Star Trek II: The Wrath of Khan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Star Trek II:
The Wrath of Khan
Star Trek II: A Ira de Khan (PT)
Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
1982 • cor • 116 min 
Direção Nicholas Meyer
Produção Robert Sallin
Produção executiva Harve Bennett
Roteiro Jack B. Sowards
Nicholas Meyer
Elenco William Shatner
Leonard Nimoy
DeForest Kelley
James Doohan
Walter Koenig
George Takei
Nichelle Nichols
Bibi Besch
Merritt Butrick
Paul Winfield
Kirstie Alley
Ricardo Montalbán
Género Ficção Científica
Idioma Inglês
Música James Horner
Cinematografia Gayne Rescher
Edição William Paul Dornisch
Estúdio Paramount Pictures
Distribuição Paramount Pictures
Lançamento 4 de junho de 1982
Orçamento US$ 11 milhões
Receita US$ 97 milhões
Cronologia
Último
Último
Star Trek:
The Motion Picture
Star Trek III:
The Search for Spock
Próximo
Próximo
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Star Trek II: The Wrath of Khan (br: Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan/pt: Star Trek II: A Ira de Khan) é um filme americano de 1982, o segundo longa-metragem baseado na franquia de ficção científica Star Trek. No filme, o almirante James T. Kirk e a tripulação da USS Enterprise enfrentam o humano geneticamente modificado Khan Noonien Singh, um personagem que apareceu no episódio "Space Seed" da série clássica. Quando Khan escapa de seu exílio de 15 anos para se vingar de Kirk, a tripulação da Enterprise deve impedi-lo de adquirir um poderoso dispositivo de terraformação chamado Gênesis.

Depois da decepção crítica e comercial de Star Trek: The Motion Picture, o criador da série Gene Roddenberry foi obrigado a sair do controle criativo da produção da sequência. O produtor executivo Harve Bennett escreveu um esboço da história, enquanto Jack B. Sowards desenvolveu um roteiro completo. O diretor Nicholas Meyer completou o roteiro em 12 dias e aceitou não receber crédito por isso. Meyer invocou um lado mais militarista da série, algo reforçado pela trilha sonora de James Horner. Leonard Nimoy só aceitou interpretar Spock porque a morte do personagem seria irrevogável. Testes negativos a morte de Spock levaram a alterações do final do filme, apesar das objeções de Meyer. A produção usou várias técnicas de corte de custos para manter o orçamento baixo, incluindo usar miniaturas de projetos passados e re-utilizar cenas e figurinos do filme anterior. Entre as realizações técnicas mais notáveis do filme, está a primeira sequência criada inteiramente usando-se computação gráfica.

The Wrath of Khan foi lançado na América do Norte em 4 de junho de 1982. Ele foi um grande sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 97 milhões mundialmente além de quebrar o recorde para melhor arrecadação no primeiro dia. A recepção da crítica foi muito positiva,; os comentaristas destacaram Khan, o ritmo do filme e as interações dos personagens como elementos fortes. Algumas críticas negativas se focaram nos efeitos especiais e em algumas das atuações. The Wrath of Khan é geralmente reconhecido como um dos melhores filmes de Star Trek, recebendo crédito pela criação de uma renovação substancial no interesse pela série.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O filme abre com a Tenente Saavik, de Vulcano, no comando da nave estelar USS Enterprise. Ela está em uma missão de resgate para salvar a tripulação de um cargueiro danificado na Zona Neutra junto a fronteira do espaço Klingon quando é atacada por cruzadores klingons sendo gravemente danificada. O "ataque" se revela como um exercício de treinamento conhecido como "Kobayashi Maru"; uma situação onde a vitória é impossível, feita para testar o caráter dos oficiais da Frota Estelar. O Almirante James T. Kirk supervisiona a simulação dos cadetes do Capitão Spock.

A USS Reliant está em uma missão para procurar um corpo espacial sem vida para o teste do Dispositivo Gênesis, um torpedo que reorganiza a matéria para criar mundos habitáveis, onde colônias possam ser estabelecidas, porém se o dispositivo for usado em um planeta que já possua vida, o ecossistema pode ser destruído. Os oficiais da Reliant, Comandante Pavel Chekov e Capitão Clark Terrell, são transportados para a superfície de um possível candidato, Ceti Alpha VI, onde são capturados pelo humano geneticamente alterado Khan Noonien Singh. Quinze anos antes a Enterprise tinha descoberto a nave de Khan a deriva pelo espaço; Kirk exilou Khan e seus seguidores do século XX em Ceti Alpha V. Khan revela que após serem abandonados Ceti Alpha VI explodiu, destruindo todo o ecossistema de Ceti Alpha V, além de ter mudado sua órbita. Khan culpa Kirk pelo falecimento de sua esposa e tem a intenção de vingar sua morte. Ele implanta em Chekov e Terrell organismos naturais do planeta para controlar suas mentes e usa-los para controlar a Reliant. Descobrindo sobre o Projeto Gênesis, Khan ataca a Estação Espacial Regula I, onde o dispositivo esta sendo desenvolvido pela antiga amante de Kirk, Dra. Carol Marcus e seu filho David.

A Enterprise embarca em uma viagem de treinamento sob o comando do Capitão Spock. Kirk assume o comando após receber um pedido de socorro de Regula I. No caminho, a Enterprise é atacada pela Reliant. O ataque avaria a Enterprise e mata muitos de seus cadetes. Uma transmissão entre as naves revela que Khan sabe sobre o Projeto Genêsis, e demanda que todos os materiais e informações sobre o projeto sejam enviadas a ele. Kirk ganha algum tempo e usa os códigos de segurança da Reliant para desativar seus escudos, possibilitando um contra-ataque. Khan é obrigado a fugir para efetuar reparos, enquanto a Enterprise vai a Regula I. Kirk, McCoy e Saavik são transportados para a estação onde encontram Chekov e Terrell, e também vários membros multilados do Projeto Gênesis. O time acha os cientistas sobreviventes, incluindo Carol e David, escondidos em uma caverna dentro do planetoide Regula. Usando Terrell e Chekov como iscas, Khan rouba o Dispositivo Genêsis e os manda matar Kirk. Terrell resiste a força da minhoca e se mata, enquanto Chekov desmaia. Enquanto Khan acha que eles estão indefesos no planeta. Kirk e Spock usam uma mensagem e código para arranjar uma saída. Kirk manda a Enterprise para dentro da Nebulosa de Mutara, onde as descargas elétricas impedem a operação dos escudos defletores, fazendo a Reliant e a Enterprise se equipararem. Kirk explora a inexperiência de Khan no espaço e disabilita a Reliant.

