera no chão; um vidro protetor foi colocado nas lentes e a câmera foi coberta com compensado para protegê-la dos pedacinhos de plástico provenientes de cada explosão. A esfera Borg de 30 cm foi filmada em separado do cubo e digitalmente combinada na pós-produção. O vórtice temporal foi simulado com um foguete em reentrada, flamas se formam na frente da nave e vão para trás em alta velocidade. Luzes interativas foram colocadas ao redor do modelo gerado por computação da Enterprise para quando ela entrasse no vórtice.[28]

A miniatura da Enterprise foi usada novamente na sequência da caminhada espacial. Mesmo no modelo grande, era difícil fazer a miniatura parecer realista em tomadas extremamente perto.[28] Para fazer a cena onde câmera sai dos personagens e mostra o casco da nave, a câmera deveria estar a centímetros do modelo. O pintor Kim Smith passou vários dias em uma pequena seção do modelo adicionando vários detalhes para as cenas, mesmo assim o foco ainda era difícil. Para compensar a equipe usou lentes largas para as filmagens. As cenas da caminhada foram adicionadas digitalmente, usando filmagens de dublês andando contra uma tela azul no estacionamento da ILM à noite.[28]

A ILM recebeu o trabalho de imaginar como uma assimilação imediata de um tripulante da Enterprise seria. Jaeger criou esses cabos que sairiam das juntas dos Borg e entrariam no pescoço do tripulante. Tubos como minhocas se espalhariam pelo corpo da pessoa e equipamentos eletrônicos rasgariam a pele. Toda a transformação foi criada usando computação gráfica, animando as "minhocas" sobre o rosto do ator e mesclando-as com pele. A mudança na cor da pele foi feita usando um software de computador.[28]

Alice Krige com um cobertor azul durante as gravações da cena de introdução da sua personagem, a Rainha Borg. A cena demorou cinco meses para ser completada.

Frakes considerou a entrada da Rainha Borg—onde sua cabeça, ombros e espinha de metal são abaixadas por cabos e colocada em seu corpo—como uma "assinatura de efeito visual do filme". A cena foi difícil para executar, com a ILM demorando cinco meses para completá-la.[23] Jaeger criou um equipamento que abaixaria a atriz no cenário e aplicaria uma espinha prostética em uma roupa azul para que a ILM removesse o corpo inferior de Krige. Essa estratégia possibilitou que os cineastas incorporassem o maior número de elementos reais sem a necessidade de recorrer a mais efeitos visuais. Para que as próteses aparecessem em um ângulo correto quando seu corpo era removido, Krige estendeu seu pescoço para que aparecesse na mesma linha que a espinha. Knoll não queria que parecesse que a Rainha Borg estivesse em um grande e complicado equipamento, "nós queríamos que ela 'flutuasse' apropriadamente", ele explicou. Usando várias passagens controladas separadas, Knoll filmou três sequências: uma apenas com a parte de cima do corpo, uma com apenas a parte de baixo e outra com o corpo total de Krige. Uma versão digital do corpo do Borg foi usado na sequência até ela ser transformada na tomada real de Krige andando. As garras animadas da roupa foram criadas digitalmente junto com um modelo bem detalhado.[28] Como referência para os animadores, a cena necessitava que Krige realisticamente interpretasse a "estranha dor ou satisfação de ser reconectada com o resto de seu corpo".[11]

Música[editar | editar código-fonte]

Jerry Goldsmith compôs a trilha sonora de First Contact, seu terceiro filme de Star Trek depois de The Motion Picture e The Final Frontier. Goldsmith compôs um tema principal que começava com o tema clássico de Alexander Courage da série original.[36] Ao invés de compor um tema ameaçador para os Borg, Goldsmith criou um tema pastoral ligado ao esperançoso primeiro contato da humanidade. O tema utiliza um outro tema de quatro notas feito por Goldmith para a trilha de Star Trek V: The Final Frontier, que é usado em First Contact como um tema da amizade e uma ligação temática geral.[37] [38] Uma marcha ameaçadora com sintetizadores foi usada para representar os Borg. Além de compor temas novos, Goldsmith utilizou elementos de suas trilhas de Star Trek anteriores, incluindo seu tema principal para Star Trek: The Motion Picture,[36] e seu tema para os klingons do mesmo filme que aqui é usado para representar Worf.

