Star Trek VI: The Undiscovered Country

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Star Trek VI:
The Undiscovered Country
Star Trek VI: O Continente Desconhecido (PT)
Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
1991 • cor • 113 min 
Direção Nicholas Meyer
Produção Steven-Charles Jaffe
Ralph Winter
Roteiro Nicholas Meyer
Denny Martin Flinn
Baseado em Leonard Nimoy
Lawrence Konner
Mark Rosenthal
Elenco William Shatner
Leonard Nimoy
DeForest Kelley
James Doohan
Walter Koenig
Nichelle Nichols
George Takei
David Warner
Kim Cattrall
Rosanna DeSoto
Christopher Plummer
Género Ficção científica
Idioma Inglês
Música Cliff Eidelman
Cinematografia Hiro Narita
Edição Ronald Roose
Distribuição Paramount Pictures
Lançamento 6 de dezembro de 1991
Orçamento US$ 27 milhões
Receita US$ 96.888.996[1]
Cronologia
Último
Último
Star Trek V:
The Final Frontier
Star Trek Generations
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Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Star Trek VI: The Undiscovered Country (Star Trek VI: O Continente Desconhecido (título em Portugal) ou Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (título no Brasil)) é o 6º filme da franquia de ficção científica Star Trek e o último da série a incluir todo o elenco da série original da década de 1960.

Lançado em 1991 pela Paramount Pictures, foi dirigido por Nicholas Meyer e escrito por Meyer e Denny Martin Flinn. Depois de um desastre ecológico levar dois inimigos, a Federação Unida dos Planetas e o Império Klingon, a discutir uma precária trégua, a tripulação da USS Enterprise-A deve impedir o início de uma guerra na alvorada de uma paz galáctica.

The Undiscovered Country foi inicialmente planejado para ser uma prequela da série original, com atores jovens interpretando a tripulação da Enterprise enquanto eles estavam na Academia da Frota Estelar, porém a ideia foi descartada devido a reações negativas do elenco e dos fãs. A ideia foi usada mais tarde para criar o filme Star Trek, de 2009. Confrontados pela produção de um novo filme para o aniversário de 25 anos de Star Trek, Flinn e Meyer, diretor de Star Trek II: The Wrath of Khan, escreveram um roteiro baseado na sugestão de Leonard Nimoy sobre o que aconteceria se "o muro caisse no espaço", tocando nos eventos contemporâneos da Guerra Fria.

As filmagens ocorreram de abril até setembro de 1991. O orçamento da produção foi menor que o antecipado, devido ao fracasso de crítica e bilheteria de Star Trek V: The Final Frontier. Devido a falta espaço nos estúdios da Paramount, muitas cenas foram filmadas por toda Hollywood. Meyer e o diretor de fotografia Hiro Narita visaram um clima mais sombrio e dramático, alterando cenários originalmente usados em Star Trek: The Next Generation. O produtor Steven-Charles Jaffe liderou a segunda unidade que filmou em um glacial do Alaska, servindo de locação para o gulag klingon. Cliff Eidelman compôs a trilha sonora do filme, que foi intencionalmente mais sombria que as trilhas dos filmes anteriores.

O filme foi lançado na América do Norte no dia 6 de dezembro de 1991. The Undiscovered Country recebeu críticas bem positivas, com várias publicações elogiando as atuações e as referências burlescas. O filme foi muito bem na bilheteria; teve o melhor primeiro fim de semana da franquia, antes de arrecadar US$ 96.888.996 mundialmente.[1] Recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Sonoros e é o único filme de Star Trek a vencer o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica. O criador de Star Trek, Gene Roddenberry, morreu pouco antes da estreia do filme, dois dias depois de tê-lo assistido.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O filme abre com a explosão de uma das luas klingon, Praxis. A USS Excelsior, comandada pelo Capitão Hikaru Sulu, é atingida pela onda de choque, e sua tripulação descobre que grande parte da lua foi obliterada. A perda de sua principal estação geradora de energia e a iminente destruição da camada de ozônio de Qo'noS leva o Império Klingon a um turbilhão. Impossibilitados de manter uma postura hostil, os klingons pedem um acordo de paz com seus inimigos de longa data, a Federação Unida dos Planetas. Aceitando a proposta antes que os klingons adotem uma posição mais agressiva, a Frota Estelar envia a USS Enterprise-A para se encontrar com o Chanceler Klingon, Gorkon, e escoltá-lo para negociações na Terra. A decisão não é bem recebida pelo capitão da Enterprise, James T. Kirk, cujo filho, Marcus, foi morto pelos klingons anos antes.

A Enterprise se encontra com a nave de Gorkon, a Kronos One, e continua sua viagem em direção a Terra, com as duas tripulações dividindo um tenso jantar abordo da Enterprise. Mais tarde naquela noite, a Enterprise parece atirar na Kronos One com dois torpedos; o dano desabilita a gravidade artificial dentro da nave. Durante a confusão, duas figuras usando roupas da Frota Estelar e botas de gravidade são transportados para dentro da nave klingon, matando vários oficiais e ferindo o Chanceler Gorkon. Kirk se rende para evitar uma batalha e se transporta para dentro da Kronos One com o médico da Enterprise, Dr. Leonard McCoy, para tentar salvar a vida de Gorkon. O Chanceler morre e o Chefe do Estado Maior de Gorkon, General Chang, coloca Kirk e McCoy em julgamento por traição. A dupla é declarada culpada e são sentenciados a prisão perpétua no asteróide congelado de Rura Penthe. A filha de Gorkon, Azetbur, se torna a nova Chanceler e continua as negociações diplomáticas. Por motivos de segurança, o local da conferência é mantido em segredo. Enquanto muitos oficias desejam resgatar Kirk e McCoy, o Presidente da Federação se recusa a tomar o risco de iniciar uma guerra total. Azetbur também se recusa a invadir o espaço da Federação, dizendo que apenas Kirk e McCoy pagarão pela vida de seu pai.

Kirk e McCoy chegam nas minas de Rura Penthe e são instruídos pela metamorfa Martia, que oferece a eles uma rota de escape; que na realidade é um estratagema para fazer suas mortes parecerem um acidente. Uma vez que sua traição é revelada, Martia se transforma em uma cópia de Kirk e começa a lutar contra ele, porém ela é morta pelos guardas da prisão para silenciar possíveis testemunhas. Pouco antes do chefe da prisão revelar quem os havia traído, Kirk e McCoy são transportados de volta para a Enterprise pelo Capitão Spock. Enquanto os dois estiveram presos, Spock assumiu o comando da nave e conduziu uma investigação sobre o ataque a nave de Gorkon e seu assassinato. Determinando que a Enterprise não disparou os torpedos, os dois assassinos provavelmente continuam abordo, e a tripulação começa a procurá-los. Os dois assassinos são encontrados mortos, mas Kirk e Spock enganam o cúmplice para que ele acredite que os dois ainda estão vivos. Quando o culpado chega a enfermaria para terminar seu trabalho, Kirk e Spock descobrem que a assassina é a protegida de Spock, Valeris. Para descobrir a identidade dos conspiradores, Spock realiza um elo mental forçado nela, descobrindo que um grupo de oficiais klingon, da Federação e romulanos estão planejando sabotar os acordos de paz, e Chang é um dos conspiradores. Os torpedos que atingiram a Kronos One vieram de um protótipo de Ave de Rapina que podia disparar suas armas ainda camuflada, pairando debaixo da Enterprise no momento do assassinato.