Mortalmente ferido, Khan ativa o Dispositivo Gênesis, que irá reorganizar a matéria da nebulosa, incluindo a Enterprise. Identificando a onda de sinal de Gênesis, a Enterprise tenta escapar usando os motores de impulso, porém sem os motores de dobra, que foram danificados no primeiro confronto com Khan, eles não conseguirão. Spock deixa a ponte e vai para a engenharia para consertar os motores. Quando McCoy tenta impedir que Spock seja exposto a altos níveis de radiação, ele incapacita o doutor e faz uma união de mentes, dizendo a ele "Lembre-se". Spock restaura o motor de dobra e a Enterprise escapa da explosão. Kirk chega a engenharia, onde Spock morre por radiação. A explosão do Dispositivo Gênesis causa a criação de um novo planeta dentro da nebulosa. Um funeral no espaço acontece dentro da sala de torpedos da Enterprise, e o caixão de Spock é atirado no novo planeta. A Enterprise vai embora para salvar a tripulação da Reliant, abandonada em Ceti Alpha V. A cena final mostra o caixão de Spock no solo do planeta. Spock narra o monólogo de Jornada nas Estrelas "Onde Nenhum Homem Jamais Esteve" enquanto a câmera passa pelas estrelas.[1]

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

A tripulação da Enterprise se reúne para o funeral de Spock. Da esquerda para a direita: Sulu, Chekov, Scott, Kirk, McCoy, Uhura e Saavik.
  • William Shatner como James T. Kirk, um Almirante da Frota Estelar e antigo capitão da USS Enterprise. Kirk e Khan nunca se encontram cara-a-cara durante o filme; todas as suas interações são feitas através de telas e comunicadores, e suas cenas foram filmadas com meses de diferença.[2] Meyer disse que Shatner é um ator que naturalmente proteje seu personagem e ele mesmo, e atua melhor depois de múltiplas tomadas.[3]
  • Ricardo Montalbán como Khan Noonien Singh, um super-humano geneticamente modificado que durante pouco tempo governou grande parte da Terra. Montalbán disse que ele acreditava que todos os bons vilões fazem coisas vilanescas, porém acreditam que estão fazendo tudo isso pelas razões "certas"; dessa forma, Khan usa a raiva pela morte de sua esposa para justificar a perseguição de Kirk.[4] Montalbán gostou tanto de trabalhar no filme que ele aceitou receber muito menos do que foi oferecido a ele, e conta que o papel foi um dos grandes momentos de sua carreira. Sua única reclamação foi que ele nunca se encontrou cara-a-cara com Shatner para uma cena.[5] Bennett notou que o filme estava quase recebendo luz verde para começar a produção quando algum produtor percebeu que ninguém havia perguntado a Montalbán se ele poderia fazer uma pausa no seriado Fantasy Island para fazer o filme.[4]
  • Leonard Nimoy como Spock, capitão da Enterprise. Nimoy não tinha a intenção de trabalhar na sequência de The Motion Picture, porém ficou seduzido pela ideia de ter uma cena de morte dramática.[6] Nimoy pensou que já que The Wrath of Khan seria o último filme de Star Trek, fazer Spock "sair em glória" seria um bom jeito de terminar o personagem.[4]
  • DeForest Kelley como Leonard McCoy, o Oficial Médico Chefe da Enterprise. Kelley não havia ficado satisfeito com uma antiga versão do roteiro e considerou não retornar.[6] Kelley reparou que seu personagem possui as falas mais leves do filme e achou que sua participação foi essencial para trazer um lado mais leve ao drama.[4]
  • James Doohan como Montgomery Scott, o engenheiro chefe da Enterprise. Scott perde seu sobrinho no ataque de Khan. Kelley achou que a tradicional frase de McCoy, "Ele está morto, Jim", durante a morte de Spock arruinaria o momento, então é Doohan que fala a Kirk que "ele já está morto".[7]
  • George Takei como Hikaru Sulu, o piloto da Enterprise. Takei não iria voltar ao papel até que Shatner o convenceu a voltar.[8]
  • Walter Koenig como Pavel Chekov, o Primeiro Oficial da USS Reliant e antigo tripulante da Enterprise. Durantes as filmagens, Kelley percebeu que Chekov nunca havia encontrado com Khan em "Space Seed", assim Khan reconhecendo ele em Ceti Alpha não faz sentido. Vários livros de Star Trek tentaram recionalizar a discrepância. O verdadeiro motivo do erro foi falta de atenção dos roteiristas e produtores. Meyer defendeu o erro dizendo que Arthur Conan Doyle fazia erros semelhantes em Sherlock Holmes.[3]
  • Nichelle Nichols como Uhura, a Oficial de Comunicações da Enterprise. Nichols e Gene Roddenberry tiveram problemas com alguns elementos do filme, incluindo as referências navais e os uniformes militaristas. Nichols também defendeu Roddenberry quando os produtores acreditaram que ele era a fonte dos vazamentos de roteiros.[9]
  • Kirstie Alley como Saavik, uma cadete vulcana e protegida de Spock. O filme foi o primeiro trabalho de Alley. Saavik chora durante o funeral de Spock. Meyer disse que durante as filmagens alguém perguntou a ele, "Você vai deixar ela fazer isso?". Ele respondeu, "Sim", a pessoa disse, "Mas vulcanos não choram", e ele disse, "Bom, é isso que faz dela uma vulcana interessante".[3] Alley gostou tanto de suas orelhas vulcanas que ela ia para casa com elas ainda coladas.[3]
  • Paul Winfield como Clark Terrell, o capitão da USS Reliant. Meyer havia visto vários filmes de Winfield e queria muito dirigi-lo.[3]
  • Bibi Besch como Carol Marcus, a Cientista Chefe do Programa Genêsis e antiga amante de Kirk. Meyer estava procurando uma atriz que fosse bonita o bastante para ser plausível Kirk se apaixonar por ela e também pudesse parecer inteligente.
  • Merritt Butrick como David Marcus, um cientista no projeto Genêsis e filho da Dra. Marcus e Kirk. Meyer gostou de Butrick pois ele tinha o cabelo louro igual a Besch e encaracolado igual a Shatner, fazendo dele um filho plausível para os dois.[3]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Após o lançamento de Star Trek: The Motion Picture, o produtor Gene Roddenberry escreveu sua própria sequência. Na história, a tripulação da Enterprise viaja no tempo até o passado para arrumar a linha do tempo que foi alterada depois dos klingons terem usado o Guardião da Eternidade para impedir o assassinato de John F. Kennedy.[2] [10] Isso foi rejeitado pelos executivos da Paramount, que culpavam Roddenberry pela má performance e grande orçamento do primeiro filme.[11] Como consequência, Roddenberry foi removido da produção e colocado no cargo simbólico de "Consultor Executivo".[2] Harve Bennett, um novo produtor de televisão da Paramount, foi colocado na produção do próximo filme de Star Trek.[12] De acordo com Bennett, ele foi chamado em frente a um grupo de pessoas onde foi perguntado se ele poderia fazer um filme melhor que The Motion Picture.[13] Quando Bennett respondeu afirmativamente, ele foi perguntado se conseguiria fazer por menos que US$ 45 milhões, Bennett respodeu dizendo, "De onde eu venho, posso fazer cinco filmes com isso".[12]

