Públio Cornélio Tácito

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Tácito

Públio (Caio) Cornélio Tácito (em latim Publius (Gaius) Cornelius Tacitus) ou simplesmente Tácito, (55120) foi um historiador, orador e político romano. Ocupou os cargos de questor, pretor (88), cônsul (97) e procônsul da Ásia (aproximadamente 110-113).

É considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade. Escreveu por volta do ano 102 um Diálogo dos oradores e depois, Sobre a vida e o caráter de Júlio Agrícola, um elogio ao seu sogro, que havia sido um eminente homem público durante o reinado de Domiciano e que havia completado, como general, a conquista da Britânia, além de ter feito uma expedição à Escócia. Suas obras principais foram os Annales ("Anais") e as Historiae ("Histórias"), que tinham por tema, respectivamente, a história do Império Romano no primeiro século, desde a morte de Augusto e a chegada ao poder do imperador Tibério até à morte de Nero (Annales), e da morte de Nero à de Domiciano (Historiae).

Devido ao declínio do interesse romano pela historiografia tradicional, com uma crescente preferência pelas biografias e sátiras, e durante o século III, Tácito parece ter sido negligenciado como autor. A História Augusta cita que o imperador Tácito, que governou entre 275 e 276 d. C., ordenou que fossem feitas cópias das obras do historiador, o que indica que elas já deveriam estar fora de circulação. O modelo de escrita da história de Tácito foi retomado apenas na Antiguidade Tardia, quando o grego Amiano Marcelino, pode ter se inspirado nele para escrever uma história, em latim, da sua própria época. No entanto, no começo da Idade Média Ocidental, sua obra voltou a cair no esquecimento, para só readquirir notoriedade durante a Renascença. Em consequência destas oscilações na sua fortuna crítica, seus textos maiores chegaram até nós muito mutilados, de forma tal que os Anais, tais como podemos lê-los hoje, contêm apenas a descrição de parte do principado de Tibério - a descrição do período de Calígula foi totalmente perdida - o final do governo de Cláudio, e a maior parte do de Nero - estando também perdida a conclusão da obra. Quanto às Histórias, seu texto preservado contém basicamente a narrativa da guerra civil do ano 69, que levou à ascensão de Vespasiano ao trono imperial.

No livro XV dos Anais, Tácito descreve a perseguição que Nero empreende, culpando os cristãos pelo incêndio de Roma, onde 15% da cidade foi parcialmente destruída.[1] Segundo Tácito, havia suspeitas de que o próprio Nero teria causado o incêndio. A passagem sobre os cristãos é considerada por muitos autores a primeira referência pagã à existência histórica de Jesus Cristo.

Outra obra importante de Tácito foi o ensaio etnográfico Germania, uma descrição detalhada da Germânia e seus povos, contra os quais a Roma da época (de Trajano) estava em guerra.

Tácito tem as características usuais do historiador antigo: o gosto pela moralização - ele é um severo juiz de caráter -, pelo retrato dos grandes homens, o mais absoluto desinteresse pelo povo comum e o amor à retórica dos grandes discursos. De acordo com os padrões atuais, esses discursos da historiografia antiga podem parecer inventados ou remanejados; basta comparar a versão taciteana do discurso de Cláudio propondo a entrada de nobres gauleses no Senado com a cópia do discurso original, que uma descoberta arqueológica em Lyon, França, nos disponibilizou. Porém, a adaptação do original com a manutenção do mesmo argumento, polindo a retórica para se conformar ao estilo do autor, também é característico da historiografia antiga.

Não se pode dizer que Tácito tenha idealizado sem restrições a época anterior da República Romana, pois ele reconhece que o governo imperial trouxe a estabilidade política necessária para gerenciar o território do Império Romano. Como o estilo do texto de Tácito é muito complexo - é considerado um dos autores latinos mais sofisticados -, fica por vezes difícil entender o verdadeiro ponto de vista do autor sobre a realidade política do principado. Por isso, é a ele que devemos grande parte da nossa ideia pré-concebida da decadência moral de Roma.

Obras de Tácito em versão digital[editar | editar código-fonte]

  • CORNÉLIO TÁCITO, Diálogo sobre os oradores.
    Editor Sir W. Peterson, Londres, Heinemann, 1914. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor H. Furneaux, Oxford, Clarendon Press, 1900 Perseus Project (comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Agrícola.
    Edição não especificada. The Latin Library (Comprovado 17-05-2009).
    Edição H. Furneaux, Oxford, Clarendon Press, 1900. Perseus Project (Comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Germania.
    Editor D. R. Stuart, New York, Mcmillan, 1916. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor H. Furneaus, Oxford, Clarendon Press, 1900. Perseus Project (Comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Histórias.
    Edição não especificada. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor Ch. D. Fisher, Oxford, Clarendon Press, 1911. Perseus Project (comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Annales, ed. Ch.D. Fisher, Oxford, Clarendon Press, 1906.
    The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Perseus Project (comprovado 17-05-2009).

Referências

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