A tripulação contacta Sulu, que informa que as negociações estão ocorrendo em Campo Khitomer; ambas as naves se dirigem ao local em dobra máxima. Enquanto a Enterprise se aproxima do planeta, a Ave de Rapina camuflada de Chang os intercepta. Com a Enterprise não conseguindo determinar a posição da nave, Chang inflige danos severos à Enterprise, e depois à Excelsior. Spock e McCoy conseguem modificar um torpedo para que ele fosse guiado pelas emissões de calor dos motores da nave de Chang. O impacto do torpedo revela a localização de Chang, e a Enterprise e a Excelsior destroem a Ave de Rapina. Tripulações de ambas as naves são transportadas até a conferência para impedir o assassinato do presidente da Federação, sendo bem sucedidos. Azetbur diz que Kirk restaurou a fé de seu pai; Kirk responde que ela restaurou a fé de seu filho. Tendo salvado as negociações de paz, a Enterprise é ordenada pelo Comando da Frota a retornar para a Terra para ser aposentada, porém a tripulação decide demorar um pouco em sua jornada de volta. Enquanto a Enterprise vai se aproximando da estrela do sistema, Kirk proclama que embora essa seja a missão final da Enterprise em seu comando, novas gerações irão continuar as viagens, "Audaciosamente indo onde nenhum homem, onde ninguém, jamais esteve".[2]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Elenco principal de The Undiscovered Country. Da esquerda para a direita: Koenig, Takei, Kelley, Nichols, Shatner, Doohan e Nimoy.
  • William Shatner como James T. Kirk, o Capitão da USS Enterprise. Shatner achou que apesar de dramático, o roteiro fez Kirk parecer muito preconceituoso.[3]
  • Leonard Nimoy como Spock, o Primeiro Oficial da Enterprise.
  • DeForest Kelley como Leonard McCoy, o Oficial Médico Chefe da Enterprise. A aparição de Kelley em The Undiscovered Country era para ser sua última antes da aposentadoria. Com Nimoy sendo o produtor executivo do filme, Kelley, com 71 anos, recebeu US$ 1 milhão para interpretar seu papel, garantindo uma aposentadoria confortável para o ator.[4] Kelley e Shatner filmaram suas cenas na prisão em um período de seis a oito noites; os dois atores se conheceram melhor do que eles haviam se conhecido antes.[5]
  • James Doohan como Montgomery Scott, o Engenheiro Chefe da Enterprise.
  • Walter Koenig como Pavel Chekov, o Navegador e Oficial de Segurança da Enterprise.
  • George Takei como Hikaru Sulu, o Capitão da USS Excelsior.
  • Nichelle Nichols como Uhura, a Oficial de Comunicações da Enterprise. Uhura deveria dar um grande discurso em klingon durante o filme, porém no meio da produção o elemento foi descartado e uma cena onde Uhura está falando klingon de forma indecifrável, cercada por livros, foi adicionada para mais humor. Nichols protestou contra a cena, perguntando porque ainda exisitiriam livros no século XXIII, porém aceitou a mudança já que este seria seu último filme de Star Trek.[6] Sendo uma afro-americana, ela ficou desconfortável com alguns diálogos do filme. Ela deveria dizer a fala "Adivinhem quem está vindo para o jantar" enquanto os klingons chegam na Enterprise; Nichols se recusou a dizer a fala, que foi dada para Chekov no final.[7] Nichols também se recusou a dizer a fala "sim, porém você gostaria que sua filha se casasse com um [klingon]", e a fala foi descartada do filme totalmente.[3]
  • Kim Cattrall como Valeris, a nova Navegadora da Enterprise e a primeira vulcana a se formar em primeiro na Academia da Frota Estelar. Valeris se torna a protegida de Spock, querendo que ela fosse sua substítuta. Inicialmente, a personagem de Saavik, que apareceu em The Wrath of Khan, The Search for Spock e The Voyage Home, seria a traidora, porém Gene Roddenberry fez uma objeção para não fazer uma personagem amada pelos fãs virar uma vilã. Cattrall não queria ser a terceira atriz a interpretar Saavik, depois de Kirstie Alley e Robin Curtis, porém aceitou o papel quando ele se transformou em uma outra personagem.[8] Cattrall escolheu o elemento "Éris" para o nome da personagem, para a deusa grega do conflito, que foi vulcanizada pela adição do "Val" seguindo uma ordem do diretor Nicholas Meyer.[9]
  • Christopher Plummer como General Chang, o Chefe de Estado Maior de Gorkon. Plummer e Shatner atuaram juntos em várias produções em Montreal.[10] Meyer escreveu o papel para Plummer, que inicialmente foi relutante em aceitar.[3] Plummer pediu uma maquiagem mais humana para seu personagem, envolvendo usar uma maquiagem klingon "menos severa".[11]
  • David Warner como Gorkon, o Chanceler do Império Klingon. O papel de Gorkon havia sido originalmente oferecido a Jack Palance.[12] Warner apareceu no primeirop filme de Meyer em 1979, Time After Time, e havia interpretado um embaixador humano em Star Trek V: The Final Frontier.[8] A maquiagem do ator foi feita para lembrar Abraham Lincoln,[11] uma outra forma de humanizar o líder alienígena.[13] Enquanto a cena da morte do personagem estava sendo filmada, uma grande lâmpada explodiu e seus cacos caíram sobre Warner e Kelley; um grande pedaço por pouco não atingiu a cabeça de Warner. Kelley disse que o pedaço certamente iria matá-lo.[14]
  • Rosanna DeSoto como Azetbur, a filha do Chanceler Gorkon.
  • Iman como Martia, uma alienígena metamorfa na prisão de Rura Penthe que leva Kirk e McCoy para uma armadilha. Quando Flinn originalmente concebeu e desenvolveu a personagem, ele tinha em mente um pirata espacial, descrevendo-o como "o lado sombrio de Han Solo". Flinn imaginou uma atriz como Sigourney Weaver para o papel, que era bem diferente de Iman.[12] Meyer descreveu Martia como "a mulher dos sonhos de Kirk", e quando os maquiadores souberam que Iman havia sido escolhida para o papel, eles decidiram melhorar sua aparência de pássaro gracioso com algumas penas. Lentes de contato amarelas completaram o visual.[15]
  • Brock Peters como Almirante Cartwright, um alto oficial da Frota Estelar que protesta veementemente contra a imigração dos klingons para o espaço da Federação. Peters havia aparecido como Cartwright em Star Trek IV: The Voyage Home. O diretor Nicholas Meyer escolheu Peters para Star Trek VI parcialmente devido a sua atuação como Tom Robinson em To Kill a Mockingbird. Meyer achou que o discurso vitriólico de Cartwright seria particularmente arrepiante e significativo vindo da boca de uma minoridade reconhecida. O conteúdo do discurso era tão repugnante para Peters, que ele precisou de várias tomadas para completá-lo.[3]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Star Trek V: The Final Frontier, o filme anterior da série, foi uma decepção crítica e comercial; o elenco e a equipe estavam preocupados que a franquia não iria se recuperar do golpe.[3] Com a aproximação do aniversário de 25 anos de Star Trek em 1991, o produtor Harve Bennett revisou uma ideia de Ralph Winter para o quarto filme: uma prequela apresentando versões mais novas de Kirk, Spock e a tripulação na Academia da Frota Estelar. A prequela foi planejada para ser um modo de manter os personagens, não os atores, no que ele chamou de "Top Gun no espaço".[3] Bennett e o roteirista de The Final Frontier, David Loughery, escreveram um roteiro chamado The Academy Years, onde o Dr. Leonard McCoy fala de como ele conheceu Kirk e Spock enquanto abordava um grupo de formandos da Academia. O roteiro mostra mostra a educação de Kirk e Spock, seu encontro com McCoy e Montgomery Scott na Academia e a derrota de um vilão antes de se separarem. O roteiro estabeleceria que George Kirk, pai de James T., foi um piloto que desapareceu - presumidamente morto, durante um experimento de dobra com Scotty. O roteiro se passa antes da "iluminação" da Federação; escravidão e racismo eram elementos comuns, com Spock sendo atormentado por ser o único estudante vulcano. A enfermeira Christine Chapel faz uma ponta no clímax do roteiro.[16]

O ator James Doohan afirmou que o chefe da Paramount Pictures, Frank Mancuso, Jr., havia despedido Bennett depois da reação negativa do elenco, Roddenberry e os fãs a ideia.[12] Bennett afirma que depois dele ter reescrito o roteiro para incluir Shatner e Nimoy, a Paramount ainda rejeito o roteiro e decidiram que era tempo dele deixar a franquia.[17] Ele disse, "Meu período tinha terminado. Me ofereceram US$ 1.5 milhões para fazer Star Trek VI e eu disse 'Obrigado, eu não quero isso. Eu quero fazer a Academia'".[12] O ator Walter Koenig se aproximou de Mancuso com um novo esboço de , com o codinome de "In Flanders Fields"; nele, os romulanos se juntam a Federação para ir a guerra contra os klingons. A tripulação da Enterprise, exceto Spock, são forçados a se aposentar por não passarem nos testes físicos. Quando Spock e sua nova tripulação são capturados por monstros parecidos com minhocas, a antiga tripulação deve resgatá-los. No final, todos os personagens, exceto Spock e McCoy, morrem.[18]

Mancuso pediu a Leonard Nimoy para criar um novo filme para servir como canção do cisne para o elenco original.[19] Nimoy, Mark Rosenthal e Lawrence Konner sugeriram um encontro entre Kirk e Jean-Luc Picard, porém os produtores de Star Trek: The Next Generation se recusaram a terminar o programa.[20] Nicholas Meyer, que dirigiu Star Trek II: The Wrath of Khan e co-escreveu Star Trek IV: The Voyage Home, foi requisitado para dar uma ideia para o sexto filme, porém ele não tinha nenhuma.[3] Ralph Winter foi trazido ao projeto como produtor pouco tempo depois da saída de Bennett, e disse que a ordem da Paramount era produzir um filme no aniversário de 25 anos que não custaria muito dinheiro.[12]

