Suazilândia

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Kingdom of Swaziland
Umbuso weSwatini

Reino da Suazilândia
Bandeira da Suazilândia
Brasão de armas da Suazilândia
Bandeira Brasão de armas
Lema: "Siyinqaba" ("Nós Somos a Fortaleza")
Hino nacional: Nkulunkulu Mnikati wetibusiso temaSwati ("Ó Senhor, Nosso Deus dos Suazi")
Gentílico: suazi, suazilandês(a)[1]

Localização  Reino da Suazilândia

Capital Mbabane (administrativa)
Lobamba (legislativa e sede da corte)
Cidade mais populosa Mbabane
Língua oficial Inglês e suázi
Governo Monarquia
 - Rei Mswati III
 - Ndlovukati Rainha Ntombi
 - Primeiro-ministro Barnabas Sibusiso Dlamini
 - Vice-primeiro-ministro Themba N. Masuku
Independência do Reino Unido 
 - Data 6 de setembro de 1968 
Área  
 - Total 17.364 km² (153.º)
 - Água (%) 0,9
 Fronteira África do Sul (N, S e W) e Moçambique (E)
População  
 - Estimativa de 2008 1.128.814 hab. (152.º)
 - Densidade 67 hab./km² (101.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 5,626 bilhões (144.º)
 - Per capita US$ : 4.836 (106.º)
IDH (2010) 0,498 (121.º) – médio[2]
Gini (2001) 50,4 [3]
Moeda Lilangeni suazi (SZL)
Fuso horário (UTC+2)
 - Verão (DST) não observado (UTC+2)
Clima Tropical de altitude
Org. internacionais ONU, UA, SADC, Comunidade das Nações
Cód. ISO SWZ
Cód. Internet .sz
Cód. telef. +268
Website governamental http://www.gov.sz/

Mapa  Reino da Suazilândia

A Suazilândia (em suázi Swatini), oficialmente o Reino da Suazilândia (em inglês Kingdom of Swaziland; em suázi Umbuso weSwatini) é um pequeno país da África Austral, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direcções pela África do Sul. Suas capitais são Mbabane (administrativa) e Lobamba (legislativa).

Esse pequeno e montanhoso país do sul da África, sem saída para o mar, é uma das poucas monarquias remanescentes no continente. Em seu território predominam os planaltos cobertos por savanas e pastagens. A sociedade, patriarcal e formada por clãs, admite a poligamia. A economia se baseia na agropecuária, mas o país não é autossuficiente na produção de alimentos. A Suazilândia exporta cana-de-açúcar e abriga importantes reservas de carvão mineral. A saúde pública enfrenta uma catástrofe: um terço da população adulta é portadora do vírus da AIDS, a mais alta taxa de contaminação do mundo.

História[editar | editar código-fonte]

Salto de Mantenga.

Segundo a tradição, a origem do povo suazi data do século XVI e resultou de um grupo que, sob a hegemonia do clã Dlamini, se separou do conjunto de bantos que então migravam para o sul, ao longo da costa de Moçambique. O grupo se fixou numa região entre Pongola e o rio Usutu. O rei Sobhuza I morreu em 1836, acredita-se que seu sucessor, Mswati (Mswazi) II, deu seu próprio nome à tribo. Os suazis continuaram a migrar para o norte e conquistaram muitas das tribos que encontraram no caminho. A expansão branca na região, porém, levou o rei ceder as terras ao norte do rio dos Crocodilos à República do Lydenburg, em 1846. Nessa época o rei Mswazi foi forçado a buscar ajuda britânica contra os zulus.

A partir de 1880, a penetração branca resultou em numerosas concentrações de terras, minérios, pastagens e até estradas de ferro e iluminação pública, facilitadas pelo rei Mbandzeni. Em 1888, os suazis consentiram no estabelecimento de um governo local provisório, formado por representantes do governo britânico, sul-africano e suazi, mas em 1893 recusaram uma proposta para instituir ali uma administração sul-africana. No ano seguinte, no entanto, foi assinado um acordo que estabelecia a administração sul-africana em anexação do território suazi.