Bennett percebeu que ele havia entrado em um grande desafio ao desenvolver o novo filme de Star Trek, parcialmente por ele nunca ter assistido a série.[12] Para compensar, ele assistiu todos os episódios originais. Essa imersão o convenceu que aquilo que o primeiro filme não tinha era um verdadeiro vilão. Depois de assistir o episódio "Space Seed", ele decidiu que o personagem de Khan Noonien Singh era o perfeito vilão para o filme.[14] Antes de escrever o roteiro, Bennett reuniu sua equipe de produção. Ele selecionou Robert Sallin, um diretor de comerciais e um antigo amigo de escola, para ser o produtor do filme. A tarefa de Sallin era produzir Star Trek II o mais rápido e barato possível.[15] Bennett também contratou Michael Minor como diretor de arte.[15]

Bennett escreveu o primeiro tratamento para o filme em novembro de 1980. Nessa versão, intitulada Star Trek II: The War of the Generations, Kirk investiga uma rebelião em um mundo distante e descobre que seu filho lídera os rebeldes. Khan é a mente por trás de tudo, e Kirk e seu filho se unem para derrotar o tirano. Bennett então contratou Jack B. Sowards, um grande fã de Star Trek, para transformar seu esboço em um roteiro que poderia ser filmado. Sowards escreveu um roteiro inicial antes de uma greve em 1981. O rascunho de Sowards, The Omega Syndrome, envolvia o roubo de uma arma de Federação, o "Sistema Ômega".[14] Sowards ficou preocupado achando que sua arma era muito negativa, e Bennett queria algo mais "para cima".[15] Minor sugeriu a Bennett que o aparelho fosse transformado em uma ferramenta de terraformação. Bennett abraço Minor e disse que ele havia salvado Star Trek.[15] Em homenagem a potência bíblica da arma, Sowards renomeou o "Sistema Ômega" no "Dispositivo Gênesis".[14]

Em abril de 1981, Sowards produziu um roteiro que colocava a morte de Spock no final da história,[14] devido a insatisfação dos fãs após o roteiro original ter vazado.[3] Spock, originalmente morria no primeiro ato, em um momento chocante que Bennett comparou à morte de Janet Leigh no começo de Psycho.[16] O rascunho tinha 12 páginas de um confronto cara-a-cara de Kirk com Khan.[17] O rascunho de Sowards também introduzia um personagem macho chamado de Savik.[14] Prazos para o início da produção dos efeitos especiais passavam, que requeriam um detalhado storyboard baseado no roteiro completo, e até esse momento não havia uma versão final do roteiro.[14]

Karen Moore, executiva da Paramount, sugeriu a Bennett que Nicholas Meyer poderia resolver os problemas de roteiro.[4] Meyer também nunca havia assistido a um episódio de Star Trek.[18] Ele tinha a ideia de fazer uma lista contendo tudo que a equipe de produção tinha gostado dos rascunhos anteriores, "poderia ser um personagem, uma cena, um enredo, um subenredo, um diálogo", para que ele usasse a lista como a base de um roteiro contendo todos os melhores aspectos dos anteriores.[4] Para enganar as expectativas dos fãs que Spock iria morrer, Meyer "matou" o personagem no teste do Kobayashi Maru, na cena de abertura.[3] A companhia de efeitos precisava do roteiro completo em 12 dias. Meyer escreveu o roteiro sem créditos e sem pagamento, surpreendendo os produtores e os atores.[4] Meyer descreveu o roteiro como "Horatio Hornblower no espaço sideral", utilizando várias referências náuticas.[6] Sallin ficou impressionado com a visão de Meyer.[15] Gene Roddenberry não concordou com a textura naval do roteiro e as ligações de Khan com Ahab, porém ele foi quase que totalmente ignorado pela equipe.[19]

Desenho de produção[editar | editar código-fonte]

Meyer tentou mudar o visual de Star Trek para atender a atmosfera náutica que ele imaginou para o filme e ficar dentro do orçamento.[4] A Enterprise, por exemplo, recebeu um sino e um apito de contramestre,[14] e mais luzes piscando e sinalizações.[13] Para economizar dinheiro nos cenários, o desenhista de produção Joseph Jennings utilizou elementos já existentes de The Motion Picture que ficaram para trás após o final das filmagens.[14] 65% do filme foi filmado nos mesmos cenários, a ponte da Reliant e a ponte do teste do Kobayashi Maru eram modificações da ponte da Enterprise.[4] A ponte do cruzador klingon visto no primeiro filme foi modificada para se tornar a sala de transporte e a sala dos torpedos.[13] Os cineastas reduziram o orçamento de The Wrath of Khan utilizando modelos e cenas do primeiro filme, incluindo a cena onde a Enterprise sai de doca.[8] As miniaturas originais das naves foram utilizadas onde era possível, ou modificadas para servir a novos propósitos. O complexo orbital de The Motion Picture foi invertida e modificada para se tornar a estação espacial Regula I.[14] Elementos da cancelada Star Trek: Phase II foram canibalizados e reusados.[8] Uma grande preocupação dos desenhistas era que a Reliant deveria ser facilmente distinguível da Enterprise. O desenho da nave foi invertido quando Bennett acidentalmente abriu e aprovou um desenho preliminar da Reliant de ponta cabeça.[4]

Um exemplar de uniforme criado para The Wrath of Khan.

