Tiranossauro

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Como ler uma caixa taxonómicaTyranosaurus
Ocorrência: Cretáceo Superior, 67–66.5 Ma
Reconstrução de um esqueleto do espécime CM 9380 no Museu de História Natural Carnegie

Reconstrução de um esqueleto do espécime CM 9380 no Museu de História Natural Carnegie
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Sauropsida
Subclasse: Diapsida
(sem classif.) Archosauria
Superordem: Dinosauria
Ordem: Saurischia
Subordem: Theropoda
Infraordem: Tetanurae
Micro-ordem: Carnosauria
Superfamília: Tyrannosauroidea
Família: Tyrannosauridae
Subfamília: Tyrannosaurinae
Género: Tyranosaurus
Espécie: Tyranosaurus rex
Nome binomial
Tyranosaurus rex
Osborn, 1905
Sinónimos

Os Tiranossauros (do grego, "lagarto tirano") são um gênero de dinossauros terópodas coelurossauros que viveram durante o final do período cretáceo, há aproximadamente 65 milhões de anos atrás, em toda a região que hoje é a América do Norte. O único representante do gênero é Tyrannosaurus rex, que ganhou a alcunha nomenclatural de rex (rei, em latim), por ter sido considerado o maior dinossauro carnívoro por um longo tempo. Popularmente, pode ser referido como T-rex, apelido usado até mesmo entre a comunidade científica.

Assim como outros representantes da família Tyrannosauridae, o T-rex foi um carnívoro bípede com um crânio cilíndrico e uma grossa e musculosa cauda. Suas pernas eram longas e musculosas, mas seus braços eram extremamente curtos e finos, além desses animais também possuírem três dedos ao fim de cada perna e dois dedos nos braços. Em média, um T-rex em idade adulta atingia 5 metros de altura e 12,8 metros de comprimento do crânio ao fim da cauda, e com um peso que era de 8,4 toneladas, fazendo do T-rex um dos maiores predadores que já viveram na Terra. Estima-se também que suas musculosas pernas permitiam que o animal atingisse uma velocidade superior a quarenta quilômetros por hora em uma corrida livre. Hoje, há mais de trinta esqueletos de tiranossauros totalmente remontados, e é exatamente essa abundância de material fóssil disponível que permitiu que esses animais fossem profundamente estudados para se descobrir os principais aspectos de sua biomecânica, apesar de que sua fisiologia e seus hábitos diários ainda são frutos de debate até hoje.

Acredita-se que os tiranossauros viviam em grupos familiares, tais como os elefantes. O achado de um crânio de tiranossauro danificado comprova que deveriam ocorrer violentas batalhas por alimento e pelo direito de se acasalar entre os indivíduos dessa mesma espécie. Apesar de não ter sido o maior carnívoro bípede, pois era superado em tamanho por algumas outras espécies como o Espinossauro, Giganotossauro e o Carcharodontossauro, o T-rex foi o primeiro a ter um fóssil totalmente remontado, umas das razões que o levou a se tornar o mais famoso dos dinossauros, e sua reputação de grande predador o levou a ser representado como principal vilão em todas as mídias em que aparece, tornando-se símbolo de sua raça e uma referência no campo da caça pela alimentação.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Comparação de diferentes espécimes de tiranossaurídeos com um ser humano (o T-rex jovem em vermelho).

Os tiranossauros pertenciam à espécie dos dinossauros terópodas e, quando adultos, alcançavam 5 de altura e 12,8 metros de comprimento do crânio até o fim da cauda, com o peso estimado de 8,4 toneladas.[1] Esses animais possuíam um crânio resistente, com uma circunferência média de um metro, formado por vários filamentos de ossos interligados que eram conectados à coluna vertebral por um osso grosso e longo, característica incomum entre os terópodes, que geralmente possuíam ossos mais leves.[2] O pescoço também era grosso, musculoso e curto.[2]

O único representante confirmado dessa classe era o Tiranossauro Rex (conhecido também apenas por T-rex, apelido que também é usado pela comunidade científica), sendo também um dos maiores carnívoros de todos os tempos, com seu maior fóssil totalmente remontado, o "FMNH PR2081", apelidado de "Sue", medindo 12,8 metros de comprimento e 5 metros de altura, medidas que se tornaram parâmetro de comparação para outros espécimes.[3] Por muito tempo, o T-rex foi considerado o maior dos dinossauros carnívoros, mas apesar de ter superado espécies como Alossauro, que já foi considerado o maior, acabou-se posteriormente descobrindo que existiram carnívoros ainda maiores que ele, como o Espinossauro, Carcharodontossauro e o Giganotossauro, por exemplo.[4]

O pescoço de um T-rex tinha o formado de uma letra "S", que era curto e muito musculoso para suportar sua pesada cabeça;[2] as pernas do animal eram longas e musculosas e terminavam em uma pata com três dedos de garras grossas e pontiagudas, mas os braços eram extremamente curtos e finos, terminando em patas com dois dedos, de garras também pontiagudas, mas muito pequenas.[2] A cauda era longa, grossa e também musculosa, formada por mais de quarenta vértebras para balancear o peso do tronco, e mesmo com todo seu tamanho, muito dos ossos do animal eram ocos, tornando-o assim mais leve e lhe permitindo uma rápida mobilidade.[2] O maior T-rex já encontrado chamado de Sue, tem um crânio medindo 1,41 metros, que estima o tamanho do T-rex, e, no geral, o crânio desses animais possuía várias aberturas, diminuindo o peso e facilitando a respiração circular, além de ser amplo na parte traseira e de possuir um focinho curto, porém com narinas grandes, o que lhe dava uma ótima visão binocular.[5] A extremidade da maxila superior tinha forma da letra "U", diferente dos demais terópodes, que possuíam a maxila superior em forma de um "V", mas essa particularidade permitia que o T-rex tivesse uma mordida de impacto bem maior.[6]