Após a Guerra dos Bôeres e a instituição do controle britânico sobre Transvaal em 1903, os suazis passaram a ser administrados pelo governador do Transvaal e, em 1906, pelo alto comissário britânico para a Basutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia. Os britânicos negaram, em 1949, o pedido de incorporação da Suazilândia pela União-Sul-Africana. Em 1963 promulgou-se na Suazilândia uma constituição que concedia aos suazis uma autonomia limitada. Quatro anos depois, foi proclamado o Reino da Suazilândia sob proteção britânica. Finalmente em 6 de setembro de 1968, o país conquistou plena independência.

Em 1973 e novamente em 1977 o rei Sobhuza II dissolveu o Parlamento e aboliu a constituição, que, em ambas as ocasiões, foi substituída por uma nova num prazo de dois anos. Após a morte do monarca, em 1982, seu filho adolescente Makhosetive foi nomeado príncipe herdeiro e coroado como o rei Mswati III apenas em 1986. Sob sua liderança o país ingressou numa fase de relativo progresso econômico, com um importante incremento dos investimentos estrangeiros e da atividade turística. Pressionado pela oposição, o rei iniciou um processo de democratização no país, com uma série de alterações no sistema eleitoral. Em 1993, realizaram-se as primeiras eleições pluripartidárias da Suazilândia.

Em 1996, uma conflituosa greve geral exigiu o fim da monarquia absolutista. Mswati III nomeou como primeiro-ministro Barnabas Dlamini e instalou um Comitê de Revisão Constitucional (CRC). Em novembro de 2000, mais uma greve geral por democracia foi duramente reprimida pela polícia. A oposição rejeitou, em janeiro de 2001, o projeto de reformas elaborado pelo CRC. Em maio, o governo proibiu a circulação de duas publicações independentes. A decisão é considerada ilegal pela Alta Corte de Justiça, que a anula. Em junho, decreto real concede poderes ao governo para proibir livros, jornais e revistas. A medida provoca fortes reações contrárias, e o governo dos Estados Unidos ameaçou retirar a ajuda econômica ao país. Em julho, o primeiro-ministro anunciou a revogação do decreto.

Em 2002, Mario Masuku, líder da oposição, foi inocentado da acusação de incentivar rebelião contra o Estado. A Alta Corte de Justiça ordenou sua libertação, após dois anos preso. Na sequência, o Parlamento derrotou a proposta de compra de um jato de 45 milhões de dólares para o rei. O valor era mais que o dobro do orçamento nacional de saúde. Em 2003, os sindicatos chamam greve geral pela redução dos poderes do rei.

Em julho de 2005, o rei assinou a nova Constituição, que entrou em vigor em fevereiro do ano seguinte. O texto mantém a proibição de partidos e impede processos contra a monarquia. Em setembro de 2005, Mswati escolhe uma moça de 17 anos para ser sua 13º mulher. Poucas semanas antes, ele havia anulado a proibição de prática de sexo por mulheres de menos de 18 anos, vigente por quatro anos no país para combater a AIDS.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A Suazilândia é um pequeno país interior da África Austral, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direcções pela África do Sul.

O território divide-se em quatro regiões topográficas longitudinais, do ocidente para o oriente: o Alto Veld, o Médio Veld, o Baixo Veld e o Lubombo.

Cortam-no as gargantas escavadas por três do principais rios, que atravessam o país de oeste para leste: Umbuluzi, Usutu e Ingwavuma.

O clima é temperado nas áreas montanhosas, com média de 15 °C, e subtropical nas planícies, com 22 °C de média anual. As chuvas são abundantes em todo o país e aumentam com a altitude. A estação úmida é o verão, de outubro a março.