Nimoy visitou a casa de Meyer e sugeriu, "[E se] o muro caísse no espaço? Você sabe, os klingons sempre foram nossos dublês para os russos...". Meyer lembra que sua resposta foi "'Ah, espere um minuto! Certo, nós começamos com um Chernobyl intergaláctico! Grande explosão! Nós não temos mais o Império Klingon...!' E eu derramei toda a história!" A história deliberadamente incluí referências para o clima político contemporâneo; o personagem de Gorkon foi baseado em Mikhail Gorbachev,[21] enquanto o assassinato foi uma ideia de Meyer. Ele achou que era plausível que um líder klingon que ficou flexível com o inimigo seria morto como pacificadores pela história: Anwar Al Sadat, Gandhi e Abraham Lincoln.[22] A contratação de Meyer por Nimoy não foi apenas benéfica porque Meyer conhecia o material e podia escrever rápido, tendo produzido o roteiro de The Wrath of Khan em doze dias, mas também se Meyer dirigisse o filme, compensaria qualquer amargura que Shatner poderia ter se Nimoy fosse escolhido para dirigir seu terceiro filme da franquia, depois de Star Trek III: The Search for Spock e The Voyage Home.[12] Meyer disse que quando ele começou a trabalhar no roteiro ele não pensou em dirigir o filme. Sua esposa foi a primeira pessoa a sugerir que ele deveria ser o diretor.[23]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Meyer e seu amigo Denny Martin Flinn escreveram o roteiro por e-mail; Meyer vivia na Europa e Flinn em Los Angeles. A dupla trabalhou em um sistema onde Flinn escreveria por todo o dia e enviaria o rascunho para Meyer, que o leria e faria as alterações e revisões. O roteiro mudou constantemente não apenas devido a pedidos do elenco principal, más também dos atores coadjuvantes.[12] Flinn sabia que o filme seria o último com o elenco da série original, então ele escreveu uma abertura que mostrava a passagem do tempo. Na abertura, cada membro da tripulação seria retirado de uma aposentadoria infeliz para uma missão final. Flinn lembra que "as cenas mostravam quem [os personagens] eram e o que ele fizeram quando não estavam mais na Enterprise. [...] Adicionava um pouco de humanidade aos personagens".[12] Nos rascunhos iniciais, Spock interpretaria Polónio em uma versão vulcana de Hamlet, enquanto Sulu dirigiria um taxi em uma grande metrópole.[8] A abertura revisada mostrava o Capitão Sulu tirando seus amigos da aposentadoria: o paradeiro de Spock é confidencial; Kirk estaria casado com Carol Marcus (interpretada por Bibi Besch em The Wrath of Khan), a mãe de seu falecido filho, vivendo tranquilamente antes de um enviado especial bater em sua porta; McCoy está bêbado em um fino restaurante médico; Scotty está encinando engenharia enquanto a Ave de Rapina de The Voyage Home é tirada da Baía de São Francisco; Uhura apresenta um programa em uma rádio; e Chekov está jogando xadrez em um clube.[12] Essa abertura foi descartada por ser muito cara;[3] Flinn mencionou que as localizações exóticas levariam o orçamento até US$ 50 milhões.[13] Enquanto eles tentaram segurar a abertura pelo máximo de tempo, a Paramount ameaçou cancelar a pré-produção a menos que alguns milhões de dólares fossem tirados do orçamento.[12]

O roteiro foi terminado em outubro de 1990, cinco meses depois de Nimoy ter dado sua ideia para a história. Vários meses foram gastados trabalhando no orçamento; devido a bilheteria decepcionante de The Final Frontier, a Paramount queria manter o orçamento do sexto filme aproximadamente o mesmo do anterior, apesar do roteiro possuir novos alienígenas e batalhas espaciais.[20] Os salários de Shatner, Nimoy e Kelley foram reduzidos com um acordo que eles iriam receber parte dos lucros de bilheteria. Meyer estimou que quase dois meses foram gastos lutando contra o estúdio acerca do orçamento. "Até certo grau, quase todas as áreas da produção foram afetadas pelos cortes - porém o roteiro foi a única coisa que não se tornou uma vítima", disse Meyer.[15] O orçamento original estaria por volta de US$ 41 milhões. Apesar de não ser caro para uma produção de Hollywood, esse orçamento seria um risco devido ao baixo rendimento de Star Trek fora dos EUA. O orçamento final ficou em US$ 27 milhões.[24]

O criador de Star Trek, Gene Roddenberry, que ainda exercia influência significativa apesar de sua precária saúde, odiou o roteiro.[25] O primeiro encontro de Meyer com Roddenberry resultou na saída de Meyer da sala após cinco minnutos. Como no filme de Star trek anterior de Meyer, The Wrath of Khan, o roteiro tinha fortes conotações militares, com o tema naval presente em todo lugar. Longe de serem idealizados, os personagens eram mostrados como fanáticos e com falhas. Contrastando com a visão de Roddenberry sobre o futuro, Meyer achava que não havia indícios que o fanatismo desapareceria até o século XXIII.[13] Quando Roddenberry protestou contra a vilanização de Saavik, Meyer respondeu dizendo "Eu a criei [Saavik]. Ela não é de Gene. Se ele não gosta do que eu planejo para ela, talvez ele deva devolver todo o dinheiro que ele ganhou com os meu filmes. Talvez aí eu ligue para o que ele tem a dizer".[14] Depois do tumultuado primeiro encontro, um grupo contendo Meyer, Roddenberry e Ralph Winter discutiram um rascunho revisado. Roddenberry expressaria sua desaprovação de elementos do filme linha por linha, e ele e Meyer iriam discutir sobre os elementos enquanto Winter fazia anotações. No geral, o tom do encontro foi conciliatório, porém os produtores ignoraram a maioria das objeções de Roddenberry. Em 13 de fevereiro de 1991, o filme foi oficialmente colocado em produção com o acordo que ele seria lançado ao final do ano.[20]

Desenho de produção[editar | editar código-fonte]

Como quando ele dirigiu The Wrath of Khan, Meyer tentou modificar o visual de Star Trek para se adequar a sua visão. Os trabalhos anteriores do diretor de fotografia Hiro Narita foram em filmes com muitos efeitos, como The Rocketeer, onde ele teve tempo e dinheiro para trabalhar; com The Undiscovered Country, ele estava sob pressão constante acerca de tempo e dinheiro.[26] Apesar de Narita ter confessado que ele não sabia nada sobre Star Trek, Meyer respondeu que ele não queria que o cinematógrafo tivesse alguma noção preconcebida sobre o visual da série.[3] O supervisor de efeitos Scott Farrar disse que Narita fez um "bom trabalho em manter o [cenário] escuro. Quando você entra em um estúdio de paredes de alumínio e metais brilhantes, pode ser um problema. Porém mantendo pouca luz, você vê um pouco menos e se torna mais textural. Hiro não queria deixar o cenário muito claro".[15] O orçamento reduzido significou que muitos dos cenários da Enterprise seriam modificações daqueles usados em Star Trek: The Next Generation.[11] Meyer e o diretor de arte Herman Zimmerman puderam apenas fazer pequenos ajustes nesses cenários, já que a série de televisão ainda estava sendo produzida na época das filmagens. O cenário usado para os aposentos de Spock era o mesmo que o usado para os de Kirk, porém com a adição de uma coluna central. O cenário estava sendo usado na época para os aposentos de Data em The Next Generation, e que tinha sido construído originalmente para ser os aposentos de Kirk em Star Trek: The Motion Picture, de 1979.[8] A sala do transporte foi reusada de The Next Generation, com alterações que incluiam a adição de uma padrão brilhante ao longo das paredes inspirados por um suéter de Zimmerman. O cenário já havia sido usado em The Final Frontier. A cozinha da nave era o cenário da sala de Deanna Troi, enquanto o escritório do Presidente da Federação era uma modificação do Bar Panorâmico, porém as portas exteriores acidentalmente mantiveram as marcas da USS Enterprise-D. Os figurinos dos alienígenas usados na prisão de Rura Penthe foram reusados do piloto de The Next Generation, "Encounters at Farpoint".[8] A ponte da Excelsior era uma modificação da ponte da Enterprise, com os consoles sendo tirados da ponte de batalha da Enterprise-D para dar a impressão que a Excelsior era uma nave mais avançada.[8]

Meyer nunca ficou contente com os corredores bem iluminados e o "clima" da Enterprise, uma insatisfação que se estendeu em seu trabalho em The Wrath of Khan.[15] Para The Undiscovered Country, Meyer queria que os interiores da Enterprise fossem mais arenosos e realistas; metal foi usado nas bordas do corredores para que parecessem usados sem parecer danificados.[3] Os planos de Narita para transformar o visual dos interiores da Enterprise em uma escala não vista desde The Wrath of Khan foi complicada pela necessidade de usar cenários já existentes.[26] Os corredores foram diminuídos em largura e incluíam anteparas divisoras, com conduítes expostos adicionados ao teto para dar uma sensação claustrofóbica reminiscente do submarino do filme The Hunt for Red October.[27] Narita mudou o visual brilhante e suave da ponte da Enterprise que havia sido criada por Zimmerman para The Final Frontier. "Eu não queria usar muita fumaça na Enterprise, porque eu não queria que ela ficasse parecendo com uma nave estelar klingon. Por essa razão, eu decidi manter o visual da Enterprise bem limpo, porém com um pouco mais de luzes contrastantes", disse Narita.[26] Meyer reconheceu que se ele fosse o criador da franquia, "Eu provavelmente teria criado um mundo mais claustrofóbico, porque é mais dramático".[28]

O diretor insistiu que os monitores exibissem instruções e descrições que seriam encontradas em uma nave estelar, ao invés de besteiras e piadas. Meyer também fez a decisão de ter uma cozinha na nave, algo que atraiu certa controvérsia entre os fãs. Apesar da série original ter mencionado uma cozinha no episódio "Charlie X", apenas máquinas capazes de sintetizar comida foram mostradas anteriormente.[11]

Objetos e modelos[editar | editar código-fonte]

A Kronos One. O antigo modelo feito para The Motion Picture foi alterado e repintado para que a nave se tornasse mais distinta e mais imponente que suas semelhantes.