A arcada dentária dos tiranossauros era heterodonte, ou seja, possuía dentes de vários formatos e tamanhos diferentes, mas em média, os dentes de um T-rex podiam medir até 30 centímetros, o que seria quase o tamanho de uma banana, e eram constantemente substituídos durante seu período de vida.[7] Os dentes superiores, presos ao maxilar, eram circulares, em forma da letra "D", reforçados diretamente pelo osso do crânio, sendo extremamente pontiagudos e curvados para trás.[7] Os dentes inferiores tinham esse mesmo aspecto e formato, mas eram mais distanciados entre si, permitindo que os dentes inferiores e superiores se encaixassem, ocasionando uma mordida mais forte, única entre os dinossauros carnívoros.[8]

História científica[editar | editar código-fonte]

Descobrimento e nomenclatura[editar | editar código-fonte]

A primeira ilustração de um tiranossauro rex comparado a um homem, publicada em 1905, na época chamado de Dynamosaurus imperiosus.

O descobrimento de quase todos os fósseis de tiranossauros está restrito à América do Norte; o primeiro achado referente a esta espécie aconteceu em 1874, quando foram encontrados, na cidade americana de Golden, dentes que, mais tarde, descobriu-se terem pertencido a um T-rex adulto.[9] Em 1890, o pesquisador J. B. Hatcher coletou pedaços do crânio de um T-rex adulto no estado de Wyoming, mas a princípio acreditou que os ossos pertenciam a um Ornitomimo.[2] Em 1892, o paleontólogo Edward Drinker Cope achou uma vértebra incompleta pertencente a uma espécie até então não documentada, e chamou essa nova espécie de Manospondylus gigas.[2] Barnum Brown, funcionário do Museu Americano de História Natural, encontrou diferentes partes de um tiranossauro em 1900 também no Wyoming, mas então pensando ser outra nova espécie, o pesquisador o chamou de Dynamosaurus imperiosus.[2]

Com o passar dos anos, as evidências mostraram que essas duas novas espécies encontradas eram iguais segundo a teoria de Henry Fairfield Osborn, que em 1915 remontou o primeiro fóssil do animal que ele chamou de Tiranossauro, o exibindo em público em 1917, mas devido as más condições do fóssil Manospondylus, não houve como provar totalmente que eles pertenciam a mesma raça.[10] Osborn também criou o termo "tiranossauro rex" para denominar um novo fóssil que ele mesmo tinha descoberto em suas escavações, e ao exibir publicamente as semelhanças entre seu fóssil e os outros dois antes descobertos, provou sua teoria de que os três pertenciam a mesma espécie, e nome tiranossauro foi definitivamente adotado, com o nome tiranossauro rex (ou simplesmente T-rex) sendo escolhido para identificar o único representante confirmado dessa espécie, seguindo a proposta de Osborn.[10]

O tópico sobre a nomenclatura dessa raça voltou a ser debatido décadas mais tarde, quando, em 2001, o Instituto Black Hills desencavou vários ossos diferentes no território do estado americano de Dakota do Sul, e os pesquisadores originalmente pensaram que se tratavam de duas espécimes diferentes, e publicaram que uma delas tinha as características do Manospondylus de Edward Cope, e que isso poderia ser a prova de que essa era, de fato, uma nova raça independente dos tiranossauros.[11] No entanto, estudos posteriores provaram que todos os ossos pertenciam a um só animal, mas mesmo assim o debate sobre a nomenclatura oficial prosseguiu, pois os funcionários do Black Hills insistiam que segundo as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN), o termo Manospondylus deveria ter preferência por ter sido criado antes, mas após a quarta conferência da ICZN, realizada em 1 de janeiro de 2001, ficou decidido que não deveria haver alteração alguma na nomenclatura, pois o termo Manospondylus não havia sido usado em nenhum tipo de trabalho ou pesquisa posterior a 1899, por isso o termo tiranossauro continuou sendo a designação da espécie, sendo também recusadas as propostas dos nomes Stygivenator e Dinotyrannus como nomes não oficiais.[12]

Estudos e descobertas entre 1940 e 1990[editar | editar código-fonte]

Entre 1920 e 1940, dezenas de esqueletos de tiranossauros foram descobertos e remontados, e em 1942, no estado americano de Montana, foram descobertos restos de um animal chamado de Nanotyrannus, envolvido em um longo debate sobre sua espécie, pois enquanto alguns pesquisadores afirmam que ele se trata de um nova espécie de tiranossauro, a maior parte da comunidade científica afirma que os poucos fósseis desses serem se tratavam apenas de um T-rex de pouca idade, assim, não seria outra nova espécie.[2]

Após essa fase fértil de descobertas, fósseis de tiranossauros tornaram-se raros, mas após o surgimento de técnicas de escavações mais eficientes, vários outros esqueletos foram encontrados e remontados. O primeiro T-rex reconstruído após 1980 foi apelidado de "Stan" em homenagem ao paleontólogo Stan Sacrison e foi encontrado perto da cidade americana de Buffalo, no estado de Dakota do Sul, após mais de trinta mil horas de escavação em 1987.[13] Stan (cujo código científico é BHI 3033) está atualmente em exibição no Museu Black Hills de História Natural, onde foi colocado após uma grande turnê mundial, sendo que apenas cerca de sessenta e cinco por cento do corpo foi achado.[13]

O T-rex Sue, em exposição no Museu Field de História Natural.

