TV Liberal Belém

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TV LIBERAL Belém
Organizações Rômulo Maiorana
Televisão Liberal Ltda.
TV Liberal
Belém, Pará
Brasil
Tipo Empresa privada
Cidade de concessão Belém
Canais
07 VHF analógico
21 UHF e 7.1 Virtual digital
Outros canais 07 HD (Oi TV)
10 (SKY)
25 (Claro TV)
07 e 507 HD (ORM Cabo)
07 e 518 HD (NET)
Sede Bandeira belem.jpg Belém, PA
Avenida Nazaré, 350 - Nazaré
Slogan Na frente com você
Rede Rede Globo
Fundador Rômulo Maiorana
Pertence a Organizações Rômulo Maiorana
Proprietário Lucidéa Maiorana
Antigo proprietário Rômulo Maiorana (1976-1986)
Presidente Lucidéa Maiorana
CNPJ 04.832.721/0001-19
Fundação 27 de abril de 1976 (38 anos)
Prefixo ZYB 222
Cobertura Grande Belém e áreas próximas
Potência 30 kW
Página oficial TV Liberal

A TV LIBERAL é uma emissora de televisão brasileira instalada na cidade de Belém, capital do estado do Pará. A emissora é sintonizada nos canais 7 VHF (analógico) e 21 UHF (digital). É umas das antigas afiliadas à Rede Globo, desde a inauguração em 27 de abril de 1976.

A emissora é responsável pela Rede Liberal, que retransmite a programação da Rede Globo e produzir programas locais para interior do Pará e faz parte das Organizações Rômulo Maiorana (ORM).

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes do surgimento da TV Liberal, o empresário Romulo Maiorana já interessava em montar uma emissora de TV em Belém, no início dos anos 70. Na época, Maiorana tinha apenas o jornal O Liberal e a Rádio Liberal AM, que apesar de interessar a imprensa escrita e falada.

Em 1973, após enfrentar diversas crises e o desgaste de suas fórmulas, o jornal Folha do Norte, do fundador e jornalista Paulo Maranhão, que não queria ver o jornal ir a leilão, teve que ser vendido para que fossem honrados pagamentos de dívidas trabalhistas.

Romulo Maiorana comprou o jornal e Paulo Maranhão, que era amigo de Maiorana, foi trabalhar no jornal O Liberal. Comprar jornal, depois de haver investido muito dinheiro na aquisição de equipamentos para impressão em off-set e na adaptação do prédio para que funcionasse, no último andar, a Rádio Liberal AM, seria uma loucura. Mas comprar o jornal de campanha política, pelo qual ninguém compraria, mais parecia impossível.

Com a “Folha do Norte” livre do risco do pregão, o jornalista Ossian Brito, funcionário do jornal ficou aliviado. Havia conseguido salvar, pelas mãos de seu amigo e agora patrão Romulo, um patrimônio da cidade que, mais tarde, se mostraria inadaptado aos novos tempos.

Ossian Brito, que gostava das comunicações em Belém, planejou anos antes, colocar no ar, a rádio “Folha do Norte”. O estatuto da emissora chegou a ser publicado, mas a rádio não saiu do papel. Os sócios não se entendiam e o projeto fracassou.

O Grupo Liberal dava mais um passo e, a partir daquele ano, chegaria mais perto do sonho de possuir um canal de televisão.

Canal 7[editar | editar código-fonte]

No dia 18 de julho de 1973, Ossian Brito recebeu telefonema de seu irmão, o coronel Wilson Brito, que era diretor técnico da TV Globo, avisando que o Diário Oficial da União, publicou o edital 041-73, autorizando o recebimento de propostas para execução e exploração de serviço de radiodifusão de sons e imagens, com as especificações técnicas necessárias, através do Canal 7 em Belém. Ossian levou a notícia para Maiorana, que ficou feliz pela notícia, pois seria a chance de ter uma emissora de televisão, um sonho antigo. Era a segunda chance de dar vida a um projeto não poderia falhar para Ossian Brito, que estava decidido a não deixá-lo perder a oportunidade.

Após telefonema, como não decidia nada sem pensar muito e não sem antes se aconselhar com a esposa Déa Maiorana, Romulo Maiorana pediu a ela que fosse constituída uma sociedade com personalidade jurídica, a fim de entrar na concorrência. A idéia da Sociedade era tudo que Ossian Brito poderia desejar para dar início ao projeto.

Em 72 horas, a Sociedade com personalidade jurídica estava formada. Dela participavam Ossian da Silveira Brito (que aparece como responsável), Linomar Bahia (jornalista e diretor da Rádio Liberal AM, que vinha estimulando Romulo Maiorana a ter um canal de televisão há tempos), Walter Guimarães, Eládio Malato e Guaracy de Brito.

Com toda documentação em ordem, a Sociedade entrava no páreo, ao lado de quatro grupos locais, que também queriam o controle do Canal 7. O ano de 1973 transcorreu na maior expectativa. Romulo Maiorana e seus amigos ainda precisariam esperar mais dezoito meses para ver quem teria o direito de ficar com o novo Canal.

Porém, Maiorana estava com os compromissos financeiros e deveria honrá-los, com mais de duzentos funcionários da “Folha do Norte” (muitos dos quais passaram a trabalhar, logo após a dispensa da empresa em O Liberal).

Católico fervoroso, Romulo Maiorana pediu a intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, rezando para que a Sociedade formada seja vencedora. Pouco depois do Círio de 1974, o telefone tocou na mesa de Linomar Bahia, avisando que aquela Sociedade havia vencido a concorrência. A Nossa Senhora ouviu as preces dele.

Linomar Bahia desceu correndo as escadas que separavam os andares entre o gabinete de Romulo Maiorana e a direção da Rádio Liberal, no prédio onde funcionaram a redação e as oficinas do jornal “A Folha do Norte”, na Rua Gaspar Viana, e que depois passou a sediar O Liberal, para avisar o fato. Bahia foi recebido com um abraço de Ossian Brito e aos poucos, os amigos mais próximos foram chegando, para comemorar o feito.

Concessão do Canal 7[editar | editar código-fonte]

Em 13 de novembro de 1974, o Presidente da República, general Ernesto Geisel, assinou o decreto 74.979, autorizando a Sociedade vencedora deva a operar o futuro Canal 7.

Em 14 de novembro, o Diário Oficial da União, publicava o decreto 74.979, assinado pelo Geisel, autorizando aquela Sociedade de natureza jurídica a operar de fato o Canal 7.