A Paramount fez desde cedo a decisão de usar modelos de naves já existentes para as filmagens, significando que os antigos modelos — alguns com mais de uma década de idade — precisavam ser restaurados, adaptados e reusados. Já que algumas naves não haviam sido examinadas por anos, problemas elétricos tinham aparecido.[15] O crusador klingon, visto pela primeira vez em 1979 em The Motion Picture, foi alterado para sugerir uma importante capitânia.[8] O supervisor de efeitos William George queria fazer o modelo bem distinto de naves anteriores, já que era um dos poucos modelos que podiam ser alterados. "Nós fizemos algumas pesquisas em trajes militares, e criamos um conceito de que quando essas naves retornam vitoriosas de batalhas, os klingons constroem algum tipo de dragona nas asas ou pintam uma nova listra", disse George. O modelo foi repintado de marrom e vermelho e gravado com bronze.[26]

Apesar de representar uma nave nova, a Enterprise-A era o mesmo modelo que estava sendo usado desde 1979. Mal visto pela equipe de efeitos especiais, o modelo possuía uma fiação complicada e era difícil de mover,[29] as rachaduras da Enterprise foram consertadas e os circuitos internos foram refeitos. As novas luzes do modelo foram ajustadas para intensidades similares, economizando o tempo dos artistas de efeitos já que as luzes estariam corretas com uma passada, ao invés das usuais três. Um produto lamentável dos consertos foi a perda da aparência perolada distinta da nave. O brilho elaborado nunca foi visível em tela, os ajustes de luz impediam reflexões durante as filmagens para que a nave fosse inserida mais facilmente nas cenas de efeitos, e quando a nave foi repintada com técnicas convencionais, o efeito foi perdido.[15] A Ave de Rapina havia sido danificada durante as gravações de The Voyage Home, onde a nave deveria voar ao redor do Sol. Para sugerir queimaduras, o modelo foi pintado com um cimento de borracha tingido de preto, com a esperança que a aplicação fosse descolar. O cimento grudou no modelo e cozinhou na superfície da nave, que teve de ser completamente lavado.[15]

Greg Jein, mais conhecido por construir a nave mãe de Close Encounters of the Third Kind, foi chamado para construir os objetos de cena do filme. Jein era um fã de longa data de Star Trek que havia construído os objetos de The Final Frontier, porém foi forçado a refazer objetos já que os anteriores misteriosamente desapareceram.[26] Jein adicionou várias referências a série original e outras franquias de ficção científica nos desenhos dos objetos; o bastão do diretor de Rura Penthe continha partes da nave de Buck Rogers. Elementos de The Final Frontier foram modificados e reusados; um implemento médico do filme se tornou o verificador de sangue de Chekov e os fasers de assalto se tornaram um modelo padrão.[26] O bastão de Gorkon era para ser um grande osso de uma criatura alienígena que ele havia matado, com os desenhos moldados a partir de uma espuma verde e aprovados por Meyer. Duas cópias eram fortes o bastante para suportar o peso de David Warner, duas outras foram criadas para serem leves o bastante para serem penduradas por cabos nas cenas de gravidade zero. Já que os fasers klingons foram redesenhados para o terceiro filme, os coldres originais não serviam para as armas; como resultado, nenhum klingon foi visto sacando um faser. Meyer foi inflexível sobre ter atores sendo capazes de sacar suas armas, então as pistolas tiveram de ser redesenhadas. O rifle sniper klingon foi quebrado em duas seções, com algumas partes sendo modeladas a partir de armas reais.[26]

Maquiagem[editar | editar código-fonte]

Os klingons receberam sua primeira grande revisão na aparência desde The Motion Picture. Dodie Shepard criou novos uniformes vermelhos e pretos para o Chanceler Gorkon e seu pessoal, já que pareceu impróprio para o Chanceler usar as mesmas roupas que um guerreiro. Outra preocupação era que não haviam uniformes klingons criados por Robert Fletcher para The Motion Picture suficientes para todos os klingons de The Undiscovered Country.[8] Enquanto os klingons importantes receberam próteses de múltiplas camadas e rugas na testa únicas, personagens de fundo usavam máscaras já prontas, com retoques apenas nos olhos e na boca.[30] Já que era importante que as expressões dos atores fossem visíveis pela maquiagem, as aplicações eram bem finas, usando cola e tinta. Transformar um ator em um klingon levava três horas e meia. A cabeleireira Jan Alexander criou tranças e jóias que sugeriam um povo tribal com uma passado rico e cheio de tesouros.[15] Traduzir Shakespeare para klingon foi problemático porque Marc Okrand não havia criado um verbo para "ser" quando ele desenvolveu a língua.[13]

David Warner como Chanceler Gorkon. Warner recebeu uma maquiagem klingon para sutilmente sugerir Ahab, de Melville, e o Presidente Abraham Lincoln.

O principal motivo pela diversidade de objetos klingons, cabelos e aparências era o fato do filme conter um número maior de klingons do que os filmes anteriores juntos. Dezoito aparências diferentes foram criadas para os personagens principais, com outras 30 maquiagens "A", 40 maquiagens "B" de látex e espuma, e 50 outras máscaras de plástico para os coadjuvantes.[26] O maquiador Richard Snell ficou encarregado das aplicações dos atores klingons principais. Os desenhos para as testas vieram de Snell e de sua equipe, porém foi permitido que os atores dessem opiniões sobre a aparência de seus personagens. Christopher Plummer pediu que seu personagem tivesse menos rugas na testa que os klingons dos filmes anteriores, para o visual ser único e para humanizar o personagem. Durante os testes de maquiagem, Snell estava para aplicar a peruca de Plummer quando o ator disse que ele não queria nenhuma peruca, com a pequena quantidade de cabelo de Chang sendo uma rabo de cavalo.[15] Snell passou várias noites redesenhando a parte de trás da cabeça de Chang e adicionando mais detalhes.[26] A mudança no desenho significou que apenas a parte da frente de Plummer poderia ser filmada no início das gravações enquanto o departamento de maquiagem criava aplicações para cobrir sua nuca.[11] Azetbur, interpretada por Rosanna DeSoto, foi inicialmente concebida para ser bem bárbara, porém Meyer insistiu em um visual mais refinado.[15] Como Plummer, DeSoto pediu menos rugas, e o resultado foi, de acordo com o artista Kenny Myers, "uma mulher bem suntuosa que por acaso era klingon". As mudanças do desenho forçaram Myers a abdicar outro trabalho de maquiagem, o Gorkon de David Warner, para Margaret Bessera. A aparência de Gorkon foi uma preocupação especial para Meyer, que tinha duas inspirações específicas: Ahab e Abraham Lincoln. "Ele [Meyer] ama brincar com os clássicos", Myers explicou, "e incorporando essas duas imagens foi genial da parte dele. Ele queria que houvesse incertezas sobre as verdadeiras intenções de Gorkon. Ele quer paz ou há algo sinistro em sua mente? A partir de sua aparência era impossível dizer se ele era amigo ou inimigo. Subliminarmente, havia aspectos de ambos".[15]

Junto com os cosméticos klingons, o supervisor de maquiagem Michael J. Mills ficou ocupado criando um grande número de outros alienígenas requeridos pelo roteiro.[15] Mills e sua equipe criaram a maior empreitada de maquiagem na história de Star Trek até então; maquiagens customizadas para 22 atores principais, como também 126 maquiagens prostéticas todos os dias. Devido ao fato das criaturas alienígenas terem um papel importante no filme, havia um acordo estabelecido para providenciar dinheiro suficiente para o departamento de maquiagem poder ter seu trabalho complexo terminado. De acordo com Mills "Se nós provássemos [a Ralph Winter] que precisávamos de algo para ter uma tomada terminada, então a teríamos". O laboratório de maquiagem empregou uma equipe de 25 pessoas para produzir mais de 300 próteses, desde testas klingons até orelhas vulcanas e romulanas.[15] O trabalho com tantos figurantes começava a 1:00 para ficarem prontos para a chamada das 8:00.[15] A grande e pesada forma que a metamorfa Martia assume na superfície de Rura Penthe foi chamada de "O Bruto" pela equipe de produção. A criatura que parecia o Abominável Homem das Neves foi baseada em um callithrix de uma capa de revista. Também criado para as filmagens de Rura Penthe estava um klingon congelado com uma expressão horrorizada. O artista de maquiagem Ed French achou uma cabeça klingon de reserva com Snell e a colocou em sua própria cabeça.[15] Um molde de sua expressão foi usada como base para o boneco usado na locação. Os maquiadores usaram cores notáveis e novas técnicas para alguns dos alienígenas; pigmentos ultravioleta foram usados para criar o alienígena que Kirk luta em Rura Penthe.[15]