Em 12 de agosto de 1990, Sue Hendrickson descobriu um novo fóssil na cidade de Faith, também na Dakota do Sul, e este foi apelidado de "Sue" (código FMNH PR2081) em homenagem a sua descobridora, sendo hoje o maior fóssil de T-rex encontrado e remontado, com mais de noventa por cento do corpo recuperado.[14] Sue acabou sendo alvo de uma batalha judicial sobre quem era o dono dos restos, e os tribunais decidiram em favor de Maurice Williams, dono da Formação de Hell Creek, território onde os ossos foram encontrados, e Williams, posteriormente, vendeu o fóssil por sete milhões e seiscentos mil dólares para o Museu Field de História Natural, onde ele está em exibição atualmente.[14] Os estudos feitos nos ossos indicaram que Sue atingiu seu maior tamanho aos dezenove anos de idade e morreu nove anos depois.[14]

A primeira teoria foi a de que Sue teria morrido vítima de um mordida na parte superior da cabeça, provavelmente ocorrida durante uma batalha com outro T-rex, mas essa hipótese nunca pôde ser confirmada.[15] Mais tarde surgiu a hipótese de que Sue morreu vítima de uma infecção parasitária contraída após a ingestão de carne podre, assim sua garganta inflamou e o animal não pôde mais se alimentar;[15] essa hipótese é sustentada pelos traços de vermes fossilizados encontrados nos ossos do pescoço, os mesmos traços encontrados em animais que morrem vítimas da mesma infecção hoje em dia.[15] Além de Sue, outros dois pequenos fósseis de T-rex foram encontrados no mesmo local, mas o estado dos ossos era péssimo e eles não puderam ser remontados.[14]

Descobertas nos anos 2000[editar | editar código-fonte]

O t-rex apelidado de Stan, em exposição no Museu Black Hills.

No verão de 2000, o pesquisador Jack Horner encontrou cinco fósseis de tiranossauros na Reserva Fort Peck, no estado americano de Montana, e acreditou-se que o maior deles, apelidado de "C-rex", poderia ser maior do que o fóssil Sue, mas descobriu-se que o C-rex era, na verdade, dez por cento menor que Sue.[13] Em 2001, cinquenta por cento dos ossos do fóssil de um T-rex foram encontrados em Montana por um grupo de pesquisadores do Museu Burpee de História Natural da cidade americana de Rockford, e a princípio acreditou-se que poderia ser um possível Nanotyrannus, mas descobriu-se posteriormente que esse exemplar também era apenas outro jovem T-rex. Esse espécime, apelidado de "Jane", está atualmente em exibição no Museu Burpee de Rockford.[13]

Em março de 2005, através da revista Science, a pesquisadora Mary Higby Schweitzer e seus assistentes, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, anunciaram que haviam recuperado uma espécie de tecido mole extraído do tutano da pata de um fóssil de T-rex que havia vivido a cerca de sessenta e sete milhões de anos,[16] e o espécime recebeu o código MOR 1125; além do tecido, também conseguiu-se extrair material pertencentes aos vasos sanguíneos. Os pesquisadores foram cuidadosos afirmando que não conheciam o processo de fossilização pela qual o material fora conservado, e também divulgaram que não havia modo de ter certeza de que ele pertencia de fato àquele T-rex, já que o material era semelhante ao DNA de avestruzes atuais.[16] A falta de células em boas condições tornaram impossível o preciso reconhecimento da espécie a qual pertencia aquele material, mas hoje é consenso entre a comunidade científica que a amostra não poderia pertencer ao T-rex devido a diferença nas marcas de decomposição do material e dos ossos, indicando que suas idades seriam totalmente diferentes, e mesmo que a amostra pertencesse de fato a um T-rex ela não teria nenhuma utilidade devido a seu péssimo estado de conservação.[17]

Em 7 de abril de 2006, pesquisadores da Universidade Estadual de Montana divulgaram que haviam remontado um crânio de T-rex encontrado em 1960 que tinha cerca de um metro e cinquenta centímetros de circunferência (alguns centímetros maior que o crânio de Sue), e que esse crânio também continha uma pequena quantidade de material celular fossilizado semelhante àquele documentado por Mary Higby Schweitzer, mas que o mal estado de conservação tornava impossível a especificação do animal dono do tutano em questão.[18] Hoje em dia, há mais de trinta espécimes de tiranossauros documentados, quase todos sendo fósseis remontados em ótimas condições de conservamento.[18]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Ilustração de um T-bataar, considerado como única diferente espécie de tiranossauro além do T-rex.

