Sulayman ibn Hisham

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Sulayman ibn Hisham
Nascimento fl. 732
Morte
Índia
Nacionalidade Império Árabe-Muçulmano
Etnia Árabe
Progenitores Pai: Hisham ibn Abd al-Malik (califa omíada)
Ocupação General e príncipe
Religião Islão

Sulayman ibn Hisham (fl. 732–747) foi um general árabe, filho do califa omíada Hisham ibn Abd al-Malik (r. 723–743), que se notabilizou nas expedições militares contra o Império Bizantino e nas guerras civis ocorridas nos últimos anos do califado omíada. Após ter sido derrotado por Marwan II (r. 744–750), refugiou-se na Índia, onde morreu.

Guerras contra Bizâncio[editar | editar código-fonte]

O registo histórico mais antigo sobre Sulayman menciona-o como comandante da expedição militar de verão (dita "da direita")[nt 1] contra a Anatólia bizantina em 732,[1] [2] e novamente em 735, 736 (desta vez na Arménia bizantina) e 737. Em nenhuma das campanhas parece ter alcançado resultados dignos de nota.[3] Em 738 saqueou uma fortaleza bizantina chamada Sideroun ("Forte de Ferro"), fazendo muitos prisioneiros, incluindo o seu comandante, Eustátio.[2] [4]

Ruínas do aqueduto romano de Tiana, na Capadócia, uma cidade bizantina que Sulayman tentou tomar sem sucesso em 740

Em 740, foi nomeado comandante-em-chefe de uma campanha de envergadura excecional, a qual, segundo a crónica de Teófanes, o Confessor, envolvia mais de 90 000 homens. A campanha começou com o envio de uma unidade para assaltar a costa ocidental da Anatólia, com 10 000 homens comandados por al-Ghamr ibn Yazid. Seguiu-se o envio de uma força de 20 000 homens comandados por Abdallah al-Battal e al-Malik ibn Su´aib sobre Acroino (atual Afyonkarahisar). A força principal, de cerca de 60 000 homens (um número provavelmente muito inflacionado) comandados por Sulayman, fez raides na Capadócia e tinha como alvo Tiana, uma cidade bizantina a sudoeste da atual Niğde.[2] [5] Sulayman não logrou tomar a cidade e retirou-se depois de pilhar as zonas rurais. A segunda força sofreu uma pesada derrota na Batalha de Acroino frente ao exército bizantinos lideradas pelo próprio imperador Leão III, o Isáurio e o seu filho, o futuro Constantino V; os árabes perderam cerca de dois terços dos seus homens, incluindo os seus comandantes.[6]

No ano seguinte, Sulayman comandou novamente a expedição de verão, mais uma vez sem sucesso: enquanto as suas tropas cercavam uma fortaleza bizantina, o acampamento foi atacado por uma doença. Agravada por falta de abastecimentos, a doença causou muitas mortes entre homens e animais, que se somaram às baixas nos combates com os bizantinos. A situação era tão desesperada, que o historiador árabe cristão Agápio de Manbij relata que muitos soldados de Sulayman desertaram e converteram-se ao Cristianismo.[2] [7] A juntar a esse fracasso, os bizantinos lançaram um contra-ataque contra Malatya. A cidade resistiu, embora o próprio Hisham tivesse que levar para o combate todas as forças que conseguiu juntar. Este ataque, apesar de mal sucedido, marcou um novo rumo para o equilíbrio de poder na região, com os bizantinos a abandonarem muitos anos de relativa passividade defensiva e a tomarem a ofensiva.[8]

Ainda em 641, Sulayman recebeu ordens do seu pai para executar todos os prisioneiros bizantinos, depois duma notícia falsa sobre os bizantinos terem executado todos os prisioneiros muçulmanos ter chegado ao califa.[9]

Em 642, aproveitando a guerra civil bizantina entre o usurpador Artabasdo e Constantino V (r. 741–775), Sulayman comandou outra expedição que chegou até à Paflagónia, na costa do mar Negro, sem ser perturbada e durante a qual fez muitos prisioneiros.[9]

Guerras civis[editar | editar código-fonte]

Em 743, o pai de Sulayman, o califa Hisham ibn Abd al-Malik morreu, e o seu primo de al-Walid II assumiu o poder. Com inveja da popularidade de Sulayman, Walid mandou açoitá-lo e prendê-lo, um ato que desencadeou muita oposição e que teve efeitos muito negativos na popularidade do novo califa quando subiu ao poder.[10]