Já que essa era para ser a última aparição de Leonard Nimoy como Spock, o ator exigiu que sua aparência fosse fiel ao trabalho de Fred Phillips e Charlie Schram na série original. Mills consultou fotos da série como referência, e criou cinco orelhas antes de Nimoy ficar satisfeito. O resultado foi orelhas altas e com as pontas para frente, consideravelmente diferente do trabalho de Snell em The Voyage Home, com as pontas para trás. A personagem de Valeris foi desenhada para ter um tom de pele mais marfim do que o amarelo de Spock, com sobrancelhas mais elegantes e um corte de cabelo mais severo, aprovado por Meyer. "Nós passamos por muitas dores para estabelecer que uma mulher vulcana—uma sensual mulher vulcana—seria", disse Mills.[15]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

As filmagens começaram em 16 de abril e terminaram em 27 de setembro de 1991,[19] usando uma mistura de cenários fixos com imagens de locações. A produção sofreu com a falta de espaço disponível para cenários; o Quartel General da Frota Estelar foi construído alguns quarteirões da Paramount, na Igreja Presbiteriana de Hollywood.[8] Meyer copiou uma técnica usada nas filmagens de Citizen Kane, onde os cineastas deixaram o cenário ficar na escuridão para economizar dinheiro na construção.[13] O filme foi filmada em Super-35 ao invés do formato anamórfico, porque em super-35 dava mais flexibilidade no enquadramento e na seleção de lentes, maior profundidade de campo e lentes mais rápidas.[12] Devido aos cortes de orçamento, planos para as filmagens foram constantemente revisados e reduzidos, porém em alguns casos isso provou ser uma vantagem e não um empecilho. Meyer frequentemente dizia que "a arte vive de restrições", e Zimmerman concordava, dizendo que o desenho de produção e as filmagens criaram um ambiente rico apoiava e melhorava a ação.[12]

A cena do jantar foi filmada em uma versão modificada do deque de observação da Enterprise-D. Na parede havia quadros de figuras históricas, incluindo Abraham Lincoln, Sarek; pai de Spock; e um embaixador andoriano.[8] A comida preparada para a cena foi colorida de azul para que ela parecesse alienígena. Nenhum dos atores queria comer os pratos pouco apetitosos (especialmente depois delas terem amadurecidas sob as fortes luzes do estúdio),[8] e se tornou uma piada recorrente entre a equipe durante as filmagens para que eles provassem a comida.[3] Devido aos múltiplos ângulos e tomadas necessárias para uma cena de boca cheia, Meyer ofereceu uma recompensa de US$ 20 para cada tomada de um personagem comendo. Para Shatner, o incentivo foi o suficiente para ele se tornar o único membro do elenco a consumir a lula pintada de roxo. A cena levou dias para ser completada devido ao que Plummer chamou de o "horror" de filmar o jantar.[3]

O tribunal klingon onde Kirk e McCoy são sentenciados foi desenhado para ser uma arena, com paredes altas e uma plataforma central para os acusados. Originalmente planejado para ser construído no maior estúdio, cortes nas filmagens da locação para Rura Penthe forçaram a construção de um cenário menor.[12] 66 klingons foram usados na cena, com seis atores com maquiagens customizadas e 15 com maquiagens tipo "A"; desenhos de alta qualidade foram usados nos klingons da primeira fileira das arquibancadas, enquanto os atores de trás usavam máscaras. A ilusão de uma fileira interminável de klingons foi alcançada iluminando-se os acusados no centro com uma forte luz azul, e depois deixando o resto do cenário ficar nas sombras.[26] Para dar uma aparência maior ao cenário, uma tomada de cima do tribunal foi criada usando miniaturas. Inspirada por uma cena em Ben-Hur, o supervisor de pinturas Craig Barron usou 200 bonecos comerciais disponíveis de Worf enviados por Ralph Winter. Klingons nervosos foram criados mexendo os bonecos para frente e para trás com um pequenos bastões vermelhos ligados a um pequeno motor de 12 V. A miniatura do tribunal tinha 3 m de comprimento.[15]

Flinn concebeu a colônia penal de Rura Penthe em um árido e não desenvolvido planeta com uma variedade enorme de alienígenas; Meyer sugeriu que ela fosse transformada em um mundo de glacial. As tomadas exteriores de Martia, Kirk e McCoy viajando por áreas congeladas foram filmadas em um glacial do Alaska, 40 minutos ao leste de Anchorage. Devido às restrições de tempo e orçamento, a segunda unidade recebeu a tarefa de conseguir as imagens.[15] A locação era apenas acessível por helicóptero, e foi sondada por meses antes do início das filmagens. O principal problema que a equipe encontrou foi o frio; de manhã, as temperaturas chegavam a -30°C, enquanto a tarde chegava a -46°C. Os dublês, vestidos com figurinos de lã, corriam perigo de pegar pneumonia.[8] O produtor Steven-Charles Jaffe sondou cavernas parcialmente derretidas; com apenas dois terços de dia para filmar, a equipe tinha de dar o melhor deles. As baterias descarregavam depois de minutos de uso no frio, e a falta de neve foi compensada por precipitações falsas derrubadas de um helicóptero.[15]

Cenas com os personagens principais em Rura Penthe foram filmadas em estúdio. Enormes ventiladores sopravam neve falsa que, de acordo com Shatner, entrou em "cada orifício", como também na câmera. Criar a nevasca falsa foi um desafio; dois tipos de neve plástica foram misturadas para providenciar flocos e acumulação de pó. Os compartimentos da câmera foram mudados para que não houvesse chance da neve plástica entrar no filme; membros da equipe encontraram neve em suas meias semanas depois.[26] A prisão subterrânea foi filmada nas cavernas reais deixadas pela mineração em Griffith Park,[8] no Bronson Canyonm, usadas anteriormente para a Batcaverna e para o serial da década de 1930 de Flash Gordon. Tomadas do interior da mina foram feitas à noite para parecer que a locação era parte do cenário.[26] A descida do elevador para as caldeiras da mina foi simulada colando rochas falsas a uma lona sendo dobrada no fundo da cena. Enquanto Zimmerman acreditava que Shatner odiaria a luta entre Kirk e o doppelgänger, gostou da sequência, e contribuíu para a coreografia da cena com seus conhecimentos de judô e caratê.[3]

A batalha sobre Khitomer foi uma das últimas sequências a serem filmadas, o que provou ser casual já que a ponte da Enterprise foi danificada por faíscas e explosões. O cenário da sala de jantar dos oficiais foi explodido para a sequência onde o casco da Enterprise é atingido por um torpedo. Quando o cenário foi reconstruído para ser usado em The Next Generation, a parede da frente foi reconstruída e redesenhada. Enquanto os interiores e exteriores da Conferência de Khitomer foram filmados no Brandeis-Bardin Institute, na Califórnia, a janela de onde o Coronel West se prepara para matar o Presidente da Federação foi construída em um cenário separado na Paramount. Imagens de Brandeis e pinturas foram combinadas para criar a visão externa.[8]

A divisão de trabalho durante as filmagens dos modelos das naves estelares foi decidida bem cedo pelos câmeras de efeitos Peter Daulton e Pat Sweeney. Técnicas antigas e novas foram aplicadas nas filmagens dos modelos. Para garantir que as naves fossem inseridas sem problemas no campo de estrelas adicionado na pós-produção, a equipe de filmagens gravava uma segunda passagem no modelo com uma luz amarela superexposta, que reduzia o derramamento de luz no fundo azul. O amarelo era removido por filtração nos processos ópticos, com o resultado sendo bordas limpas ao redor das naves.[15] Usando técnicas pioneiras em Back to the Future Part II, outra tomada com um diferente ajuste de luzes foi filmada. Combinando passagens com diferentes ajustes de luzes, os efeitos ópticos poderiam gerar a quantidade de contraste necessária sem causar derramamento. Devido ao fato da Paramount continuamente adicionar novas tomadas ao já cheio cronograma e ao apertado orçamento, alguns elementos foram invertidos para serem reusados, incluindo um campo de estrelas e uma tomada da Ave de Rapina atirando.[15] Quando possível, as naves eram filmadas a partir de baixo para reforçar o tema náutico, com os movimentos sendo feitos para que o público lembrasse de galeões e outros grandes navios.[12] A aproximação da Doca Espacial foi filmada a partir de baixo do modelo da estação, que William George achou interessante e apropriado. Ele achou que seguir uma nave a partir do planeta evocava 2001: A Space Odyssey. A nave vista na cena foi o único modelo novo criado para o filme. Tinha 30 cm de comprimento e foi fabricado em menos de uma semana. A tomada da Enterprise deixando a Doca Espacial foi difícil de produzir porque a miniatura do interior da doca havia desaparecido. Imagens tiradas de The Voyage Home foram usadas em uma tomada para compensar. Já que a única outra tomada da necessária era o ponto de visão da Enterprise deixando a Doca Espacial pelas portas, essa foi a única seção recriada para o filme.[15]

