TV Guajará

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TV Guajará
Rádio e Televisão Guajará Ltda.
Avenida Governador José Malcher
Cidade de concessão Belém, PA
Canais
4 UHF analógico
Rede Rede Record
Proprietário Família Castro
Fundação 27 de março de 1967 (47 anos)
Extinção 15 de março de 1995 (19 anos)[1]
Prefixo  ?
Cobertura Grande Belém e municípios adjacentes.
Redes anteriores TV Record
Rede Globo
Rede Bandeirantes
Potência  ?

A TV Guajará foi uma emissora de TV brasileira sediada em Belém, capital do estado do Pará, que entrou no ar em 27 de março de 1967 e permaneceu no ar até 10 de março de 1995 no canal 4. Foi à segunda emissora de TV paraense a entrar no ar, depois da TV Marajoara, em 1961.

De 1967 até 1980, a emissora funcionava no Edifício Manoel Pinto da Silva, no centro de Belém, o mais alto prédio da cidade na época. Em 1980, a emissora mudou de endereço depois de comprar o prédio que serviu a sede da recém-extinta TV Marajoara, na Avenida Governador José Malcher, também no centro de Belém, permanecendo até a extinção em 1995.

História[editar | editar código-fonte]

Concessão e Instalação[editar | editar código-fonte]

O político Lopo de Castro entrou com autorização do governo federal para uma segunda emissora em Belém. Com a aprovação, escolhia o local para instalar a futura emissora.

O edifício Manoel Pinto da Silva era na época o edifício mais alto da cidade, foi escolhido como local ideal para a instalação na nova emissora (o relevo da cidade não era acidentado e uma torre mais curta faria economia ao pouco dinheiro que a emissora possuía).

A nova emissora foi investiva pelo político em CR$ 2 milhões de cruzeiros, com a mesma potência de transmissão da TV Rio.[2]

Os estúdios foram instalados em forma de improviso em um apartamento no último andar do prédio. Todo o 25º andar do prédio foi ocupado pela nova emissora.

Lopo de Castro fez questão em adquirir equipamentos nacionais para a emissora, ao contrário das primeiras emissoras de TV, que traziam tecnologia dos Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão. Foram câmeras, monitores, telecine, transmissores e antena na marca Maxwell, do engenheiro Jorge Edo Maxwell. Depois foram adquiridos os primeiros equipamentos importados: videotapes Ampex Quadruplex VR-1100 e VR-1200. Os equipamentos foram trazidos de São Paulo por avião da Paraense Transportes Aéreos, a pedido de Lopo.

Inauguração e Local (1967)[editar | editar código-fonte]

A TV Guajará entrou no ar em 27 de março de 1967, como nova concorrente da TV Marajoara, canal 2, no ar em 1961. A TV recebeu este nome em homenagem à baía que banha a cidade de Belém. A primeira marca, saci-pererê, foi também uma referência sobre as lendas da Amazônia e idéia do seu fundador Lopo de Castro, na época da emissora entrar no ar, era deputado federal pelo Pará e ex-prefeito de Belém por duas vezes nos anos 50 e também renomado médico da cidade.

Os estúdios da nova emissora de TV foram instalados facilmente, porém era mesmo difícil no edifício, para as câmeras driblarem uma coluna localizada no meio do "estúdio improvisado". Muitas vezes a coluna ganhava participação especial em meio às atrações ao vivo.

Entre os apresentadores que passaram pela emissora desde a fundação da emissora: Eloy Santos, Amaury Silveira, Everaldo Lobato, Mãe Celina, Ivo Amaral, Ronaldo Porto, José de Arimatéia, Wladimir Costa, Lopo de Castro (próprio dono da emissora), José Paulo, Carlos Santos, Linomar Bahia, Isaac Soares, Edwaldo Martins, Vera Cardoso, Thompson Mota, Joaquim Antunes.

Inicialmente a programação era totalmente local, ao contrário da pioneira TV Marajoara, que era emissora própria da TV Tupi, da cidade de São Paulo (SP), que exibia tanto local e nacional. O que era exibido na época eram entrevistas e musicais, inclusive o tele-jornal Atualidades Guajará. A TV Guajará permanecia no ar apenas 3 horas toda a noite.

Ao contrário da maioria das emissoras de rádios e TVs no Brasil, o dono da Rádio Guajará AM (anos mais tarde, era criada a Rádio Guajará FM) e a TV Guajará era do casal: Conceição Lobato de Castro Guimarães (mais conhecida como “Dona Conceição”, Diretora-Presidente) e Doutor Lopo de Castro, proprietário da TV. A esposa assumiu a direção do canal nos primeiros anos, diante da impossibilidade do seu fundador assumir o cargo, por ser deputado em Brasília. O filho do casal, Lopo de Castro Jr. assumiria a direção geral da emissora poucos anos da extinção da emissora.

TV Record (1967-1969)[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois, amplia mais horas no ar da emissora, depois de acertar o contrato com a TV Record, que na época liderava a REI (Rede de Emissoras Independentes) exibindo programação gravada direto da cidade de São Paulo, que inclusive exibiu séries, telejornais e programas de grande audiência e repercussão, como festivais do programa Jovem Guarda, já que os rolos de películas de programas gravados eram trazidos de avião, pois não havia transmissões de microondas e satélite, o que gerava atrasos da programação em relação ao São Paulo.

Devido aos primeiros problemas financeiros, as divisórias das salas da emissora foram feitos com a madeira dos caixotes que trouxeram os equipamentos da Maxwell. O primeiro equipamento estrangeiro foi o vídeo-tape (a novidade do final dos anos 1960) um quadruplex da marca Ampex.