Devido aos atrasos na produção de The Ghost and the Darkness, da Paramount, a já apertada agenda de quatro semanas de produção para a trilha foi reduzida para três. Enquanto Rick Berman ficou preocupado,[39] Goldsmith contratou seu filho, Joel Goldsmith, para ajudá-lo a terminar a trilha em tempo.[37] O jovem compositor providenciou músicas adicionais para o filme, escrevendo três temas baseados nos temas de seu pai, contribuindo com um total de 22 minutos de música.[36] Joel usou variações das músicas dos Borg e do tema dos klingons, para as cenas de combate de Worf.[38] Enquanto Joel compôs muitas das cenas de ação do filme, seu pai contribuiu com as sequências da caminha espacial e do voo da Phoenix. Durante a luta na antena defletora, Goldsmith usou instrumentos eletrônicos baixos pontuados por batidas violentas de cordas dissonantes.[38]

Saindo da tradição de Star Trek, a trilha sonora incorpora duas músicas licenciadas: "Ooby Dooby", de Roy Orbison, e "Magic Carpet Ride", de Steppenwolf. O presidente da GNP Crescendo, Neil Norman, explicou que a decisão de incluir as duas faixas foi controversa, porém disse que "Frakes fez um trabalho tão maravilhoso integrando as músicas na história que nós tivemos que usá-las".[40]

A GNP Crescendo lançou comercialmente a trilha sonora de Star Trek: First Contact em 2 de dezembro de 1996.[40] O álbum contém 51 minutos de músicas, com 35 minutos de músicas escritas por Jerry Goldsmith, 10 minutos de músicas adicionais de Joel Goldsmith, "Ooby Dooby" e "Magic Carpet Ride".

Mais tarde, em 2001, Ken Paul criou suas letras já escritas, em seguida, desenvolvidas e gradualmente aperfeiçoadas algumas vezes desde então. Embora ele não esteja inteiramente certo de que ele deve tomar todo o crédito para eles, a cantautora Sheryl Crow tem falado de, por vezes, músicas vindas com ela completamente alienadas, jorrando em como se estivessem sendo enviadas para ela. "Foi o que rolou aqui", disse ele. Conforme diz os comentários de Ken sobre a música mais recente, First Contact:

"Em um comentário em sua página sobre o 81º aniversário do ator Leonard Nimoy, Tatianna Raquel afirmou que ela vai completar 34 anos em julho. Então ela não é uma Aquastell, mas é muito claro que ela é uma grande fã de Jornada nas Estrelas, e também adora trilha sonora de filmes e séries de TV da mesma franquia Star Trek Ela provavelmente tropeçou em cima de nós durante a pesquisa sobre a trilha sonora do filme Jornada nas Estrelas VIII: Primeiro Contato."

Não demorou tanto e em Abril de 2012, a fã brasileira Tatianna Raquel (cuja sua versão em português da música de Vitas A estrela é muito popular no Brasil até hoje, regravou a versão lírica "anglófona" da partitura principal de Jerry Goldsmith, com letra de Ken Paul. A canção First Contact é disponível como um download digital gratuito, enquanto os papéis de parede com letras de músicas estão disponíveis no site gratuito de Ken Paul.

Temas[editar | editar código-fonte]

Frakes acredita que os temas principais de First Contact, e de Star Trek como um todo, são amizade, lealdade, honestidade e respeito mútuo. Isso fica evidente no filme quando Picard escolhe salvar Data ao invés de evacuar a nave com o resto da tripulação.[11] O filme faz uma comparação direta entre o ódio de Picard pelos Borg e sua recusa em destruir a Enterprise com o Capitão Ahab de Moby Dick, de Herman Melville. O momento marca um ponto de mudança no filme, quando Picard muda de ideia, simbolizado pelo gesto dele abaixar sua arma.[11] Uma referência similar a Moby Dick foi feita em Star Trek II: The Wrath of Khan, e apesar de Braga e Moore não quererem repeti-lá, eles decidiram que funcionava muito bem para ser retirada.[8]

Em First Contact, os indestrutíveis Borg cumprem o mesmo papel que a grande baleia na obra de Melville. Picard, como Ahab, está caçando seu nêmesis. Várias falas no filme fazem referência ao povo do século XXI como primitivo, com as pessoas do século XXIV tendo evoluído para uma sociedade mais utópica. No final é Lily, uma mulher do século XXI, que mostra a Picard, um homem do século XXIV, que sua busca por vingança é muito primitiva e que os humanos evoluíram para não mais usá-la.[8] As palavras de Lily fazem Picard reconsiderar, ele cita as palavras de vingança de Ahab, reconhecendo o desejo de morte que se apossou dele.[41]

A natureza dos Borg, especificamente em First Contact, viraram tema para discussão. Joanna Zylinska nota que enquanto outras espécies são toleradas pela humanidade em Star Trek, os Borg são vistos de forma diferente devido a suas alterações cibernéticas e a perda de liberdade pessoal e autonomia. Membros da tripulação que são assimilados para a Coletividade são subsequentemente vistos como "poluídos pela tecnologia" e viram algo menor que um humano.[42] Oliver Merchant faz paralelos entre a combinação dos Borg de muitos em um único artificial com o conceito do Leviatã de Thomas Hobbes.[43] A periculosa natureza do primeiro contato entre espécies foi o tema de filmes como Independence Day, e First Contact junta o clássico medo de invasão com o da perda de identidade pessoal.[44]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

