TV Colosso

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TV Colosso
Logotipo do programa
Informação geral
Formato Programa de variedades
Gênero Infantil
Duração 240 minutos
Criador(es) Luiz Ferré
J.B. de Oliveira
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Elenco Quiá Rodrigues
Cacá Sena
Henrique Serrano
Magda Crudelli
Lista de elenco
Tema de abertura “Eu Não Largo O Osso”, Paquitas
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Transmissão original 19 de abril de 19933 de janeiro de 1997

TV Colosso foi um programa infantil de televisão, que substituiu o Xou da Xuxa, exibido em 19 de abril de 1993 até 3 de janeiro de 1997 na Rede Globo de Televisão. O programa foi criado e dirigido por Luiz Ferré, Roberto Dornelles e Boninho, que se utilizaram de bonecos caracterizados como cães, simulando todas as instâncias de uma emissora de TV; do presidente ao office-boy. Havia a protagonista Sheep Dog, Priscilla; o operador, Borges um bulldog que era o diretor de imagem e ficava na cabine de controle da programação chamando os desenhos animados que complementavam a programação da TV Colosso. Como o programa era exibido de manhã e terminava por volta de meio-dia, na hora do almoço, um desses bonecos, vestido como chef, berrava com sotaque francês: Atention, tá na horrra de matarr a fomê, tá na mêss pessoaaaaal e era atropelado pelos outros, em louca disparada, que gritavam em distonância "Até amanhã! Até amanhã!" terminando o programa. O programa saiu do ar no dia 3 de janeiro de 1997, cedendo o horário aos programas Angel Mix e Caça Talentos, comandados por Angélica. No ano de 2009 especulou-se sobre a possível volta da TV Colosso na programação da Rede Globo como estratégia para liderar a audiência das manhãs de segunda a sexta[1] . No entanto, tais especulações nunca se concretizaram.

Personagens[editar | editar código-fonte]

O humor do programa, às vezes, não era tão infantil, pois havia freqüentes referências ao "universo adulto" em meio aos bonecos, brincadeiras e piadas. Segundo o co-diretor do programa Mário Meirelles, o programa utilizava uma linguagem cinematográfica e sutilezas criativas das sitcoms norte-americanas, o que facilitou o apelo do programa e dos personagens ao público adulto e adolescente. Havia, por exemplo, o apresentador do jornal Walter Gate, numa referência ao caso Watergate. No jornal havia ainda uma cadelinha do tempo, o diretor da TV chamado JF e o Capachildo Capachão seu assistente puxa-saco, além das pulgas que ficavam sabotando a programação dentro dos circuitos eletrônicos. Ferré criou a protagonista Priscilla, tendo como inspiração suas 3 amigas produtoras: o nome foi retirado de uma delas, o modo de caminhar da outra e os chiliques da última.[2]

Alguns dos programas apresentados pela TV Colosso eram paródias dos programas da Rede Globo e de outras emissoras e foram o noticiário "Jornal Colossal", sátira do Jornal Nacional; o "Clip-cão", paródia do Clip Clip, com o apresentador Thunderdog, um sósia canino do então vj da MTV Thunderbird; a novela mexicana "Pedigree", "Os Vegetais não Mentem", "A Princesa Pirata", cópias caninas das novelas; o seriado "As Aventuras do Super-Cão", brincadeira de super-herói com o policial 22-2000 Cidade Aberta; as "Olimpíadas de Cachorro", versão canina do Esporte Espetacular; e os programas do cachorro contador de histórias Jaca Paladium, também conhecido como Murilo de Petrópolis: o "Acredite Se Puder" e "Selvagem Mundo Animal" com os maiores absurdos da história satirizando respectivamente os programas "Acredite se quiser", famoso nos anos 80, e "Mundo Animal". Até o Você Decide foi vítima de paródias caninas como "Você Escolhe".