O figurinista Robert Fletcher foi trazido para redesenhar e criar novos figurinos. Fletcher decidiu usar materiais com cores um pouco diferentes da cor pura. "Elas não são cores que você vê hoje, então de alguma forma, elas indicam um outro período".[15] Meyer não gostava dos uniformes da série original e The Motion Picture e queria que eles fossem mudados,[18] porém por motivos orçamentários, eles não podiam ser totalmente descartados. Testes de tingimento mostraram que os antigos uniformes ficavam com três cores boas: azul acinzentado, ouro e vermelho escuro. Fletcher decidiu usar o vermelho escuro devido ao grande contraste com o fundo. Os desenhos náuticos foram usados em todos os subsequentes filmes de Star Trek até Star Trek: First Contact, de 1996. As primeiras versões dos uniformes tinham golas pretas normais, porém Sallin sugeriu mudá-las para uma gola mais alta, chamada de trapunto. No tempo da produção de The Wrath of Khan, as máquinas necessárias e as agulhas para produzir as golas trapunto eram raras, e Fletcher só conseguiu encontrar uma agulha para o departamento de figurinos.[14] A equipe tinha tanto medo de perdê-la ou quebrá-la que um uma pessoa levou a agulha para casa como uma medida de segurança, levando Fletcher a acreditar que ela havia sido roubada.[15]

Para Khan e seus seguidores, Fletcher criou um grande contraste com os altamente organizados uniformes da Frota Estelar. Sua ideia era que as roupas dos exilados eram feitas de qualquer coisa que eles pudessem encontrar.[4] Fletcher disse que, "Minha intenção com Khan era expressar o fato que eles haviam sido abandonados naquele planeta com nenhuma infraestrutura técnica, então eles deveriam canibalizar tudo que poderiam de sua nave estrelar. Dessa forma, eu tentei fazer parecer que eles se vestiam com peças de componentes eletrônicos da nave".[4] O figurino de Khan foi criado com um peito aberto para mostrar o físico de Ricardo Montalbán. Fletcher também criou batas para os cientistas da Regula I e as roupas de civis para Kirk e McCoy, que foram feitas para parecerem práticas e confortáveis.[4]

Meyer havia adicionado uma placa de "Proibido Fumar" na ponte da Enteprise, que ele comenta que "Todos tiveram um ataque [...] eu disse 'Por quê eles pararam de fumar no futuro? Eles estão fumando por mais de quatrocentos anos, vocês acham que eles vão parar nos próximos dois?'"[13] A placa apareceu na primeira tomada do filme, porém foi removida em todas as outras no corte final.[8]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

As filmagens começaram no dia 9 de novembro de 1981 e terminaram no dia 29 de janeiro de 1982.[15] The Wrath of Khan possui muito mais ação que seu predecessor, porém custou muito menos para ser produzido. O projeto foi supervisionado pela unidade de televisão da Paramount, ao invés de sua divisão de cinema.[15] Bennett, um respeitado produtor de televisão veterano, produziu o filme com um orçamento de US$ 11 milhões, bem menos que os US$ 46 milhões de The Motion Picture.[7] O orçamento originalmente seria de US$ 8.5 milhões, porém cresceu depois que os produtores ficaram impressionados com as duas primeiras semanas de filmagens.[13] Meyer utilizou truques de câmera e cenários para economizar na construção de novos e caros cenários. Para uma cena que se passa na Academia da Frota, perspectiva forçada foi criada colocando o cenário mais perto da câmera, para criar a ilusão que ele era bem maior. Para ter a ilusão que o turboelevador da Enterprise se moviam entre deques, várias peças do corredor eram retiradas ou colocadas em outro lugar para criar uma nova configuração enquanto as portas estavam fechadas.[8] Equipamentos de fundo, como terminais de computadores, foram alugados quando possível ao invés de se comprar novos. Alguns objetos de cena, como fasers e cominucadores, foram reutilizados de The Motion Picture porque a Paramount vetou a criação de novos.[15]

A Enterprise foi modificada para as cenas no espaço, com seu exterior brilhante sujado e detalhes extras adicionados.[15] Comparada a recém construída Reliant, a Enterprise era odiada pelos artistas de efeitos visuais; ela necessitava de oito pessoas para colocá-la em uma empilhadeira para movê-la.[15] A Reliant, diferentemente, era mais leve e tinha uma fiação interna bem menos complexa. As naves foram filmadas contra uma tela azul com filmes que não registravam a cor, assim, as filmagens poderiam ser usadas em qualquer cena do filme. Qualquer reflexo da tela azul no casco da nave apareceria como um buraco no filme. Esses buracos teriam de ser tampados quadro a quadro para o filme final. A mesma câmera usada em Star Wars, a Dykstraflex, foi usada para filmar a Enterprise e as outras naves.[15]

A superfície desértica do planeta Ceti Alpha V foi simulada no estúdio 8, o maior estúdio da Paramount. O cenário foi elevado 7,5 m do chão e coberto com placas de madeira, onde toneladas de areia e poeira foram colocadas. Uma pintura de 360° foi colocada ao redor do cenário, enquanto vários ventiladores industriais criavam uma tempestade de areia. As filmagens foram muito desconfortáveis para os atores e a equipe. As roupas de spandex que Koenig e Winfield usaram não tinham ventilação, e os atores tinham de avisar por um microfone quando precisavam de ar. O equipamento de filmagem foi coberto por plástico para evitar problemas mecânicos e todos no cenário usaram botas e máscaras para se protegeram da areia.[15]

A cena da morte de Spock foi filmada em três dias, tempo ao qual nenhum visitante recebeu permissão para entrar.[3] A morte de Spock seria irrevogável, porém Nimoy tinha tido uma experiência tão positiva durante as filmagens que ele pediu se poderia adicionar algo que poderia ser usado para o retorno do personagem em algum filme futuro. A sequência do elo mental com McCoy foi filmada sem o conhecimento prévio de Kelley sobre o que aquilo significava.[20] Shatner não concordou em ter um vidro limpo separando Kirk e Spock durante a cena; ele queria um vidro translúcido, onde apenas a silhueta do personagem fosse vísivel, porém sua objeção foi recusada. Durante o funeral de Spock, Meyer queria que a câmera seguisse o torpedo/caixão de Spock até o lançamento. Scott tocando "Amazing Grace" na gaita de foles foi sujestão de Doohan.[21]