Em 12 de dezembro, o registro do contrato feito entre a TV Liberal (que nasceu com o nome de fantasia de TV Belém Ltda) e a União Federal é feito na pasta de assentamentos cadastrais da Divisão Jurídica do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel).

Seis meses depois, em 4 de julho de 1975, o Dentel autorizava o Grupo Liberal a instalar estúdio e transmissor no prédio 254, da Rua Gaspar Viana, no Centro de Belém, onde já estavam a Rádio Jornal Liberal e o jornal O Liberal.

Porém, o coronel Wilson Brito verificou no momento da escolha do Dentel, que aquele edifício não tem estrutura para receber uma emissora de televisão. Foi a partir daí que Romulo Maiorana autorizou a compra de um terreno onde pudesse instalar, com todas as condições, a televisão. Quando dizia frequentemente que “queria o melhor para o Canal 7”, não estava brincando.

Para escolher o local onde seria construído o prédio da televisão, Ossian Brito, o coronel Wilson Brito e Linomar Bahia saíram pela cidade, olhando terrenos e encontraram na Avenida Nazaré, ao lado da Alameda São Luiz, terreno ideal. Era época das chuvas e os três tiveram a mesma intuição: se aquele terreno possuísse as dimensões exigidas no Edital, a TV Liberal funcionaria ali mesmo. Eles desceram do carro e, como não tinham uma fita métrica, conferiram, por debaixo d’água, “pé-a-pé”, como Linomar Bahia diria mais tarde, as medidas do terreno. Estava escolhido o berço da TV Liberal.

A Sociedade vencedora avisou ao Dentel que o local para ser a TV Liberal, na Rua Gaspar Viana, 254, Centro, onde já estavam a Rádio Liberal AM, os jornais O Liberal e Folha do Norte, não era adequado.

As negociações para a compra do terreno não foram fáceis, pois tratava-se da área mais nobre da cidade. Mesmo assim, depois de algum tempo de propostas e contrapropostas, foi fechado o negócio e a escritura assinada no Cartório Kós Miranda. A construtora Endeco assumiu a responsabilidade da obra, composta de quatro blocos independentes, com uma área global de 2.200m2.

Em 22 de outubro, o Diário Oficial da União publicou o decreto que oficializava a troca de endereços. Na Rua Gaspar Viana ficariam apenas o Jornal e a Rádio. O Diário deu prazo para a equipe do jornalista Romulo Maiorana até o dia 4 de junho de 1977 para montar e colocar a emissora no ar.

A partir de então, era começada as obras de construção da futura TV Liberal na Avenida Nazaré, ao lado da Alameda São Luiz, coincidindo o fim das chuvas no meio do verão. A construção era liderada pelos engenheiros Flávio Lobato, Raphael Levy, Francisco Oliveira, Harley Vieira Júnior e Benedito Rosseti.

Desde o momento em que teve certeza de que o Canal 7 seria seu, Romulo Maiorana criou refrão dito sempre as conversas: “eu quero o melhor para a TV Liberal”.

Na área técnica, “melhor” significa ter equipamentos no Brasil que só apenas a TV Liberal possuía e por isso os melhores profissionais do setor foram chamados para Belém para dotar a emissora de um suporte técnico que lhe garantisse um padrão de qualidade superior.

Rede Globo X TV Guajará[editar | editar código-fonte]

Em 1975, ao mesmo tempo em que escolhida o terreno da futura TV Liberal, a Rede Globo não renova o contrato de afiliação com a TV Guajará, previsto para terminar em 30 de abril de 1976.

O motivo para não renovar com a TV Guajará, foi depois das divergências que afiliada teve com a rede, agravado diversos episódios:

  • A emissora estava em crise permanente, com equipamentos e estrutura ultrapassada, pois vinha desde a época de inauguração em 1967.
  • A emissora não tinha estrutura para padrões da rede, o que gerou várias divergências entre a programação exibida do Rio de Janeiro e Belém.
  • A TV Guajará exibiu um programa dos macumbeiros para disputar com o programa religioso de pregação de padres na pioneira TV Marajoara e em seguida o programa católico de Santa Missa com outro padre. A exibição levou o arcebispo de Belém a anunciar através de publicação de jornal A Província do Pará, que a emissora e o responsável pela estreia do programa dos macumbeiros foram excomungados da Igreja Católica.
  • A emissora apoiava o ex-governador e ex-ministro Jarbas Passarinho (o que contraria o Regime Militar instalado em 1964, que não aceitava algum meio de comunicação desse apoio aos políticos), o que levou Geisel a pressionar que a Globo não renove com Guajará, a qual o presidente tinha divergências políticas.

A Rede Globo passou a se aproximar com os responsáveis da futura TV Liberal, que ao lado de Roberto Marinho e Romulo Maiorana (por coincidência ou não, as iniciais dos nomes RM são as mesmas), pois inicialmente Marinho já tinha poucas ligações com Maiorana, negociaram o contrato da futura afiliada.

Romulo Maiorana negociou com Roberto Marinho e assinou o contrato de afiliação da rede, previsto para vigorar em 1º de maio de 1976.

Sede da TV Liberal[editar | editar código-fonte]

A construtora Endeco, que assumiu a responsabilidade da obra, contratou quase cem operários para construir o local com quatro blocos independentes, com uma área global de 2.200m2.

Durante a construção, eram comprados os mais modernos equipamentos da emissora, a Villanutti, da RCA-Victor, a sala de ilha de edição, estúdios de TVs, o local para transmissor de sinal do canal 7.

O primeiro lote de equipamentos comprados nos Estados Unidos continha um transmissor de 5 Kw., um sistema de geração de programação local a cores, utilizando duas câmeras de estúdio RCA, modelo TK-630; filmadoras Cannon e câmera portátil da RCA, modelo TK-76; unidade de externas a cores, equipada com duas câmeras RCA, modelo TKP-45, máquina de videotape RCA, modelo TR 600, mesa de corte, sistema completo de operação de áudio e vídeo e micro-ondas (alimentado por gerador de energia própria); duas mesas de corte, equipadas com todos os recursos de efeitos especiais, ilha de telecine RCA, com dois projetores TP-66 para filmes e um projetor TP 7, para slide, com tambor duplo e câmera de filme TK 28 e uma ilha de videotape com máquina RCA, modelo TR 600 e dois videocassetes com TBC para exibição de comerciais, chamadas e matérias jornalísticas.