Rede Globo (1969-1976)[editar | editar código-fonte]

Não há informação sobre o motivo que levou a TV Guajará deixar a TV Record. Sabe-se que Lopo Castro reuniu no Rio de Janeiro com Roberto Marinho, Walter Clark, José Bonifácio (Boni) e Joe Wallach, que fecharam um acordo experimental de seis meses.

A emissora passou a ser a primeira afiliada da Rede Globo de Televisão na Região Norte em 1969, mas permanece grade de programação local, na tentativa de rivalizar com a TV Marajoara.

Como ocorreu na Record, ainda recebe programação Globo por aviões do Rio de Janeiro para Belém. A única exceção ocorria com o Jornal Nacional, o primeiro telejornal brasileiro ser transmitido em via satélite da Embratel, entre 19h45 até 20h15.

No telejornalismo, a emissora produzia a versão local do Jornal Nacional, com o nome de Jornal Nacional – Edição Local, sob apresentação de Carlos Benedito. A emissora teve também a primeira apresentadora feminina da televisão paraense: Laila Almeida. Os cenários dos dois programas foram realizados pelo artista japonês Kavamura.

Outro programa era uma versão local dos infantis "Capitão Asa" e "Capitão Furacão", ambos interpretados por Kzan Lourenço. Destaque o programa infantil “Capitão Furacão” atingiu altos índices de audiência. Kzan Lourenço, aos 26 anos na época, imitava um velho capitão de navio de 70 anos, contando suas aventuras a crianças que participavam ao vivo no estúdio. A Marinha do Brasil concedeu a corveta Iguatemi, aportado na Baía de Guajará, para a exibição de alguns programas.

Em 1970, depois de seis meses de contrato de afiliação provisória, a Rede Globo decide renovar com a Guajará, desta vez seis anos. No mesmo ano, várias séries e novelas exibidas pela Rede Globo levaram por algum tempo, a liderança da Guajará, mas perdia muita audiência para Marajoara, mas a emissora retransmitia a Copa de 1970 vencida pelo Brasil, foi transmitida via satélite da Globo. O 24º andar do prédio fez festa a cada vez o Brasil fazia gols e chegava no final, soltando fogos de artifícios.

Em 1973, o militar da Força Aérea do Brasil, Alamar Régis Carvalho, que procurava sempre estar em contato com os órgãos de imprensa de rádios, jornais e televisões, negociando propagandas do seu curso militar, despertou a atenção da Conceição Lobato de Castro, que dizia gostar das idéias e as sugestões que ele apresentava. A Dona Conceição, o convidou para trabalhar com ela, no departamento de programação, o que para ele representou um susto. Ele teve que recusar, por duas razões: Primeiro porque não se achava preparado para tal, segundo por causa do compromisso com a Aeronáutica.

Em junho de 1974, se une com a TV Amapá, pertencente ao Governo de Amapá para exibição das partidas de futebol da Copa do Mundo de 1974 (já que é impossível a recepção dos sinais de TV de outros centros, porque o sistema em uso na Embratel-Macapá não se adequava a esse tipo de operação). A única solução é a transmissão dos jogos em VT (através do vídeo tape e não ao vivo). A TV Guajará exibe as partidas da copa e quando terminavam, aviões do governo pousavam em Belém para receber VT local, para ser enviada para Macapá para ser exibido pela TV Amapá poucas horas depois. Nos dias em que a seleção brasileira ia se apresentar, o avião do governo se deslocava até Belém e ali aguardava o final dos jogos para trazer a fita de VT que, imediatamente, era levada ao ar pela TV Amapá. Ao mesmo tempo, ocorreu a transmissão em cores do jogo de estréia da seleção brasileira pela emissora, que convidou alguns vizinhos para ver a novidade tecnológica ainda em fase de testes. O Brasil terminou a participação da copa sendo eliminada pela Holanda.

Em 12 de julho, depois de ser dispensado pela Aeronáutica, devido o histórico de insubordinação aos superiores e a quase desastrado pouso do avião da Força Aérea na base militar de Belém, que o levou a internação, por se tratar louco, após o boletim médico, Alamar dirigiu-se à TV Guajará, à procura da Dona Conceição, para saber se o convite que ela havia lhe feito para trabalhar na TV ainda estava de pé. Naquele mesmo dia, inicialmente que não queria assumir e logo concordou após a conversa com a Dona Conceição, Alamar assumiu o cargo de Diretor de Programação da TV Guajará, ganhando bem mais do que ficava na Aeronáutica, o que irritou ainda mais o incompetente Coronel José Bernardo Santarém, o homem que mais nutria ódio por ele na Força Aérea Brasileira, tentando persegui-lo até mesmo na vida civil.

O objetivo do novo diretor jovem, de apenas 23 anos, com a confiança da Dona Conceição, tinha o objetivo era reverter o quadro da emissora: a TV Guajará perdia no IBOPE para a TV Marajoara. A Guajará havia perdido o seu antigo diretor de programação, desde 1967, Carlos Benedito, que havia transferido residência para Brasília. Alamar teria a incumbência de substituí-lo.

Em setembro do mesmo ano, a Dona Conceição, chamou Alamar à sala, numa tentativa de agradá-lo e o designou para ser o seu representante naquela solenidade da Aeronáutica. Ele ficou assustado e medo, ao souber que era Coronel Santarém, que não iria que ele não estava preparado para isto. Ela pensou que se tratava de humildade da parte dele e não aceitou a sua recusa. Determinou que ele fosse. Sem saída, Alamar chamou o seu cinegrafista, Milton Pinto de Mendonça e seu auxiliar de Relações Públicas, Vicente de Paula Souza, para lhe acompanhar. Um com idade para seu avô e o outro com idade para ser pai.