A última cena do filme foi a última a ser filmada. Inicialmente, o tom seria mais melancólico e clássico, porém Meyer fez algumas alterações de última hora. Flinn disse que Meyer "estava com um humor otimista", e o diretor sugeriu que Kirk citasse Peter Pan para as últimas falas;[12] "Segunda estrela à direita, e sempre em frente até de manhã". As emoções foram fortes enquanto as últimas tomadas do elenco eram capturadas;[3] Shatner disse, "Quando terminamos nossa última cena, que se estendeu mais do que esperávamos, havia um senso de irritação. Nós brindamos com champagne, porém todos estavam um pouco inquietos".[19]

Efeitos[editar | editar código-fonte]

A maioria dos efeitos visuais do filme foram criados pela Industrial Light & Magic (ILM) sob a supervisão de Scott Farrar, que foi câmera de efeitos visuais nos três primeiros filmes de Star Trek. Depois da receber o roteiro, a ILM criou storyboards para as sequências de efeitos antes de se encontrarem com Meyer e com os produtores Winter e Jaffe para discutir as sequências planejadas. Essas discussões começaram antes do filme receber a luz verde para a produção. As estimativas de custo da ILM superavam o orçamento da Paramount, então para economizar dinheiro os cineastas redesenharam algumas tomadas e terceirizaram algumas para outras companhias. Elementos da sequência em gravidade zero foram feitos pela Pacific Data Images, enquanto os raios de fasers e efeitos de transportes foram gerados pela Visual Concept Engineering, uma ramificação da ILM que havia contribuído em The Wrath of Khan e The Final Frontier. Apesar da contagem das tomadas de efeitos ter caído de 100 para 51, o projeto ainda era grande, e necessitava de quase toda a equipe da ILM para completar.[26] O objetivo de Farrar era economizar os efeitos restantes; se três tomadas fossem similares, eles tentariam contar a história com apenas uma. Animações baratas deram a Meyer marcadores para cortar o filme e evitar surpresas dispendiosas.[15] Imagens de filmes anteriores foram usadas quando possível, porém isso era frequentemente inviável; já que a USS Enterprise original havia sido destruída em The Search for Spock, todas as tomadas da Enterprise-A tinham de ter o registro atualizado.[15]

A USS Excelsior passa pela onda de choque gerada pela explosão de Praxis. A equipe de efeitos lutou para criar uma onda que parecesse enorme comparada ao tamanho da nave.[15]

A divisão de computação gráfica da ILM ficou encarregada por criar três sequências, incluindo a explosão de Praxis.[15] A ideia de Meyer para o efeito foi influenciada por The Poseidon Adventure; Farrar usou imagens da imensa onda atingindo o Poseidon para informar a escala da onda de choque.[12] O departamento construiu a partir de uma simulação de clarão para criar a explosão de plasma composta de dois discos em expansão com detalhes de turbilhões mapeados texturalmente na superfície. Farrar estabeleceu o visual preliminar da onda, e o supervisor gráfico Jay Riddle usou o Adobe Photoshop em um Macintosh para estabelecer o esquema de cores finais. Inicialmente, a equipe achou que eles poderiam usar os mesmo métodos para criar a onda que atinge a Excelsior, porém descobriram que não transmitia a escala da onda - nas palavras de Riddle, "essa coisa tinha de parecer enorme". A tomada foi criada manipulando duas peças curvadas de geometria de computador, expandindo-as enquanto elas se aproximavam da visão da câmera. As texturas que mudavam a cada quadro foram adicionadas para o corpo principal da onda para dar a impressão de grande velociadade.[15] Imagens de controle de movimento da Excelsior foram então escaneadas no sistema do computador e feitas para interagir com a onda digital.[15] A onda de choque "Efeito Praxis" da ILM se tornou uma característica comum em filmes de ficção científica para mostrar a destruição de grandes objetos.[31]

Meyer teve a ideia de ter os assassinos usarem botas especiais para matar um Gorkon sem peso depois de procurar por um jeito novo de matar o personagem no espaço que não havia sido visto antes.[3] A sequência final mesclou efeitos físicos de dublês com computação gráfica. A responsabilidade de filmar a sequência com os atores ficou com a segunda unidade sob a direção de Jaffe. Enquanto a sequência estava bem no papel, não havia tempo nem dinheiro suficiente para fazer os efeitos "do jeito certo" - por exemplo, filmar os atores na tela azul e depois colocá-los nos corredores klingons. Jaffe notou que o modo de baixa tecnologia de suspender os atores por cabos ajudou no efeito final, porque pelo modo que a sequência foi fotografada por John Fante, poucos cabos tiveram de ser removidos na pós-produção;[15] cenários foram construídos para que a luz obscurecesse os cabos, e todos os cenários foram construídos de lado para que quando os atores fossem puxados para cima e para baixo nos cenários giratórios, os personagens pareceriam flutuar. Esses cenários foram construídos sobre uma estrutura especial para que o movimento dos atores e dos cenários criassem um efeito de flutuação. A tomada de dois klingons sendo mortos e jogados para trás no corredor por um tiro de faser foi simulado posicionando a câmera no fundo do cenário. O cenário foi colocado no final no mais alto estúdio da Paramount, para que a câmera ficasse virada para o teto. Nessa posição, os cabos eram escondidos pelos atores enquanto eles subiam pelo corredor.[3]

Um klingon "sem peso" é jogado para trás, jorrando sangue violeta. Na realidade, os cenários foram girados 90° para dar a ilusão do ator estar flutuando horizontalmente; os glóbulos de sangue foram digitalmente animados e adicionados na pós-produção.

Os sangue que jorra dos ferimentos klingons foram criados usando imagens geradas por computador; os animadores tinham de ter certeza que o sangue flutuasse de uma maneira convincente enquanto também parecesse interessante e não tão nojento.[12] Os artistas de efeitos olharam imagens da NASA de glóbulos de água para ver a física das partículas de sangue. Inicialmente, o sangue tinha a cor verde, porém os cineastas perceberam que McCoy havia chamado Spock de sangue verde. A cor final foi violeta, uma cor que Meyer não gostou, mas teve de aceitar, porque sua primeira escolha, vermelho, quase certamente daria ao filme uma classificação "R" da MPAA.[13] A morte inicial do klingon na sala de transporte enquanto os assassinos são transportados abordo foi o teste de aprimoramento para a cor do sangue e como ele se moveria pela sala. A maioria das gotas de sangue eram "pinguinhos", grupos de esferas suavemente colocados juntos por computador, criando uma esfera de forma contínua. O mais distante as esferas, mais a forma poderia ser esticada e até quebrada. Os fasers usados na cena, e pelo filme, eram versões redesenhadas daqueles usados em The Final Frontier. Os objetos de cena tinham luzes azuis que ligavam quando o gatilho era puxado, então os artistas de efeitos sabiam quando adicionar os efeitos de feixes do faser. Para as sequências de gravidade zero, o time da ILM pareou os tiros de faser da Visual Concept Engineering por pinturas a mão no Photoshop.[15] A ILM também fez pequenos retoques para as cenas como era necessário, adicionando rasgos nas roupas dos klingons nos locais onde os fasers os atingiram e adicionando a atmosfera arenosa nos objetos gerados por computador.[15] Essas sequências em gravidade zero foram as mais caras para completar.[8]

Rura Penthe foi criada usando uma mistura de imagens de cenários e locações, com sequências estabelecedoras criadas pela Matte World Digital. Os personagens foram filmados em uma praia de San Francisco, com um plástico branco estendido no chão. Elementos de sol foram colocadas em camadas na tomada junto com um efeito de neve duplo-exposto. Passadas adicionais foram feitas de nuvens de enchimento com luzes atrás para criar uma tempestade elétrica no fundo.[15]

Martia não foi a primeira metamorfa vista em Star Trek, porém a personagem foi a primeira a ser criada usando a tecnologia de metamorfose digital.[8] Os efeitos eram revisões avançadas da tecnologia usada em filmes como Terminator 2: Judgment Day. O animador John Berton tentou uma nova e mais complicada transformação, incluindo mover a câmera e juntar as falas de dois personagens; cuidados especiais foram tomados para alinhar corretamente dois personagens chapa fotográfica. Martia se torna Kirk enquanto fala, necessitando de falas similares de Iman e Shatner; Farrar supervisionou as filmagens no cenário para as metamorfoses e fez os atores dizer suas falas em sincronia através de um megafone.[12] A luta de Kirk com Martia na forma do capitão foi filmada em sua maior parte com um dublê; a maioria das tomadas deixa apenas o rosto de um dos combatentes visível. Quando Kirk falava com sua cópia diretamente, duas tomadas separadas de Shatner em posições opostas foram combinadas, com o movimento de câmera cuidadosamente controlado para que a imagem resultante fosse realista.[8]