1996 marcou o aniversário de 30 anos da franquia Star Trek.[45] First Contact foi muito promovido, de uma forma e extensão não vista desde o lançamento de Star Trek: The Motion Picture em 1979. Várias romantizações do filme foram feitas para diferentes idades. A Playmate Toys criou action figures dos personagens, além de modelos das naves e fasers. Dois especiais de bastidores foram feitos para a HBO e para o Sci Fi Channel, além de ser promovido no especial de 30 anos da UPN.[46] O trailer do filme foi incluído do CD The Best of Star Trek: 30th Anniversary Special!, contendo seleções de músicas de todas as séries, lançado na mesma época que a trilha sonora de First Contact.[40] A Simon & Schuster produziu um video-game baseado nos Borg. O jogo, Star Trek: Borg, funcionou como um filme interativo, com cenas filmadas ao mesmo tempo que a produção de First Contact.[47] A Paramount promoveu o filme na internet através de um site de First Contact, que tinha uma média de 4.4 milhões de visualizações por semana durante sua estréia, a maior em um site de filme na história.[48]

O filme estreou em 18 de novembro de 1996, no Mann's Chinese Theater, em Hollywood, Los Angeles.[49] Todos os membros do elenco, com a exceção de Brent Spiner, compareceram, junto com Brannon Braga, Ronald D. Moore, Jerry Goldsmith e o produtor executivo Marty Hornstein. Outros atores de Star Trek presentes incluiam DeForest Kelley, Rene Auberjonois, Avery Brooks, Colm Meaney, Armin Shimerman, Terry Farrell, Kate Mulgrew, Roxann Dawson, Jennifer Lien, Robert Duncan McNeill, Ethan Phillips, Tim Russ, Garrett Wang e Robert Picardo. Depois da exibição, 1.500 convidados atravessaram a rua para o Hollywood Colonnade, onde os interiores estavam arrumados para representar alguns dos cenários do filme, incluindo o clube do holodeque e a ponte.[50] O filme recebeu uma estréia real no Reino Unido, com a presença do Príncipe Charles.[49]

First Contact estreou em 2.812 cinemas dos EUA em 22 de novembro, arrecadando US$ 30.7 milhões em sua primeira semana, terminando em primeiro.[51] O filme arrecadou US$ 77 milhões em suas primeiras quatro semanas, permanecendo entre os 10 primeiros em bilheteria nesse período.[49] Encerrou suas exibições com uma arrecadação de US$ 92.027.888[1] nos EUA e US$ 57.4 milhões internacionalmente, para um total de US$ 146 milhões.[52] O filme foi o melhor filme de Star Trek em termos de arrecadação até Star Trek, de 2009.

Recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Maquiagem.[53] Nos Saturn Awards, o filme foi indicado em dez categorias, incluindo Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Ator (Patrick Stewart) e Melhor Diretor (Jonathan Frakes). Venceu três, Melhor Figurino, Melhor Ator Coadjuvante (Brent Spiner) e Melhor Atriz Coadjuvante (Alice Krige).[54] Jerry Goldsmith venceu um BMI Film Music Award por sua trilha sonora.[55] O filme também foi indicado ao Hugo Award por Melhor Apresentação Dramática.[56]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Star Trek: First Contact foi muito elogiado em sua estreia.[57] No site Rotten Tomatoes o filme possui um índice de aprovação de 92%, baseados em 52 resenhas especializadas, com uma nota média de 7,4/10. O consenso no Rotten Tomatoes é que "First Contact contém momentos agradáveis suficientes para atrair não-fãs de Star Trek".[58] No site Metacritic o filme tem uma aprovação de 80/100, baseado em 18 resenhas, indicando "críticas geralmente favoráveis".[59]

