Sucupira

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Sucupira

Sucupira
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Subfamília: Papilionoideae
Género: Pterodon
Espécie: P. emarginatus
Nome binomial
Pterodon emarginatus
Vogel 1837
Sinónimos
Acosmium inornatum (Mohlenbr.) Yakovlev
Pterodon polygaliflorus (Benth.) Benth.
Pterodon pubescens (Benth.) Benth.
Sweetia inornata Mohlenbr.

Sucupira é o nome popular dado a várias espécies de árvores brasileiras, entre elas:

Outros nomes populares: faveiro, fava-de-sucupira, fava-de-santo-inácio, sucupira-branca, sucupira-lisa, macanaíba.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

A sucupira (Pterodon emarginatus) ocorre no cerrado e sua transição para a floresta semidecídua da Mata Atlântica, nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins, São Paulo, Goiás, Piaui e Mato Grosso do Sul.

A espécie consta da lista de plantas ameaçadas do estado de São Paulo.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

É árvore de porte médio, de 8 a 16 metros, de copa piramidal rala. O tronco tem casca lisa branco-amarelada. As raízes formam às vezes expansões de reserva, as batatas-de-sucupira.

As folhas compostas bipinadas. Flores rosadas, em inflorescências terminais tipo panículo. A espécie Pterodon polygalaeflorus pubescens Benth., considerada por alguns autores como a mesma da P. emarginatus, ocorre mais ao norte do Brasil e tem flores azul-violeta.

Fruto tipo legume indeiscente, alado, com uma única semente protegida por cápsula fibrosa e envolta em substância oleosa numa estrutura esponjosa.

A árvore é decídua, não-pioneira, heliófita e xerófita, nativa de terrenos secos e arenosos. Apresenta dispersão descontínua, muitas vezes com populações puras.

Floresce em setembro-outubro e os frutos amadurecem em junho-julho, mas ficam mais tempo na árvore.

Retirar a semente do fruto é difícil, estes podem ser plantados inteiros. De qualquer forma, a taxa de germinação é baixa.

No intuito de aumentar-se a taxa de germinação, uma técnica para a retirada da semente do fruto consiste em, primeiramente, selecionar os frutos não-carunchados, através da imersão destes em um recipiente com água. Os frutos boiantes, que não afundam, não estão aptos à produção das sementes. Após a seleção, com o uso de um alicate de poda, eliminam-se com cortes transversais as bordas do fruto. Com isso, este pode ser aberto e a semente é revelada. Percebe-se a presença de um óleo dentro do fruto, que consiste em um inibidor natural da germinação da semente, a chamada dormência ou latência. Este óleo deve ser removido com o uso de uma mistura de água e detergente, tendo-se o cuidado de enxaguar-se as sementes, posteriormente. Após este processo, realiza-se o plantio, que deve ser feito com a semeadura superficial do substrato em um tubete, aproximadamente 3 sementes por recipiente para garantia da germinação no tubete, cobrindo-se as sementes com uma camada de substrato, cuja altura é equivalente ao tamanho da semente. Após a semeadura, regam-se os tubetes e repete-se a rega diariamente. Após a germinação, faz-se o desbaste, deixando-se apenas uma planta por recipiente. Após o crescimento, faz-se o transporte para o campo de plantio.

Usos[editar | editar código-fonte]

Fornece madeira muito dura, usada em construção civil.

Na medicina popular, seu óleo aromático volátil, produzido pela casca e pelas sementes, é utilizado contra o reumatismo. Já os nódulos da raiz, chamados de batatas-de-sucupira, são usados contra o diabetes.[2]

Estudos farmacológicos demonstraram que o óleo dos frutos inibe a penetração pela pele da cercária da esquistossomose, podendo ser usada na profilaxia dessa endemia.[3] [4] [5]

Observação importante:

Sucupira-branca classificada como Pterodon emarginatus?

Por ser morfologicamente parecida, a P. emarginatus e a Bowdichia virgilioides Kunth são com freqüência confundidas, mas os frutos são diferentes.

A Farmacopéia Brasileira de 1929 refere o uso da casca de sucupira em forma de extrato fluido e tintura, citando a espécie como Bowdichia virgilioides Humboldt, Bonplant, Kunth. Descreve a casca como apresentando-se em grandes pedaços planos ou levemente curvos, de comprimento e largura variáveis e 8–10 mm de espessura. A superfície externa é pardo-escura com numerosas verrugas cor de ferrugem, rachos longitudinais profundos e algumas fendas transversais muito espaçadas. A parte suberosa se desprende facilmente, expondo o parênquima cortical pardo-avermelhado. A face interna é amarelada, com estrias longitudinais bem visíveis. O sabor é amargo e adstringente.[6]

Referências

  1. Instituto de Botânica de São Paulo
  2. Mors, W. B., Rizzini, C. T. & Pereira, N. A. 2000. Medicinal plants of Brazil. Reference Publications, Inc. Algonac, Michigan.
  3. Mors, W. B., M. F. Santos Filho, H. J. Monteiro, B. Gilbert & J. Pelegrino. 1967. Chemoprophylactic agent in schistosomiasis: 14,15-epoxigeranylgeraniol. Science 157: 950-951.
  4. SANTOS FILHO, D. ; SARTI, S. J. ; KATZ, N. ; ARAUJO, N. ; ROCHA FILHO, P. A. ; ABREU, J. E. ; BORTOLIN, M. E. Atividade Quimioprofilatica de Sabonete Contendo Oleo Essencial de Frutos de 'Pterodon Pterodon Pubescens' Na Esquistossomose Mansoni. MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ, v. IV, n. SUP., p. 343-345, 1987.
  5. SANTOS FILHO, D. Sabonete Contendo Oleo de 'Pterodon Pubescens' Benth Como Protetor da Infeccao Esquistossomotica. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON SCHIOSTOSOMIASIS, 1987. Rio de Janeiro - R.J. p. 0-0.
  6. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil, 1929, pág. 851.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Lorenzi, Harri: Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002, 4a. edição. ISBN 85-86174-16-X.
  • Lorenzi, Harri; Abreu Matos, Francisco José de: Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002. ISBN 85-86714-18-6.
  • PAIVA, Élder A.S.; OLIVEIRA, Denise M.T. and MACHADO, Silvia R.. Anatomy and ontogeny of the pericarp of Pterodon emarginatus Vogel (Fabaceae, Faboideae), with emphasis on secretory ducts. An. Acad. Bras. Ciênc. [online]. 2008, vol.80, n.3, pp. 455-465 . Available from: scielo Nov. 2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Fotos[editar | editar código-fonte]

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