Ao mesmo tempo, o nome TV Belém é abandonado e passa ser TV Liberal e a emissora teria iniciar os testes para colocar no ar e ser inaugurada antes do dia 30 de abril de 1976, é quando o contrato da TV Guajará (que não foi renovado) termina, para que a TV Liberal seja afiliada da TV Globo a partir do dia seguinte. Foi marcado o dia pra ser inaugurada: 27 de abril, 3 dias antes do 1º de maio.

Para elaborar o projeto do Romulo Maiorana de “eu quero o melhor para a TV Liberal”, foi convidado o ex-diretor de engenharia e assessor de engenharia da Superintendência da Rede Globo, o engenheiro eletrônico e coronel do Exército, Wilson da Silveira Britto.

Para montar os equipamentos da TV, o coronel Britto, que havia feito o curso de Engenharia de Comunicações, na Escola Técnica do Exército, (hoje Instituto Militar de Engenharia) cercou-se de grandes profissionais. Para diretor técnico foi convidado o engenheiro Brás Gesualdi, um carioca de ascendência italiana que deixou uma companhia americana sediada no Brasil e que fabricava máquinas de vídeotape, a Ampex. Gesualdi trouxe a família para Belém e convidou Ribamar Gomes, à época, editor da TV Globo, para ser supervisor de operações da emissora. Os três (coronel Britto, Gesualdi e Ribamar) auxiliados pelo técnico Ivanildo Barreiros, ficaram responsáveis pela área técnica da TV.

Todos os equipamentos comprados eram de tecnologia de ponta, que praticamente, deixava a futura emissora a mais tecnicamente avançada e comparando com as outras emissoras de TVs existentes na época é a mais bem equipada do Brasil.

Para evitar que a emissora saísse do ar de repente, no caso da falta ou queda de energia elétrica, Romulo Maiorana comprou gerador, que foi montado na emissora. O gerador era barulhento (como todos os geradores de TVs existentes na época), mas funcionava muito bem.

A futura emissora conseguiu quebrar um tabu: contratar mão de obra feminina para trabalhar na área técnica, inexistente até na Globo.

De todos os equipamentos adquiridos por Romulo Maiorana, aquele que seria a vedete da TV acabou ficando pelo meio do caminho: um caminhão de externas adquirido em março de 1976 na NAB (a maior feira mundial de equipamentos para rádio e televisão, realizada em Chicago, Estados Unidos) chamou tanto a atenção da TV Globo que, por ser mais necessário no Rio de Janeiro do que em Belém, foi comprado da TV Liberal pela emissora carioca, por ser muito sofisticado para os padrões da TV Liberal.

Quando entrou no ar, em caráter experimental, à meia-noite do dia 2 de abril de 1976, a emissora já possuía equipamentos de alta qualidade. Era tanta novidade que o coronel Britto chegou a pedir a Romulo Maiorana que parasse de comprar.

Primeiro rosto feminino a aparecer nos telejornais da TV Liberal, Vera Cascaes entrou para a história da emissora, ao dar o primeiro “boa noite”. A TV ainda operava em fase experimental, quando ela e Francisco César interromperam a seleção de desenhos animados para dizer que a televisão estava no ar e que funcionava para testar equipamentos. O primeiro texto foi lido por Vera e complementado por Francisco César.

Preparação para 27 de abril[editar | editar código-fonte]

A cerimônia de inauguração foi grandiosa. Os 500 convites foram expedidos com a antecedência exigida pelo protocolo. Foi combinado que a festa da inauguração da 3ª emissora de TV em Belém ocorre no prédio da emissora na Avenida Nazaré e transmitida ao vivo.

Os convites expedidos eram: o Ministro das Comunicações, artistas da TV Globo, personalidades ligadas aos meios de comunicação do Brasil inteiro; autoridades da República, do Estado e do Município; oficiais da Marinha, Exército e Aeronáutica; políticos locais e nacionais. Entre outros.

Em 26 de abril, de Brasília, vinha a confirmação: o ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, em nome do Presidente da República, estaria presente. Essa viagem determinou mais uma antecipação de quatro dias no cronograma da inauguração, prevista para acontecer no dia 1º de maio, data em que começaria a vigorar o contrato com a TV Globo.

A inauguração[editar | editar código-fonte]

A chegar do dia 27 de abril de 1976, inauguração da emissora, foi o assunto do dia em Belém. A população da cidade teria a chance de ver de perto às pessoas no prédio da Avenida Nazaré, endereço da emissora, que conhecia apenas pelos jornais, rádios e TVs. A cidade voltava para o grande evento daquela data, a inauguração da “TV Liberal, Canal 7” e cujo noticiário dominava a imprensa local.

Além do jornalista Romulo Maiorana, a esposa Déa Maiorana, os filhos Romulo Jr., Rosana, Rosângela, Ângela, Rose, Roberta e Ronaldo; de amigos e de funcionários do Grupo Liberal, que por anos assistiram à passagem do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, era a vez da festa, onde apareceram todos os 500 convidados.

Com a Avenida Nazaré quase interditada a partir da Travessa Doutor Moraes até a Quintino Bocaiúva, os carros oficiais e de particulares ficaram estacionados nas transversais, também interditadas ao trânsito, nos perímetros compreendidos entre as Avenida Comandante Brás de Aguiar e Governador José Malcher. Ao todo, nove quarteirões (mais de dois quilômetros) foram fechados. Para evitar transtornos, a Avenida Governador José Malcher teve a mão invertida, a partir das 17 horas, voltando a normalidade do tráfego somente quatro horas mais tarde.

No mesmo quarteirão da TV Liberal (na Avenida Nazaré) ficaram estacionados, a partir da travessa Benjamin Constant, nesta sequência, os veículos oficiais do Governador do Estado, do Ministro das Comunicações, do Vice-Governador, do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado, do Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, do Prefeito de Belém, dos Comandantes Militares (Marinha, Exército e Aeronáutica) Arcebispo Metropolitano de Belém, Rabino da Comunidade Israelita do Pará, Reitor da Universidade Federal do Pará, Presidente da Câmara Municipal de Belém e dos Presidentes dos Tribunais Regional Eleitoral, Regional da República, Regional do Trabalho da 8ª região e de Contas do Estado.

No dia da inauguração da TV, os engenheiros Flávio Lobato, Raphael Levy, Francisco Oliveira, Harley Vieira Júnior e Benedito Rosseti, foram ao gabinete de Romulo Maiorana para um abraço de confraternização pelo final do trabalho, realizado em tempo recorde, a 14 meses antes do prazo da inauguração.