Ryan Gilbey, do The Independent, considerou o filme sábio por dispensar o elenco da série original; "Pela primeira vez, um filme de Star Trek realmente se parece com algo mais ambicioso do que um episódio de TV estendido", ele escreveu.[60] Reciprocamente, o crítico Bob Thompson achou que First Contact tinha mais o espírito da série da década de 1960 do que qualquer um de seus predecessores.[26] Elizabeth Renzetti, do The Globe and Mail, disse que First Contact conseguiu melhorar nos "empolados" filmes anteriores da série, e teve um interesse renovado em narrativa.[61] Kenneth Turan do Los Angeles Times escreveu, "First Contact faz tudo que você queria que um filme de Star Trek fizesse, e o faz com alegria e estilo".[62] Adrian Martin, do The Age, notou que o filme foi voltado para agradar os fãs; "Estranhos a este mundo fantasioso delineado primeiramente por Gene Roddenberry terão de lutar para compreender o melhor que podem", ele escreveu, porém, "fãs estarão no paraíso".[63] Janes Maslin, do The New York Times, disse que "a trama complicada do filme vai surpreender os fãs mais devotos" da série,[64] enquanto Joe Leydon da Variety escreveu que o filme não requeria conhecimento intímo da série e que fãs e não-fãs apreciariam o filme.[65] Enquanto Renzetti considerou a falta de personagens antigos dos sete filmes anteriores uma mudança bem vinda,[61] Maslin disse que sem as estrelas originais, "A série agora carece [...] muito de sua determinação anterior. Se transformou em algo menos inocente e mais derivativo do que era, algo que um não-cultista tem menos chance de gostar".[64] Roger Ebert chamou First Contact de um dos melhores filmes de Star Trek,[66] e James Berardinelli o achou o filme de Star Trek mais divertido da década; "Ele sozinho reviveu a série de filmes de Star Trek, pelo menos no ponto de vista criativo", ele escreveu.[67]

A atuação do filme foi recebida de forma conflituosa. Lisa Schwarzbaum, da Entertainment Weekly, apreciou que os convidados Alfre Woodard e James Cromwell foram usados em "contrastes inventivos" aos seus papéis mais conhecidos, como um "atriz dramática séria" e "o fazendeiro de Babe", respectivamente.[68] Lloyd Rose do The Washington Post achou que enquanto Woodard e Cromwell conseguiram "cuidar de si mesmos", a direção de Jonathan Frakes de outros atores não foi tão inspirada;[69] Steve Persall do St. Petersburg Times opinou que apenas Cromwell recebeu um bom papel no filme, "então ele rouba a cena por W.O."[70] Algumas resenhas notaram que as interações de Data com a Rainha Borg estavam entre as partes mais interessantes do filme;[66] [71] o crítico John Griffin disse que o trabalho de Brent Spiner deu um "arrepio ambivalente" ao filme.[72] Adam Smith, da revista Empire, escreveu que alguns personagens, particularmente Troi e Crusher, foram perdidos ou ignorados, e que o ritmo rápido do filme não deu tempo para aqueles não familiares com o programa conhecessem e se importassem com os personagens.[73] De mesma forma, Emily Carlisle da BBC elogiou as atuações de Patrick Stewart, Spiner e Woodard, porém achou que o filme se focou mais na ação do que na caracterização.[71] Stewart, que Thompson e Renzetti consideraram ofuscado por William Shatner em Star Trek Generations,[26] [61] recebeu elogios de Richard Corliss da TIME: "Enquanto Patrick Stewart diz uma fala com uma ferocidade majestosa digna de ex-alunos da Royal Shakespeare Company, o público fica boquiaberto de admiração em meio a efeitos especiais mais imponentes que qualquer outro. Aqui está uma atuação de verdade! Em um filme de Star Trek!".[74]

Os efeitos especiais foram, de forma geral, elogiados. Jay Carr, do The Boston Globe, disse que First Contact com sucesso melhora o conceito do criador de Star Trek Gene Roddenberry com efeitos mais elaborados e ação.[75] A avaliação de Thompson se assemelhou a de Carr; ele concordou que o filme conseguiu transmitir muito da série original da década de 1960, e continha suficientes "maravilhas de efeitos especiais e tiroteios intergalácticos" para satisfazer todos os espectadores.[26] Ebert escreveu que enquanto os filmes anteriores frequentemente pareciam "desajeitados" no departamento de efeitos, First Contact se beneficiou da mais recente tecnologia de efeitos.[66] Uma opinião dissidente é oferecida por Smith, que escreveu que além das sequências de efeitos chave, o diretor Jonathan Frakes "mira distrair os trekkers da aparência restante distintamente barata".[73]

Os críticos reagiram de forma positiva aos Borg, descrevendo-os como criaturas semelhantes as de Hellraiser.[75] Renzetti creditou a eles o sopro de uma "nova vida" para a tripulação da Enterprise enquanto simultaneamente tenta matá-los.[61] A Rainha Borg recebeu uma atenção especial pela sua combinação de terror e sedução; Ebert escreveu que enquanto a Rainha Borg "se parece com nenhuma noção de sensualidade que eu tenha ouvido", ele foi inspirado "para manter uma mente aberta".[66] Carr disse, "ela prova que mulheres com uma diáfama pele azul, vários tubos externos e dentes feios pode ser elegantemente sedutora".[75]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bond, Jeff. The Music of Star Trek. [S.l.]: Lone Eagle Publishing Company, 1999. ISBN 1580650120
  • Nemecek, Larry. Star Trek: The Next Generation Companion. 3 ed. [S.l.]: Pocket Books, 2003. ISBN 0743457986

Ligações externas[editar | editar código-fonte]