A morte de Spock no filme foi amplamente relatada durante a produção. Trekkies escreveram cartas de protesto, com um pagando anuncios de jornais de grande circulação pedindo para a Paramount mudar o enredo, e até Nimoy recebeu ameaças de morte.[22] [23] Públicos testes reagiram mal a morte de Spock e ao fim do filme, achando que o tom era muito sombrio,[4] então o final foi feito mais positivo por Bennett. A cena do caixão de Spock no planeta e o monólogo de encerramento narrado por Nimoy foram adicionados; Meyer expressou suas objeções, porém não impediu as mudanças.[7] Nimoy não sabia da cena até ver filme pela primeira vez,[24] porém antes da estréia a mídia assegurou os fãs de que "Spock vai ver" novamente.[23] Devido a falta de tempo, a cena do caixão foi filmada no Golden Gate Park, usando máquinas de fumaça para criar uma atmosfera mais primal.[25]

Considerações especiais foram tomadas durante as filmagens para permitir a integração dos efeitos especiais planejados. Monitores de televisão em frente a computadores foram especialmente calibrados para que suas taxas de atualização não resultassem em faixas formadas no filme.[8] Devido a perda de resolução e qualidade resultante da refotografia de um elemento na impressora óptica, sequências reais para tomadas de efeitos foram filmadas nos formatos 65 mm e VistaVision para compensar. Quando as cópias maiores foram reduzidas através de lentes anamórficas na impressora, o resultado foi uma composição Panavision.[26]

Efeitos[editar | editar código-fonte]

Com muito pouco tempo para completar as sequências de efeitos especiais para The Wrath of Khan, o supervisor de efeitos Jim Veilleux, Meyer, Jennings, Sallin e Minor trabalharam para transformar as ideias em storyboards e visuais. As sequências detalhadas foram essenciais para manter os efeitos no orçamento, diferente do que ocorreu em The Motion Picture.[15] Cada efeito ótico e especial, junto com sua duração, foram listados.[15] Ao final de seis semanas, os produtores definiram o visual básico e a construção de quase todos os efeitos efeito; as tomadas resultantes foram combinadas com as cenas do filme cinco meses depois.[26] A Industrial Light & Magic (ILM) produziu muito dos efeitos do filme e criou os novos modelos. A USS Reliant foi a primeira nave que não pertencia a classe-Constitution a aparecer na franquia.[14] Como o roteiro pedia que a Enterprise e a Reliant danificassem uma a outra em batalha, a ILM desenvolveu técnicas para ilustrar o dano sem danificar fisicamente as miniaturas.[14] Ao invés de mover os modelos em frente a uma tela azul durante as gravações, a câmera Vistavision era que se movia para criar a ilusão de movimento das naves.[4] Os danos à Enterprise eram cosméticos, e simulados com peças de alumínio que eram pintadas e coladas na miniatura. Os danos de fasers foram criados com stop motion. O roteiro pedia grandes danos a Reliant, então modelos maiores e mais detalhados foram construídos para serem explodidos.[14]

A Enterprise manobra para longe da danificada Reliant na Nebulosa de Mutara. As fagulhas saindo da nacele da Reliant foram animadas manualmente.

A Batalha da Nebulosa de Mutara foi uma sequência difícil para se fazer sem a ajuda de modelos gerados por computador. A nebulosa em si foi criada injetando latex em uma mistura de amônia em um tanque que podia ser enchido com água salgada ou normal.[25] Todas as cenas foram filmadas a dois quadros por segundo, para dar a ilusão de um movimento mais rápido. As cores vibrantes e abstratas da nebulosa foram criadas iluminando o tanque com gels coloridos. Efeitos de luz adicionais, como auroras, foram criados pelo departamento de animação da ILM. Usando diferentes camadas, as naves foram colocadas junto com as imagens da nebulosa.[4] A destruição da nacele esquerda da Reliant foi criada ao sobrepor tomadas da nacele explodindo e explosões sobre o modelo.[4] Todas as faíscas que saíram da nacele destruída da Reliant foram animadas manualmente, quadro a quadro.

A cena onde Terrell mata um cientista de Regula I vaporizando-o com um faser foi filmada em duas tomadas. Winfield e os outros atores interpretariam a cena primeiro; essa cena se tornou a tomada de fundo. Uma tela azul foi colocada no cenário e o ator John Vargas, recipiente do tiro, atuou em resposta ao tiro. Um feixe de faser foi colocado por cima da tomada de fundo e as tomadas de Vargas foram oticamente dissolvidas em um efeito de desintegração que correspondia sua posição no quadro.[26]

As cenas das enguias de Ceti usaram vários modelos, supervisionados pelo supervisor de efeitos especiais Ken Ralston, que tinha acabado de finalizar a criação de criaturas alienígenas para Star Wars Episode VI: Return of the Jedi. Ele amarrou uma cordinha nas enguias para faze-las andar pelo rosto dos atores antes que elas entrassem nos ouvidos.[4] A cena onde uma enguia mais madura sai do ouvido de Chekov foi simulada com uma grande modelo da orelha de Koenig. A cena foi filmada com três variações: uma com nenhum sangue, uma com pouco sangue e uma com muito sangue.[15]

Efeitos ópticos adicionais foram feitos pela Visual Concept Engineering (VCE), uma pequena companhia de efeitos dirigida por Peter Kuran, que havia trabalhado para a ILM e saiu após o término de Star Wars Episode V: The Empire Strikes Back.[15] VCE fez os efeitos dos feisers, o reator da Enterprise, areia adicional em Ceti Alpha V e um novo efeito de transporte. Meyer e a equipe não queriam usar quadros congelados para o transporte como era feito na série. As cenas foram filmadas para que conversações continuassem durante o transporte,[8] porém muito do trabalho da VCE foi descartado quando a produção decidiu não ter tanta ação durante os transportes.[15]

The Wrath of Khan foi um dos primeiros filmes a usar imagens eletrônicas e computação gráfica de forma extensiva para acelerar a produção. A companhia de gráficos computadorizados Evans & Sutherland produziu os desenhos vetorias mostrados abordo da Enterprise e o campo de estrelas usado nos créditos de abertura.[26] Entre as realizações técnicas da ILM foi a primeira sequência gerada inteiramente por computação gráfica da história do cinema; a demonstração dos efeitos do Dispositivo Gênesis em um corpo estelar sem vida.[27] O primeiro conceito para a cena se formou como uma demonstração de laboratório, onde uma pedra seria colocada em uma câmara e se tornaria uma flor.[14] Veilleux sugeriu expandir a cena para mostrar o efeito de Gênesis em um planeta. Enquanto a Paramount gostou da apresentação mais dramática, eles também queriam que a simulação fosse impressionante que a animação tradicional.[26] Tendo visto os trabalhos feitos pela Lucasfilm's Computer Graphics, Veilleux ofereceu a eles o trabalho. O time gráfico prestou bastante atenção para detalhar a sequência de 62 segundos. Os animadores esperavam que a sequência servisse como um "comercial" para os talentos do estúdio. O estúdio, mais tarde, iria se dividir da Lucasfilm e formar a Pixar Animation Studios.[27]