O cerimonial de inauguração foi entregue ao jornalista Eduardo Araújo e Silva. Havia um clima de expectativa. Afinal, depois de um período de experiência, a TV entraria, definitivamente, no ar, com pelo menos duas imensas vantagens sobre as que já existiam: a programação começaria às 10 da manhã do dia 28 de abril, as demais só iniciavam suas operações no final da tarde e era totalmente colorida. Imagens em preto e branco estavam condenadas a virar história.

A cerimônia não durou mais do que uma hora. Às 19h25, a festa é interrompida, quando chega o Ministro das Comunicações, artistas da TV Globo, personalidades ligadas aos meios de comunicação do Brasil inteiro, as mais importantes autoridades da República, do Estado e do Município entram na emissora para ver a inauguração.

Exatamente às 19h30, o ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, acionou o botão que colocou a TV Liberal no ar definitivamente. Ao mesmo tempo, a sirene do prédio do jornal O Liberal soou para informar a entrada da emissora no ar.

O formato da imagem da TV Liberal era colorido. A primeira imagem transmitida foi a do radialista Jaime Bastos, que anunciou a TV Liberal desta maneira:

“A TV Liberal Canal 7 dá início à sua programação inaugural, num acontecimento histórico para a capital paraense pela alta expressão do empreendimento e sua grande repercussão na vida social e econômica do Estado.”.

Assistiam à cerimônia os engenheiros Leonardo Scheiner e Adriano Villanutti, da RCA-Victor, fornecedora dos equipamentos. A TV Globo estava representada por muitos de seus profissionais. Em nome do jornalista Roberto Marinho, vieram a Belém o superintendente executivo, Joseph Wallace; o diretor-adjunto, Otto Lara Rezende; o diretor de expansão, Ernesto Amazonas; o assessor da Direção Geral, Célio Pereira; o diretor geral, Walter Clark; o assessor de Engenharia da Superintendência Executiva, coronel Wilson Brito; o assistente da Direção, Clemente Gonçalves; o diretor de Relações Públicas, coronel João Batista Paiva Chaves; o diretor de Comercialização, Ivens Alves; o funcionário do Departamento de Comercialização, Gilberto Azevedo e os artistas paraenses Rosamaria Murtinho (acompanhada do marido, o ator Mauro Mendonça) e Lúcio Mauro. Quase todas as afiliadas da TV Globo e diretores de jornais que mantinham relação de amizade com Romulo Maiorana prestigiaram a festa.

Um esforço técnico proporcionava ao telespectador uma grande novidade: duas câmeras eram utilizadas para mostrar Jaime Bastos e o público presente ao evento.

Enquanto uma câmera se fixava no apresentador, a outra acompanhava a chegada do Ministro, do Governador e das demais autoridades. Fazendo as primeiras reportagens da televisão colorida, os jornalistas Ubiratan d’Aguiar e Joaquim Antunes, que mais tarde viriam a comandar programas de notícias na TV, entrevistavam os convidados.

Mais cortes de imagens e Jaime Bastos voltava ao ar: “O mundo oficial, político, empresarial e social do Brasil está aqui, representado por suas mais destacadas figuras, prestigiando a festa de inauguração da TV Liberal Canal 7, que transcende fronteiras do Pará e da Amazônia. Constituindo-se evento de dimensões nacionais. Dentro de instantes, ouviremos os pronunciamentos desta solenidade, falando o jornalista Romulo Maiorana, diretor-superintendente do Grupo Liberal; sua excelência o Ministro das Comunicações, comandante Euclides Quandt de Oliveira e o Governador do Estado, Aloysio da Costa Chaves. A TV Liberal é inaugurada com uma antecedência de 14 meses em relação ao prazo que deveria cumprir, detalhe que reflete a preocupação do Grupo Liberal em entregar ao povo paraense, no mais rápido espaço de tempo, o seu mais novo veículo de comunicação. O Grupo Liberal já reunia o Jornal O Liberal e a Rádio Jornal Liberal cuja atuação e prestígio são conhecidos em todo o país. Os dois órgãos recebem, a partir de hoje, para uma constante atividade em prol da comunidade a TV Liberal Canal 7.

Os pronunciamentos foram breves e tocavam no mesmo ponto: a importância do surgimento da TV Liberal. Quem primeiro falou foi Romulo Maiorana, que puxou os óculos que só usava para ler, tirou do bolso as três páginas onde estava datilografado o discurso. Ele lembrou que a inauguração da emissora ocorreu na véspera do Dia das Comunicações, entrada de mais uma emissora de TV em lugar isolado para ser integrado em território nacional na Amazônia, elogiou o Ministério das Comunicações ter escolhido na concorrência com quatro grupos, o Grupo Liberal.

Em seguida, o ministro Euclides Quandt de Oliveira também leu um discurso breve, sobre a inauguração da nova emissora, que inclusive cada vez mais as televisões estão presentes nos lares brasileiros, que o Grupo Liberal que venceu na concorrência pública foi o melhor que apresentou melhor condição e que com isto levará melhor decência.

Logo após discurso do ministro, falou o governador do Estado do Pará, o professor Aloysio da Costa Chaves, que elogiou os integrante do Grupo Liberal, especialmente ao Romulo Maiorana.

Depois dos pronunciamentos foi servido um coquetel e havia clima de euforia. Do lado de fora, o público aplaudia.

No prédio em frente à TV Liberal, a Aliança Francesa (que hoje não existe mais), os alunos não quiseram assistir à aula das 19 horas.

Todos os convidados sairiam mais ou menos na mesma hora, o jornalista Eduardo Araújo e Silva idealizou a instalação de um sistema de som, nas ruas próximas à TV e quando era necessário chamar à porta da emissora o carro, bastava convocar o motorista que, onde quer que houvesse estacionado, ouviria o chamado. Tudo funcionou tão bem, que ninguém precisou ficar esperando mais do que cinco minutos para ir embora.

Para os convidados que iam à festa, na sede da Assembleia Paraense, a noite estava apenas começando. Em Assembleia Paraense, aconteceria um grande jantar, com direito a uma apresentação da grande estrela do momento a cantora Perla, para comemorar a data. Os convidados souberam compreender a ausência dos homenageados e brindaram à saúde do casal. Aquilo foi puro nervoso. “O Romulo estava uma pilha e eu peguei dele a ansiedade. No final, graças a Deus deu tudo certo”, lembra dona Déa.