Na primavera de 744, Walid é deposto por um golpe de estado em Damasco, enquanto estava ausente da capital, e é morto pouco tempo depois, sendo substituído por Yazid III. Os árabes da região de Homs ainda leais a Walid sublevaram-se e marcharam sobre Damasco com a intenção de instalarem como califa Abu Muhammad al-Sufyani, um descendente do ramo Sufyanida do clã omíada, mas foram derrotados por Sulayman, que entretanto tinha sido libertado.[11]

O Vale do Beqaa, onde Sulayman foi derrotado em batalha por Marwan ibn Muhammad em 744

Apesar disso, os tumultos não abrandaram. Quando Yazid morreu em setembro de 744, o poderoso e ambicioso governador do norte da Mesopotâmia (em árabe: al Jazira), Marwan ibn Muhammad, rebelou-se contra o novo califa, Ibrahim ibn al-Walid, apoiado principalmente pelos Qais de Jazira e do norte da Síria. Inicialmente, Marwan não reclamou o califado para ele próprio, proclamando em vez disso a sua intenção de restaurar no trono os dois filhos presos de Walid II.[12] Enquanto marchava sobre Damasco, Marwan encontrou Sulayman e o seu exército privado a sul de Baalbek. O exército de Sulayman, conhecido como Dhakwaniyya, era mantido pelos seus fundos e propriedades pessoais e era constituído por cerca de 5 000 homens ou mais, na sua maior parte recrutados entre os mawali (muçulmanos não árabes).[13] [14] Marwan saiu vitorioso da batalha que se seguiu, obrigando Sulayman a retirar para Damasco, onde ordenou a execução dos filhos de Walid II e seguidamente fugiu com Ibrahim para Palmira. No entanto, pouco tempo depois os dois homens foram ter com Marwan e renderam-se.[2] [15]

A contestação à ascensão de Marwan a califa continuou tanto na Síria como no sul da Mesopotâmia (Iraque). Depois de esmagar a revolta na Síria em 745, Marwan formou um exército de tropas sírias e enviou-o para o Iraque, mas os soldados rebelaram-se no caminho e aceitaram Sulayman como seu líder. O exército rebelde ainda tomou Qinnasrin, mas foi rapidamente derrotado por Marwan. Embora grande parte do seu exército tivesse sobrevivido e retirado para Homs sob o comando do seu irmão Sa'id, onde seriam cercados pelas tropas de Marwan, Sulayman fugiu de Homs para Palmira e depois para Kufa.[16] Aí entrou ao serviço de al-Dahhak ibn Qays al-Shaybani, o líder dos carijitas da Mesopotâmia, que, aproveitando a preocupação de Marwan com o cerco prolongado a Homs, tinha reclamado o califado.[17]

Depois de tomar Homs no início de 746, Marwan marchou contra Dahhak, que derrotou e matou numa batalha travada em Kafartuta. Os rebeldes retiraram-se então para o outro lado do rio Tigre aconselhados por Sulayman, escapando temporariamente à destruição. No entanto, em 747, Marwan e o seu lugar-tenente Yazid ibn Hubayra lograram derrotar o que restava das tropas carijitas e consolidar o controlo do Iraque, enquanto que os rebeldes sobreviventes fugiram para leste. Sulayman refugiou-se na Índia juntamente com Mansur ibn Jumhur, onde viria a morrer em data incerta.[17]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Durante muito tempo, os árabes lançaram raides de forma regular sobre as terras de ninguém que constituíam a fronteira entre o interior do território bizantino e os impérios muçulmano e bizantino. Eram organizadas uma ou duas expedições anuais (sa´ifa; plur.: sawa´if) no verão e por vezes também uma expedição no inverno (shawati). As expedições de verão era chamadas de al-sa´ifa al-yumna/al-kubra ("da direita") e de al-sa´ifa al-yusra/al-sughra ("da esquerda"); a primeira, normalmente de maior envergadura, era geralmente lançada de Malatya; a segunda era lançada do norte da Síria ou, a partir do século VIII, da Cilícia.

Referências

  1. Blankinship 1994, p. 163
  2. a b c d e Winkelmann 2001, p. 284
  3. Blankinship 1994, p. 168-169
  4. Blankinship 1994, p. 169
  5. Blankinship 1994, p. 169, 330 (nota#14)
  6. Blankinship 1994, p. 169-170
  7. Blankinship 1994, p. 200
  8. Blankinship 1994, p. 200-201
  9. a b Blankinship 1994, p. 201
  10. Hawting 2000, p. 91
  11. Hawting 2000, p. 93-94
  12. Hawting 2000, p. 96-97
  13. Hawting 2000, p. 97
  14. Blankinship 1994, p. 91
  15. Hawting 2000, p. 97-98
  16. Hawting 2000, p. 99
  17. a b Hawting 2000, p. 100-101

Bibliografia[editar | editar código-fonte]