Os tiranossauros são classificados como membros da superfamília Tyrannosauroidea e da família Tyrannosauridae, considerados parentes de outras espécies como os Daspletossauros, da América do Norte.[19] Por muito tempo, os tiranossauros foram vistos como descendentes de grandes terópodas como o Megalossauro, mas hoje em dia são tradicionalmente aceitos como parte do clado dos coelurosaurias.[20]

Em 1955, o paleontólogo Evgeny Maleev encontrou um fóssil na Mongólia que ele considerou um nova espécie de tiranossauro, diferente do T-rex, e batizou essa nova espécie de Tyrannosaurus bataar (T-bataar).[21] Há um grande debate sobre a possibilidade do T-bataar ser, ou não, uma nova espécie de tiranossauro que divide opiniões entre a comunidade científica.[21] O pesquisador Tom Holtz divulgou diversos trabalhos apontando diferenças entre fósseis do T-rex e do T-bataar que seriam provas de que realmente se tratam de espécies diferentes, principalmente devido ao crânio do T-bataar, que se revelou mais estreito e com um disposição de dentes distinta, mais semelhante ao Alioramus, outro terópoda asiático.[20] O debate continua sem consenso até hoje, embora a teoria de que T-bataar e o T-rex sejam espécies diferentes tenha ganhado mais adeptos nos últimos anos.[21]

Outros fósseis de terópodas encontrados no mesmo território onde um ou mais T-rex foram encontrados continuam sendo propostos como novas espécies de tiranossauros, como o Aublysodon e o Albertosaurus megagracilis, mas, assim como os Nanotyrannus, esses fósseis são tradicionalmente aceitos como exemplares jovens de T-rex.[7] O debate sobre a classificação do Nanotyrannus como sendo um T-rex também continua, pois alguns pesquisadores apontam pequenas diferenças entre os dois, defendendo que o Nanotyrannus deva ser classificado como uma espécie separada, mas a comunidade científica atual considera que as evidências hoje disponíveis são insuficientes para um total consenso.[7]

Um grande número de espécie propostas como novas raças de tiranossauros já apareceram, todas invalidadas e classificadas apenas como T-rex ou possíveis T-bataar: A lista é a seguinte:[7]

  • T. amplus (Marsh, 1892) originalmente chamada de Aublysodon, hoje parte da família do Aublysodon amplus.
  • T. imperiosus (Osborn, 1905), originalmente Dynamosaurus, hoje aceito como um T-rex.
  • T. lancensis (Gilmore, 1946), originalmente Gorgosaurus, hoje aceito como um possível T-rex.
  • T. bataar (Maleev, 1955) possível espécie independente do T-rex, agora também chamado de Tarbosaurus bataar.
  • T. efremovi (Maleev, 1955), hoje também aceita como possível T-bataar.
  • T. lancinator (Maleev, 1955), originalmente Gorgosaurus, hoje também aceito como um possível T-bataar.
  • T. novojilovi (Maleev, 1955), originalmente Gorgosaurus, hoje visto como um possivel T-bataar.
  • T. torosus (D. A. Russell, 1970), originalmente Daspletosaurus, hoje considerado parte da família dos Daspletossauros.
  • T. lanpingensis (Yeh, 1975), hoje também aceito como um possível T-bataar.
  • T. turpanensis (Zhai, Zheng & Tong, 1978), hoje visto como um possível T-bataar.
  • T. luanchuanensis (Dong, 1979), hoje aceito como membro da família do Tarbosaurus luanchuanensis.
  • T. megagracilis (Paul, 1988), originalmente Albertosaurus, hoje visto como um possível T-rex.
  • T. gigantus (1990), hoje aceita como um T-rex.
  • T. stanwinstonorum (Pickering, 1995), hoje aceito como um T-rex.

Biologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

Habitat natural[editar | editar código-fonte]

Os tiranossauros viviam predominantemente em todo o território que hoje é a América do Norte, com fósseis tendo sido encontrados desde o estado de Alberta, no Canadá, até o estado de Coahuila, no México.[22] Esses animais viveram no final do período cretáceo, a cerca de sessenta e cinco milhões de anos atrás, pouco antes da extinção em massa de todos os dinossauros.[22] Normalmente, o T-rex fazia seu ninho em planícies aluviais ou no meio de bosques subtropicais, em territórios repletos de rios e lagos e com abundância de vegetações como cicadáceas e samambaias, também cercado por muitas árvores como coníferas e figueiras, provavelmente devido ao formato dessas árvores, que escondiam o ninho e protegiam os filhotes de outros predadores na ausência dos pais.[22]

Na época do T-rex, a América do Norte apresentava um paisagem muito semelhante à de hoje, com exemplares de tartarugas, crocodilos e sapos muito semelhantes aos atuais; as samambaias e os pinheiros eram as plantas e árvores dominantes, e as ervas, apesar de já existirem, ainda não haviam se proliferado como hoje.[22] Um T-rex, provavelmente, vivia em diferentes habitats devido a sua também provável grande capacidade de adaptação, apesar de que ele devia preferir locais úmidos e fechados. Estimasse que os tiranossauros também vivessem em um território cheio de outros dinossauros, principalmente os alados pterossauros, além de dromeossauros e carnotauros.[22] Também haviam manadas de tricerátopos vagando pela terra, e os cientistas acreditam que os tricerátopos eram os únicos animais com quem um T-rex evitava confrontos, pois se fosse derrubado por esses quadrúpedes, que podiam lhe atacar por baixo, ele teria dificuldades para se levantar e ficaria vulnerável, apesar de que o T-rex também poderia vencer uma luta facilmente se mordesse o tricerátopo no pescoço, onde eles eram sensíveis.[22]