Romulo Maiorana estava inquieto por horas antes da inauguração da emissora, pois para ele nada poderia dar errado mesmo sabendo que os equipamentos estavam em ordem e que a TV Liberal começaria sem nenhum problema operacional. Na sala do complexo de operações, Romulo Maiorana, Ossian Brito, Walter Guimarães, Guaracy de Brito e o coronel Wilson Brito eram a imagem da felicidade. Eles se abraçavam com o entusiasmo de quem havia conseguido realizar um grande sonho.

Curiosamente, na entrada do ar da emissora, Romulo Maiorana estava doente, que a tensão era tanta, o organismo reagiu, pois dormiu na véspera sem nenhum sintoma de gripe e ao acordar não estava bom um bom sinal. Ao longo do dia, a febre só fez aumentar. Quando leu o discurso de inauguração, estava com quase quarenta graus. Ao seu lado, dona Déa também ardia em febre.

Programação Especial de inauguração[editar | editar código-fonte]

No dia 28 de abril, na capa do jornal O Liberal, estampou a seguinte capa: A TV Liberal voltada para servir o Pará, como Romulo Maiorana como personagem principal do evento. O jornal do grupo descrevia a festa da inauguração da emissora e os convidados.

Depois de inaugurada a TV Liberal iniciou a exibição de três dias (28 a 30 de abril) uma programação especial, incluindo a reprise da festa de inauguração de 27 de abril e o histórico da conquista da concessão do canal 7 pelo Grupo Liberal.

1º de maio: Afiliada à Rede Globo[editar | editar código-fonte]

A meia-noite do dia 1º de maio de 1976, a TV Liberal integra-se oficialmente como a afiliada da Rede Globo, substituindo a TV Guajará, que passou a exibir a programação da TV Bandeirantes.

Ao contrário da TV Marajoara, com menor proporção a TV Guajará, a programação local da TV Liberal ficou restrito apenas três: Bom Dia Pará (no ar até hoje), Jornal Hoje Local e Jornal Nacional Local, os dois últimos telejornais eram antecedem os nomes de telejornais nacionais (retirando a palavra "Local"). Esses telejornais eram exibidos quando a TV Guajará era afiliada à Rede Globo.

O jornalismo da TV Liberal começou no dia 1º de maio. Após a emissora ser inaugurada, ainda foram feitos ajustes de natureza técnica e quando a emissora se integrou definitivamente à programação da Rede Globo, passou a exibir dois telejornais produzidos em Belém: o Jornal Hoje Edição Local e o Jornal Nacional Edição Local.

Apesar do equipamento ser de última geração, as equipes estavam aprendendo a fazer TV. Walter Bandeira havia ministrado curso de dicção aos locutores. O jornalista Nélio Palheta desembarcava de uma experiência em redação de jornal. De televisão, tudo o que conhecia era o peso de uma pilha de 200 folhas de scripts do Jornal Nacional, mandadas pela TV Globo. Ao seu lado estavam Milton Mendonça, que vinha da TV Marajoara, trazendo a experiência de fazer jornalismo para cinema, e os repórteres Bernardino Santos e Dalvino Flores.

A primeira matéria de Bernardino mostrava a Assembleia Legislativa do Estado. Dalvino foi a Santo Antônio do Tauá cobrir uma poda radical em árvores daquela cidade. Foram as duas reportagens do Jornal Hoje Local. No Jornal Nacional Local, foram ao ar momentos da Missa, celebrada na Praça do Operário, em Belém. Milton Mendonça fez as imagens em equipamento de cinema e levou o filme para revelar em casa.

A equipe daquele dia em diante, começou a usar filmes de 400 pés (com duração de 8 minutos), desenvolvidos nos Estados Unidos, para cobrir a Guerra do Vietnã. Milton Mendonça foi responsável pelos desenhos aos recipientes para revelar os filmes, que eram colocados para secar diante do aparelho que se assemelhava ao secador manual de cabelo.

Diante da necessidade de produzir dois programas por dia, o Jornalismo da TV Liberal precisava crescer. O time de apresentadores era o melhor jamais reunido por uma emissora, em Belém: Francisco César Nunes da Silva, Vera Cascaes, Alex Bolonha Fiúza de Melo (eleito, em 2001, Reitor da Universidade Federal do Pará), Aldo César, Jayme Bastos, Nelma Nicolau, Roberto Sisson, Jerônimo Filho, Vanda Bandeira, Paulo Carneiro, Marco Antônio Santos e Joana d´Arc Pietrolongo.

Na bancada do Jornal Hoje Local, forrada com carpete azul, sentavam Vera Cascaes e Francisco César, que, à noite, voltava para o vídeo, dividindo a apresentação do Jornal Nacional Local com Aldo César.

Os dois telejornais locais eram falados do que com imagens e os apresentadores precisavam ler o texto com antecedência, feita pela equipe jornalística, porque na época não havia o recurso do teleprompter.

Seguindo o “Padrão Globo de Qualidade”, a TV passou a usar legendas escritas com o tipo de letra “Global”, fabricado pela Letrassete apenas para atender as necessidades de produção da TV Globo, e a produzir vinhetas pintadas a mão.

O artista plástico Sérgio Mello preparava os desenhos, que eram usados como marca de cada matéria. Quando o assunto era chuva, por exemplo, com uma câmera enquadrava-se uma ilustração de chuva. Com outra, enquadrava-se o apresentador em fundo azul. Sua imagem era recortada e colocada sobre a imagem da ilustração, que passava agora a ser o cenário do programa. Esse efeito, conhecido como chroma-key, revolucionou o trabalho de televisão em estúdio, na gravação de comerciais e programas jornalísticos.

TV Liberal (1976-1979)[editar | editar código-fonte]

Os equipamentos usados pela TV Liberal eram tudo feito em filme, como se fosse para cinema e por isso as equipes se desdobravam, que até chegaram às próprias residências para revelação. Eles eram projetados numa tela, como se fosse cinema, e a imagem era captada por uma câmera. O equipamento usado era grande, pesado e caro.

Um multiplex óptico, por exemplo, equipamento que possuía um jogo de espelhos que permitia com uma mesma câmera selecionar qual projetor a ser usado, custava trezentos mil dólares.

Como a programação da Liberal é feita praticamente toda em Belém e apenas as novelas e os telejornais vinham da Globo, os técnicos aprendiam a fazer tudo.

José Roberto Fonseca, entre outras funções, tinha que descobrir, com o delicado toque de dedos na margem do filme, onde estava a pausa para entrar o “plim-plim”, as marcas da TV Globo que se encontravam e produziam esse som.