Para a batalha espacial final, George redesenhou os torpedos fotônicos para terem um núcleo mais quente e um brilho maior, porque ele achava que as armas dos outros filmes pareciam "bonitas demais".[15] Os torpedos também se moviam como mísseis guiados ao invés de bolas de canhão. George disse a Farrar que ele sempre quis ver algo penetrando o fino casco da seção do disco da Enterprise, então uma réplica do disco foi recriada e explodida; o modelo foi pendurado de ponta cabeça para que a explosão fosse invertida para melhor simular a gravidade zero; a mesma técnica foi usada na destruição da Enterprise original em The Search for Spock. Ao invés de destruir o modelo da Ave de Rapina no clímax, imagens pirotécnicas foram reduzidas e colocadas em lugares apropriados para simular as explosões ao longo da nave. Um "modelo pirotécnico" especial foi criado a partir de borracha para a explosão final da Ave de Rapina. A ILM sabia que já havia imagens de Chang reagindo ao impacto do torpedo, porém também sabiam que Meyer não estava satisfeito com o resultado. Usando as imagens de Plummer como referência, a equipe de efeitos criou um boneco que foi detonado na mesma posição. Steven Jaffe disse, "[Editor] Ron Roose e eu nos debruçamos sobre a imagem para achar os três quadros utilizáveis que nós poderíamos usar para dizer ao público 'nós o pegamos'".[15]

Música[editar | editar código-fonte]

O plano original de Meyer era adaptar a suíte orquestral The Planets, de Gustav Holst. A ideia se mostrou muito cara, então Meyer começou a escutar fitas demo de vários compositores.[32] Meyer descreveu a maioria dos demos como "música de filme" genérica, porém ficou intrigado por uma fita enviada por um compositor chamado Cliff Eidelman. Eidelman, com então 26 anos, tinha feito uma carreira compondo balés, televisão e filmes, porém apesar de ter trabalhado em 14 longas, nenhum filme tinha dado a ele uma grande fama.[33]

Em conversas com Eidelman, Meyer mencionou que já que as marchas que acompanhavam os créditos principais dos outros filmes de Star Trek eram tão boas, ele não queria competir com elas usando uma abertura bombástica. Ele também achou que já que o filme era mais sombrio que seus predecessores, necessitava de algo musicalmente diferente como resultado. Ele mencionou que a abertura de O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky, era um presságio similar ao que ele queria. Dois dias depois, Eidelman produziu uma fita com sua ideia para o tema principal, tocada com um sintetizador. Meyer ficou impressionado com a velocidade do trabalho e como ele se aproximava de sua visão.[32] Meyer mostrou o CD de Eidelman para o produtor Steven-Charles Jaffe, que fez Jaffe lembrar de Bernard Herrmann; Eidelman recebeu em seguida o trabalho de compor a trilha sonora do filme.

O projeto anterior de Eidelman foi criar uma compilação de músicas dos cinco filmes anteriores de Star Trek, e ele conscientemente evitou pegar inspirações dessas trilhas. "[A compilação] me mostrou do que ficar longe, porque eu não poderia fazer James Horner [compositor de The Wrath of Khan e The Search for Spock] tão bem como James Horner", disse ele.[33] Já que ele foi contratado bem cedo na produção, o compositor teve muito tempo para desenvolver suas ideias, tendo visitado os cenários durante as filmagens. Enquanto o filme estava no início da produção, Eidelman trabalhou em rascunhos eletrônicos da trilha final, com o objetivo de acalmar os executivos que estavam inseguros em contratar um compositor relativamente desconhecido.[33]

Eidelman disse que ele acha que ficção científica é o gênero mais interessante para compor música, e que Meyer disse a ele para tratar o filme como um novo começo, ao invés de tirar os antigos temas de Star Trek.[3] O compositor disse que ele queria que a música apoiasse os visuais; para Rura Penthe, ele se esforçou para criar uma atmosfera que refletia o cenário alienígena e perigoso, introduzindo instrumentos exóticos para dar cor. Além de usar percussões de todo o mundo, Eidelman tratou o coral como percussão, com a tradução klingon de "ser ou não ser" ("taH pagh, taHbe") sendo repetida ao fundo. O tema de Spock foi criado para ser etéreo em contrapartida ao tema de Kirk e da Enterprise, destinado a capturar "o vislumbre emocional do olho do capitão".[33] O dilema interno de Kirk sobre o que espera o futuro foi ecoado no tema principal: "É Kirk tomando o controle pela última vez e enquanto ele olha para as estrelas ele tem a faísca novamente [...] Porém há uma nota não resolvida, porque é muito importante que ele não confie nos klingons. Ele não quer ir nessa viagem apesar da faísca estar lá e ter tomado ele".[12] Para a batalha do clímax, Eidelman começa a música de forma quieta, construindo a intensidade enquanto a batalha progride.[3]

A trilha sonora oficial foi lançada no dia 10 de dezembro de 1991 pela MCA Records, possuí 13 faixas com o tempo de duração de 45 minutos.

Temas[editar | editar código-fonte]

A alegoria da Guerra Fria de Star Trek VI: The Undiscoverd Country e as referências a literatura foram reconhecidas entre pesquisadores e historiadores culturais. De acordo com o estudioso Larry Kreitzer, The Undiscovered Country tem mais referências a William Shakespeare do que qualquer outra produção de Star Trek até 1996.[34] O próprio título alude a Hamlet, Ato III, Cena 1. Meyer originalmente queria que The Wrath of Khan se chamasse The Undiscovered Country.[13] Enquanto a terra desconhecida referida em Hamlet (e seu significado em The Wrath of Khan) seja a morte, The Undiscovered Country usa a frase para se referir a um futuro onde humanos e klingons coexistam em paz.[34]

Uma frase de The Tempest é mencionada por Gorkon como representando a nova ordem galáctica, a de um "admirável mundo novo". Chang recita a maioria das frase de Shakespeare no filme, incluindo citações de Romeu e Julieta e Henrique VI, Parte 2 em sua despedida para Kirk após o jantar. Durante o julgamento de Kirk, Chang também cita falas de Ricardo II. A batalha final sobre Khitomer contém sete referências a cinco peças diferentes de Shakespeare.[34] Duas referências são falas do personagem título de Henrique V ("Uma vez mais para a violação"/"O jogo está em andamento"), enquanto duas outras citações vem de Júlio César ("Eu sou tão constante quanto a Estrela do Norte"/"Soltem os cães de guerra"). Ha uma única referência a The Tempest ("Nossa diversão chegou ao fim"), e Chang diminuí o discurso de Shylock de O Mercador de Veneza: "Se nos fazem cócegas, nós não rimos? Se nos cortam, nós não sangramos? E se nos fazem mal, não devemos nos vingar?". A última fala dita por Chang antes de ser obliterado por torpedos é uma parte do famoso solilóquio de Hamlet: "Ser ou não ser...".[34] Flinn inicialmente estava inseguro sobre as numerosas citações clássicas, porém quando Plummer foi escalado, Meyer entusiasticamente adicionou mais. Ele disse, "Se é pretensioso ou não, acho que depende de como é usada [...] não concordo muito em usar tantas coisas desse tipo, porém uma vez com Plummer, de repente estava funcionando".[12]

Estudiosos notaram que são os klingons, não os humanos, que citam Shakespeare; Gorkon em determinado momento do filme diz que "Você ainda não experimentou Shakespeare até lê-lo no original klingon". O estudioso de Shakespeare, Paul A. Cantor, diz que essa associação é apropriada — os guerreiros klingons acham seus correspondentes na literatura nos personagens de Otelo, Marco Antônio e Macbeth — porém isso também reforça a afirmação de que o fim da Guerra Fria significa o fim da literatura heróica como a de Shakespeare. Meyer disse que a ideia de ter os klingons afirmando que Shakespeare eram algo deles foi baseada na tentativa da Alemanha Nazista de afirmar que o Bardo era alemão antes da II Guerra Mundial.[13] De acordo com Kay Smith, o uso de Shakespeare tem seu próprio significado e também deriva novos por sua articulação em uma forma nova.[35]

Um dos temas principais do filme é a mudança, e a resposta das pessoas a essa mudança. Meyer considerou Valeris e Chang como "pessoas assustadas, que tem medo de mudanças", que se agarram a meios antigos apesar do mundo em mudança. Ele acreditava que a ficcionalização de eventos atuais permitia um olhar objetivo sobre essas questões, ao invés de serem cegados por preconceitos pessoais. No começo do filme, Kirk opera sobre preconceitos similares, chamando os klingons de "animais", se colocando contra Spock. O vulcano vê a iniciativa de paz de Gorkon como lógica, respondendo a mudança do status quo calmamente; ele até inicia as conversas de paz ao comando de seu pai. Kirk, enquanto isso, está disposto a deixá-los [os klingons] morrer, indisposto a ouvir as palavras de Spock devido ao seu preconceito. Kirk passa por uma transformação pelo filme através do encarceramento; percebendo que seu ódio estava antiquado, ele deixa ocorrer uma limpeza que restaura seu filho a ele de alguma forma.[22]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Star Trek VI: The Undiscovered Country estreou na América do Norte em 6 de dezembro de 1991. O lançamento estava originalmente previsto para 13 de dezembro.[23] Para divulgar o filme, e o aniversário de 25 anos de Star Trek, a Paramount fez maratonas exibindo os cinco filmes anteriores em 44 cidades selecionadas nos EUA e Canadá. As exibições de 12 horas também incluíam imagens de The Undiscovered Country.[36] Um dia antes da estréia, o elenco principal do filme gravou seus nomes no cimento do Grauman's Chinese Theatre, na Hollywood Boulevard.[37] Nichols se tornou se tornou a primira mulher afro-americana a ganhar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.[38] Nimoy, que havia pedido US$ 1 milhão para fazer uma ponta em Star Trek: The Next Generation, apareceu nos episódios "Unification", que foram ao ar em novembro de 1991, aumentando o interesse no filme.[12] Os cinco filmes anteriores foram lançados em um pacote especial para colecionadores com uma nova embalagem; varejistas receberam a chance de fotografar seus produtos para concorrer a uma visita aos cenários de The Next Generation e ingressos para pré-estreias de The Undiscovered Country.[39]

