Tachelhit
| Tachelhit (Tašelḥiyt, Tašəlḥit) | ||
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| Outros nomes: | Tachelhiyt, Tasusit, Shilha, Chleuh, Chelha Ou Amazirt N Suss | |
| Falado em: | ||
| Região: | Suz, Alto Atlas, Anti-Atlas | |
| Total de falantes: | 3 a 9 milhões (as estimativas variam conforme as fontes) | |
| Família: | Línguas afro-asiáticas Línguas berberes Línguas berberes setentrionais Línguas berberes do Atlas Tachelhit |
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| Escrita: | tifinagh, latina, árabe | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | --- | |
| ISO 639-3: | shi | |
O tachelhit (em berbere: tašelḥiyt), tachelhiyt, tasusit, shilha (AFI: [ˈʃɪlhə/]),nt 1 chelha, chleuh ou amazirt n Suss (berbere do Suz) é um idioma do sul de Marrocos, falada pelos chleuhs (ou ichelhin). É a língua berbere mais importante de Marrocos em número de falantes e em área.
É falado numa área que vai desde as encostas meridionais do Alto Atlas (eixo Demnat-Ouarzazate), a norte, até aos limites sul do Anti-Atlas, e desde a costa atlântica, a oeste, até ao Vale do Drá, a leste.nt 2 O núcleo geográfico central do tachelhit corresponde aproximadamente à região histórica do Suz.
O tachelhit é chamado tasusit pelos falantes de tamazight do sudeste marroquino, para o distinguirem da sua própria língua, a que eles também chamam tachelhit, mas a intercompreensão entre os dois idiomas não é completo.
O idioma é conhecido pela riqueza da sua literatura oral. A literatura escrita, usando alfabeto árabe berbere, surge a partir da segunda metade do século XVI. Mohamed Awzal (1680–1749) é o poeta mais prolífico da tradição literária tachelhit.
Índice |
Geografia e demografia [editar]
O Suz (Souss), a região do sudoeste de Marrocos correspondente à divisão administrativa de Souss-Massa-Drâa, é a zona central do tachelhit. Os seus habitantes são os Aït Souss (Ist Souss no feminino), Ousous no singular (Oultsous no feminino). A capital da região, Agadir, é a cidade com mais falantes de tachelhit.
Não há estatísticas fiáveis sobre o número de falantes de tachelhit. Os dados recolhidos sobre o assunto no censo de 1994 não foram publicados. As estimativas consideradas mais fiáveis, como as de Harry Stroomer, diretor do Departamento de Estudos Berberes da Universidade de Leida, apontam para 8 a 9 milhões de falantes de tachelhit no mundo, contando não só os falantes de Marrocos, mas também as comunidades emigrantes ou descendentes de emigrantes, nomeadamente na França, Bélgica, Alemanha, Países Baixos e Israel. Estas estimativas levaram o estudioso belga a concluir que o tachelhit é a língua berbere mais falada do mundo.
Em Marrocos, fora do das zonas rurais, é raro que os falantes de tachelhit sejam monolingues, sendo normalmente bilingues (tachelit e árabe) ou trilingues (francófonos além das outras duas línguas).
Literatura [editar]
À semelhança doutras línguas berberes, o tachelhit tem um corpus importante de literatura oral numa grande variedade de géneros. Entre estes destacam-se as fábulas e contos de animais, contados pelas mulheres, as lendas (H'mad ounamir e outras), as histórias de imãs ou de talebs (estudantes de madraças), enigmas, etc. Há também um tradição literária escrita, menos conhecida, que remonta ao século XVI.
Durante pelo menos quatro séculos, o tachelhit foi escritos com letras locais, numa variedade magrebina do alfabeto árabe. O autor mais prolífico desta tradição foi Mohamed Awzal (1680-1749). O texto mais longo existente em tachelhit é um comentário sobre o El-Hawd, a principal obra literária de Awzal, intitulado El-Mandja ("A Pastagem"), escrito por Lahsen Ou Mbark Outmouddizt Abaaqil (1844-1899).
Há duas coleções importantes de manuscritos em tachelhit em Aix-en-Provence (espólio deo linguista Arsène Roux) e em Leida. Praticamente todos os escritos são de natureza religiosa e o sue principal objetivo era instruir as gentes comuns iletradas. Muitos desses textos foram escritos em verso para facilitar a memorização e a recitação.