Eles foram até a Base Aérea de Belém e chegando lá, foi muito bem recebido pelo Coronel Camarinha, Comandante da Base e pela suas relações públicas, Major Mergulhão, que o conduziram ao palanque, juntamente com as mais altas autoridades do Estado: Governador, Prefeito, o Brigadeiro, o General da 8ª Região Militar, o Almirante do 4º Distrito Naval, o Clero e todo mundo. Alamar estava lá, durinho e morrendo de medo.

Depois dos desfiles militares, foram todos gentilmente convidados para um coquetel no Cassino dos Oficiais. Bebidas de refrigerantes e álcool servidos à vontade, até que, ao conversar com um grupo de outros membros da imprensa, as relações públicas da TV, Vicente de Paula, percebe que um indivíduo está olhando para o seu grupo com uma cara muito feia e demonstrando muita raiva, sem que ele soubesse o porquê.

Quando Alamar virou, percebeu que era o Coronel Santarém, o homem que praticou todas as torturas psicológicas contra ele e que chegou até a mandar que policiais da PA (Polícia da Aeronáutica) o agredissem, quando começou aos gritos querer expulsar Alamar.

E o Vicente, começou a argumentar, em voz alta, que Alamar ali estava na condição da Presidente da TV Guajará, representante da Rede Globo, convidado de honra do Comandante da Base Aérea, e que não iria permitir que ele se retirasse, a não ser que o próprio comandante determinasse isso. Pra evitar mais confusões, Alamar saiu do local de carro para a TV Guajará.

Por conta da atitude do Coronel Santarém, Vicente e o Milton Mendonça, indignados com a atitude, passam direto para a sala da dona Conceição. Alamar começou a tremer por perder o emprego.

O coronel disse para os seus amigos de Alamar que ele era um moleque muito perigoso, irresponsável, maconheiro (ele nunca fumou nem cigarro comum, em época nenhuma da sua vida), pederasta, que vivia com uma louca, safado, sujo, desonesto e tudo o de ruim que se pode qualificar alguém e que no dia seguinte iria visitar a Dona Conceição para dizer, pessoalmente, quem ele era.

As acusações do coronel eram falsas, por que eles conheciam bem o Alamar: frequentava as casas dos dois e eles à sua. Sabiam ambos que Alamar nem sequer fumava, que era recém casado com uma moça, chamada Joaninha, que tinha problema auditivo, mas que não era louca de jeito nenhum, e que vivia uma vida proba, sem vícios e sem nada que pudesse ser provado, dentro do que o coronel havia acusado.

Depois da reunião, a dona Conceição chamou Alamar e, na presença do Milton e do Vicente, mais ainda do Diretor Comercial, Dr. Rafael Marinho, relatou o que o homem havia dito, e disse muito bem que o receberia sim, mas que ele o recebesse primeiro, antes de levá-lo à sala dela. Ela disse que ele estava privilegiado e que aquilo não afetaria a confiança que depositara nele.

Na tarde do dia seguinte, o José Maria, recepcionista da televisão, anuncia que o Coronel Santarém está na casa, disposto a falar com a Dona Conceição, que interfonou para Alamar e pediu que ele o atendesse. Ele teve vontade de atendê-lo, mas preferiu não fazer. Foi informado de que o Coronel foi à sala da Dona Conceição, fez todas as acusações citadas, mas não recebeu o menor apoio. Alamar não viu coronel sair. Disse o José Maria que o homem saiu bufando de raiva, sem cumprimentar ninguém. A dona Conceição contou tudo depois, disse-lhe que pediu provas a ele a respeito das acusações, o que ele não tinha, e declarou que Alamar estava prestigiado, mais do que nunca.

Em dezembro, uma reunião na Rede Globo de Televisão, na cidade do Rio de Janeiro, como era habitual, onde participariam todos os diretores de emissoras afiliadas do país, ou seja, os diretores das diversas emissoras que transmitem a programação Globo.

A Dona Conceição, mais uma vez surpreendendo, mandou que Alamar fosse representar a TV Guajará, naquela reunião, mesmo sabendo da pouca experiência, haja vista que ele estava em um cargo de direção há apenas cinco meses.

Ao chegar naquela cidade, chamou muita atenção de muitos diretores das afiliadas da Rede Globo, por ser jovem de apenas 23 anos. Entre os que estavam na reunião, estavam Walter Clark e o Boni. A partir desse momento, Alamar passou a ser um destaque na reunião e também querido por todos. Ele era o mais novo diretor de televisão do Brasil.

Falou à direção da Globo a respeito do seu drama em ter que vencer, no IBOPE, a TV Marajoara, com pouca experiência em televisão. Naquele tempo, o diretor de programação tinha uma atuação muito forte, porque a programação de TV afiliada não era tão fácil como hoje, com tudo pelo satélite. Era ele quem tinha que programar tudo, claro que obedecendo aos horários das novelas, dos shows e da programação produzida pela Globo, mas os filmes, eram escolhidos, comprados e programados pelo diretor de programação. Aí estava a chave do sucesso.

A colocação de dois capítulos de novelas no ar, em dias de Ibope na praça, eram estratégias muito fortes. E a Globo, por orientação de Walter Clark, dedicou total atenção ao Alamar, que era um jovem cheio de vontade de aprender, cheio de curiosidades e também cheio de criatividade. Todos os departamentos: jornalismo, produção, promoção, programação, marketing, etc. Dedicou-lhe atenção especial. Moacyr Deriquem, Duarte Franco e o Hélcio Rangel, grandes feras globais, deram a atenção ao Alamar, após assistir as gravações de novelas.