Com o existência do Regime Militar no Brasil desde 1964, os locutores da emissora, entre eles Luiz Augusto Cerqueira, eram responsáveis pela leitura do certificado da Censura Federal, indicando a faixa etária para a qual aquela programação era recomendada antes de entrar no ar. José Roberto e o Walter Negrão na Censura buscar os certificados dos documentos, quando não chegava e nem ter outro programa para substituir, eram obrigados a lerem um boletim antigo e desfocar à imagem do certificado, o que nenhum dos telespectadores ficava sabendo se a imagem correspondia ao texto.

Pouco tempo depois, é montada a primeira produtora local e as agências de publicidade, passaram a produzir primeiros comerciais na TV.

O primeiro comercial produzido e exibido na TV Liberal foi para o suco Jandaia. Isso propiciou nova fonte de receita para a emissora. Ao mesmo tempo, Linomar Bahia e Guilherme Pena respondiam pela área comercial.

Com o tempo, os apresentadores Vera Cascaes e Francisco César foram aprendendo com todos, que decorrer dos meses, novos jornalistas iam se juntando à equipe. Entre eles, Ildomar Ramos, que era motorista, foi improvisado cinegrafista e descobriu que aquela era a verdadeira vocação, Gouveia Jr. também se descobriu cinegrafista, sem jamais ter feito curso.

Com afiliação da recém-afiliada Rede Globo, a emissora recebia programação gravada da Globo em malotes direto de São Luís, capital do Maranhão (a Globo era transmitida pela TV Difusora, que recebia da TV Clube de Teresina (Piauí), que recebia da TV Verdes Mares de Fortaleza (Ceará), que recebia da TV Aratu de Salvador (Bahia), que recebia da TV Globo Nordeste de Recife (Pernambuco). Porém quando um capítulo de novela não chegava, a emissora reprisava o capítulo exibido véspera. Na época, os funcionários da emissora trabalhavam com “marcos”, isto é, com pontos fixos, que eram os telejornais. Entre um e outro, era conosco.

As dificuldades eram tantas que até o Fantástico passava uma semana depois. Havia, porém, o cuidado de cortar as referências ao dia de “hoje”. A única exceção era o noticiário de futebol, que não podia ficar para a semana seguinte.

Nem o Jornal Nacional, nos primeiros tempos, entrava ao vivo. A TV Guajará ainda tinha contrato com a Embratel e mesmo não podendo exibir o Jornal Nacional às 20hs, porque não era mais afiliada da Rede Globo, impedia a TV Liberal de usar o satélite, como provável retaliação pela não-renovação da afiliação pela rede. A solução encontrada era gravar o Jornal Nacional, em Brasília, para exibi-lo mais tarde.

O jornalismo esportivo começou com programa Liberal Esporte, de apenas três minutos, no qual eram lidos os resultados dos jogos da rodada do dia anterior e ia ao ar na hora do almoço.

O primeiro apresentador do Liberal Esporte foi Mário Antônio dos Santos, que também era comentarista esportivo de rádio e ficou conhecido como Santos Mário.

Como não havia uma editoria, as matérias só eram feitas quando houvesse alguma equipe disponível.

Aos poucos, o Liberal Esporte preenche com informações sobre peladas, com os placares da véspera e a tabela da rodada seguinte dos torneios de futebol. Modalidades como atletismo e natação, tinham pouca ou nenhuma divulgação. O espaço destinado ao esporte amador era ocupado pelo conhecido “futebol pelada”.

Mas quem se consolidou por mais tempo à frente do programa foi Zaire Filho. Nessa época, os apresentadores não se envolviam com a produção e a edição e iam à TV apenas para apresentá-los.

Se o noticiário esportivo era deixado em segundo plano, transmitir jogos de futebol ao vivo não ocorria. Além das limitações dos recursos tecnológicos, havia o fato de serem proibidas as transmissões de jogos para Belém onde estavam acontecendo.

A primeira participação da TV Liberal, no Jornal Nacional, aconteceu na época de eleições no Pará em 1976, entrava ao vivo em rede nacional.

A emissora colocou o programa totalmente colorido, de 45 minutos, sobre o vestibular. Era um momento histórico e raro pela emissora. A emissora também exibiu imagens em que o presidente Geisel apertou o detonador de dinamite que desviava o curso do Rio Tocantins, marco da construção da Hidrelétrica de Tucuruí, sudeste do Pará.

Num mundo marcado pela pressa na realização do noticiário, é normal que haja falhas. Como, no início, quase tudo era feito ao vivo, não se podia esperar a perfeição. Quando alguma coisa dava errado, o jornal todo ficava comprometido e o jeito era usar um slide para suspender o noticiário, até que o material fosse reorganizado.

A segunda grande mudança da emissora aconteceu com a implantação do videotape, substituindo os equipamentos pesados com película. Começou com o “quadruplex”, um equipamento de gravação e reprodução, que possuía uma qualidade de imagem excepcional (O quadruplex já não existe mais e até criação do equipamento possuía qualidade de imagem excepcional do que a película). As fitas de quadrupex eram de duas polegadas (aproximadamente 5,08 centímetros de largura) em carretéis.

Aos poucos, a emissora passou ser líder de audiência, enquanto a TV Marajoara começou perder audiência até a extinção em 18 de julho de 1980.

O jornalismo da TV acompanhou momentos inesquecíveis. Enchentes como a de 1977, no Baixo Amazonas, foram vistas em todo o país. O primeiro Círio que a TV Liberal transmitiu teve a marca da ousadia. “Ao vivo”, somente o que passava em frente ao prédio da emissora. Os outros momentos eram gravados e exibidos entre uma e outra chamada da avenida Nazaré. Foi uma experiência pioneira, que abriu espaço para novas ousadias.

TV em Cores[editar | editar código-fonte]

Para passar do tempo das reportagens feitas em preto e branco ou em filme colorido, que era tão bonito quanto caro, o jornalismo contou com a criatividade de Walter Jr. que, um dia, na condição de Chefe de Reportagem, mandou fazer uma matéria colorida, no Paraíso das Tartarugas (uma reserva doméstica de quelônios, que viviam em tanques e, chamados pelo nome, reconheciam a voz da dona e apareciam). Era uma atração turística excepcional, que só existiu porque, naquela época, o Ibama ainda não havia sido criado.

Pelas normas da emissora, jamais se gastaria filme colorido, usado apenas para grandes eventos, mostrando tartarugas. A novidade é que Walter usou um pesado equipamento de videotape e uma câmera colorida. Antes, esse processo era artesanal, porque o filme tinha que ser revelado. Agora, com uma fita semelhante a um k-7, o trabalho ficava infinitamente menor. A qualidade, também.