Gene Roddenberry não viveu para ver a estreia do filme, morrendo de um ataque do coração em 24 de outubro de 1991. Antes do lançamento do filme, ele assistiu uma versão quase final de The Undiscovered Country, e de acordo com os produtores e o biógrafo oficial de Kelley, Terry-Lee Rioux, ele aprovou o filme.[40] Em contraste, Shatner e Nimoy dizem que após a exibição, Roddenberry ligou para seu advogado e exigiu que um quarto das cenas fossem cortadas; os produtores recusaram, e em 48 horas ele estaria morto.[41] A Paramount considerou gastar até US$ 240.000 para enviar as cinzas de Roddenberry para o espaço—algo apoiado pelos fãs—porém desistiram;[42] seus restos não iriam ao espaço até 1997. A abertura do filme incluía uma nota em memória de Roddenberry; em pré-estreias, as plateias levantaram e aplaudiram.

The Undiscovered Country estreou em 1.804 cinemas na América do Norte e arrecadou US$ 18.162.837 no fim de semana de estreia; chegando ao primeiro lugar das bilheterias.[43] O filme arrecadou US$ 74.888.996 na América do Norte, para um total de US$ 96.888.996 mundialmente.[1] A exibição forte de The Undiscovered Country foi um dos grandes sucessos de 1991, um ano que a indústria do cinema experimentou resultados de bilheteria desapontadores.[44] O filme foi indicado aos Oscars de Melhor Edição de Som e Melhor Maquiagem.[45] O filme venceu o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica, se tornando o único filme de Star Trek a vercer o prêmio.[46] A romantização do filme escrita por J. M. Dillard também foi um sucesso comercial, alcançando a lista dos mais vendidos da Publishers Weekly.[47]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Star Trek VI: The Undiscovered Country foi muito melhor recebido pelo público e pela crítica do que The Final Frontier. No site Rotten Tomatoes o filme possuí um indíce de aprovação de 83%, baseado em 46 resenhas, com uma média de 6,8/10. O consenso é "The Undiscovered Country é uma forte despedida cinematográfica da tripulação original, possuindo visuais memoráveis e um enredo de mistério intrigante".[48]

Referências

  1. a b c Star Trek VI: The Undiscovered Country (1991) Box Office Mojo. Visitado em 4 de outubro de 2011.
  2. Synopsis for Star Trek VI: The Undiscovered Country (1991) Internet Movie Database. Visitado em 4 de outubro de 2011.
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q r (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - "Stories from Star Trek VI". Paramount Pictures. 2004.
  4. Rioux, pág. 298-304
  5. Rioux, pág. 304
  6. Nichols, pág. 294
  7. Nichols, pág. 292-293
  8. a b c d e f g h i j k l m n o p q Okuda, Michael. (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - comentários em texto. Paramount Pictures. 2004.
  9. Anders, Lou. "A Very Logical Gal", Star Trek Monthly, março de 1996.
  10. (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - "Together Again". Paramount Pictures. 2004.
  11. a b c d e Reeves-Stevens, pág. 262-265
  12. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u Altman, Mark. (abril de 1992). "Star Trek VI; the making of The Undiscovered Country". Cinefantastique 22 (5): 24–55.
  13. a b c d e f g h Meyer, Nicholas; Flinn, Denny Martin. (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - comentários em aúdio. Paramount Pictures. 2004. }}
  14. a b Rioux, pág. 303
  15. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai Martin, Kevin. (fevereiro de 1992). "Letting slip the dogs of war". Cinefex 1 (49): 40–60.
  16. Hughes, pág. 35-36
  17. Dillard, pág. 92
  18. Hughes, pág. 37
  19. a b c Kilday, Gregg (27 de setembro de 1991). With 'VI' you get amore Entertainment Weekly. Visitado em 4 de outubro de 2011.
  20. a b c Hughes, pág. 38
  21. Nicholas Meyer: Gorkon is Gorbachev StarTrek.com (29 de janeiro de 2004).[ligação inativa]
  22. a b (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - "The Perils of Peacemaking". Paramount Pictures. 2004.
  23. a b Van Gelder, Lawrence. (30 de agosto de 1991). "At the Movies: 'Star Trek VI'": p. C6.
  24. Stevenson, Richard W. (14 de abril de 1991). Taming Hollywood's Spending Monster The New York Times. Visitado em 4 de outubro de 2011.
  25. Rioux, pág. 302
  26. a b c d e f g h i j k l m Magid, Ron. (janeiro de 1992). "Narita Leads Enterprise Camera Crew; Director Meyer Explores Familiar Country; ILM Gets 'A Piece of the Action'; Specialized Departments Add Artistic Touches". American Cinematographer 73 (1): 42–75.
  27. Dillard, pág. 96
  28. Dillard, pág. 99
  29. Anderson, Kay. (1982). "Star Trek II: The Wrath of Khan: How the TV series became a hit movie, at last". Cinefantastique 12 (5–6): 54.
  30. (DVD) Star Trek VI: The Undiscovered Country, Special Edition - "Klingons: Conjuring the Legend". Paramount Pictures. 2004.
  31. Plait, Philip. Bad astronomy: misconceptions and misuses revealed, from astrology to the moon landing 'hoax'. Nova York: Wiley, 2002. p. 254. ISBN 0471409766
  32. a b "Star Trek VI: The Undiscovered Country Original Motion Picture Soundtrack - Notas do Diretor", CD, MCA Records, 1991.
  33. a b c d Schweiger, Daniel. (dezembro de 1991). "Cliff Eidelman performs the Enterprise's swan song for Star Trek". Soundtrack! 10 (40).
  34. a b c d Kreitzer, Larry. "The Cultural Veneer of Star Trek", Journal of Popular Culture, 1996.
  35. Smith, Kay. "Hamlet, Part Eight, The Revenge or Sampling Shakespeare in a Postmodern World", College Literature, 2004.
  36. "One-day Star Trek marathon planned", The Toronto Star, 30 de agosto de 1991.
  37. Rioux, pág. 310
  38. Landis, David. "Space Signatures", USA Today, 5 de dezembro de 1991.
  39. "Paramount Launching Star Trek Celebration", Billboard, 8 de junho de 1991.
  40. Rioux, pág. 308
  41. Evan, Nicholas. "Cold War Pop Culture and the Image of US Foreign Policy: The Perspective of the Original Star Trek Series", Journal of Cold War Studies, 2005.
  42. McDonnell, Dan. "Orbiting Ashes", The Advertiser, 26 de dezembro de 1991.
  43. Fox, David. "Star Trek has Hollywood beaming", The Toronto Star, 10 de dezembro de 1991.
  44. Farhi, Paul; Masters, Kim. "Will Santa Claus Come to Hollywood?; After a Year of Ho-Ho-Hum Box Office, the Movies Hope for a Happy Ending", The Washington Post, 25 de dezembro de 1991.
  45. "The Nominees", USA Today, 20 de fevereiro de 1992.
  46. Klady, Leonard. "Dracula Wins Big at Saturn Awards", Variety, 9 de junho de 1992.
  47. Farley, Chris. "Moviegoers put hits on their reading lists", USA Today, 7 de janeiro de 1992.
  48. Star Trek VI: The Undiscovered Country (1991) Rotten Tomatoes.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dillard, J. M.. Star Trek: "Where No Man Has Gone Before" — A History in Pictures. [S.l.]: Pocket Books, 1994. ISBN 0-671-51149-1
  • Hughes, David. The Greatest Science Fiction Movies Never Made. [S.l.]: Titan Books, 2008. ISBN 9781845767556
  • Nichols, Nichelle. Beyond Uhura: Star Trek and Other Memories. Nova York: GP Putnam's & Sons, 1994. ISBN 0-399-13993-1
  • Reeves-Stevens, Judith e Garfield. The Art of Star Trek. [S.l.]: Pocket Books, 1995. ISBN 0-671-89804-3
  • Rioux, Terry-Lee. From Sawdust to Stardust: The Biography of DeForest Kelley. [S.l.]: Pocket Books, 2005. ISBN 0-7434-5762-5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]