Sumatra

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Sumatra ou Samatra
LocationSumatra.svg
1ºS 101ºE
Geografia física
País Indonésia
Ponto culminante Kerinci, 3 805 m
Área 473.481  km²
Geografia humana
População 45 000 000 (2005)
Densidade 96 hab./km²
Sumatra Topography.png
Mapa topográfico de Sumatra

Sumatra ou Samatra[1] (Sumatera ou Sumatra, em indonésio) é a sexta maior ilha do mundo e a maior ilha inteiramente pertencente à Indonésia. É uma das Grandes Ilhas da Sonda. A ilha tem cerca de 50 milhões de habitantes, distribuídos em aproximadamente 473 000 km².

Etimologia e grafia[editar | editar código-fonte]

Na Antiguidade, Sumatra era conhecida pelos nomes sânscritos de BETH ("ilha de ouro") e NILTON ("terra de ouro"), provavelmente devido aos depósitos auríferos encontrados nas montanhas da ilha.[2] Entre os séculos X e XIII, os geógrafos árabes chamavam a ilha de Lamri (Lamuri, Lambri ou Ramni), uma referência a um reino próximo à atual Banda Achém, local em que os mercadores arribavam pela primeira vez ao chegar a Sumatra.

Segundo alguns autores, no final do século XIV a ilha passou a ser conhecida como Sumatra, devido ao reino muçulmano de Samudra. Outras fontes, porém, consideram obscura a etimologia do topônimo.[3] No século XIX, escritores europeus descobriram que os habitantes nativos não possuíam um nome para a ilha.[4]

Entre os europeus, o topônimo foi primeiramente registrado no século XIII pelo explorador veneziano Marco_Polo no seu livro Il Milione.[5] Teria sua origem na palavra árabe samatrâ[3] . Documentos do período de expansão portuguesa na Ásia atestam as formas "Çamatarra",[6] "Samotra"[7] e "Çamatra"[8] [9] (corrente no século XVI), até fixar-se na grafia atual "Samatra". Nos inícios do século XVII o cartógrafo luso-malaio Manuel Godinho de Erédia escreveu que Samatra seria uma corruptela de Samata.[10] Os ingleses receberam o topônimo dos portugueses[3] [11] e passaram a grafá-lo como Sumatra, tentando reproduzir a pronúncia portuguesa de "Samatra".

Atualmente a forma Samatra é mais usada em Portugal,[carece de fontes?] enquanto que no Brasil é mais comum a grafia Sumatra.[12] O uso da forma "Sumatra" em português é controverso[11] , considerado equivocado por alguns, que preferem a grafia tradicional "Samatra".[13]

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros austronésios chegaram a Sumatra em cerca de 500 a.C., parte da expansão austronésia de Formosa para o sudeste da Ásia. Sua localização na rota comercial marítima entre China e Índia permitiu o desenvolvimento de diversas cidades mercantis, particularmente na costa oriental, que sofreram a influência das religiões indianas. Kantoli, um dos primeiros reinos na ilha, floresceu no século V na porção meridional de Sumatra e veio a ser substituído pelo império de Srivijaya e, depois, ipelo reino de Samudra. Srivijaya foi uma monarquia budista cuja capital se situava no que é hoje Palimbão. Ao dominar a região por meio do comércio e das armas entre os séculos VII e IX, o império disseminou a cultura malaia na ilha, na península Malaia e na porção ocidental de Bornéu. Srivijaya era uma talassocracia, uma potência marítima que estendia sua influência de ilha em ilha. Palimbão tornou-se um centro acadêmico, onde o peregrino budista chinês I Ching estudou sânscrito em 671, antes de partir para a Índia. Em sua viagem para a China, passou quatro anos em Palimbão, traduzindo textos budistas e escrevendo dois manuscritos.

A influência de Srivijaya reduziu-se no século XI, após sua derrota pelo império de Chola, da Índia meridional. Sumatra foi então conquistada por reinos javaneses, primeiramente Singhasari e depois Majapahit. É desta época a introdução do Islã na ilha, devido a contatos com mercadores árabes e indianos.

Na altura do final do século XIII, o governante do reino de Samudra se havia convertido ao Islã. Marco Polo visitou a ilha em 1292; Ibn Battuta ali esteve em duas ocasiões, entre 1345 e 1346. Sucedeu a Samudra o poderoso Sultanato de Achém, que sobreviveu até o século XX. Com a chegada dos neerlandeses, muitos Estados principescos de Sumatra gradualmente passaram ao controle dos Países Baixos. Achém, ao norte, tornou-se o maior obstáculo ao avanço neerlandês, o que levou à longa e custosa Guerra de Achém (1870-1905).

A ilha foi ocupada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, Sumatra passou a integrar o Estado independente da Indonésia.