Música[editar | editar código-fonte]

Jerry Goldsmith compôs a música para The Motion Picture, porém não era uma opção para The Wrath of Khan devido ao pequeno orçamento; o compositor de Time After Time, filme dirigido por Meyer, Miklós Rózsa, também era muito caro.[28] Bennett e Meyer queriam que a música fosse para uma direção diferente, más não haviam decidido o compositor no começo das filmagens. Meyer inicialmente queria contratar um associado chamado John Morgan, porém Morgan não tinha experiência em filmes, algo que o estúdio não iria gostar.[29]

O vice-presidente de música da Paramount, Joel Still, gostou de um compositor de 28 anos chamado James Horner, achando que suas fitas se diferenciavam de trilhas genéricas.[29] Horner foi apresentado a Meyer, Bennett e Sallin.[15] Horner disse "Os produtores não queriam o tipo de trilha que eles tinha antes. Eles não queriam uma trilha John Williams, per se. Eles queriam algo diferente, mais moderno".[30] Quando perguntado como ele foi parar no trabalho, o compositor respondeu que "os produtores adoraram meu trabalho em Wolfen e tinham ouvido minha música em outros projetos, e eu acho, que eles gostaram muito da minha versatilidade. Eu queria o trabalho, eu os conheci, nos damos bem, ficaram impressionados com minha música e foi assim que aconteceu".[31] Horner concordou com as expectativas dos produtores e concordou em começar a trabalhar em janeiro de 1982.[15]

Mantendo o tom náutico, Meyer queria que a trilha sonora lembrasse a navegação, o diretor e o compositor trabalharam bem perto, se tornando amigos no processo.[29] Fã de música clássica, Meyer pode descrever os efeitos e os sons que ele queria na música.[30] Enquanto o estilo de Horner foi descrito como "ecoando tanto os elementos bombásticos e elegantes de Star Wars, de John Williams, e de The Motion Picture, de Jerry Goldsmith",[32] Horner foi proibido de usar qualquer coisa da trilha de Goldsmith. Ao invés disso, Horner adotou o tema de abertura de Alexander Courage para a série original. "A música imediatamente chama você. Você sabe que vai ser um bom filme", disse Horner.[29]

Em comparação ao tema principal fluido, o tema de Khan tinha uma textura percussiva que poderia ser sobreposta com outra música para enfatizar a insanidade do personagem.[15] O tema de sete notas foi feito para enfatizar lembranças sobre o passado em Ceti Alpha V, porém não toca totalmente até Khan atacar a Enterprise com a Reliant. Momentos musicais da série foram ouvidos durante a investigação em Regula I e em outros pontos.[33]

Para Horner, as "coisas por de trás" da história principal eram muito importantes para a trilha; em The Wrath of Khan, isso era a relação de Kirk e Spock. O tema principal também serve como tema para Kirk e a Enterprise.[29] Horner escreveu um tema para Spock, para enfatizar a profundidade do personagem.[15] Para diferenciar dos curtos temas para os vilões, os temas maiores foram feitos para os heróis, isso também ajudou a diferenciá-los durante as sequências de batalha.[29]

A trilha sonora de Star Trek II: The Wrath of Khan foi o primeiro grande trabalho de Horner,[32] tendo sido escrito em quatro semanas e meia. Os 72 minutos de músicas resultantes foram tocadas por uma orquestra de 91 músicos.[30] As seções de gravação foram feitas de 12 a 15 de abril.[29] Um outra seção foi realizada em 30 de abril para músicas da batalha na Nebulosa de Mutara, enquanto outra seção foi feita em 3 de maio para cobrir o recém alterado epílogo.[29]

Temas[editar | editar código-fonte]

The Wrath of Khan possui vários temas recorrentes, incluindo morte, ressurreição e envelhecimento.[34] Ao escrever o roteiro, Meyer fez uma ligação entre a morte de Spock e o envelhecimento dos personagens. "Essa seria uma história onde Spock morre, então seria uma história sobre morte, [...] seria uma história sobre idade e amizade", disse Meyer. Mantendo os temas de morte e renascimento simbolizados pelo sacrifício de Spock e pelo Dispositivo Gênesis, Meyer queria chamar o filme de The Undiscoverd Country, em referência a Hamlet, de William Shakespeare, porém o título foi alterado durante a edição sem seu conhecimento. The Undiscovered Country veio a ser o título do sexto filme da franquia, também dirigido por Meyer.

The Wrath of Khan segue a longa tradição de filmes onde o aventureiro ou explorador deve passar por uma morte figurativa ou literal para começar mais uma vez.[35] Kirk e Spock, juntos, representam um herói bifurcado, com os dois representando partes duelantes da condição humana. Spock representa a ideia sobrenatural de uma pessoa completamente lógica, enquanto Kirk representa a realidade humana.[35] O sacrifício de Spock no final permite um renascimento espiritual de Kirk na tradição do ciclo de morte-renascimento. Depois de comentar no início que ele se sente velho e inútil, Kirk fala no final do filme que "Eu me sinto jovem".[36] O teste do Kobayashi Maru força os participantes a confrontar uma situação sem possibilidade de vitória que serve como teste de caráter, porém Kirk revela que ele venceu o teste trapaceando; Saavik responde que Kirk nunca enfrentou a morte. A solução de Spock para o cenário, a de auto-sacrifício, força Kirk a confrontar a morte após continuamente trapaceá-la, crescendo como personagem.[36] Imagens e sons reforçam os temas de morte e envelhecimento, assim como a promessa de renascimento; Spock é o primeiro personagem a ser visto e o último a ser ouvido, seu caixão segue a mesma trajetória em direção ao planeta que a do Dispositivo Gênesis na simulação.[36]