Após a reunião, aproveitou pra conhecer uma grande jovem atriz nos estúdios, que colecionava em revistas que recebia de graça por ser diretor, pelas distribuidoras das editoras Abril e Bloch. Ela chegou a fazer quatro vezes viagens para Belém para visitar Alamar, hospedando sempre o mesmo hotel, implorando para que ele fosse morar no Rio de Janeiro. Nasceu uma certa paixão.

Já havia uma boa vontade de alguns amigos que ele conseguiu fazer na Globo, ainda mais com a força dela, já que era de fato uma estrela. Mas ele não tive coragem. Terminou ficando ela com muita raiva dele e não o procurando mais. Anos mais tarde, Alamar fez questão de registrar este fato, não é pelo fato de dizer que namorou com uma pessoa famosa e sim apenas, para mostrar que não deveria agredir ninguém, muito menos ter o direito de cobrar postura moral de ninguém, principalmente cobrar aquilo que não ter condições de vivenciar.

Ao voltar para Belém, Alamar teve a sorte de encontrar um jovem que era um verdadeiro gênio, aos 16 anos, na função de locutor da Rádio Guajará AM, do mesmo grupo de comunicação, que também trabalhava em alguns horários como locutor da televisão: José Paulo Vieira da Costa. Nas conversas com o garoto, percebeu a sua sensibilidade criativa e a sua genialidade. O menino havia atuado em teatro, desde pequeno, e até cantava "Flor Mamãe" nos programas de auditório da Rádio Clube do Pará, aos 8 anos de idade. Aos 16 já era apresentador do programa "Balanço Musical" da Rádio Guajará.

Juntamente com Zé Paulo, Alamar começou a aplicar os conhecimentos adquiridos na Globo, escolheu, comprou e programou os melhores filmes para a partir de 1975 da Screen Gems, Paramount, Columbia, Fox e Metro na programação da emissora. Fez chamadas gravadas com exclusividade para a TV Guajará pelos mais famosos atores globais: Cid Moreira, Sérgio Chapellin, Francisco Cuoco, Elizângela, Françoise Fourton, Felippe Carone, Yoná Magalhães, Tarcísio Meira, Ziembinsk, entre outros. O resultado foi vitória no IBOPE e a emissora nunca mais perdeu para a TV Marajoara.

Escândalo em 1975[editar | editar código-fonte]

No início de 1975, a TV Guajará foi palco de um grande escândalo religioso, quando no domingo foi exibido um programa dos macumbeiros e em seguida o programa religioso Católico da Santa Missa, na manhã.

Alamar recebeu a visita do Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará, dom Alberto Gaudêncio Ramos, que lhe fazia um apelo para que a TV Guajará criasse uma programação especial todas as manhãs de domingos, apresentando a Santa Missa, sob a argumentação de que televisões de vários Estados apresentavam missas nos domingos pela manhã e em Belém não havia. O arcebispo foi atendido por ele e fazia questão dele mesmo, celebrar as missas todos os domingos, a partir das 10 e meia da manhã.

Dois meses depois, no sábado à tarde, Alamar percebe que a TV Marajoara estava anunciando a estréia da "Santa Missa" no próximo domingo, com celebração de dom Alberto Ramos, dom Aloísio Lorscheider e mais o bispo de Manaus, que estava em Belém, às dez horas da manhã, seguida do programa Sílvio Santos, que na época passava na Rede Tupi.

Revoltado com a surpreendente decisão do arcebispo (Alamar via aquilo como traição), sem que lhe fosse dito nada, procurou saber do José Paulo quem vai celebrar a missa, Paulo respondeu que vem um padre magrinho e baixinho, chamado Bruno Sechi, que esteve na Guajará, mas não disse que ia ter missa na TV Marajoara.

Decidiu ordenar às 18hs da tarde ao Paulo que passasse a procurar macumbeiros em Belém, pois queria fazer o programa deles às 10 horas da manhã de domingo. Paulo dizia que não haver macumbeiros nessa hora e com isto poderia provocar problemas, dizendo que Dom Alberto tem muita força em Belém e a Dona Conceição. Mas Alamar ordenou de imediato para que Paulo fizesse (sem ameaçar) e foi cumprido.

Sabendo que Lopo de Castro gostava muito de uma pequena macumba, Alamar telefonou e mentiu para ele dizendo que o Joãozinho da Goméia, um macumbeiro baiano famoso que existia no Brasil na época, estava em Belém (apesar do macumbeiro baiano já morto em 1971). Pediu permissão para fazer o programa e o Lopo aceitou. Ele mandou gravar chamadas, na hora, com o João Bosco Maia (grande locutor do Pará), e passou a colocar em todos os intervalos da novela "Fogo Sobre Terra":

"Neste domingo, às dez horas da manhã,
Sessão de Umbanda, aqui no seu canal 4.
E logo após: a santa missa."

Ao mesmo tempo, Alamar comprou velas em um supermercado que existia no térreo do mesmo Edifício Manoel Pinto da Silva, onde ficava a televisão e tentava localizar a casa do dono de um dos armarinhos mais conhecidos de Belém, "o Mandarim", para que o mesmo fosse aberto no sábado à noite, para comprar fitas vermelhas, pretas, verdes e tudo o que um cenário de macumba teria direito. E o homem terminou por abrir o armarinho mesmo. Diretor de televisão mandava na cidade, principalmente junto aos lojistas.