Recentemente, foram feitas novas descobertas que indicam que o T-rex pode ter habitado outras partes do mundo. Em 2010, foi anunciada a descoberta parcial de um fóssil de T-rex em um sítio arqueológico na cidade de Victoria, na Austrália, onde foram achados ossos de um quadril que, segundo o pesquisador Roger Benson, da Universidade de Cambridge, com certeza pertencia a um T-rex já que esses animais possuíam uma estrutura corporal de fácil reconhecimento.[23] Os ossos encontrados pertenceram a um tiranossauro jovem, de três metros de comprimento e um peso de oitenta quilos, que recebeu o código "NMV P186069", e essa descoberta mostrou pela primeira vez que alguns exemplares de tiranossauros tinham, de fato, vivido no hemisfério sul, e pode indicar que eles teriam sido animais que viveram em todas as partes do planeta.[23]

Esse fóssil viveu a cerca de cento e cinco milhões de anos, sendo uma das primeiras espécimes de T-rex que, como dito acima, atingiram seu pico evolutivo no final do período cretáceo pouco antes da extinção em massa dos dinossauros.[24] Nessa época, os continentes do sul (Oceania, África, Antártica, e os blocos do sul da América e Ásia) ainda estavam levemente ligados uns aos outros por finos filamentos de terra, o que indica aos pesquisadores uma possibilidade de que outros fósseis possam ser descobertos nesses locais em um futuro próximo, pois também foi encontrado um fóssil classificado como um T-bataar no Deserto de Gobi, na região pertencente à Mongólia, que inclusive foi alvo de uma grande batalha judicial após ser ilegalmente retirado da Mongólia e leiloado no Reino Unido, um processo ainda sem data para o julgamento final.[25]

Postura e locomoção[editar | editar código-fonte]

Antiga concepção da postura do T-rex.

Assim como a maioria dos dinossauros bípedes, o T-rex foi originalmente descrito como tendo um corpo semelhante a um tripé, com uma postura quase que totalmente ereta e com a cauda sendo arrastada no chão, semelhante a um canguru.[2] Essa descrição para os bípedes data de 1865, quando Joseph Leidy remontou um fóssil de um Hadrossauro, o primeiro dinossauro bípede totalmente remontado. Henry Fairfield Osborn acreditava que um T-rex podia se colocar totalmente em pé, hipótese reforçada depois dele remontar o primeiro fóssil em 1915.[2] A teoria da posição ereta se manteve como verdadeira por décadas, apenas nos anos 70 os cientistas começaram a duvidar que essa teoria era verdadeira, pois estudos indicavam que se o T-rex se mantivesse em posição ereta, poderia sofrer várias lesões na coluna e no pescoço.[2] Essa postura errada continuou a ser mostrada para o público em geral, principalmente por pinturas como a famosa "A Era dos Répteis", de Rudolph Zallinger, e foi apenar a partir dos anos 90, através de filmes como o popular Jurassic Park, que o T-rex começou a ser mostrado em sua posição verdadeira, mais inclinado na vertical para que a cauda contrabalanceasse o peso da cabeça e do pescoço junto ao tronco.[26]

Assim como na maioria dos terópodas, as duas pernas do T-rex eram providas de um tecido acolchoado que funcionava como uma espécie de mola.[26] Os ossos longos dos membros inferiores eram unidos para aumentar a força dos passos e aumentar a velocidade.[26] Ainda existe muita discussão sobre a velocidade que um T-rex atingia em corrida livre, com alguns especialistas afirmando que eles seriam lentos, atingindo apenas pouco mais de dezoite quilômetros por hora, mas a maioria afirma que eles seriam bem mais velozes, chegando até a setenta e dois quilômetros por hora, pois um T-rex tinha as patas compridas, semelhante aos Estrutiomimos, indicando grande rapidez.[26] Estudos recentes mais aprofundados indicaram que um T-rex adulto andava quatro metros por cada passo e podia alcançar cerca de quarenta quilômetros por hora.[26]

Uma queda podia ser muito perigosa para um T-rex, pois os curtos braços impossibilitavam uma recuperação rápida, deixando seu pescoço e sua cabeça vulneráveis ao ataque de outros caçadores.[22] Pesquisadores estimam que se um T-rex de seis toneladas estivesse correndo a mais de setenta quilômetros por hora e tropeçasse, o animal levaria um tombo violento e seu crânio bateria no chão com tanta força que causaria grandes lesões, levando os ossos a perfurar o cérebro, causando morte instantânea.[22]

Membros superiores[editar | editar código-fonte]

Um braço fossilizado de um T-Rex.

Quando o primeiro T-rex foi descoberto, não foram achados seus membros superiores, e para completar o primeiro esqueleto que ele exibiu em público, Henry Fairfield Osborn usou os braços de um Hadrossauro.[9] Em 1914, Lawrence Lambe descobriu o primeiro braço de T-rex, mas originalmente o atribuiu a um Gorgossauro, e ele só foi corretamente identificado nos anos 80, quando se confirmou a teoria de que o T-rex teria só dois dedos, e não três, quando o espécime MOR 555, apelidado de "Wankel Rex", foi remontado, e posteriormente o fóssil de Sue também foi achado com braços completos.[27]