Assim foi feita a primeira matéria colorida da TV Liberal e quase valeu a demissão de Walter, que sem autorização superior utilizou indevidamente o filme colorido. Quando soube que recursos haviam sido usados, o jornalista Romulo Maiorana gostou tanto da ideia, que comprou uma caminhonete Veraneio, mandou adaptá-la para o transporte do VT e nunca mais se fez matéria em preto e branco. Walter declarou mais tarde sobre o acontecimento que o filme colorido estava ficando inviável em todos os sentidos e isso foi uma boa solução, que foi declarado, o “inventor” da cor na emissora.

Por causa disso, o jornalismo da TV Liberal decolou. Tudo o que era feito tinha a nitidez da realidade.

Incêndios em Belém[editar | editar código-fonte]

No incêndio que destruiu o supermercado Pão de Açúcar, os detalhes da operação dos bombeiros foram mostrados pela televisão. Algum tempo depois, a loja Tágide Veículos também foi consumida pelo fogo.

Por uma coincidência que só alcança o caminho de quem sabe o que está fazendo, o jornalista Romulo Maiorana despachava, na sede na emissora, na hora em que o fogo começou. Uma equipe, que estava na rua, foi acionada. Outra saiu do prédio da avenida Nazaré e as duas se encontraram no local.

Ainda impressionado com a qualidade da cobertura do sinistro anterior, mandou desencaixotar, às pressas, duas câmeras que havia comprado, nos Estados Unidos e das quais ninguém, a não ser ele, tinha notícia.

No total, quatro câmeras foram utilizadas, numa cobertura inédita. O próprio Romulo Maiorana foi para o local do incêndio e coordenou os trabalhos.

A TV Globo mostrou a reportagem para todo o país e assinou a matéria com uma frase inédita: “reportagem da TV Liberal”.

Teleprompter[editar | editar código-fonte]

A apresentadora Nelma Nicolau recriou a “dália”, um recurso do teatro que consistia em colocar, numa folha de cartolina, com letras bem grandes, a parte da fala que, por acaso, não houvesse decorado.

Nelma não gostava de ficar lendo e olhando para a tela. Por isso, passou a escrever, em rolos de cartolina, o trecho que lhe cabia. A engenhoca ia sendo movimentada para baixo e, dessa forma, surgiu o primeiro teleprompter da televisão paraense, só que artesanal feito pela emissora.

TV Liberal: Reformas em 1980[editar | editar código-fonte]

Em 1980, quatro anos depois de implantada, a TV Liberal passa por uma completa reforma administrativa. Ribamar Gomes, supervisor de operações da emissora e uns dos responsáveis pela área técnica da TV, deixa a emissora.

Na reforma administrativa, o administrador de empresas Fernando Nascimento havia sido contratado para elaborar um diagnóstico da Rádio Liberal AM. Mais tarde, Romulo Maiorana ampliou sua missão contratando-o para a Televisão. Com uma experiência suficiente apenas para ligar e desligar o aparelho de TV que tinha em casa, ele aceitou o desafio de dirigir a emissora.

TV Liberal: Via Satélite (1981-1985)[editar | editar código-fonte]

Em 1981, ocorreu uma grande mudança desde 1976: a TV Liberal entrou na era do satélite, os malotes que traziam os capítulos das novelas e os programas gravados, que geraram atrasos na programação, deixaram de ser usados. A emissora passa exibir a programação via satélite da Rede Globo.

No mesmo ano, as limitações tecnológicas e as transmissões esportivas acabam, quando a decisão do Campeonato Paraense foi transmitida para Belém. Na equipe de transmissão os repórteres Adailton Cunha e Emanuel Villaça. O Paysandu venceu o Remo por 3x1 e ficou com o título.

Quem comemorou também foi a TV Liberal, que viu que era possível derrubar barreiras para oferecer o melhor aos seus telespectadores. Durante os anos 80, com a consolidação da equipe de esportes, as transmissões ao vivo foram se tornando mais frequentes pela emissora.

A emissora comprou câmeras com o recurso do teleprompter (que lia notícias a frente da câmera), sem possibilidade de tirar cara e olhos na frente da tela quando telespectadores perceberem, o acabou com riscos de erros comuns dos telejornais, que eram falados do que com imagens e os apresentadores precisavam ler o texto com antecedência.

Em 1983, a TV Liberal contratou o engenheiro eletrônico Denis Brandão, que assumiu a recém-criada Diretoria de Engenharia, com a missão de manter a emissora atualizada tecnologicamente.

A partir do mesmo ano, a Corrida do Círio entrou para o calendário de eventos esportivos da cidade. Naquele ano foram apenas 150 participantes.

A emissora compra o equipamento de videocassetes U-Matic, deixando o quadruplex restrito à produção de comerciais da emissora.

As fitas quadruplex com duas polegadas (aproximadamente 5,08 centímetros de largura) em carretéis foram substituídas pelas de ¾ de polegadas (1,9 cm) dentro de cassetes.

Na U-Matic, as equipes saíam para rua, levando iluminador, câmera e operador de VT. A fita (era semelhante a um cassete de uso doméstico, só que bem maior) era colocada no equipamento e a reportagem podia ser feita com mais facilidade, ainda que as baterias tivessem pouca duração.

O videotape passou a ser usado em larga escala e os equipamentos foram ficando cada vez menores. Walter Guimarães, Afonso Klautau, Ronald Junqueiro e Emanuel Villaça dirigiram o jornalismo da emissora em momentos diferentes e testemunharam os saltos de qualidade da produção de notícias.

A Rede Globo criou o Núcleo de Rede, um setor da emissora ligado diretamente à Central Globo de Jornalismo, a Região Norte entrou definitivamente na escalada da notícia. As matérias produzidas em Belém tinham cada vez mais espaço na rede.

A morte de Maiorana[editar | editar código-fonte]

Às vésperas da TV Liberal completar 10 anos no ar, morre Romulo Maiorana em abril de 1986. A viúva, Lucidéa Maiorana, assume a presidência da emissora. Os filhos assumem a direção da ORM.

TV Liberal (1987-1990)[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 80, os telejornais Jornal Hoje Local e Jornal Nacional Local, são substituídos por Jornal Liberal 1ª Edição e Jornal Liberal 2ª Edição.

As de maior apelo remetem à paixão do brasileiro, que é o futebol. Jogadores como Alcindo, o gigante, que jogou no Remo, e Dário, Dadá Maravilha, o peito de aço, cujo desembarque em Belém, onde defendeu as cores do Paysandu, foi transmitido ao vivo pela TV Liberal, acabaram virando estrelas do noticiário.