Próximo à meia noite, o Zé Paulo chegou com o carro cheio de macumbeiros, acompanhado por dois outros carros, de amigos dele, também cheios, dispostos a colaborarem com a produção. Os macumbeiros estavam com as caras cheias de cachaça, misturado o fedor de suvaco e mau cheiro de outros órgãos mais baixos, não lavados.

Ensaiaram o programa e começaram a gravar às duas da manhã, em vídeo tape de duas polegadas (coisa de primeira na época). Terminaram de gravar às seis e meia da manhã, incumbindo ao Zé Paulo a responsabilidade para levar cada macumbeiro em casa. O programa ficou muito bonito, na opinião dos realizadores.

No domingo de manhã, o estúdio já estava todo limpinho, pronto para a "santa missa". O Padre Bruno chegou muito cedo, às 9 e meia, para ajustar, juntamente com as suas auxiliares, o altar e os detalhes da missa que iria celebrar. Ele não sabia que a televisão exibiria antes da missa dele uma sessão de macumba, gravada. Se ele soubesse, recusaria a celebrar a missa.

O padre foi trancado no estúdio, para que ele ficasse lá sozinho com as auxiliares preparando o altar e não entrasse na técnica, o que seria fatal, porque ele certamente veria o que estava se passando. Inventaram que a fechadura deu problema e a chave não conseguia abrir.

Depois o programa gravado foi levado ao ar, normalmente, para em seguida o padre Bruno celebrar a sua missa, sem problema algum, mas sem perceber o que tinha acontecido antes no vídeo da TV Guajará. O resultado foi grande audiência no IBOPE.

No dia seguinte, em uma longa matéria escrita pelo Dom Alberto Gaudêncio Ramos, publicada pelo jornal "A Província do Pará", anunciou que foram excomungados Alamar e a TV Guajará, após saber da história. Telefonou para a dona Conceição, que deu a maior bronca no seu jovem diretor, seguida da primeira ameaça de demissão. Alamar diz que nunca sofreu tanto, na iminência de perder um emprego que vinha lhe dando tantas alegrias. Mas não saiu não. A velha Conceição o prestigiou, mais uma vez.

Na terça-feira, dia seguinte à bronca, ele um telex para a Rede Globo e comunicou o acontecido para os diretores, com cópia para o Walter Clark. Recebeu uma resposta enorme, cheia de elogios, parabéns e muito incentivo.

REDE GLOBO - "É isso aí, garoto! Parabéns! televisão é isto mesmo. Você aprendeu cedo demais! vá em frente e conte sempre com o nosso apoio. É de gente assim que a Globo precisa... Walter Clark."

Quando Alamar mostrou o telex para a dona Conceição, ela lhe deu uma bronca, pois achou que ele já estava com intimidade demais com a Rede Globo, principalmente pelo fato de ter recebido um telex do próprio Walter Clark, o maior salário do Brasil na época, na casa de um milhão de dólares por mês. Depois, Alamar acabou deixando a televisão para cuidar da sua própria empresa, mas voltou do cargo.

Rescisão da Rede Globo em 1975[editar | editar código-fonte]

Por conta de vários problemas financeiros e econômicos da TV Guajará surgidos desde a época da TV Record, agravado pelo incidente religioso ocorrido por Alamar, como diretor de emissora de TV, levou a Conceição e Lopo a demitirem Alamar por incompetência, ingerência de assuntos internos da emissora (Alamar chegou ser acusado de uns dos responsáveis pela perda da afiliação da Rede Globo com Guajará). Também foram demitidos os responsáveis pelo incidente religioso de 1975.

Em 1975, menos de um ano para fim do contrato de afiliação de 6 anos, a Rede Globo não renova (que terminaria em 1º de maio de 1976) em virtude das várias pressões do Presidente da República, o general Ernesto Geisel, que tinha divergências políticas com o ex-governador do Pará, Jarbas Passarinho, político a qual a emissora apoiava. Geisel, com poder que tinha, pressionou outra emissora com motivos semelhantes (a TV Iguaçu, de Curitiba).

Porém, a emissora tinha estrutura inferior para os padrões da Rede Globo, com equipamentos ultrapassados desde a época de fundação da emissora, problemas financeiros e econômicos.

Por isso, perdeu concessão à retransmissão da Rede Globo para a recém-criada TV Liberal, canal 7, da mesma cidade, que antes de entrar no ar, Rômulo Maiorana negociou e assinou o contrato de afiliação com a rede, que entrou no ar em 27 de abril, um dia depois do aniversário de 11 anos da Rede Globo. A emissora foi fundada com equipamentos modernos e bem mais eficientes das TVs Marajoara e Guajará.

Alamar foi contratado em seguida pela TV Liberal e teve uma participação nos anos seguintes na emissora, não na área de televisão em si, em sim na área da Informática. Assim que ela foi fundada, ele sonhava em trabalhar nela.

Muito jovem ainda ele era diretor da TV Guajará, anterior afiliada da Globo e acompanhava a sua construção, certo de que ela seria a nova dona da programação global no Pará. Ficou muito frustrado por não ter sido convidado para trabalhar nela, principalmente sabendo que o Linomar Bahia, com quem ele conversava muito sobre televisão antes, não havia lhe dado àquela alegria.

Para Alamar televisão era tudo. A quantidade de "gás" que ele tinha para empregar na nova TV era um negócio impressionante. Ele estava transbordando em termos de criatividade para aplicar ali, mas não foi convidado e foi uma frustração muito grande. Mais tarde ele teve oportunidade de fazer por ela. Teve muitas dificuldades no início do relacionamento, mas depois de realizar algumas coisas entrosou-se bem e hoje tem nessa televisão uma verdadeira manifestação de amizade.