Os rios são caudalosos graças às chuvas abundantes. Os rios perenes mais importantes, o Lomati, o Mkhondvo e o Komati, nascem na África do Sul, atravessam o país em direção ao oceano Índico, apresentam alto potencial hidrelétrico e irrigam os grandes canaviais e pomares de cítricos do Médio Veld e do Baixo Veld. A fauna foi bastante reduzida pela caça predatória e pela expansão da agricultura. Há hipopótamos, zebras, antílopes e, em pequeno número, leões e macacos.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo dados de 2007, a população da Suazilândia ultrapassa os 1,1 milhão de habitantes, conferindo a este país uma densidade de 70 habitantes por quilômetro quadrado. Apenas 25% vive nas cidades, atualmente.

Os suázis compreendem cerca de 90% da população. Os 10% restantes da população são quase todos zulus. O país tem também uma minoria de sul-africanos, asiáticos, europeus e moçambicanos. O suazi e o inglês são os idiomas oficiais. Cerca de três quartos da população é cristã, enquanto vinte por cento são animistas. Além da capital, Mbabane, outras cidades importantes são Lobamba e Manzini.

Aids[editar | editar código-fonte]

A expectativa de vida no país é uma das mais baixas no mundo (cerca de 39 anos), uma vez que um terço da população adulta é portadora do vírus HIV. É o país que mais apresenta casos proporcionais de AIDS no planeta, com 26% da população adulta. [4]

Em 2010, os dados da Unaids continuaram a apontar o país com maior índice de contaminação mundial e em níveis ainda maiores - 26,1%.[5]

Em 2006, na faixa dos 15 aos 49 anos, o índice era de 33,4%. Em 2010, a contaminação na faixa etária entre 25 e 29 anos chegou a 46% dos suazis.[5]

A poligamia é usada para explicar parte do índice de contaminação da população pelo vírus HIV. Os homens da Suazilândia têm em média cinco companheiras, seja por meio do casamento ou relações informais.[5]

Religião[editar | editar código-fonte]

O Cristianismo é a religião predominante na Suazilândia, uma vez que 82,70% da população declara-se cristã. Cerca de 40% da população é adepta da Igreja Sionista, que professa uma mistura de cristianismo e o culto aos ancestrais indígenas. Os protestantes também constituem parte dos cristãos, seguidos de perto pelo catolicismo romano, professado por 20% dos habitantes. Também destacam-se os mórmons. Cerca de 10% da população é muçulmana e há pequenos grupos de judeus e bahá'ís. A Constituição não trata especificamente de garantir a liberdade religiosa, mas esse direito é geralmente respeitado pelo governo e as relações entre grupos religiosos são amigáveis.[6]

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

O Reino da Suazilândia é uma monarquia absoluta. A constituição de 1978 atribui o poder executivo e legislativo supremo ao rei, que é o chefe de Estado. Exerce o poder executivo um gabinete por ele nomeado e chefiado pelo primeiro-ministro Barnabas Sibusiso Dlamini (desde 2008).

O Parlamento bicameral se limita a debater as propostas do governo e a aconselhar o rei. O Parlamento compõe-se da Assembleia Nacional, composta de 65 membros (55 eleitos por voto direto e 10 nomeados pelo rei) e do Senado, composto de 30 membros (10 eleitos pela assembleia e 20 nomeados).

Os partidos políticos são proíbidos e em eleições os candidatos, concorrem apenas como independentes ao Parlamento e podem ser destituídos pelo rei.[7] O rei Mswati III está no posto desde 1986 e a crítica ao soberano é punida severamente.[7]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Distritos da Suazilândia.

A Suazilândia é dividida em 4 distritos:

  1. Hhohho
  2. Lubombo
  3. Manzini
  4. Shishelweni

Economia[editar | editar código-fonte]

Cena urbana de Mbabane, capital administrativa do país.