Os braços dos tiranossauros eram muito pequenos comparados com o resto do corpo, medindo apenas cerca de um metro, no entanto eles não eram estruturas vestigiais pois possuíam grandes áreas de músculo, indicando uma força considerável. Isto foi observado em 1906 por Osborn, que pensou que os braços podiam ajudar o macho a agarrar a fêmea durante a cópula;[27] esta hipótese é apoiada pela análise biomecânica que revela que os braços do tiranossauro tinham ossos espessos propícios ao levantamento de grandes pesos, pois estima-se que machos adultos conseguissem levantar cerca de duzentos quilos com um só braço.[27]

A teoria mais recente e mais aceita mostra que os braços curtos do T-Rex eram, na verdade, ferramentas importantes que o ajudavam a atingir grandes velocidades durante a caça, pois, com os braços curtos, parte do peso do corpo estaria centrada em suas gigantescas mandíbulas, balanceando-as com a robustez de sua parte traseira.[22] Mesmo com a vantagem de auxiliar no alcance de grandes velocidades, os braços curtos do T-rex causavam problemas quando ele caia, pois dificultavam a recuperação e também não ajudavam na hora de um combate corporal.[22]

Dimorfismo sexual e reprodução[editar | editar código-fonte]

Com o grande número de espécimes disponíveis, os cientistas tiveram a chance de analisar profundamente e fazer descobertas precisas sobre a sexualidade dos tiranossauros, e verificou-se que haviam fósseis robustos e outros mais delicados, concluindo-se que o T-rex possuía dimorfismo sexual.[28] Várias diferenças morfológicas indicam que os tiranossauros mais robustos eram fêmeas, pois a pélvis dos espécimens robustos mostra-se mais larga, tendo um chevron reduzido provavelmente para permitir a passagem dos ovos, tal como acontece nos crocodilos.

Apenas um exemplar encontrado de tiranossauro foi comprovadamente encaixado dentre de um gênero específico; um exame realizado no espécime apelidado de "B-rex" demonstrou a existência de tecido celular preservado dentro de alguns ossos, e parte desse tecido era muito semelhante ao tecido encontrado na maioria das aves modernas, sendo fonte de cálcio para a produção da casca dos ovos para gerar filhotes.[29] Como dinossauros eram ovíparos e só as fêmeas botavam ovos, isso mostrou que o B-rex era, de fato, fêmea, e o compartilhamento desse tecido pelos dinossauros e pelas aves é mais uma prova da ligação evolutiva entre essas duas espécies.[29]

Por muitos anos, acreditou-se que, após nascerem, os filhotes de tiranossauros eram abandonados pelos pais, que eram seres que viviam em solidão, mas descobertas recentes apontaram que muitos grandes carnívoros, dentre eles o T-rex, apresentavam um comportamento mais sociável, movimentando-se em manadas em um comportamento chamado de gregarismo, uma estratégia protetora observada em diversos grupos de animais que se agrupam em bandos mais ou menos estruturados, permanentes ou temporários, visando a proteção dos indivíduos que a compõem, principalmente das crias.[30] Essa teoria ganhou força em 2006 quando sete fósseis de dinossauros, batizados de Mapussauros, foram achados na Argentina, demonstrando pela primeira vez que nem todos os carnívoros viviam isolados.[31]

Rodolfo Coria, o responsável pela expedição em questão, explicou que nunca haviam sido encontradas evidências de gregarismo em carnívoros de maior porte, e que isso poderia ocorrer principalmente para que eles pudessem abater e devorar juntos animais maiores e, principalmente, para protegerem suas crias de outros predadores.[31] Também foi próxima a essa região que foram descobertos os primeiros fósseis do Argentinossauro, considerado por muitos especialistas como o maior dinossauro de todos os tempos com mais de vinte e um metros de altura, o que, segundo Coria, reforça a teoria do gregarismo em carnívoros que se uniriam para abater esses grandes animais e assim ter alimento por um longo tempo.[31]

Crescimento e expectativa de vida[editar | editar código-fonte]

Um gráfico mostrando a hipótese de curva de crescimento, massa corporal contra a idade, de quatro tiranossaurideos. O T-rex está representado em preto.

A identificação de vários fósseis de tiranossauros jovens permitiram aos cientistas estudarem profundamente o nível de crescimento desses animais, incluindo velocidade de desenvolvimento e a média de idade em que atingiam sua altura máxima. O menor exemplar de T-rex já encontrado foi apelidado de "Jordan" e pesava só trinta quilos, enquanto que Sue, com mais de cinco toneladas; os estudos mostraram que Jordan tinha dois anos quando morreu e Sue tinha cerca de vinte e oito, uma idade considerada avançada para a espécie.[32]

O T-rex crescia anormalmente rápido, principalmente quando chegava à puberdade, o que acontecia em torno dos quatorze anos, e entre essa idade e os dezoito anos, quando atingia a maturidade da espécie, o padrão de crescimento acelerava e o animal atingia cerca de quatro metros de altura para cerca de doze metros de comprimento do início da cabeça até o fim da cauda, com o peso variado entre seis e dez toneladas.[2] Mais da metade dos tiranossauros encontrados até hoje morreram cerca de seis anos antes de atingirem a maturidade sexual, um padrão que também é encontrado em muitos outros tiranossaurideos, pois nessa época os T-rex se envolviam em violentas lutas contra membros de sua espécie pelo direito de acasalar com a fêmea do bando, comportamento observado em quase todos os grandes mamíferos e aves de hoje em dia.[32]

Os cientistas também estudam o ciclo de vida do T-rex observando os elefantes atuais, sendo que esses animais facilmente superam os setenta anos, diferente do T-rex que quase nunca passava dos trinta.[32] Os pesquisadores Greg Erickson e Peter Makovicky, da Universidade de Tallahassee, publicaram um premiado artigo na qual apontavam que o T-rex "crescia rápido e morria jovem", afirmação baseada no estudo de mais de sessenta ossos de vintes espécimes diferentes, e também comparavam o crescimento do T-rex com uma árvore, dizendo que "o tronco era forte e crescia depressa, mas depois de grande, não durava intacto por muito tempo".[32]

Possibilidade de penas e sangue quente[editar | editar código-fonte]

Representação de um jovem T-rex coberto de penas.

