Stratopedarches

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Stratopedarchēs (em grego: στρατοπεδάρχης , "mestre do campo") era um termo grego aplicado aos altos comandantes militares do século I a.C., que posteriormente tornou-se um ofício próprio e mais tarde um título honorário durante o Império Bizantino.

História [editar]

O termo apareceu pela primeira vez no século I a.C. no Oriente Próximo helenístico. Sua origem é incerta, mas ele é usado como uma tradução, em algumas inscrições, para o contemporâneo posto legionário de praefectus castrorum ("prefeito do campo").1 De qualquer forma, a partir do século I d.C., era utilizado (embora raramente) em um sentido mais amplo como um termo literário para referir-se a generais, ou seja, como sinônimo do antigo título de stratēgos.2 Assim, na Bíblia (Atos 28:16) é usado para o prefeito pretoriano, o comandante do campo e guarnição da guarda pretoriana em Roma, enquanto que no século IV, o historiador Eusébio escreve dos "stratopedarchēs, quem os romanos chamam dux".3

No período bizantino médio (séculos IX-XII), o termo stratopedon passou a significar mais o exército em campanha, ao invés de seu sentido próprio de acampamento, daí o termo stratopedarchēs foi usado mais no sentido de "comandante-em-chefe". O termo adquiriu um significado técnico em 967, quando o imperador Nicéforo Focas (r. 963-969) nomeou o eunuco Pedro Focas como stratopedarchēs antes de enviá-lo com um exército para a Cilícia. O Escorial Taktikon, escrito alguns anos depois, mostra a existência de dois stratopedarchai, um no Ocidente (Bálcãs) e um no Oriente (Anatólia). Este arranjo paralelo de dois domestikoi tōn scholōn, fato que Nicolas Oikonomides sugere que o ofício foi criado como um substituto do último ofício, era impedido para eunucos.4 Durante os séculos XI e XII, este arranjo preciso não estava mais em evidência; em vez disso, o stratopedarchēs era um dos títulos oficiais dos comandantes-em-chefe do exército bizantino, e é amplamente atestado em selos.5

O título megas stratopedarchēs ("grande mestre do campo") foi instituído por volta de 1255 pelo imperador Teodoro II Láscaris (r. 1254-1258) para seu ministro-chefe e confidente Jorge Muzalon.6 O livro De Oficii de Jorge Codino coloca o megas stratopedarchēs como o sétimo oficial sênio do estado abaixo do imperador bizantino, classificando-o entre o prōtostratōr e megas primmikērios. Codino afirma que ele foi encarregado do aprovisionamento do exército, e coloca quatro stratopedarchai subordinados sob seu comando: os monokaballoi (em grego: μονοκάβαλλοι , "cavaleiros únicos"), uma unidade de cavalaria; o tzangratores (em grego: τζαγγράτορες , "homem-besta"); o tzakōnes (em grego: τζάκωνες , "tsakoniano"), um posto de guarda do palácio originalmente exercido pela infantaria naval; e o mourtatoi (em grego: μουρτάτοι), que Codino apresenta como guardas do palácio, mas cuja verdadeira natureza permanece obscura.7 Na realidade, porém, no período paleólogo o [megas] stratopedarchēs era mais provável como um simples título cortesão, e não necessariamente um comandante militar.5

Referências

  1. Applebaum 1989, pp. 61-63
  2. Kazhdan 1991, pp. 1966
  3. Eusébio de Cesareia século IV, pp. 9.5.2
  4. Oikonomides 1972, pp. 334-335
  5. a b Kazhdan 1991, pp. 1967
  6. Macrides 2007, pp. 299
  7. Bartusis 1997, pp. 272-279
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Stratopedarches».

Bibliografia [editar]

  • Applebaum, Shimon. Judaea in Hellenistic and Roman Times: Historical and Archeological Essays. [S.l.]: Brill, 1989. ISBN 978-90-04-08821-4
  • Bartusis, Mark C.. The Late Byzantine Army: Arms and Society 1204–1453. Pensilvânia: Pensylvania University Press, 1997. ISBN 0-8122-1620-2
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica. [S.l.: s.n.], século IV.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Macrides, Ruth. George Akropolites: The History. Oxford: Oxford University Press, 2007. ISBN 978-0-19-921067-1
  • Oikonomides, Nicolas. Les Listes de Préséance Byzantines des IXe et Xe Siècles. Paris: Editions du Centre National de la Recherche Scientifique, 1972.