A língua escrita difere em alguns aspetos da falada. Os textos manuscritos, por exemplo, habitualmente contêm uma mistura de variantes dialetais que não se encontram num dialeto simples. A língua dos manuscritos comporta igualmente um número superior de termos árabes do que a forma oral, um fenómeno chamada de "arabismo poético" por Paulette Galand-Pernet. Outras carcaterísticas da língua escrita incluem a utilização duma forma plural em vez do singular.
Vocabulário [editar]
Como todas as línguas berberes, o tachelhit absorveu um grande número de palavras árabes, particularmente no domínio religioso. No entanto, o tachelhit é uma das línguas berberes do grupo norte menos contaminadas: a taxa de empréstimo do árabe, é da ordem dos 25%, muito inferior à das línguas mediterrânicas, como por exemplo, o cabila com 38%. O tachelhit é igualmente uma das raras línguas berberes que conservou a antiga numeração berbere, embora nas zonas de contacto mais intenso, nomeadamente urbanas, a numeração árabe tem tendência expandir-se.
Há variações de uma região para outra, as quais não poem em causa a intercompreensão. A estrutura gramatical e de vocabulário é próxima de outras línguas berberes.
Provérbios tachelhit [editar]
- Aquele que chama o vento não chora sobre a palha (não se lamentar as consequências daquilo que desejaste).
- Aquele que quer obter farinha deve estender as pernas para fazer rodar a mó.
- Só a tua mão coçará onde tens comichão (não contes com mais ninguém senão tu próprio em caso de desgraça).
- Aquele que recorre aos Ttêlba (aos letrados) para que lhe leiam o Alcorão todo não se lastima quando eles comem a metade da tigela de manteiga (quando se quer alguma coisa não se pode olhar a despesas).
- Aquele que quer coisas agradáveis deve suportar com paciência as coisas desagradáveis (a felicidade está na resignação).
- Aquele que não tem paciência terá cólicas.
- O homem inteligente compreende, o burro come a palha.
Notas [editar]
- Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em francês, cujo título é «Tachelhit», especificamente desta versão.
- ↑ Shilha ou chelha é um termo árabe frequentemente usado para designar diversas variantes das línguas berberes.
- ↑ Segundo algumas fontes, a área do tachelhit estende-se a todo o sudoeste do Alto Atlas ou inclusivamente aos arredores de Marraquexe, a norte, e para sul até à região de Guelmim e é falado em todo o Vale do Drá, bem como nas zonas fronteiriças argelinas adjacentes a essas regiões.
Bibliografia [editar]
- Bounfour, Abdellah; Boumalk, Abdallah. Vocabulaire usuel du tachelhit (em francês). Rabat: Centre Tarik Ibn Zyad.
- Mountassir, Abdallah El. Initiation au tachelhit, dialecte berbère du sud du Maroc (em francês). [S.l.]: L'Asiathèque, collection Dialectes mondes.
- Mountassir, Abdallah El. Dictionnaire des verbes tachelhit-français (parler berbère du sud du Maroc) (em francês). [S.l.]: L'Harmattan, 2003.
- Galand-Pernet, Paulette. Littératures berbères, des voix, des lettres (em francês). [S.l.]: Presses Universitaires de France, 1998.
- Galand-Pernet, Paulette. Recueil de poèmes chleuhs (em francês). [S.l.]: Klincksieck, 2000.
- Quitout, Michel. Grammaire berbère (rifain, tamazight, chleuh, kabyle) (em francês). [S.l.]: L'Harmattan, 1997.
- Stroomer. Three Tashelhiyt Berber Texts from the Arsène Roux Archives. [S.l.: s.n.]. in Evidence and Counter-Evidence. Essays in Honour of Frederik Kortlandt (em inglês). [S.l.]: Rodopi, 2008. 428 p. p. 389. vol. 2. ISBN 978-9042024717 Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
Ligações externas [editar]
- Lewis, M. Paul (ed.) (2009). Tachelhit (em inglês). www.ethnologue.com. Ethnologue: Languages of the World, 16ª ed. Dallas. Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
- The Tachelhit Language (em inglês). MultiTree.org. Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
- Le Tachelhit ou Chleuh (Maroc) (em francês). Centre de Recherche Berbere de l'INALCO (www.centrederechercheberbere.fr). INALCO. Arquivado do original em 20 de julho de 2011. Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
- Portal chleuhs.com (em francês). Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
- Thématisation et focalisation en Chleuh (em inglês). www.amazighworld.net. Amazigh World (2002). Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.