Tênis de mesa do Brasil

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O Tênis de Mesa foi inventado no Reino Unido, mais precisamente na Inglaterra no século XIX, onde era conhecido como pingue - pong, em função do barulho que a bolinha fazia ao bater na mesa, até se tornar uma marca registrada e mudar de nome na Europa para tênis de mesa. O nome pingue-pongue atualmente é usado apenas para fins recreativos. Em termos de números de jogadores, o esporte é um dos mais populares do mundo.

Os precursores da prática do esporte no Brasil foram os turistas ingleses que em 1905, começaram a implantá-lo em São Paulo. Quanto às regras, eram as mais diversas possíveis. A mesa possuía a dimensão que os seus praticantes tinham na memória e a contagem era a mesma adotada na Inglaterra, bem como o saque diretamente por cima da rede. Em seguida, o Tênis de Mesa brasileiro marchou atrasado em relação ao mundial até 1940, por falta de contato.

No ano de 1912 foi disputado o primeiro campeonato por equipes na cidade de São Paulo, sagrando-se vencedor o Vitória Ideal Clube. Até então, o Tênis de Mesa era praticado somente em casas particulares e em clubes. No ano seguinte, venceu o Mackenzie, a ACM em 1914-1915, e o Atlético Ipiranga, até 1922. O primeiro campeonato individual foi no ano do centenário e o seu vencedor foi Júlio Alvizu, tendo sido disputado de acordo com as regras codificadas e publicadas por Leopoldo Santana. Em 1926, surgia a Liga Paulistana de Ping-Pong, sendo seu primeiro presidente Lido Piccinini e seu primeiro campeonato oficial vencido pelo Castelões Futebol Clube.

Apesar de São Paulo ter introduzido o Tênis de Mesa no Brasil, o estado do Rio de Janeiro, ao que tudo indica , acelerou o crescimento do esporte no país. Em 1924, já se praticava o desporto no Vasco da Gama cuja equipe era constituída por Adão, Luzitano, Carnaval e Lopes. A Liga Carioca de Ping-Pong provavelmente foi fundada antes da paulista, pois, em 1926, a filiação do Ubá Ping-Pong Clube foi negada, por não possuir recinto fechado para a prática do desporto. Em 1929, o jogador alemão Máximo Cristal chegou em São Paulo empunhando uma raquete com pino, vencendo os Ases de São Paulo, o Ourives. Nesta época, o Afins Sociedade Recreativa, campeão do ano, retirou-se da Liga fundando a Associação Paulista de Ping-Pong, cujo primeiro presidente foi Miguel Munhoz.

O ping-pong seguiu com altos e baixos em São Paulo, controlado pelas duas entidades até 1934, quando a Liga extinguiu-se. No Rio, o esporte era praticado sob a direção da Liga Carioca de Ping-Pong, à custa de iniciativas particulares, umas até de fundo comercial. Conta-se que, em uma casa denominada Frontão, faziam-se exibições pagas a um senhor chamado Faria que possuía um salão com quatro mesas alugadas por 500 réis uma partida de 50 pontos. Por outro lado, um grande idealista e competente desportista, Joaquim Alves, à frente do Clube Ginástico Português, impulsionava o desporto, realizando jogos amistosos e disputas bem organizadas de torneios como a "Taça Ginásio Patricarcha", de 1932 e a "Copa Lorenzo Nicolai", em 1934.

Nos primeiros dias de junho de 1932, a Liga Carioca de Ping-Pong e o Esporte Clube Antártica resolveram disputar em São Paulo uma série de jogos. A equipe da Liga era constituída por Hélio, Horácio, Nelson, Pizoti e Pindoba e, a do Clube, pelos três últimos mais Colosso e Luiz, que chefiavam as duas delegações. Dificuldades financeiras ameaçavam a excursão, mas a insistência de Pindoba obrigou os demais a embarcarem quase desprovidos de numerários, no dia 8 de junho de 1932. Antes não tivessem feito isto, pois estourara a revolução constitucionalista e, ao chegarem em São Paulo, em vez de desportistas a esperá-los, tiveram guarda de honra militar. E foi assim que durante três meses tiveram que viver em São Paulo, amparados na medida do possível pelos desportistas da Paulicéia, quer com alojamento nos salões dos clubes ou com alguns mantimentos. Muitas vezes, realizavam exibições com entradas pagas que quase nada rendiam, pois a época era de guerra.