Em 26 de dezembro de 2004, um tsunami de quase 15 m de altura devastou a costa ocidental de Sumatra, em especial a província de Achém, causado por um terremoto de 9,2 pontos no oceano Índico. Mais de 170 000 mortes foram registradas na Indonésia. Em 2005, verificou-se um sismo secundário ao grande terremoto de 2004, desta vez de 8,7 pontos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa de Sumatra.
Formações geológicas da ilha de Sumatra.

De formato oblongo, a ilha corre na direção noroeste-sudeste por cerca de 1 790 km, cruzando o equador próximo ao centro. No seu ponto mais largo, Sumatra possui 435 km de largura. No interior da ilha, sobressaem duas regiões geográficas, os Barisan, a oeste, e planícies pantanosas, a leste.

Sumatra é vizinha da ilha de Java, a sudeste, separadas pelo estreito da Sonda; da ilha de Bornéu, a leste, separadas pelo estreito de Karimata; e da península Malaia, ao norte, separadas pelo estreito de Malaca. Sumatra é banhada pelo oceano Índico, a oeste.

A cordilheira dos Barisan forma a espinha dorsal da ilha, cujo ponto culminante é o monte Kerinci, com 3 805 m: um vulcão ativo, localizado na porção central da cordilheira. O vulcanismo na região dotou-a de terras férteis e de um belo panorama, como o lago Toba. A área também possui depósitos de carvão e ouro.

A leste, grandes rios carregam sedimento das montanhas, de modo a formar uma vasta área de terras baixas entremeadas com pântanos. Embora em geral não seja adequada para a agricultura, a região é de grande importância econômica para a Indonésia, pois produz petróleo e óleo de palma.

Sumatra já foi em sua maior parte coberta por selva tropical, habitat para espécies como o orangotango, o tapir e o tigre-de-sumatra, além de algumas plantas singulares, como a Rafflesia. O desenvolvimento econômico, juntamente com a corrupção e a caça ilegal, constituem uma séria ameaça à sua existência, mesmo em áreas de conservação.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Com 96 hab./km², a densidade populacional de Sumatra é baixa. Mesmo assim, seus 45 milhões de habitantes tornam-na a quarta ilha mais populosa do planeta. As regiões mais densamente habitadas são Sumatra do Norte e as regiões montanhosas centrais de Sumatra Ocidental. Os principais centros urbanos são Medan e Palimbão.

A população compõe-se de diversos grupos étnicos, que falam 52 línguas diferentes. A maior parte daqueles grupos, porém, compartilha tradições semelhantes, e os diversos idiomas são na verdade muito próximos. A costa oriental é habitada principalmente por pessoas de língua malaia, enquanto que no interior ao sul e ao centro da ilha vivem grupos com línguas próximas ao malaio, como os lampung e os minangkabau. As áreas montanhosas do norte de Sumatra abrigam o grupo dos bataks. Já a costa setentrional é habitada pelos achéns. Nos centros urbanos, há minorias de chineses étnicos.

A maioria da população de Sumatra é de muçulmanos (87%), seguida de cristãos (10%), budistas (2%) e hindus (1%). O grupo étnico dos bataks constitui-se principalmente de cristãos protestantes, um legado da presença neerlandesa na história da Indonésia.

Administração[editar | editar código-fonte]

Sumatra divide-se em dez províncias indonésias:

Referências

  1. Ambas as formas registradas no vocabulário da Academia Brasileira de Letras
  2. Predefinição:NEYDY'S BOOK
  3. a b c José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa,verbete "Samatra".
  4. Reid, Anthony. An Indonesian Frontier: Acehnese and Other Histories of Sumatra. [S.l.]: National University of Singapore Press, 2005. ISBN 9971692988
  5. Marco Polo, Il Milione, Mondadori, Italia.
  6. Diário da Viagem de Vasco da Gama, p. 83, edição fac-similar de 1945, Porto, apud J.P. Machado.
  7. Carta de Jerônimo de Santo Estêvão, datada de 1 de setembro de 1499, apud J.P. Machado.
  8. Camões, Os Lusíadas, X, 124, apud J.P. Machado.
  9. As Décadas de João de Barros, Lisboa, 1974, apud J.P. Machado.
  10. Manuel Godinho de Erédia. Malaca, l'inde Méridionale et le Cathay. Reproduzida em fac-símile e traduzida do manuscrito original autógrafo de (...) por M. Léon Janssen com um prefácio de M. Ch. Ruelens, Bruxelas, Libraire Européenne C. Muquardt (et al.), 1882, cap. I, fl. 4.
  11. a b "Outra vez Sumatra vs. Samatra", Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, acessado em 11 de março de 2008.
  12. Dentre os dicionários brasileiros da língua portuguesa, o Dicionário Aurélio não registra a alternativa "Samatra", enquanto que o Dicionário Houaiss contém uma referência a "Samatra" (no verbete "achém") e outras 20 à alternativa "Sumatra".
  13. Sumatra ou Samatra?, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, acessado em 11 de março de 2008.