Independente (1976)[editar | editar código-fonte]

Com a perda da Rede Globo para TV Liberal, a emissora voltou na época da entrada no ar, veiculando programas locais, a partir de 1º de maio, tornando-se independente. Mesmo com a perda da ex-afiliada, a TV Guajará, mantém a grade de programação local.

Da época do aparecimento de primeiros problemas financeiros até o fim da afiliação da Globo, foi um período de dificuldades para a emissora, que perdia faturamentos publicitários e não tinha dinheiro para pagar aos todos os funcionários (muitos deles foram demitidos e até uma ameaça de greve).

A perda da Rede Globo refletiu na audiência: a emissora que chegou ser líder em várias oportunidades entre 1970 até 1976, caiu para terceiro lugar sem Globo em 1976.

Alguns meses depois, representantes da emissora foram para São Paulo para negociar exibição de programação da TV Bandeirantes, que na época negociava emissoras do Norte e Centro-Oeste e até irnaugurava uma emissora própria em Belo Horizonte, para exibirem a programação da futura rede em formação.

TV Bandeirantes (1976-1979)[editar | editar código-fonte]

Em 1º de novembro de 1976, a emissora passou oficialmente ser afiliada da TV Bandeirantes. A programação da Bandeirantes era trazida gravada em película direto de São Paulo.

Antes, a emissora fechou negócio com a emissora de São Paulo e se torna uma das primeiras afiliadas da rede em formação, juntamente com a Rede Amazônica (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) e a TV Brasil Central (Goiás).

Por outro lado, a afiliação com Bandeirantes foi única saída encontrada pelos proprietários para sanar a perda da Rede Globo e que permitiu inserir programas locais na manhã, tarde e noite, já que era promessa daquela época e também ter partidas de futebol do Campeonato Brasileiro, passou voltar disputar a audiência e novos faturamentos da emissora, superando as diversas crises.

Foi nessa época a emissora contratou profissionais que já se apresentaram nas rádios Clube do Pará e Liberal, ambas na AM: Thompson Mota (Thompson Sem Censura) e Eloy Santos (locução de programas locais nos intervalos), que em 1988 se elegeu vereador de Belém.[3]

Rede Bandeirantes (1979-1990)[editar | editar código-fonte]

A situação de receber gravações da TV Bandeirantes por via aérea dura até 1979, quando a TV Bandeirantes vira Rede Bandeirantes, quando toda a programação passa ser via satélite, acabando assim as viagens que provocava atrasos e até descontinuidade das atrações. A TV Guajará torna-se então umas das principais afiliadas da Rede Bandeirantes nos anos 80.

Em 1980, Rômulo Maiorana, dono da TV Liberal, arrenda parte da TV Guajará e convida o jovem Carlos Santos para apresentar um programa semanal de 2 horas, mas ele não aceita.

No mesmo ano, a emissora muda de endereço, depois que Lopo de Castro, recém-saído da política para virar empresário, compra da massa falida dos Diários Associados, a sede da recém-extinta TV Marajoara, na Avenida Governador José Malcher e sai do edifício Manoel Pinto da Silva. Depois da extinção da TV Marajoara, a TV Guajará, torna-se a emissora mais antiga do Pará e também disputava audiência com a TV Liberal. A emissora passa a então cuidar do acervo da recém-extinta emissora.

Em 5 de setembro de 1981, com a iniciativa do líder da Assembléia de Deus, o pastor Firmino Gouveia e apoio do corpo ministerial da Igreja, a emissora exibe o programa feito pela igreja “Boas Novas no Lar”. A igreja comprou o horário da emissora para exibir o programa religioso e na estréia do programa foi exibido no mesmo local da primeira igreja do mesmo nome construída na cidade.[1]

Após falar durante três dias consecutivos, 24, 25 e 26 de fevereiro de 1982 na TV Guajará, um homem que se dizia ser Inri Cristo, convoca o povo a comparecer domingo, dia 28 de fevereiro, na Praça Dom Pedro II. No dia da convocação, aparecem cerca de 10 mil pessoas, que vêem Inri destruindo a imagem de Cristo na cruz, após interromper abruptamente a missa, alegando que “ele mesmo” é o Cristo “de carne e osso” e que o Cristo na cruz “era idolatria”. Os religiosos chegaram a amordaçá-lo ele e a polícia chamada tirou dentro da igreja as pessoas convocadas e Inri indo à delegacia, que permaneceu por 15 dias e tachado de louco. Anos mais tarde, Inri Cristo declarou em diversas entrevistas que iniciou a “Revolução Inclonocasta” no Brasil (a destruição de imagens de santos católicos).

Em 1986, a emissora torna-se a mais antiga emissora de TV do Pará, ultrapassando a extinta TV Marajoara, que ficou 19 anos no ar. No mesmo ano, os proprietários da emissora colocam no ar a Rádio Guajará FM.

Em dezembro de 1988, Carlos Santos, que havia recusado o convite em 1980, é novamente convidado e aceita, estreando o programa semanal de todos os sábados, o Carlos Santos na TV com 3 horas de duração e três sequências: Viva a Criança, Bairro X Bairro e Show de Variedades. O programa era ao vivo e os cenários trocados nos intervalos.