Em 1937, o paulista Rafael Bologria leu na revista Life uma reportagem do norte-americano Lou Pagliaro e constatou a diferença entre o Tênis de Mesa nacional e o praticado no exterior, e pensou que devia ser feito um intercâmbio. Depois de muito esforço, conseguiu a colaboração de uma colônia Húngara, sob o patrocínio de Leon Orban, que promoveu a vinda, em 1938, dos campeões mundiais M.Szabados e I. Kelen. Apesar das diferenças das regras e das dimensões da mesa, Szabados foi derrotado diante de umas duas mil pessoas, obtendo assim, a primeira vitória internacional do Brasil. Foi então que os desportistas brasileiros tomaram conhecimento das novas regras, porém, no Rio de Janeiro, o carioca Guilherme Ferreira não quis enfrentar o húngaro em vista da diferença das regras e, juntamente com Lourival de Carvalho e Djalma de Vicenzi, encerraram a campanha de adoção das regras internacionais.

Em 7 de novembro de 1940, o Clube Atlético Fazenda Estadual inaugurava a primeira mesa de Tênis do Brasil, e a antiga Associação de Ping-Pong transformava-se, em julho de 1941, em Federação Paulista de Tênis de Mesa. Em outubro daquele ano, o C.A.F.E. veio ao Rio e disputou com o Fluminense, Tijuca e Braz de Pina jogos pela nova regra, levando De Vicenzi a fundar, em 1º de novembro, a Federação Metropolitana de Tênis de Mesa, apoiada pelos grandes clubes do Rio.

Em janeiro de 1942, os cariocas, representados por De Vicenzi, A. Neves e G. Ferreira, e os paulistas, por Bolonga, F. Nunes e W. Silva, aprovaram a tradução das regras e assinaram convênios que levaram à oficialização pela CBD do Tênis de Mesa. Em 1947, graças ao esforço de De Vicenzi, o Brasil participou do 3º Campeonato Sul-Americano e o intercâmbio internacional, tão indispensável para o nosso progresso, intensificou-se com a idéia de Mário Jofre de participar dos Mundiais, que Dagoberto Midosi pôs em execução, e que estes dois desportistas concretizaram com auxílio de amantes do tênis de mesa.

SITUAÇÃO ATUAL DO TÊNIS DE MESA NO BRASIL


Atualmente, através da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, este esporte está organizado em todos os estados do Brasil, que congregam mais de 20.000 atletas.

O Tênis de Mesa brasileiro é detentor de uma longa hegemonia na América do Sul e na América Latina, sendo o único esporte que possui o incrível registro de quatro vitórias consecutivas - tetra-campeão - em competições por equipe masculina nos Jogos Pan-Americanos, possuindo atualmente seis títulos.

O atleta de maior destaque do Brasil no momento é Cazuo Matsumoto. O paulista assumiu o posto de melhor atleta do país no Ranking da ITTF ao entrar para o seleto grupo dos Top-100.Ele foi o primeiro atleta brasileiro (e também latino americano) a vencer um torneio aberto da ITTF, o Aberto da Espanha, em janeiro de 2013.

A atual e dinâmica administração da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa iniciou seus trabalhos em 20 de janeiro de 1986, então sob a presidência de Dr. Alaor Gaspar Pinto Azevedo. Posteriormente assumiu Dr. Ivam Passos Vinhas, que manteve todas as linhas administrativas enquanto esteve na Presidência por 4 anos. Em 1996, Dr. Alaor voltou a dirigir a entidade, tendo sido reeleito por aclamação em 2001 ,2005, 2009 e 2013. A CBTM já organizou mais de 400 eventos nacionais e internacionais, com destaque para o Aberto do Brasil (Brazilian Open Championships), em sua décima sétima edição, além de mais de 300 cursos nas áreas de arbitragem, administração e técnicas de jogo.