A economia baseia-se sobretudo na agricultura de subsistência, sobretudo de milho. A atividade agrícola contribui com cerca de vinte por cento do produto nacional bruto e emprega quase setenta por cento da força de trabalho. Não-suazis e europeus controlam as grandes plantações de cana-de-açúcar, o principal cultivo de exportação, cítricos e abacaxi. Os grandes rebanhos bovinos, símbolo tradicional de riqueza, são uma das principais causas da perda de vegetação e da erosão do solo.

Entre os recursos minerais estão depósitos de asbestos, ferro, carvão e diamantes. A exportação de minério de ferro de Ngwenya cessou em 1980, e vem declinando a importância da extração mineral, embora grandes quantidades de carvão, diamante e ouro continuem a ser extraídas. A eletricidade é gerada pela queima de carvão ou por usinas hidrelétricas.

A indústria representa cerca de um quinto do produto nacional bruto e emprega pouco mais de dez por cento da mão-de-obra do país. O processamento de produtos agrícolas, florestais e pecuários é o principal setor industrial. Outras indústrias importantes são a têxtil e a de confecções.

O país tem uma boa malha rodoviária. Uma ferrovia, originalmente construída para a exportação de minério de ferro por Maputo, em Moçambique, foi estendida para se ligar à rede ferroviária sul-africana, tanto no norte quanto no sul do país. O aeroporto de Matsapa conecta-se por voos regionais com várias cidades de Moçambique e da África do Sul.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Embora as condições de saúde do país sejam relativamente precárias, a taxa de mortalidade infantil vem diminuindo. Os serviços médicos são em geral melhores do que os oferecidos pela maioria dos países africanos, e a tuberculose e a esquistossomose são os principais problemas de saúde.

O analfabetismo atinge cerca de trinta por cento da população. A Universidade da Suazilândia foi fundada em 1964. Há no país vários jornais diários em inglês e um em suazi.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Cabana tradicional (aldeia) em Suazilândia, em agosto de 2006

O evento cultural mais conhecido da Suazilândia, é o anual Reed Dance. O país foi submetido ao rito da castidade o "umchwasho" até 19 de agosto de 2005.

A Suazilândia é um país profundamente polígamo. Mswati III, o atual rei, coroado com a idade de 18 anos, casou-se nove vezes, além de duas outras noivas. Seu pai, Sobhuza II, que reinou de 1921-1982, tinha 120 esposas. Mswati III declarou que a poligamia "não era propício para a propagação do HIV entre a população" em um país onde o número de pessoas HIV positivas é de aproximadamente 40%.

Existem muitas clínicas, hospitais e estabelecimentos de atendimento à saúde. Mas muitos swazis preferem confiar na medicina tradicional africana. Então o rei, ele decidiu criar um estabelecimento "Mananga", onde um membro envia para as mulheres o conhecimento e poderes ocultos que curassem doenças.

Suazilândia tem um número de escritores cujas línguas variam de inglês para swati, através do Zulu.

Os mais conhecidos são os escritores Sarah Mkhonza, que se aposentou à força na Suazilândia em 2003, Matsebula Stanley que é também um importante economista da Suazilândia, e James Shadrack Mkhulunylwa Matsebula, poeta e historiador de renome.

Até 2009, o ranking mundial sobre a liberdade de imprensa fixadas anualmente pelo Repórteres Sem Fronteiras da Suazilândia é a 144ª de 175 países. Uma situação difícil "tem sido observada".

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações
1 de janeiro Ano novo
9 à 12 de abril Semana Santa
19 de abril Aniversário do atual Rei Mswati
25 de abril Festa da Bandeira
1 de maio Dia dos Trabalhadores
29 de maio Ascensão do Senhor
20 de julho Aniversário do Rei Sobhuza II
6 de setembro Dia da Independência Somhlolo
24 de outubro Dia das Nações Unidas
24 e 25 de dezembro Natal

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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