Tártaros do Volga

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Tártaros do Volga
Mulher Tártara Kazan, 1Séc. XVIII
População total

cerca de 6 milhões (2000)

Regiões com população significativa
Rússia [1] 2,5 milhões ~1 milhão
Tartaristão ~2 milhões;
Bascortostão ~1 milhão
antiga União Soviética - />Cazaquistão, Uzbequistão, Ucrânia, Azerbaijão, Tadjiquistão, Lituânia, Bielorrússia, Quirguistão
República Popular da China, Finlândia, Estados Unidos, Alemanha
Línguas
Tártaro da Crimeia, Russa
Religiões
Islamismo sunita, Igreja Ortodoxa, Ateísmo

Os Tártaros do Volga formam um dos grupos de povos turcos[2] [3] [4] [5] , a maioria dos quais ocupam a região central dos Montes Urais, junto ao rio Volga.

Subgrupos[editar | editar código-fonte]

Cazã (Qazan)[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos Tártaros do Volga é composta por Tártaros de Cazã (Qazan), que são no Tartaristão (Rússia) a maioria da população.

Durante os séculos XI a XVI, muitas tribos de povos turcos viviam onde hoje ficam a Rússia e o Cazaquistão. O atual território do Tartaristão era habitado pelos búlgaros do Volga, povo de origem incerta, mas considerado como de origem túrquica. [6] [7] Os búlgaros se assentaram ao longo do Volga durante o século VIII e se converteram ao Islamismo em 922 na ação missionária de Ahmad ibn Fadlan. Nessa área do Volga, os Búlgaros se misturaram a povos falantes de línguas Citas e fino urálicas Com a invasão Mongol da Europa em 1241, os Búlgaros do Volga foram derrotados, arruinados e incorporados ao Canato da Horda Dourada.

Muito pouco da população Tártara sobreviveu e a maioria deles migrou para territórios ao norte, tendo havido alguma miscigenação entre eles e os Tártaros Kiptchaks da Horda Dourada durante os períodos seguintes. O grupo como um todo aceitou a língua dos Kipchaks e o etônimo "Tártaro" (em borá o termo “Búlgaro” tenha persistido em alguns locais, em quanto os invasores iam se convertendo ao Islamismo. Dois séculos depois, com a desintegração da Horda, a área se tornou um território do Canato de Cazã, que foi por fim conquistado pela Rússia em 1552. Há ainda muita discussão entre especialistas acerca de quão extensa foi essa miscigenação e qual a real participação de cada grupo na genealogia dos Tártaros Cazã. É muito aceito, porém, que a maior parte da população descenda direta e demográficamente do Búlgaros. No entanto, alguns enfatizam a importante contribuição dos Kipchaks na formação do grupo étnico e da língua, considerando que a etnogenética dos Tártaros atuais só se completou com a presença Kipchaks. Outros dão uma importância bem maior à origem Búlgara, preferindo decretar uma mais estreita relação entre Tártaros e Búlgaros, dizendo que mesmo que os Búlgaros do Volga não tenham conservado sua linguagem e o nome o grupo, suas antigas cultura e religião ainda se preservam. Os defensores dessa ideia alegam que houve muito pouco contato, pouca exposição com Mongóis e Túrquicos depois da conquista Búlgara no Volga, principalmente nas áreas ao norte que formam hoje o Tartaristão. Há ainda especialistas que insistem que a denominação de “Tártaro” seja modificada para “Búlgaro”, num movimento denominado "Bulgarismo". [8] [9]

Noqrat[editar | editar código-fonte]

São cerca de 5 mil (dados de 2002) os Tártaros que vivem no Oblast de Kirov e no Tartaristão, falam um dialeto que tem muitas palavras do Kozla Mari e apresentam alguma miscigenação com o os Maris Fino-Ugrianos.

Perm (Ostyak)[editar | editar código-fonte]

No Krai de Perm (Rússia) vivem cerca de 200 mil (dados 2002)Tártaros que se misturam com os “Komi Permyaks”, sendo chamados de “Tártatos Ostyak”, conforme o especialista Zakiev.

Keräşen[editar | editar código-fonte]

Muitos tártaros Cazã forem, forçados a se converter ao Cristianismo por Ivan IV da Rússia (“o terrível") durante o século XVI e mais tarde novamente, no século XVIII. Alguns especialistas defendem que os tártaros Keräşen descendam dos Suars e tenham sido convertidos ao Cristianismo pelos Armênios no século VI quando viveram no Cáucaso. Os Suars, assim como muitos grupos tribais, se converteram mais tarde ao Islamismo, se tornaram Tártaros Búlgaros e depois formaram os atuais povos Chuvaches (Cristão em sua maioria) e os Tártaros Cazã (maioria muçulmana).