Além do futebol, outras modalidades esportivas, amadoras ou profissionais, também proporcionaram momentos que permanecem na memória do telespectador. O paraense Agberto Guimarães, estrela do atletismo nacional, foi, por muitos anos, presença obrigatória em todo programa de esporte. Afinal, tratava-se de um campeão.

O pugilista Dalgiso Ribeiro, que foi assassinado em 1988, poucos meses depois de conquistar o título brasileiro na categoria peso galo, teve sua carreira registrada bem de perto pelas equipes da TV.

TV Liberal (1991-2000)[editar | editar código-fonte]

Em 1991, o primeiro jogo da decisão do título brasileiro da segunda divisão, entre Paysandu e Guarani de Campinas, foi transmitido por Gilson Faria, com reportagem de Plácido Ramos.

No mesmo ano, a emissora cobriu a visita do papa João Paulo II a Belém, com grande destaque a rede.

Em 1992, os índios Caiapó fazem de refém o jornalista Emanuel Villaça, por causa de uma matéria mostrando o cacique Paiakã como responsável pela agressão sexual a uma professora.

No esporte, a emissora fez mesma cobertura com o paraense Marcos Pinheiro, que foi campeão sul-americano de saltos ornamentais, em 1992, e com o piloto de Fórmula Ford, Marcos Gueiros.

No período em que os clubes paraenses estiveram na primeira divisão do futebol nacional, entre 1992 e 1995, vários jogos foram transmitidos, como Remo x Palmeiras, no Estádio Palestra Itália, e a histórica vitória do Paysandu sobre o São Paulo, por 2x1, dentro do Morumbi.

A TV Liberal também investiu muito no marketing esportivo. Promoveu vários torneios como as Copas Liberal de Futebol Social e de Futsal e o Intercolegial de Vôlei, entre outros.

Em 1994, Syanne Neno tornou-se a primeira repórter esportiva da emissora. Meses depois de estrear na TV, começou a publicar uma coluna chamada “De Salto Alto”, no jornal “O Liberal”. As crônicas semanais mostravam a visão feminina de um esporte machista em sua essência. A coluna acabou transportada para a tela do Globo Esporte e posteriormente chegou a ser exibida para todo o Brasil, no Esporte Espetacular. A experiência de Syanne Neno abriu espaço para outras mulheres.

Nos anos 90 estreou o novo programa local: Liberal Comunidade, de todos os domingos.

Em 17 de abril de 1996, a emissora fica conhecida nacionalmente, quando a equipe que estava em Eldorado dos Carajás para reportagem sobre o bloqueio do Movimento dos Sem Terra (MST) a rodovia estadual PA-150, quando MST tentaram avançar contra os policiais e são massacrados a tiros, que ficou conhecido como Massacre do Eldorado dos Carajás, com repercussão nacional. A partir de então, os problemas agrários no Estado até então interesse apenas local, viraram assunto nacional.

No mesmo ano, a emissora troca o sistema U-Matic pelo Betacam, que reduziu o tamanho e o preço das máquinas.

Agora, a fita cassete Betacam tem a largura de ½ polegada (1,27 cm) já eram usadas as “camcorders” (câmeras com gravador), que determinaram a aposentadoria dos velhos equipamentos da U-Matic.

Apesar do Betacam seja mais caro que o U-Matic, é a mais leve, mais prático, de muito mais qualidade.

Em 2000, o projeto mais ousado pela emissora foi a compra dos direitos de transmissão do Campeonato Paraense de 2000 para todo o Estado. Era uma experiência inédita no Pará, pois nunca uma emissora de TV aberta havia tentado coisa parecida. Isso fazia parte de uma política da Rede Globo para aquele ano, quando boa parte das emissoras afiliadas transmitiu jogos de campeonatos estaduais.

Em 2000, a Corrida do Círio já era prova mais tradicional do atletismo no Norte do país.

TV Liberal (2001-Atual)[editar | editar código-fonte]

Em 2001, os telejornais diários, Liberal Comunidade, Bom Dia Pará, Jornal Liberal 1ª Edição e Jornal Liberal 2ª Edição, ganharam novos cenários. As mudanças foram por conta das orientações da Rede Globo, que pediu reformulamento todos os telejornais das afiliadas.

No mesmo ano, em outubro, a Corrida do Círio já era prova mais tradicional do atletismo no Norte do país e 2.500 atletas de todo o país e do exterior correram pelas ruas de Belém, com cobertura da emissora.

No início de 2002, os Desportos Aquáticos tiveram destaque nacional, com a realização do Campeonato Sul-Americano de Natação, categoria absoluto. Belém recebeu 500 atletas de 12 países, entre eles o medalhista olímpico Gustavo Borges e a TV Liberal fez cobertura.

Em 2004, estreou o programa É do Pará (exibido todos os sábados).

Em 2006, os cenários e nomes dos telejornais Jornal Liberal 1ª Edição e Jornal Liberal 2ª Edição são substituídos para siglas de JLTV 1ª Edição e JLTV 2ª Edição.

Em 10 de Setembro de 2009 a TV Liberal iniciou as transmissões da TV digital, através do canal 21 digital para toda a capital Paraense.

Em 2011, ano em que completa 35 anos, a emissora resolveu promover um show realizado no Cidade Folia, em Belém, com a participação de cantores regionais, como Banda Calypso,Fafá de Belém e a aparelhagem Super Pop, além da participação de artistas Globais. O ingresso era um quilo de alimentos não-perecíveis.

Em 27 de junho de 2011, os telejornais da emissora mudaram de cenário e aderiram ao modelo Padrão 2010 da Rede Globo.

Em 18 de janeiro de 2012 a torre da TV Liberal ganhou uma iluminação inteligente. A torre agora conta com possibilidades luminotécnicas praticamente infinitas. Em apenas dez dias, foram instalados 112 projetores Wall Washer de última geração, cada um com 36 LEDs. Todos são controláveis individualmente, o que gera um maior número de combinações. Além disso, o sistema conta com dois painéis de gerenciamento Glass Touch, sensíveis ao simples toque, cada um contendo 12 cenas diferentes pré- programadas.

No dia 20 de abril de 2012, ao meio-dia, houve o lançamento dos portais G1 Pará, Globoesporte.com Pará e o novo site da TV Liberal, neste dia, Layse Santos (comentarista do JLTV 1) apresentou o Jornal Liberal 1ª edição diretamente da redação do G1 Pará.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]