Stepan Bandera

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Stepan Andriyovych Bandera (em ucraniano: Степан Андрійович Бандера) (1 de Janeiro 190915 de Outubro 1959) era líder nacionalista ucraniano, que chefiava a OUN.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Stepan Bandera nasceu na aldeia de Uhryniv Staryi, no distrito de Kalush na Galícia (Stanyslaviv Oblast), na altura o Império Austro-Húngaro. O seu pai, Andriy Bandera, era o sacerdote grego-católico em Uhryniv Staryi. A sua mãe, Myroslava Bandera, também pertencia à família do clero, era a filha do padre grego – católico em Uhryniv Staryi.

Stepan passou a sua juventude em Uhryniv Staryi, na casa dos seus pais e avos, cresceu no ambiente familiar do nacionalismo ucraniano.

Na Primavera do 1922, a sua mãe faleceu, vítima do tuberculose.

Actividade nacionalista[editar | editar código-fonte]

Stepan Bandera membro do Plast (1923)

Desde 1922 Bandera era o membro do Plast – Organização dos Escuteiros ucranianos. Desde 1931 Bandera era o representante dos Escuteiros da sua região, após disso, torna-se o chefe executivo regional da OUN e comandante do UVO – organização militar ucraniana que operava na clandestinidade na Polónia durante 2ª República Polaca desde 1920. Bandera foi condenado ao fuzilamento pela sua participação no assassinato do Bronisław Pieracki, Ministro do Interior do governo polaco em 1934, sendo a pena substituída pela prisão perpétua.

Em 1933 Stepan Bandera cria um movimento revolucionário com vista à instauração de um estado ucraniano puro, onde não tinham lugar outras nacionalidades.Criou pouco depois o Exército de Libertação da Ucrânia (bandeiras vermelho/negras visíveis nas manifestações transmitidas pela TV), que atuou ativamente a partir de então. A missão era no fundo uma limpeza étnica, forçando fundamentalmente os polacos a saírem dessas zonas geográficas. Quando os alemães nazis invadiram a União Soviética, foi um ativo colaboracionista. Foi nessa altura que as suas "limpezas" deram mais resultado. Estima-se que cerca de 70000 polacos foram exterminados, apesar de uma relação dúbia com os judeus, também participou na sua exterminação; às suas mãos "desapareceram" cerca de 200.000 judeus.A colaboração cessou em 1943, pois foi entretanto preso pelos próprios alemães, mas em 1944 o exército soviético entrou e ele reiniciou as suas atividades bélicas na zona.

Libertado pela URSS, quando soviéticos ocuparam a cidade de Lviv em 1939, em 1940 ele passou a liderar a ala revolucionária da OUN, que rompeu a sua ligação com a ala pró – germânica da OUN, liderada pelo Andriy Melnyk. Nikita Khrushchev escreveu nas suas memórias "... nós demonstramos alguma falta da visão, libertando da prisão as pessoas como Bandera, sem verificar primeiramente quem eles são"[1] .

No dia 30 de Junho de 1941, Bandera foi eleito o membro do Governo do Estado Ucraniano proclamado em Lviv, à seguir da invasão alemã da União Soviética. Recusando-se a revogar a proclamação da Independência da Ucrânia[2] [3] , Bandera foi preso pelos nazis e colocado no campo de concentração de Sachsenhausen, onde estava encarcerado no "Bunker de Zellenbau". Estavam no mesmo local todos os prisioneiros mais importantes do 3º Reich, como ex – primeiro – ministro da França Leon Blum ou ex – chanceler da Áustria, Kurt Schuschnigg.

Vítima do Assassinato[editar | editar código-fonte]

No dia 15 de Outubro de 1959, na entrada do seu prédio na rua Kreittmayr, № 7 (Kreittmayrstraße), em Munique, Stepan Bandera foi encontrado às 13:05, sangrando e ainda vivo. Exame medico determinou que a causa da sua morte foi o veneno de (cyanide[4] ). Dois anos mais tarde, no dia 17 de Novembro de 1961, o tribunal alemão provou que Stepan Bandera foi assassinado pelo agente Bohdan Stashynsky, cumprindo as ordens directas do chefe do KGB soviético Alexander Shelepin e do líder soviético Nikita Khrushchev.[5] Após uma investigação detalhada sobre o assassinato, Stashynskyi foi julgado entre os dias 8 de Outubro e 15 de Outubro de 1962. No dia 19 de Outubro, foi lida a sentença, que condenava Stashynskyi à 8 anos de prisão. A Corte Suprema da Alemanha em Karlsruhe, confirmou que o Governo Soviético em Moscovo era o culpado principal pelo assassinato de Stepan Bandera.

Família[editar | editar código-fonte]

O pai do Stepan Bandera – o padre grego-católico Andriy Bandera foi assassinado pela NKVD em Kiev no Verão de 1941[6] . Stepan Bandera teve três filhos – Natalia, Andriy e Lecia. Aos 16 de Agosto de 2011 aos 64 anos faleceu em Toronto no Canadá Lecia Bandera, a filha mais nova do Bandera[7] .

Legado[editar | editar código-fonte]

Na entrevista ao jornal russo Komsomolskaya Pravda em 2005, o ex-chefe do KGB Vladimir Kryuchkov disse que "o assassinato do Stepan Bandera foi um dos últimos casos, quando o KGB liquidava as pessoas indesejáveis pelos meios da violência."[8] No dia 20 de Outubro de 1959, Stepan Bandera foi sepultado no cemitério de Waldfriedhof em Munique.

No fim do 2006, a administração municipal de Lviv anunciou a futura transferência dos restos mortais do Stepan Bandera, Andriy Melnyk, Yevhen Konovalets e outros líderes históricos da OUN / UPA para a nova área no Cemitério de Lychakivskiy, especialmente dedicado à luta de libertação nacional da Ucrânia.[9]

Em Outubro de 2007, a cidade de Lviv ergueu, após muitos anos de atraso, a estatua dedicada ao líder do OUN – UPA, Stepan Bandera. No dia 18 de Outubro de 2007, o Conselho Municipal de Lviv aprovou a resolução, estabelecendo o “Prémio Stepan Bandera.”[10] [11]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. (Memórias do Khrushchev: Little Brown and Co., Boston, 1970 at 140).
  2. John-Paul Himka. World Wars at the Encyclopedia of Ukraine
  3. Volodymyr Yaniv. Stepan Bandera at the Encyclopedia of Ukraine
  4. The Partisan, TIME Magazine, 2 de Novembro de 1959
  5. The Poison Pistol, TIME Magazine, 01 de Dezembro de 1961
  6. ( http://www.istpravda.com.ua/digest/2010/11/7/3138)
  7. ( http://www.istpravda.com.ua/short/2011/08/17/52689)
  8. [http://mosnews.com/interview/2005/12/06/kgbchief.shtml Mosnews.com
  9. [http://www.khpg.org/en/index.php?id=1161553853 Informação da página do Grupo de Defesa dos Direitos Humanos de Kharkiv
  10. [http://www.korrespondent.net/main/212672/ Korrespondente » Ucrânia » Acontecimentos » Lviv organizou o prémio jornalístico Stepan Bandera
  11. Розпорядження №495

Ligações externas[editar | editar código-fonte]