Em 2004, foi proposta a teoria de que os tiranossauros poderiam ser animais providos de penas, teoria formulada após cientistas acharem vestígios de penas em estado primitivo em alguns tiranossaurídeos como o Dilong e o Archaeopteryx.[33] Todavia, essa teoria foi recebida com descrença pela maior parte da comunidade científica, pois tanto na Mongólia quanto no Canadá foram achados vestígios epiteliais de outros tiranossaurídeos apresentando abundância de escamas, típico dos dinossauros.[33] Além disso, para um animal de mais de seis toneladas, ser plumado iria contra as leis da física por gerar uma impossibilidade de perder calor; quando se locomovesse, o calor gerado não seria perdido, seria armazenado nas penas e retransmitido para o corpo, assim matando-o rapidamente.[34] Mesmo assim, alguns pesquisadores insistem em afirmar que o T-rex poderia sim ter carregado uma leve camada de plumagem nas primeiras semanas de vida que seria perdida com o tempo, mas nunca foi apresentada nenhuma prova para essa afirmação.[34]

Os tiranossauros, assim como todos os dinossauros, foram considerados como animais de sangue frio (Ectotérmicos) por muito tempo, mas essa afirmação começou a ser questionada a partir dos anos 60 por Robert T. Bakker e John Ostrom, que publicaram artigos afirmando que o T-rex e a maioria dos outros dinossauros terrestres eram, na verdade, animais de sangue quente (Endotérmicos) devido a seu estilo de vida ativo, com caçadas e batalhas, afirmando que um animal de sangue frio não teria energia suficiente para uma vida predatorial.[35] Desde de então, a maior parte da comunidade científica passou a considerar a ideia do T-rex poder regular sua temperatura corporal, ganhando ou perdendo calor de acordo com o ambiente em que estava, baseados também nas comparações entre o T-rex e as aves modernas, suas descendentes diretas.[36]

Os traços de isótopos de oxigêneo encontrados em ossos fossilizados também ajudaram a fundamentar a teoria de endotermia, já que a quantidade de isótopos está diretamente relacionada a temperatura corporal.[36] Amostras de um fóssil demonstraram uma diferença de entre quatro ou cinco graus entre a temperatura das vértebras da coluna e a tíbia de uma perna, indicando que o T-rex mantinha uma temperatura constante em seu corpo com um metabolismo semelhante a uma mistura da ectotermia dos répteis e a endotermia dos mamíferos, semelhante as tartarugas-marinhas modernas, numa descoberta de Reese Barrick e William Showers.[36]

Alimentação e estratégias de caça[editar | editar código-fonte]

Os dentes do T-rex vistos de perto, para muitos cientístas o formato é uma prova de seus hábitos predatoriais.
Representação de um tiranossauro perseguindo um anatotitan.

Assim que os tiranossauros foram descobertos iniciou-se um grande debate sobre seus hábitos alimentares, pois enquanto a maior parte da comunidade científica descreve o T-rex como um hábil caçador, alguns pesquisadores afirmam que esses animais, na verdade, seriam seres puramente detritívoros, que simplesmente se alimentavam de carcaças ao invés de abater animais vivos.

Em 1917, Sirius Lambe usou as semelhanças entre o T-rex e o Gorgossauro para descrevê-lo como um animal unicamente necrófago, observando o pouco desgaste nos dentes de seu espécime, mas essa afirmação nunca foi considerada uma prova, pois já é certo o fato dos terópodas substituírem seus dentes continuamente durante a vida.[37] O pesquisador Jack Horner foi outro grande defensor da teoria de que o T-rex seria apenas necrófago, sem realizar caça ativa, defendendo sua tese apoiado nos seguintes argumentos:

  • O tamanho curtíssimo dos braços comparados a outros predadores.
  • As cavidades olfativas do T-rex eram extremamente grandes, segundo Horner uma melhoria evolutiva que lhe permitia sentir o odor de cadáveres a grandes distâncias, semelhantes aos abutres atuais.
  • Os dentes afiados do T-rex, que trituravam ossos com facilidade, seriam mais úteis para devorar uma carcaça do que para caçar um animal vivo.
  • A velocidade máxima do T-rex, que não passaria dos quarenta quilômetros por hora, o colocaria abaixo da média comparado a velocidade de outros caçadores.[37]