Contando com a verba proveniente da Lei Piva, fornecida pelo Ministério do Esporte do Governo Federal, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa tem tido a oportunidade de realizar concentrações mensais e estágios internacionais das Seleções Brasileiras das diversas categorias, oferecendo aos nossos atletas uma preparação e um treinamento de alto nível.

NOMES QUE MARCARAM O TÊNIS DE MESA NO BRASIL


Dagoberto Midosi. Campeão Mundial de Veteranos em 1959 é o atleta de Tênis de Mesa que fez parte da Seleção Brasileira com a maior idade, atualmente com mais de 90 anos ainda pratica tênis de mesa e é um forte adversário para os jovens. Muito amigo de João Havelange foi o responsável pela participação do Brasil em vários mundiais.

Hugo Hoyama é o segundo atleta brasileiro que possui o maior número de medalhas de ouro nos Jogos Pan Americanos, (atrás somente do nadador Thiago Pereira): dez Medalhas de ouro, com a diferença de que na natação um atleta pode conquistar até sete medalhas em uma edição de Jogos Pan Americanos e no Tênis de Mesa, atualmente, o atleta pode conquistar no máximo duas medalhas por evento. Nos jogos anteriores a 1999 havia a possibilidade da conquista de quatro medalhas por evento.

Cláudio Kano é o Atleta Brasileiro com os melhores resultados em Eventos Mundiais de Adultos: sexto colocado na Copa do Mundo Individual realizado em Macau em 1987, sexto colocado na Copa do Mundo Individual realizado em Nairóbi no Quênia em 1989. É o atleta Sul Americano que tem o maior número de títulos de campeão: 20, e é o atleta Latino Americano com o maior número de títulos de campeão: nove.Claudio faleceu no dia 1º de julho de 1996, após um acidente de moto, dias antes de embarcar para os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos.

REGRAS SIMPLIFICADAS DO TÊNIS DE MESA


Tênis de Mesa e Pingue-Pongue têm regras semelhantes, sendo que o primeiro constitui-se em algo organizado e mais competitivo, enquanto o segundo é o esporte mais descontraído. É a brincadeira, é o lazer.

A MESA

Têm 2,74m de comprimento e 1,525mm de largura e 76cm de altura. Pode ser feita de qualquer material, na cor escura e fosca, produzindo um pique uniforme de bola padrão oficial (aprovada pela ITTF); tendo uma linha branca de 2cm de largura em toda a sua volta. Para os jogos de duplas, ela é dividida em duas partes iguais por uma linha branca de 3mm de largura, no sentido do comprimento.

A REDE

A rede estende-se por 15,25cm além das bordas laterais da mesa e tem 15,25cm de altura, devendo ser de cor escura e devem possuir a sua parte superior branca e as malhas maiores do que 7,5mm quadrados até no máximo 12mm quadrados.

A BOLA

Deve ser feita de celulóide ou plástico similar, nas cores branca ou laranja e fosca, pesar 2,7g e ter diâmetro de 40mm.

A RAQUETE

1 - A raquete pode ser de qualquer tamanho, forma ou peso e constituída de madeira natural em 85% do material. 2 - O lado usado para bater na bola deve ser coberto com borracha com pinos para fora tendo uma espessura máxima de 2mm, ou por uma borracha "sanduíche" com pinos para fora ou para dentro, tendo uma espessura máxima de 4mm. 3 - O lado não usado para bater na bola deve ser manchado de cor diferente da borracha e só deve ser vermelho vivo ou preto. 4 - A raquete tem que ter duas cores diferentes, para ser usada, e essas cores só podem ser, preto e vermelho vivo. 5 - Não é permitido jogar com o lado de madeira.