Esses tártaros Keräşen vivem por todo o Tartaristão e tendem presentemente a se assimilar aos Chuvaches e Tártaros. Oitenta anos de domínio ateu por parte da União Soviética fez cair muito a fé religiosa de ambos os grupos (Cristãos e Muçulmanos). Nomes russos nos Tártaros “gera” (não nos Keräşen) permanecem como uma das poucas diferenças entre os grupos. Algumas tribos turcas cumanas da era da Horda Dourada se converteram ao Cristianismo nos séculos XIII e XIV (Nestorianismo). Algumas das suas orações que foram escritas conforme o Codex Cumanicus se parecem com as modernas orações religiosas Keräşen , mas nada parece confirmar relações entre os Cristãos Kumans e os atuais Keräşens.

Nağaybäks[editar | editar código-fonte]

Os Nağaybäks são tártaros que tiveram o papel de Cossacos (guardas de fronteiras)] e são de religião Ortodoxa Russa, vivem nos Montes Urais, na fronteira entre Rússia e Cazaquistão desde os séculos XVII e XVIII. A maior cidade Nağaybäk é Parizh, Rússia, nome originado de Paris, França, por causa da participação Nağaybäk nas Guerras Napoleônicas.

Populações[editar | editar código-fonte]

Em 1910 eram cerca de 500 mil os tártaros em Cazã. Desses, 15 mil eram de uma mesma raiz, tendo migrado para Ryazan na Rússia central (hoje na Rússia Europeia ou foram aprisionados e transferidos durante os séculos XVI e XVII para a Lituânia (Vilnius, Hrodna, Podólia). Cerca de 2 mil viveram em São Petersburgo onde trabalharam como cocheiros e garçons em restaurantes.

Tártaros do “Volga-Ural” são cerca de 7 milhões, principalmente na Rússia e em repúblicas da antiga União Soviética. A maioria, cerca de 2 milhões, fica Tataristão e nas regiões circunvizinhas, um bom número dos tártaros do Volga-Ural estão na Sibéria, Ásia Central e no Cáucaso. For a do Tartaristão, os tártaros urbanos têm o russo como primeira língua (em cidades como Moscou, São Petersburgo, Nizhniy Novgorod, Ufa, algumas dos Urais e oeste da Sibéria).

Bulgarismo[editar | editar código-fonte]

Bulgarismo é um termo utilizado para defender a visão de os que os tártaros do Volga seriam descendentes primordialmente dos túrquicos búlgaros do Volga[10] [11] [12] .

O ponto de vista contrário assume que a etnogênese dos tártaros foi completada com a chegada dos kipchaks, cumanos e mongóis.

Diáspora[editar | editar código-fonte]

Cemitério Tártaro no Oblast de Níjni Novgorod

Locais onde vivem Tártaros do Volga:

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. (2002) "National Composition of Population for Regions of the Russian Federation" (XLS). 2002 Russian All-Population Census.
  2. Pipes, Richard, The Formation of the Soviet Union: Communism and Nationalism, 1917-1923, (Harvard University Press, 1997), 12.
  3. Turkic people definition of Turkic people in the Free Online Encyclopedia. Encyclopedia2.thefreedictionary.com. Página visitada em 2011-03-07.
  4. Encyclopaedic ethnography of Middle-East and Central Asia: A-I, Vol.1, Ed. R. Khanam, (Global Vision Publishing House, 2005), 839; "The Volga Tatars are the westernmost of all Turkic ethnic groups...".
  5. Encyclopedia of European peoples, Vol.1, Ed. Carl Waldman, Catherine Mason, (Infobase Publishing, 2006), 795.
  6. Bowersock, Glen Warren, Peter Robert Lamont Brown and Oleg Grabar, Late Antiquity: A Guide to the Postclassical World, (Harvard University Press, 1999), 354.
  7. Rachewiltz, Igor de, Papal Envoys to the Great Khans, (Stanford University Press, 1971), 70.
  8. Rorlich, A. The origins of the Volga Tatars. (Stanford University, 1986)
  9. Great Soviet Encyclopedia, article on Tatarstan.
  10. Rorlich, A. The origins of the Volga Tatars. (Stanford University, 1986)
  11. Great Soviet Encyclopedia, article on Tatarstan.
  12. Viktor Aleksandrovich Shnirelʹman, Who gets the past?: competition for ancestors among non-Russian intellectuals in Russia, Woodrow Wilson Center Press, 1996, ISBN 0-8018-5221-8, ISBN 978-0-8018-5221-3. Limited preview at Google Books [1] (Chapter The Rivalry for the Bulgar Legacy).