Produção[editar | editar código-fonte]

A criação do programa esteve a cargo do gaúcho Luiz Ferré e de Beto Dornelles do Grupo Criadores e Criaturas/Cem Modos, com o apoio dos redatores Valério Campos e Toninho Neves que já trabalhavam com o grupo há muito tempo. Também participaram do programa cartunistas Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonsales, Newton Foot, Gilmar Rodrigues, Adão Iturrusgarai, Flávio Luiz etc. Luiz Fernando Veríssimo também tinha feito roteiros para o programa, mas nunca foi oficialmente creditado. Ferré fazia cinema e quadrinhos antes da Globo convidá-lo para criar um substituto para o Xou da Xuxa em 1992, e em troca teve a ideia de um programa estrelado por personagens-bonecos antropomórficos, cujo nome provisório era "Mundo Cão".[3] [4]

Ferré lembrou que a Globo lhe deu liberdade total de criação: "Uma vez aprovado o projeto, tive carta branca." O projeto do programa foi desenvolvido na conexão Porto Alegre (para onde a Globo enviou uma unidade técnica), São Paulo (onde Ferré mora e trabalha), Rio de Janeiro (onde o programa era gravado no estúdio de Renato Aragão que agora é a RecNov) e Los Angeles, onde foi comprada a tecnologia necessária para a confecção de bonecos. A equipe de produção contava com nada menos que 50 profissionais. Ferré ainda lembrou que o grupo que criou o programa e os personagens-bonecos foi procurado por Boninho já que este tinha colaborado com o grupo no programa Clip Clip que foi ao ar nos anos 80. O grupo também já tinha criado os bonecos para o especial Plunct Plact Zum, também da Globo, e para uma versão da ópera O Barbeiro de Sevilha gravada pela TV Manchete.

Os mecanismos que davam expressão facial aos bonecos do programa foram desenvolvidos pela Inventiva Bonecos e Cenários, e a eletrônica de comando foi criada e desenvolvida por Daniel Segal, que visitou os estúdios de cinema de Los Angeles para pesquisar tecnologia e materiais. Os movimentos eram comandados por rádio-controle, dando aos bonecos plena liberdade dos sets. Todos os personagens-bonecos eram dublados por grandes profissionais da dublagem, como Hamilton Ricardo que era o responsável pelas vozes de vários personagens: Paulo Paulada, o segurança da TV Colosso; Jaca Paladium, um cachorro que ameaçava partir para cima de quem não acreditava nele com seu machado; o vilão Vira-Lata de Aço; Câmera Ney; e Roberval, o Ladrão de Chocolates.

Alguns personagens como Priscilla, JF e Daniel eram manipulados por atores vestindo fantasias (a mesma técnica utilizada nos filmes japoneses do Godzilla). Por serem personagens de 2 metros de altura, as máscaras manipuladas por controle remoto não se encaixavam nas cabeças dos atores. Para isso, esses personagens eram manipulados por atores se revezando para suportar o peso das roupas antropomórficas, dançar e pular. Os movimentos faciais da Priscilla eram acionados por 16 servo-motores. Já outros personagens usavam 24 motores para conseguir os efeitos faciais mais convincentes.

Técnicas de efeitos especiais foram utilizadas pela produção da TV Colosso, como o chroma key (recurso que permite que a imagem captada por uma câmera possa ser inserida sobre outra, criando-se a impressão de primeiro plano e fundo). Assim, podiam aparecer na tela personagens que voam, que mergulham no fundo do mar, ou que têm apenas suas cabeças. Foi também utilizado o newsmate (técnica que possibilita a colocação de uma imagem recortada sobre outra), que permite a fusão dos bonecos com o cenário imaginário. Não podiam ficar de fora recursos de animação que produziam a animação dos raios do Bullborg, e as aberturas dos quadros do programa. Para o longa-metragem baseado no programa, foram confeccionados três versões do Gilmar: animatrônics, dublê para cenas perigosas e fantoche para as cenas principais. De dois em dois meses, os bonecos eram postos numa banheira quente e lavados com xampu e condicionador.

Desenhos animados[editar | editar código-fonte]

Logo abaixo está a lista de alguns desenhos que foram exibidos na TV Colosso:

Música[editar | editar código-fonte]

O programa rendeu dois álbuns musicais, incluindo do tema de abertura "Eu Não Largo O Osso", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, cantada pelas Paquitas, a músicas inspiradas nos personagens. O primeiro, de 1994, chegou a ser certificado com disco de ouro (100 mil cópias) pela ABPD.[5] O segundo volume, lançado em 1994, é a continuação da primeira trilha, contendo novas canções-tema dos personagens do programa.