Carlos Santos também apresentou o programa TV Cidade durante o ano de 1990. Foi neste programa que se iniciou a carreira de Antônio Monteiro na televisão, apresentou dentro do programa de Carlos Santos o quadro 10 Minutos com Xantillyn e ainda foi animador de palco do programa Carlos Santos na TV no mesmo ano. Foi também neste programa que se iniciou a carreira musical de Beto Barbosa, antes do lançamento do primeiro LP, foram diversas apresentações no programa e grande execução na Rádio Rauland, a primeira a tocar esse ritmo regional.

Rede Record (1990-1995)[editar | editar código-fonte]

Em 1º de novembro de 1990, TV Guajará deixa a Rede Bandeirantes, depois ficar mais de 14 anos retransmitindo, em uns dos episódios mais obscuros da história televisiva da emissora.

Uns dos motivos foram que a Guajará e a Bandeirantes começaram ter divergências sobre a exibição da programação local, o que prejudicava a programação nacional, nem mesmo a Guajará não tinha planos expandir pelo interior do Pará, agravado pelo sucateamento e a decadência que a Guajará enfrentava desde segunda metade anos 80. A Bandeirantes passou a ser exibida apenas parcialmente pela TV Cultura do Pará até 1993, quando a TV RBA saiu da Manchete que vinha da crise desde 1992.

A emissora então volta às origens e passa retransmitir a programação da Rede Record, que passou se exibida em todo o país pelo satélite Brasil Sat em 27 de setembro de 1990 (que foi comprada por Edir Macedo no final de 1989), tornando-se então a primeira afiliada da rede no Norte-Nordeste.

Inicialmente, a nova rede levou o estranhamento e reclamação da população, pois a emissora passou exibir a programação diferente da Bandeirantes, que não competia com Globo (TV Liberal), Manchete (TV RBA), SBT (SBT Belém) na época, a programação na madrugada de conteúdo da igreja evangélica Universal do Reino de Deus, motivos as quais provocaram saída de muitos anunciantes e até evangélicos de outras igrejas que alugaram horários na emissora.

De 1990 até 1991, com o início do período eleitoral e a eleição de Carlos Santos para vice-governador do estado do Pará, o apresentador Janjão substitui, mantendo grande audiência.

Em 1991, com o defeito apresentado no sistema de operação na TV, Santos fica na emissora até o programa ir ao ar, mesmo com atraso de 2 horas e 30 minutos.

Em 1993, Lopo Castro Júnior, que havia assumido como proprietário e presidente da emissora, por conta debilidade de saúde dos pais, vende a Rádio Guajará FM para pastores da Igreja Prebisteriana, que a transformam a Rádio 95 FM.[1]

Em 1994, diante da crise, Lopo Castro Jr. vende a Rádio Guajará AM aos pastores da igreja evangélica Assembléia de Deus, que foi transformada Rádio Transpaz.[1]

O pastor e presidente da Assembléia de Deus, Firmino Gouveia, que comprou a emissora declarou no momento da cerimônia de aquisição da rádio:[1]

Foi uma prova de fé. No dia da assinatura de compra, não havia um centavo. Mas, a igreja adquiriu a emissora, pagando quatrocentos e oitenta mil dólares.[1]
Firmino Gouveia

1995: Fim da TV Guajará[editar | editar código-fonte]

No início de 1995, os ex-proprietários da Rádio Guajará AM e FM, Lopo de Castro Jr. e a Família Castro, que ficaram admirados pelo êxito da compra da Rádio procuraram Firmino Gouveia, propondo também a venda da TV Guajará.[1]

Motivado pelo apoio recebido no empreendimento anterior, Gouveia consultou novamente o ministério e a Igreja, ambos concordaram pela compra.[1]

Depois disso, houve novamente uma mobilização como na compra da Rádio Guajará AM, mas desta vez com todas as igrejas no Pará, através da parceria com a igreja da Assembléia de Deus de Manaus.[1]

Avisado a isso, o proprietário e herdeiro da única empresa de comunicação que sobrou (com a venda das rádios AM e FM), Dr. Lopo de Castro Filho e a Família Castro, anunciaram a venda da emissora por US$ 3.000.000 (três milhões de dólares americanos) a serem pagos em 24 meses. Porém, a renda da igreja era de US$ 300.000 (trezentos mil dólares) por mês (equivalente a quase R$ 310.000 reais da época).[1]

Em 10 de março de 1995, Lopo de Castro Filho e a Família Castro, se reuniram com os pastores e integrantes da igreja, liderado pelo Gouveia na sede da emissora. Gouveia assinou os termos de compra da emissora, precisamente às 14hs e a partir de então iniciou o pagamento de 24 vezes de US$ 125.000 dólares dos US$ 300.000 que a igreja ganha por mês em Belém.[1]

Naquela ocasião histórica o pastor Firmino se expressou:[1]

Este momento, acredito, é um dos mais significativos da história da nossa Igreja aqui em Belém. Isso porque Deus está nos empurrando para um campo de atividades, até então, por nós desconhecidos, campo que tem sido explorado negativamente, pois nele se explora um meio de comunicação chamado mídia eletrônica, para a perversão do homem. Estamos nos predispondo em adquiri-lo para o uso do evangelho (...) Agora com a aquisição que fazemos, a Igreja vai ocupar esse espaço e, naturalmente valer-se daquilo que sempre deu e pode dar, no sentido de melhorar o comportamento dessa sociedade, com o evangelho de Cristo. Vemos essa aquisição como uma porta que Deus abriu. Agradecemos, pois, a Deus, em primeiro lugar. Depois aqueles que ombrearam conosco e, também, agradecer ao Dr. Lopo de Castro, que sempre simpatizou conosco. Essa simpatia, levou-o também a se unir a nós, dando-nos a oportunidade para que possamos contribuir com nossa Belém, nosso Estado e Brasil. A partir do dia 15 de março, como já está planejado, nós não vamos ser vistos apenas em nossa reunião local, mas com audiência em todos os Estados brasileiros, através de um satélite. Fica a nossa expectativa de que Deus está conosco, como sempre esteve. Ele vai nos dar pessoas capazes, que farão conosco o trabalho na mídia. Já temos a parceria do pastor Samuel Câmara, de Manaus.[1]
Firmino Gouveia

