Székely

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Os székely ou szeklers (em português sículos da Transilvânia) são uma etnia de origem húngara que desde o século VIII ocupou as terras do sudeste da Hungria. A maior parte deles vive na Transilvânia, no chamado "País Székely" (em húngaro, Sékelyföld; em romeno, Ţinutul Secuiesc. Outros grupos de origem székely deixaram a Transilvânia em 1764 depois da tragédia de Mádéfalva e emigraram à Bucovina.

Origem[editar | editar código-fonte]

Gesta hungarorum map.jpg

A origem dos székely é muito controversa tanto entre os historiadores quanto entre os próprios székely. Uma teoria diz que eles são descendentes de tribos de guerra que foram assentadas pelos húngaros na Transilvânia para guardar as fronteiras orientais dos tártaros e outros povos bárbaros. Outras teorias dizem que eles têm origem nos hunos, avaros e búlgaros. Há ainda aqueles que dizem que os székely sempre foram húngaros, e as diferenças culturais são devidas a seu relativo isolamento.

Segundo Kristó Gyula, os székely foram uma etnia que vivia junto com os húngaros e os jázaros, e que chegaram junto com os húngaros ao território rodeado pelos montes Cárpatos.

Segundo Gyula László, os húngaros se assentaram em duas ondas, e os székely chegaram em sua primeira onda por volta de 670 d.C., antes da segunda onda em 895 quando as tribos húngaras se assentaram definitivamente nos Cárpatos.

No Gesta Hungarorum, um antigo documento sobre a história húngara escrito no século XIII, o autor diz que os székely já estiveram nos Cárpatos quando chegaram os húngaros e aceitaram o domínio húngaro.

Privilégios históricos[editar | editar código-fonte]

Os székely gozavam de privilégios de nobreza por sua função militar. Somente pagaram impostos ao rei em ocasiões relevantes (quando o rei ocupou o trono, quando o rei se casou, etc.0. Se o rei conduzisse uma campanha ao leste, cada segundo homem székely na idade de soldado teria de participar na campanha. Se a campanha fosse ao oeste, então só cada décimo székely teria de participar. A hierarquia social tinha três classes: os peões, os cavaleiros e os primores. Como mostram os nomes, o status social era determinado por seu papel militar.

Em 1437, criou-se a "União das Três Nacões" (Unio trium nationium), composto pela nobreza húngara da Transilvânia, pelos székely e pelos saxões da Transilvânia.

A perda dos privilégios[editar | editar código-fonte]

Os székely podiam manter seus privilégios até o século XVI, quando os monarcas do Principado da Transilvânia começaram a segregá-los. Primeiro combateram contra o príncipe João Sigismundo (em húngaro: János Zsigmond) que terminou na sublevação de 1562. Os Báthory também quiseram reduzir os privilégios dos székely, que acabaram por se aliar com Miguel, o Valente, o voivoda romeno da Valáquia em sua investida contra a Transilvânia em 1599.

Com o passar do tempo crescia o número dos székely que se dedicaram à agrigultura. O príncipe Gábor Bethlen pôs condições mais restritivas para os székely para deixar a vida militar. Em 1691, o Diploma Leopoldino (estatuto outorgado pelo imperador da casa de Habsburgo, Leopoldo I, que regulamente as relações entre a Transilvânia e o Império dos Habsburgo) reconheceu o direito dos székely de não pagar impostos, mas durante 1754-1769, devido a reformas tributárias, perderam esse direito. A rainha Maria Teresa da Áustria reorganizou a defesa das fronteiras, e o recrutamento violento entre os székely acabou na matança de Mádéfalva (1764): o exército imperial matou várias centenas de székely, porque eles se negaram ao serviço militar. Depois deste incidente, muitos székely se transferiram à Moldova, do outro lado dos Cárpatos.

Séculos XIX e XX[editar | editar código-fonte]

Na luta pela liberdade de 1848-1849, a maioria do exército de Bem era composto por székely. Em 16 de outubro de 1848, na assembléia de Agyagfalva (em romeno: Lutita), os székely declararam que estavam dispostos a tomar as armas "pela defesa dos irmãos húngaros". Como resposta à estratégia geral dos Habsburgo na Transilvânia, Anton Puchner começou a atacar o País Székely, e o exército székely tinha de retroceder até Haromszék. Nas batalhas, destacou-se Áron Gábor, que começou a produzir canhões contribuindo aos êxitos militares que se seguiram.

Depois da derrota da luta, o passo seguinte mais importante é o compromisso austro-húngaro, que integrou administrativamente os székely à sociedade húngara moderna. o tratado de paz firmado em Trianon em 1920 cedeu a Transilvânia à Romênia. Desde então, exceto o período entre 1940 e 1944, os székely são concidadãos romenos, mas mantiveram sua identidade húngara.

População[editar | editar código-fonte]

A maioria dos székely vive nas províncias de Hargita (em romeno: Harghita), Kovászna (em romeno: Covasna) e Maros (em romeno: Mures). Nestas províncias as percentagens de székely são, respectivamente, 84%, 74% e 39%. Estima-se que no mundo inteiro vivam cerca de 850 mil székely.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

G.Popa Lisseanu, Originea secuilor si secuizarea romanilor, Editura Romania Pur si Simplu, Bucuresti, 2003