Sus domesticus

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Como ler uma caixa taxonómicaPorco
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Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Suidae
Género: Sus
Espécie: S. domesticus
Nome binomial
Sus domesticus
Erxleben, 1777

Porco doméstico (Sus domesticus ou Sus scrofa domesticus) é um mamífero bunodonte não-ruminante, da família dos suidae. A denominação para as fêmeas é porca, para os porcos machos não castrados varrão ou varrasco e para os filhotes a denominação é leitão. A espécie evoluiu a partir do javali selvagem, embora haja controvérsia quanto à subespécie exata: há quem acredite[quem?] que descendem do Sus scrofa scrofa, que habita grandes regiões da Eurásia, e também quem acredite que sua origem é o Sus scrofa vitatus, que vive na Ásia e na bacia do Mar Mediterrâneo.

É um animal maciço, de patas curtas terminadas por quatro dedos completos munidos de cascos. Sua cabeça tem perfil triangular e tem um focinho cartilaginoso. A dentadura, de tipo primitivo (44 dentes molares) apresenta caninos fossadores revirados e incisivos inferiores alongados (em forma de pá). Sua pele, de pelagem espaçada (e cor geralmente rosada) recobre uma espessa camada de toucinho.

Os porcos são animais omnívoros. Digerem bem todos os alimentos, exceto os celulósicos. Embora o consumo de sua carne seja proibido por algumas das principais religiões (como o Islamismo e o Judaísmo), a carne suína é a mais consumida no mundo (responde por 44% do mercado de carnes), sendo considerada saborosa por gastrônomos.

História[editar | editar código-fonte]

Os suínos, únicos artiodáctilos monogástricos domésticos, apareceram na terra há mais de 40 milhões de anos.

Sua domesticação, que antes se creditava aos chineses, foi observada há 10.000 anos atrás, conforme recente pesquisa do arqueólogo americano M. Rosemberg, que descobriu que os primeiros homens de aldeias fixas, tinham como principal fonte de alimento os suínos, e não cereais como a cevada e o trigo.

Também foi na antiguidade que se originaram as primeiras polêmicas que cercam o consumo da carne suína. Moisés, o legislador dos hebreus, proibiu o consumo da carne de porco para seu povo, para evitar verminoses comuns, como a solitária, da qual era vítima o povo judeu.

Durante o Império Romano, houve grandes criações e era apreciado sua carne em festas da Grande Roma e também pelo povo. Carlos Magno prescrevia para seus soldados o consumo da carne de suíno. Nesta época foram editadas as leis sálica e borgonhesa, que puniam com severidade os ladrões e matadores de porcos.

Na idade média o consumo da carne suína era grande, passando a ser símbolo de gula, volúpia e luxúria.

Os suínos chegaram ao continente americano na segunda viagem de Colombo, que os trouxe em 1494 e soltou-os na selva. Em 1499, já eram numerosos e prejudicavam muito as plantações em todo o continente. Os descendentes desses porcos chegaram a povoar grande parte da América do Norte. Também chegaram até o Equador, Peru, Colômbia e Venezuela.

Outro episódio que comprova a excelente adaptação de porcos a ambientes selvagens americanos ocorreu após a Guerra do Paraguai: após a destruição das fazendas paraguaias por soldados, os porcos foram soltos no campo. Até hoje, a região central do Brasil tem javalis descendentes destes porcos. O abate e a caça a javalis são permitidas pela legislação ambiental brasileira, pois não se trata de uma espécie nativa - e muitas vezes é causadora de problemas ecológicos com a fauna local, em especial no Pantanal.

Suinocultura no Brasil[editar | editar código-fonte]

Porco da raça Vietnamita

No mundo, os suínos respondem por 44% do consumo de carnes (carne bovina, 29%; aves, 23%; outras carnes, 4%). No Brasil, a carne bovina representa 52% do consumo total; a carne de frango, 34%, e a suína, apenas 15%.

Os porcos foram trazidos ao Brasil por Martim Afonso de Sousa em 1532. No início, os porcos brasileiros eram provenientes de cruzamentos entre as raças portuguesas, e não havia preocupação alguma com a seleção de matrizes. Com o tempo, criadores brasileiros passaram a desenvolver raças próprias. Uma das melhores raças desenvolvidas no Brasil é o Piau. É branco-creme com manchas pretas, pesa 68 kg aos seis meses, e 160 com 1 ano. Capado e velho, pesa mais de 300 kg. Destina-se à produção de carne e toucinho. O Canastrão descende da raça lusitana Bísara, embora produza mais toucinho e cresça mais devagar. Outras raças desenvolvidas no Brasil incluem o Canastra, o Sorocaba, o Tatu e o Carunchinho.

Nos últimos anos, com a popularização das técnicas de melhoramento genético, o plantel brasileiro se profissionalizou. Também contribuiu a importação de animais das raças Berkshire, Tamworth e LargeBlack, da Inglaterra, e posteriormente das raças Duroc e Poland China. A partir da Década de 1930 chegaram as raças Wessex e Hampshire, e depois o Landrace e o Large White.

O Brasil é um grande exportador de carne suína, tendo exportado 60 mil toneladas em 2002. Seus maiores clientes são a Rússia, a Argentina e a África do Sul. Em 2004, o mercado encontrava-se em uma crise de abastecimento, com a demanda subindo e o plantel diminuindo. A causa da crise foi o desabastecimento de ração animal, proveniente do milho, e a falta de planejamento do setor. Ainda assim, espera-se que a exportação anual de suínos chegue a 250 mil toneladas até 2006.

Raças Portuguesas[editar | editar código-fonte]

  • Alentejana
  • Bísara
  • Malhado de Alcobaça

Porco Celta[editar | editar código-fonte]

Animais de tamanho grande, dolicocéfalos e de perfil frontonasal de sub-côncavo a recto, eumétricos e longilíneos. No seu conjunto são rústicos e harmoniosos. O grande desenvolvimento do seu esqueleto, sobretudo do terço anterior, e a largura dos seus membros demonstram a sua aptidão para a marcha.

O tronco Celta procederia do cruzamento Sus scrofa ferus com o subgénero Striatosus, que se estendeu por distintos países da Europa, dando lugar a distintos agrupamentos célticas.

A sua grande rusticidade permite-lhe uma perfeita adaptação aos bosques autóctones galegos, onde pasta e aproveita os recursos naturais sazonais como castanhas e bolotas.

Tudo isto faz com que sejam animais com grandes possibilidades para a sua exploração em regime extensivo-semi-extensivo, dos quais se obtêm produtos de alta qualidade e que ajudam à manutenção e controlo da biomassa vegetal, para além de embelecer o conjunto paisagístico.

Porco do Vietname[editar | editar código-fonte]

Porcos-barrigudos no Jardim Zoológico de Lisboa

Os porcos do Vietname, porcos asiáticos ou porcos-barrigudos, como também são denominados, são uma variedade de porcos domésticos com origem no Vietname. São consideravelmente menores do que as outras raças americanas e europeias, mas possuem corpos pesados chegando a atingir, sem dificuldade, os 90 kg. Esta raça pode ser facilmente distinta das outras pela sua pequena estatura e grande barriga. A maioria apresenta uma cor negra. Estes pequenos porcos são muitas vezes criados como animais de estimação, devido à sua inteligência e facilidade de treino.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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