Outras mídias[editar | editar código-fonte]

O programa gerou inúmeros produtos licenciados, destacando-se a TV Colosso em Quadrinhos e o jogo eletrônico As Aventuras da TV Colosso. Além deles, diversos especiais foram realizados, inclusibe no próprio ano de estreia, quando houve o especial de Natal "TV Colosso Especial". Na Copa de 1994, era exibido um clip com os personagens interpretando a música Coração Verde e Amarelo, tema da Globo para a Copa e que posteriormente seria convertido em tema das transmissões de futebol da emissora. Em 11 de outubro 1995, em comemoração do Dia das Crianças, foi produzido um especial "TV Colosso Especial Terça Nobre", no qual os bonecos interagiam pela 1ª vez com atores. Um dos cenários utilizados foi a academia da novelinha Malhação e grande parte do seu elenco colaborou no especial. Além deles, um filme intitulado Super-Colosso: A Gincana da TV Colosso foi lançado no ano de 1995, baseado no programa infantil, com roteiro de Giba Assis Brasil e Laerte Coutinho e direção de Luiz Ferré. Mesmo com um sucesso entre o público infantil, teve sua bilheteria prejudicada. Em outubro de 2009, a Som Livre juntamente com a Globo Marcas lançou alguns DVDs com os melhores momentos da TV Colosso:

  • Vol. 1 - TV Colosso - A Princesa Pirata e as Aventuras do Supercão
  • Vol. 2 - TV Colosso - A Carrocinha do Amor e Outras Histórias
  • Vol. 3 - TV Colosso - Inimigos Para Sempre e a Dupla Rodoválio e Gumercindo

Em setembro de 2012, foi anunciado o retorno dos personagens do programa em um musical chamado "Canta Colosso" que seria realizado nos mesmos moldes dos musicais O Rei Leão e Avenida Q. Boa parte da equipe original do programa estaria reunida na montagem da peça e a Globo patrocinaria o projeto, cuja data de estréia ainda não foi definida.[6]

Cancelamento[editar | editar código-fonte]

Em Agosto de 1996, a Rede Globo anunciou ao Grupo Criadores e Criaturas que o contrato não seria renovado, o que levou ao fim imediato e abrupto do programa. Mesmo com a contratação da apresentadora Angélica, havia ainda a possibilidade de divisão de horários entre a TV Colosso e o Angel Mix. Até hoje não se sabem as razões do cancelamento do programa, que na época dava uma alta pontuação de audiência e era, segundo criticos de televisão, bem mais educativo que o antecessor, Xou da Xuxa. Mas a versão mais provável é que a direção da Globo achou desgastada sua fórmula. De Setembro de 1996 a Janeiro de 1997, foram apresentadas apenas reprises.

Outros programas[editar | editar código-fonte]

  • Em 2000, os personagens da TV Colosso retornaram numa participação especial do programa Bambuluá, no qual Priscila, Gilmar, JF e Capachão caem num chafariz de pipoca.
  • O robô Bullborg fez uma "ponta" em um comercial do Banco Santander como criação de um inventor que recebe incentivos do banco para a criação de novos produtos.
  • Em 2004, os mesmos personagens cantaram o tema "Eu Não Largo O Osso" no especial Estação Globo.
  • No Big Brother Brasil 7, realizado em 2007, um dos quartos da casa foi batizado pelo diretor Boninho com o nome TV Colosso.
  • Em 2008, personagens como Priscila, Gilmar, o Chef de cozinha, Capachão e outros apareceram dia 10 de Outubro de 2008 no programa da Ana Maria Braga, Mais Você num programa especial para o dia das crianças.
  • Em 2009, novamente no programa Mais Você, Priscila e outros personagens da TV Colosso apareceram em comemoração ao aniversário de Tom Veiga, ator que interpreta o boneco Louro José, no dia 6 de março. A mesma Priscila, pouco mais tarde, participou ao vivo do Video Show, falando sobre novidades da TV Colosso, como a peça de teatro Eu Não Largo O Osso e o lançamento de uma série de DVDs com os melhores momentos do programa.
  • Em 2009 os personagens da TV Colosso participaram do Criança Esperança.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]