Mesmo assim, a maior parte da comunidade científica continua descrevendo o T-rex como predador, explicando que os fatores negativos apontados por Horner não seriam um empecilho para uma caçada e que o formato do crânio e das musculosas pernas não deixam dúvidas sobre seus hábitos predatoriais.[38] Muitas provas sobre tiranossauros em caça ativa foram encontradas em fósseis de outras espécies, como um Edmontossauro que tinha marcas de mordida de um T-rex em suas vértebras, sendo isso sua causa mortis, mostrando que o T-rex o havia predado.[38] Também foram achados indícios no fóssil de um Tricerátopo de uma batalha entre ele e um T-rex, pois o tricerátopo possuía marcas características de mordida na parte frontal de seu crânio.[38] Também há muitos indícios de que era comum para os tiranossauros brigarem entre si, pois Sue tinha muitas marcas de mandíbulas em sua cauda,[39] e esse fato reforça a teoria de que o T-rex também era canibal, ou seja, que ele consumia carne de sua própria espécie.[40]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Desde que foi o primeiro dinossauro comprovadamente carnívoro a ter um fóssil totalmente remontado, o tiranossauro tornou-se o mais famoso dos dinossauros, conhecido até mesmo pelos mais leigos em relação ao assunto, e é exatamente sua fama de grande caçador que o levou a ser retratado como principal antagonista em todas as mídias em que aparece.

Um T-rex solto na cidade americana de San Diego no filme The Lost World: Jurassic Park.

Sua primeira aparição de destaque foi em 1925 já como vilão no filme The Lost World, na qual um grupo de exploradores encontram uma colônia de dinossauros ainda vivos na Floresta Amazônica, e a expedição acaba sofrendo várias baixas devido aos ataques de predadores, principalmente do T-rex;[41] é também nesse filme que ocorre a famosa cena de uma luta entre o T-rex e o Triceratopo, e apesar de ter sido derrotado, o Triceratops ficou marcado para sempre como principal inimigo do T-rex.[41] Pouco tempo depois, em 1933, o T-rex volta a ser o vilão em King Kong, onde aparece em uma batalha contra o gigantesco gorila protagonista, estando também na regravação de 2005 (sendo que nessa nova versão, são três tiranossauros ao invés de um que enfrentam o grande gorila),[42] [43] sendo que todos esse filmes mostram o T-rex em sua postura ereta incorreta, pois era tida como verdadeira no século passado.[13]

A aparição mais célebre do T-rex ocorre na saga Jurassic Park, de Steven Spielberg, que foi também a primeira mídia a mostrá-lo em sua postura inclinada correta.[13] No primeiro filme, apesar de ser mostrado como grande vilão durante todo o tempo, o T-rex acaba tendo um papel de herói no final, pois salva as pessoas sobreviventes do ataque de dois Velociraptores.

Em Jurassic Park, o tiranossauro mostrado era uma fêmea, assim como os demais dinossauros do parque. A fêmea no filme (apelidada Rexy) é supostamente a maior Tyrannosaurus visto na série, com 12,8 metros de comprimento, 4,9 m de altura e de cor marrom-canela.

John Hammond revela que o parque tem um T-rex ,logo após os visitantes chegam na ilha. Ellie ficou chocada ao ouvir sobre o T-rex . Dr. Grant quase desmaiou. Mas quando os visitantes chegaram ao recinto do Tiranossauro, o T-rex não aparece; mesmo quando tentam atraí-lo com uma isca (uma cabra).

À noite, devido á o desligamento da força de todo o parque, os veículos de turismo ficam presos bem perto do recinto do T-rex. Pelo fato do parque estar sem energia, o T-rex consegue escapar derrubando as cercas elétricas que estavam desativadas. Depois de ser atraído pela lanterna acesa no carro da frente, ele atacou o carro onde estavam as crianças. Matou Gennaro e feriu Dr. Malcolm. Depois de não conseguir identificar Grant e as crianças, o T-rex tentou expulsá-los, empurrando o carro da frente na estrada para fora de uma ladeira íngreme.

Mais tarde, quando Ellie, Muldoon e Malcolm chegaram em um jipe à procura de Dr. Grant e as crianças, o T-rex retornou e atacou o jipe e perseguindo-os para fora da vizinhança mas desistiu, acabando com a perseguição.

Como o Dr. Grant e as crianças estavam fazendo o seu caminho através do parque, eles quase foram pisoteados por debandada Gallimimus , que estavam fugindo do T-Rex. Rexy veio rapidamente para fora da floresta e matou um dos Gallimimus.

Sua última aparição foi como a herói improvável. No Centro de Visitantes, os sobreviventes foram encurralados por dois Velociraptores(que também haviam escapado)que estavam prestes a atacar. Rexy surge no Centro de Visitantes e agarra e mata um dos raptores que ia avançar sobre os sobreviventes. O outro raptor ataca Rexy, mas Rexy consegue mata-la sem muita dificuldade atirando-a contra o fóssil que estava em exposição. Depois de ter acabado com as dois dinos. Rexy solta um possante rugido. ;[44] No segundo filme, o T-rex aparece em destaque novamente, sendo sedado e levado para a cidade americana de San Diego junto com um filhote, mas durante a viagem de navio ele acorda e quando o navio atraca no porto ele foge e causa uma grande destruição na cidade, até que ele é atraído de volta ao navio com o filhote sendo usado como isca, e ambos são enviados de volta à ilha de onde foram retirados.[45]

O terceiro e último filme da franquia, Jurassic Park III, dá mais atenção a outras espécies, e o T-rex aparece brevemente em uma cena de luta contra um Espinossauro, onde acaba sendo derrotado. Mas na vida real uma batalha entre eles não poderia ter acontecido pois eles viveram em lugares e em épocas diferentes, separados por milhões de anos.[46]

Referências

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