Em sua fala o Dr. Lopo de Castro Filho acentuou que a TV Guajará foi pioneira em várias atividades, achando que o passo dado pelo pastor Firmino Gouveia e a Igreja Assembléia de Deus em Belém foi realmente “um passo corajoso, decisivo e muito acertado, haja vista que numa tendência mundial, a começar pelos Estados Unidos, existem redes evangélicas, e esta agora, fatalmente, dentro de muito pouco tempo, no caso, Pará e Brasil, não será uma só. Serão duas, três, quatro e até mais, porque a comunidade está crescendo e precisa ter o seu grande meio de comunicação e até mesmo a nível nacional, através de satélite, que hoje está bem mais barato, com o acesso fácil para todos. Por certo, esse é um passo pioneiro, decisivo e vai ser um marco na história das Assembléias de Deus”.[1]

A compra da TV ocorre cinco dias antes do aniversário de dois anos da Rede Boas Novas (RBN) e 17 dias antes do aniversário de 28 anos da TV Guajará.

No dia 15 de março,[1] cinco dias depois da compra, coincidindo dia do aniversário de dois anos da RBN de Manaus, foi último dia da TV Guajará. Nesse dia, todas vinhetas da antiga emissora foram substituídas pela nova emissora (reforçando mudança do nome fantasia que passou para TV Boas Novas) e passou a compor com RBN, inclusive inserção dos programas religiosos da igreja nessa emissora.

Era o fim de 27 anos da emissora, pois faltava 12 dias para completar 28 anos da TV Guajará, que até então nessa data, era a mais antiga emissora de TV no Pará, que só é ultrapassada pela TV Liberal em 2004.

1995: Prós-TV Guajará[editar | editar código-fonte]

Os dois canais (radiofônico e televisivo) começam a ser integrados na RBN, que compõe todo o complexo de comunicação da Assembléia de Deus. Tanto a rádio como a TV inicia a parte de um projeto de satélite da RBN, o Jesus Sat, que é pioneiro e único com TV aberta. Através desse sistema é possível gerar programação via satélite para o Brasil e outros países.

A extinta TV Guajará tinha contrato de afiliação com a Rede Record desde 1990, o que provocou polêmica entre os dirigentes das emissoras: a Record tinha programas religiosos da Igreja Universal do Reino de Deus na madrugada e a TV Boas Novas iniciou exibição de programas religiosos da Assembléia de Deus na manhã, tarde e noite.

Em carta datada de 28 de agosto, a Rede Record de Televisão foi comunicada acerca da decisão da TV Boas Novas Belém de não mais retransmitir seu sinal a partir do dia 1º de novembro do mesmo ano. Nesse dia, passa a ser afiliada à Central Nacional de Televisão (CNT).

Diretores da TV Guajará[editar | editar código-fonte]

  • Carlos Benedito (1967-? e até 1974)
  • Edson Vacary (trazido da matriz carioca da Rede Globo)
  • Lúcio Piedade (trazido da matriz carioca da Rede Globo)
  • Alamar Régis (1974-1975 e 1975-1976)
  • Linomar Bahia (1975)
  • Carlos Benedito (1976-?)
  • Raphael Marinho (?-?)
  • Antonio Abelém (?-?)
  • Walter Gonçalves (?-?)
  • José Paulo (?-?)
  • César Leal (?-?)
  • Gilberto Danim (?-?)
  • José Sarraf Maia (?-?)

Vendas[editar | editar código-fonte]

A venda da Rádio e TV Guajará para grupos religiosos foram divididas assim:

  • Evangelho Quadrangular
  • Assembléia de Deus
    • Rádio Guajará AM (1570 AM), entrou no ar em 1958, foi vendida para Assembléia de Deus em 1994, transformada em Rádio Transpaz.
    • TV Guajará (Canal 4 VHF), foi vendida para pastores da Assembléia de Deus em 1995, transformada em TV Boas Novas.

Imagens da Baía do Guajará[editar | editar código-fonte]

Essas são imagens da Bahia do Guajará, nome dado às extintas emissoras de rádios e TV do mesmo nome.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Todos os arquivos da TV Guajará, desde a fundação até o fim, são doados para Museu da Imagem e do Som do Pará em 1995 após a extinção da emissora.
  • Os antigos proprietários da extinta TV Guajará, Lopo e Conceição Castro já morreram.
  • Em 2007, Eloy Santos, apresentador do rádio e TV, morreu atropelado numa rua de Belém, após se aposentar na Rádio Liberal AM em 2002.[4]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j k l m n o [1][ligação inativa]
  2. http://imagem.camara.gov.br/dc_20.asp?selCodColecaoCsv=J&txPagina=92&Datain=11/01/1967&seq=116919
  3. http://www.oparanasondasdoradio.ufpa.br/80politicos.htm
  4. http://www.oparanasondasdoradio.ufpa.br/eloyentre.htm


Precedido por
Emissora Inexistente
Canal 4 VHF de Belém
1967 - 1995
Sucedido por
TV Boas Novas