Meyer adicionou elementos para reforçar o elemento do envelhecimento dos personagens. A insatisfação de Kirk sobre seu aniversário é agravada pelo presente de McCoy, óculos para ler. O roteiro afirma que Kirk tem 49 anos, porém Shatner estava inseguro sobre ter uma idade específica para Kirk.[3] Bennett lembra que Shatner ficou hesitante em interpretar um versão de meia-idade dele mesmo, e acreditava que com uma boa maquiagem ele poderia continuar a interpretar um jovem Kirk. Bennett convenceu Shatner que ele poderia envelhecer bem como Spencer Tracy.[4]

A perseguição de Khan atrás a Kirk é central para o tema de vingança, e The Wrath of Khan deliberadamente se inspira em Moby Dick, de Herman Melville.[37] Para fazer os paralelos entre o livro e o filme claro para o público, Meyer adicionou um cópia visível do livro na nave de Khan.[3] Ele deliberadamente cita Ahab, com suas últimas falas sendo tiradas totalmente de Ahab no final do livro. A perseguição cega de Khan espelha a obsessão de Ahab com a Grande Baleia. Tanto Khan quanto Ahab perseguem seus nêmeses contra o julgamento de suas tripulações, sendo mortos no final pelos seus perseguidos. Os temas de vingança de Moby Dick influenciariam muito a história de Star Trek: First Contact.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Star Trek II: The Wrath of Khan estreou em 4 de junho de 1982. Arrecadou US$ 14.347.221 em sua semana de estréia, a maior abertura da história na época.[38] Arrecadou US$ 78.912.963 nos EUA,[39] sendo o sexto filme em bilheteria no ano de 1982. Arrecadou US$ 97.000.000 mundialmente. Apesar de sua arrecadação total ter sido menor que a de The Motion Picture, foi um filme muito mais lucrativo, devido ao seu orçamento menor.[38]

Crítica[editar | editar código-fonte]

The Wrath of Khan recebeu críticas muito positivas. O filme possui um índice de aprovação de 90% no site Rotten Tomatoes, baseado em 41 críticas, com uma média de 7,8/10. O consenso no site é "Considerado por muitos fãs como o melhor filme de Star Trek, Khan apresenta um enredo forte, tensão crescente e uma grande atuação coadjuvante de Ricardo Montalbán".[40] Depois da morna recepção de Star Trek: The Motion Picture, a resposta dos fãs a The Wrath of Khan foi muito positiva. O sucesso do filme é creditado por renovar o interesse na franquia.[41] Mark Bernardin, da Entertainment Weekly, foi mais longe, afirmando que The Wrath of Khan foi "o filme que salvou Star Trek como conhecemos".[42] É atualmente considerado o melhor filme da franquia.[41] [42] [43] [44]

O ritmo do filme foi elogiado pelos críticos do The New York Times e do The Washington Post, como sendo bem mais rápido que se predecessor e mais próximo ao da série original.[45] [46] Janet Maslin afirmou que o filme possuiu uma história muito mais forte que The Motion Picture, e disse que a sequência era tudo aquilo que o primeiro filme deveria ter sido.[45] A Variety concordou que The Wrath of Khan estava muito mais próximo do espírito original de Star Trek que seu predecessor.[47] A boa interação entre os personagens foi citada como um aspecto forte do filme,[48] como também a interpretação de Ricardo Montalbán de Khan.[49]

Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, e Derek Adams, do Time Out, reclamaram sobre o que foi visto como sequências de batalha tépidas,[49] e percebido melodrama.[46] [50] Enquanto Ebert e a TV Guide acharam que a morte de Spock foi dramática e bem feita,[49] [51] Gary Arnold, do The Washington Post, afirmou que a morte de Spock "parece uma virada desnecessária, e os cineastas estão obviamente preparados para lorotar em caso o público exija outra sequência".[46] Resenhas negativas se focaram na atuação,[46] [52] e a Empire escolheu os "penteados duvidosos" e as "vestes de Papai Noel" como elementos do filme que não envelheceram bem.[53]

O filme venceu dois Saturn Awards em 1982, para melhor ator (Shatner) e melhor diretor (Meyer).[54] [55] O filme também foi indicado na categoria de "melhor apresentação dramática" no Hugo Awards de 1983, porém perdeu para Blade Runner.[56] The Wrath of Khan teve um impacto em filmes posteriores: o título rejeitado de Meyer, The Undiscovered Country, foi finalmente usado quando ele dirigiu o sexto filme da franquia, que manteve muito das inflências náuticas.[3] O diretor Bryan Singer citou o filme como influência para X2 e para a sequência abandonada de Superman Returns.[57] O filme também é o favorito do diretor J. J. Abrams, do produtor Damon Lindelof e dos roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman, o time criativo por de trás de Star Trek, filme que reiníciou a franquia.[58] [59] [60]