A PARTIDA

1 - Constitui-se de sets de 11 (onze) pontos. Pode ser jogada em qualquer número de sets ímpares (um, três, cinco, sete, nove...). No caso de empate em 10 pontos, o vencedor será o que fizer 2 pontos consecutivos primeiro. 2 - O atleta que atua o 1º set num lado é obrigado a atuar no lado contrário no set seguinte. 3 - Na partida quando houver "negra" (1 a 1), (2 a 2) ou (3 a 3) , os atletas devem mudar de lado logo que o atleta consiga 05 pontos.

O SAQUE

1 - A bola deve ser lançada para cima (16cm no mínimo), da palma da mão livre na vertical e, na descida, deve ser batida de forma que ela toque primeiro no campo do sacador, passe sobre a rede sem tocá-la e toque no campo do recebedor. 2 - O saque deve ser dado atrás da linha de fundo ou numa extensão imaginária desta. 3 - Cada atleta tem direito a 2 (dois) saques, mudando sempre quando a soma dos pontos seja 2 (dois) ou seus múltiplos. Ex.: 2 a 2 = 4 = 6 a 6 = 12 4 - Com o placar 10-10, a seqüência de sacar e receber devem ser a mesma, mas cada atleta deve produzir somente um saque até o final do jogo. 5 - O direito de sacar ou receber primeiro ou escolher o lado deve ser decidido por sorteio (ficha de duas cores), sendo que o atleta que começou a sacar no 1º set começará recebendo no 2º set e assim sucessivamente. 6 - O sacador deverá sacar de forma que o adversário possa ver a bola desde que a bola sai da mão até ser batida com raquete.

UMA OBSTRUÇÃO (NÃO VALE PONTO)

A partida deve ser interrompida quando: 1 - O saque "queimar" a rede. 2 - O adversário não estiver preparado para receber o saque (e desde que não tenha tentado rebater a bola). 3 - Houver um erro na ordem do saque, recebimento ou lado. 4 - As condições de jogo forem perturbadas (barulho, etc).

UM PONTO

A não ser que a partida sofra obstrução (não vale ponto), um atleta perde um ponto quando: 1 - Errar o saque. 2 - Errar a resposta. 3 - Tocar na bola duas vezes consecutivas. 4 - A bola tocar em seu campo duas vezes consecutivas. 5 - Bater com o lado de madeira da raquete. 6 - Movimentar a mesa de jogo. 7 - Ele ou a raquete tocar a rede ou seus suportes. 8 - Sua mão livre (que não está segurando a raquete) tocar a superfície da mesa, durante a seqüência.

CORREÇÃO DA ORDEM DE SACAR, RECEBER OU LADO

Se um atleta der um ou mais saques além dos dois de direito, a ordem será restabelecida assim que for notado, tendo o adversário que completar o múltiplo de dois.

Se no último set possível, os atletas não trocarem de lado quando deveriam fazê-lo, deve trocar, imediatamente, assim que se perceba o erro. A contagem será aquela mesma de quando a seqüência foi interrompida. Em hipótese alguma haverá volta de pontos. Todos os pontos contados antes da descoberta do erro deverão ser confirmados.

JOGOS DE DUPLAS

Valem as mesmas regras, sendo que:

1 - O saque tem que ser feito do lado direito do sacador para o lado direito do recebedor. 2 - Cada atleta só pode bater uma só vez na bola. 3 - A ordem do saque é estabelecida no início do jogo e a seqüência será natural:

  • Atleta A saca para o X
  • Atleta X saca para o B
  • Atleta B saca para o Y
  • Atleta Y saca para o A que, saca para o X e assim, sucessivamente, cada atleta vai dando 2 saques.
  • No empate 10-10, cada um só dá 1 saque por vez.
  • Se a bola do saque tocar a rede (queimar), e cair no lado esquerdo do recebedor - além da linha central - o sacador deverá perder o ponto.

4 - Se a bola do saque tocar a rede (queimar), e cair no lado esquerdo do recebedor - além da linha central - o sacador deverá perder o ponto.

Ver também[editar | editar código-fonte]