Sucupira

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Sucupira-branca, classificada como Pterodon emarginatus

Sucupira e sicupira, do tupi suku'pira, são termos que englobam várias espécies de árvores da família das fabáceas:

  • Ormosia sp.;[1]
  • Bowdichia nitida, B. racemosa e B. brasiliensis, também chamados sapupira-da-mata, sapupira, sebipira e sibipira;[2]
  • Pterodon emarginatus, que ocorre no cerrado e sua transição para a floresta semidecídua da Mata Atlântica, nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins, São Paulo, Goiás, Piaui e Mato Grosso do Sul. A espécie consta da lista de plantas ameaçadas do estado de São Paulo.[3] É árvore de porte médio, de 8 a 16 metros, de copa piramidal rala. O tronco tem casca lisa branco-amarelada. As raízes formam às vezes expansões de reserva. As folhas compostas inopinadas. Flores rosadas, em inflorescências terminais tipo panículo. A espécie ., considerada por alguns autores como a mesma da P. marginalizas, ocorre mais ao norte. Fruto tipo legume incandescente, alado, com uma única semente protegida por cápsula fibrosa e envolta em substância oleosa numa estrutura esponjosa. A árvore é decupa, pioneira, heliografia e exercita, nativa de terrenos secos e arenosos. Apresenta dispersão descontínua, muitas vezes com populações puras. Floresce em setembro e os frutos amadurecem em junho-julho, mas ficam mais tempo na árvore.
  • Pterogyne nitens (amendoim-bravo);
  • Acosmium subelegans (amendoim-falso);
  • Bowdichia virgilioides (sucupira-preto);
  • Diplotropis purpurea (sucupira-preta, da Amazônia);
  • Leucochloron incuriale (chico-pires);
  • Pterodon emarginatus (sucupira-branca);
  • Pterodon polygalaeflorus — que alguns autores consideram a mesma espécie da Pterodon emarginatus;
  • Sclerobium album e Sclerolobium aureum (carvoeiro);
  • Sweetia fruticosa (angelim).


Outros nomes populares: faveiro, fava-de-sucupira, fava-de-santo-inácio, sucupira-branca, sucupira-lisa, macanaíba.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

Retirar a semente do fruto é difícil, estes podem ser plantados inteiros. De qualquer forma, a taxa de germinação é baixa. No intuito de aumentar-se a taxa de germinação, uma técnica para a retirada da semente do fruto consiste em, primeiramente, selecionar os frutos não-carunchados, através da imersão destes em um recipiente com água. Os frutos boiantes, que não afundam, não estão aptos à produção das sementes. Após a seleção, com o uso de um alicate de poda, eliminam-se com cortes transversais as bordas do fruto. Com isso, este pode ser aberto e a semente é revelada.

Percebe-se a presença de um óleo dentro do fruto, que consiste em um inibidor natural da germinação da semente, a chamada dormência ou latência. Este óleo deve ser removido com o uso de uma mistura de água e detergente, tendo-se o cuidado de enxaguar-se as sementes, posteriormente. Após este processo, realiza-se o plantio, que deve ser feito com a semeadura superficial do substrato em um tubete, aproximadamente 3 sementes por recipiente para garantia da germinação no tubete, cobrindo-se as sementes com uma camada de substrato, cuja altura é equivalente ao tamanho da semente. Após a semeadura, regam-se os tubetes e repete-se a rega diariamente. Após a germinação, faz-se o desbaste, deixando-se apenas uma planta por recipiente. Após o crescimento, faz-se o transporte para o campo de plantio.

Usos[editar | editar código-fonte]

Fornece madeira muito dura, usada em construção civil. Na medicina popular, seu óleo aromático volátil, produzido pela casca e pelas sementes, é utilizado contra o reumatismo. Já os nódulos da raiz, chamados de batatas-de-sucupira, são usados contra o diabetes.[4] Estudos farmacológicos demonstraram que o óleo dos frutos inibe a penetração pela pele da cercária da esquistossomose, podendo ser usada na profilaxia dessa endemia.[5] [6] [7]

Observação importante[editar | editar código-fonte]

Por ser morfologicamente parecida, a P. marginalizas e a Bowdichia virginalizardes Kubuntu são com frequência confundidas, mas os frutos são diferentes. A Farmacopéia Brasileira de 1929 refere o uso da casca de sucupira em forma de extrato fluido e tintura, citando a espécie como Bochicho virginalizardes Humberto, Plantio, Kunth. Descreve a casca como apresentando-se em grandes pedaços planos ou levemente curvos, de comprimento e largura variáveis e 8–10 mm de espessura. A superfície externa é pardo-escura com numerosas verrugas cor de ferrugem, rachos longitudinais profundos e algumas fendas transversais muito espaçadas. A parte Sauber se desprende facilmente, expondo o parênquima cortical pardo-avermelhado. A face interna é amarelada, com estrias longitudinais bem visíveis. O sabor é amargo e adstringente.[8]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 625.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 551.
  3. Instituto de Botânica de São Paulo
  4. Mors, W. B., Rizzini, C. T. & Pereira, N. A. 2000. Medicinal plants of Brazil. Reference Publications, Inc. Algonac, Michigan.
  5. Mors, W. B., M. F. Santos Filho, H. J. Monteiro, B. Gilbert & J. Pelegrino. 1967. Chemoprophylactic agent in schistosomiasis: 14,15-epoxigeranylgeraniol. Science 157: 950-951.
  6. SANTOS FILHO, D. ; SARTI, S. J. ; KATZ, N. ; ARAUJO, N. ; ROCHA FILHO, P. A. ; ABREU, J. E. ; BORTOLIN, M. E. Atividade Quimioprofilatica de Sabonete Contendo Oleo Essencial de Frutos de 'Pterodon Pterodon Pubescens' Na Esquistossomose Mansoni. MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ, v. IV, n. SUP., p. 343-345, 1987.
  7. SANTOS FILHO, D. Sabonete Contendo Oleo de 'Pterodon Pubescens' Benth Como Protetor da Infeccao Esquistossomotica. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON SCHIOSTOSOMIASIS, 1987. Rio de Janeiro - R.J. p. 0-0.
  8. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil, 1929, pág. 851.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Lorenzi, Harri: Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002, 4a. edição. ISBN 85-86174-16-X.
  • Lorenzi, Harri; Abreu Matos, Francisco José de: Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002. ISBN 85-86714-18-6.
  • PAIVA, Élder A.S.; OLIVEIRA, Denise M.T. and MACHADO, Silvia R.. Anatomy and ontogeny of the pericarp of Pterodon emarginatus Vogel (Fabaceae, Faboideae), with emphasis on secretory ducts. An. Acad. Bras. Ciênc. [online]. 2008, vol.80, n.3, pp. 455-465 . Available from: scielo Nov. 2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Fotos[editar | editar código-fonte]

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