Referências

  1. Synopsis for Star Trek II: The Wrath of Khan (1982) Internet Movie Database. Visitado em 21 de julho de 2011.
  2. a b c Shatner, William; Kreski, Chris. Star Trek Memories. Nova York: HarperCollins, 1994. ISBN 0-061-09235-5.
  3. a b c d e f g h i j k l Meyer, Nicholas (DVD) Star Trek II: The Wrath of Khan - Director's Edition - comentários em aúdio. 2002. Paramount Pictures
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s Asherman
  5. Spelling, Ian. (7 de agosto de 1994). "From Deep Space to Heaven". Toronto Sun: p. TV6.
  6. a b c Rioux, p. 243
  7. a b c Rioux, p. 249
  8. a b c d e f g Okuda, Michael. (DVD) Star Trek II: The Wrath of Khan - Director's Edition - comentários em texto. 2002. Paramount Pictures
  9. Nichols, pp. 248-249
  10. Dillard, p. 71
  11. Rioux, pp. 240-241
  12. a b c Rioux, pp. 240-252
  13. a b c d e Reeves-Stevens, pp. 203-205
  14. a b c d e f g h i j k l m n Robinson, Ben. (setembro de 2002). "Edição Especial". Star Trek Magazine 3 (5).
  15. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w Anderson, Kay. (1982). "Star Trek II: The Wrath of Khan: How the TV series became a hit movie, at last". Cinefantastique 12 (5–6): 50–74.
  16. Dillard, p. 77
  17. Hughes, David. The Greatest Science Fiction Movies Never Made. [S.l.]: Titan Books, 2008. ISBN 1-556-52449-8.
  18. a b Dillard, pág. 96
  19. Rioux, p. 245
  20. Rioux, p. 248
  21. Nichols, p. 251
  22. Anderson, Nancy. (4 de julho de 1982). "Trekkies wrath worse than Khan's". Newburgh Evening News: p. 14E. Copley News Service.
  23. a b (3 de junho de 1982) "Spock dies — but wait! He'll be back!". Eugene Register-Guard: p. 1D.
  24. Boucher, Geoff (12 de junho de 2010). Leonard Nimoy riffs on William Shatner, George Lucas and ... Jimi Hendrix? Los Angeles Times. Visitado em 21 de julho de 2011.
  25. a b Ralston, Ken. (outubro 1982). "Special Effects for 'Star Trek II': Mama eel and the nebula". American Cinematographer.
  26. a b c d e Veilleux, Jim. (outubro de 1982). "Special Effects for Star Trek II: Warp Speed and Beyond". American Cinematographer: 1032–1055.
  27. a b Pegoraro, Rob. (29 de junho de 2008). "Incredibles, Inc; The story of how computer programmers transformed the art of movie animation". The Washington Post: p. W8.
  28. Bond, pág. 105
  29. a b c d e f g h Bond, Jeff. "Notas de Álbum para Star Trek II: The Wrath of Khan Expanded Original Motion Picture Soundtrack de James Horner", Retrograde Records, 2009.
  30. a b c Larson, Randall. (1982). "Interview: James Horner and Star Trek II". CinemaScore (10).
  31. Larson, Randall. (1982). "A Conversation with James Horner" (11–12).
  32. a b Harrington, Richard. (25 de julho de 1982). "Sounds Of the Summer Screen". The Washington Post: p. L1.
  33. Bond, pp. 106-107
  34. Kraemer, Ross; Cassidy, William; Schwartz, Susan. Religions of Star Trek. [S.l.]: Perseus Book Group, 2003. ISBN 0-8133-4115-9.
  35. a b Markey, Constance. (1982). "Birth and rebirth in current fantasy films". Film Criticism 7 (1): 14–25.
  36. a b c Roth, Lane. (1987). "Death and Rebirth in Star Trek II: The Wrath of Khan". Extrepolation 1 (28): 159–166.
  37. Hinds, Jane. (1997). "The Wrath of Ahab; or, Herman Melville Meets Gene Roddenberry". The Journal of American Culture 20 (1): 43–46.
  38. a b Harmetz, Aljean. (8 de junho de 1982). "Star Trek II Sets Mark for Sales at Opening". The New York Times: p. C11.
  39. Star Trek II: The Wrath of Khan (1982) Box Office Mojo. Visitado em 21 de julho de 2011.
  40. Star Trek II: The Wrath of Khan (1982) Rotten Tomatoes. Visitado em 21 de julho de 2011.
  41. a b Jenkins, p. 250
  42. a b Bernardin, Mark (13 de agosto de 2002). Review; Star Trek II: The Wrath of Khan – The Director's Edition Entertainment Weekly. Visitado em 21 de julho de 2011.
  43. Talkis, John. (2003). "Where no note has gone before". Film Score Monthly 8 (1): 26–27.
  44. Null, Christopher (28 de julho de 2002). Star Trek II: The Wrath of Khan FilmCritic.com. Visitado em 21 de julho de 2011.
  45. a b Maslin, Janet. (4 de junho de 1982). "New Star Trek full of gadgets and fun". The New York Times: p. C12.
  46. a b c d Arnold, Gary. (4 de junho de 1982). "Cashing in on the Spock market; Star Trek II shows little enterprise". The Washington Post: p. D1.
  47. Star Trek II - The Wrath of Khan Variety (31 de dezembro de 1981). Visitado em 21 de julho de 2011.
  48. Cramp, Nick (4 de setembro de 2001). Star Trek II: The Wrath Of Kahn (1982) BBC. Visitado em 21 de julho de 2011.
  49. a b c Ebert, Roger (1 de janeiro de 1982). Star Trek II: The Wrath of Khan RogerEbert.SunTimes.com. Visitado em 21 de julho de 2011.
  50. Adams, Derek. Star Trek II: The Wrath of Khan (1982) Time Out. Visitado em 21 de julho de 2011.
  51. Star Trek II: The Wrath Of Khan: Review TV Guide. Visitado em 21 de julho de 2011.
  52. Kehr, David (1 de janeiro de 1982). Star Trek: The Wrath of Khan Capsule review Chicago Reader. Visitado em 21 de julho de 2011.
  53. Errigo, Angie. Star Trek 2: The Wrath Of Khan Empire. Visitado em 21 de julho de 2011.
  54. Past Saturn Awards: Best Actor Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films. Visitado em 21 de julho de 2011.
  55. Past Saturn Awards: Best Direction Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films. Visitado em 21 de julho de 2011.
  56. The Hugo Awards: 1983 Hugo Award. Visitado em 21 de julho de 2011.
  57. Pascale, Anthony (12 de maio de 2007). Interview: Bryan Singer on Trek TrekMovie.com. Visitado em 21 de julho de 2011.
  58. (julho de 2006) "Can J.J. Abrams save Star Trek?". Empire: 56.
  59. Pascale, Anthony (4 de outubro de 2007). Interview – Roberto Orci On Why He Is A Trekkie & Making Trek Big Again TrekMovie.com. Visitado em 21 de julho de 2011.
  60. Pascale, Anthony (28 de fevereiro de 2008). Exclusive: Lindelof Talks Trek Essentials + Lost/Trek Connections TrekMovie.com. Visitado em 21 de julho de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Asherman, Allan. The Making of Star Trek II: The Wrath of Khan. [S.l.]: Pocket Books, 1982. ISBN 0-671-46182-6.
  • Bond, Jeff. The Music of Star Trek. [S.l.]: Lone Eagle Publishing Company, 1999. ISBN 1-580-65012-0.
  • Dillard, J. M.. Star Trek: "Where No Man Has Gone Before" — A History in Pictures. [S.l.]: Pocket Books, 1994. ISBN 0-671-51149-1.
  • Jenkins, Henry. Textual Poachers: Television Fans & Participatory Culture. [S.l.]: Routledge, 1992. ISBN 0-4159-0572-9.
  • Nichols, Nichelle. Beyond Uhura: Star Trek and Other Memories. [S.l.]: GP Putnam's Sons, 1994. ISBN 0-399-13993-1.
  • Reeves-Stevens, Judith e Garfield. The Art of Star Trek. [S.l.]: Pocket Books, 1995. ISBN 0-671-89804-3.
  • Rioux, Terry Lee. From Sawdust to Stardust: The Biography of DeForest Kelley. [S.l.]: Pocket Books, 2005. ISBN 0-7434-5762-5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]