Taguatinga (Distrito Federal)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Região Administrativa de Taguatinga
Bandeira de Taguatinga
Bandeira
Hino
Região Administrativa III
Fundação: 5 de junho de 1958
Lei de criação: 4545 de 10 de dezembro de 1964

Mapa de Taguatinga

Limites: Ceilândia, Brazlândia, Brasília, Vicente Pires, Águas Claras, Riacho Fundo e Samambaia
Distância de Brasília: 21 km
Administrador(a): Marco Aurélio Sousa Bessa[1]
Área  
 - Total 121,34[2] km²
População  
 - Total 221.909[3] habitantes '
IDH 0,855 elevado SEPLAN/2000[4]
Site governamental www.taguatinga.df.gov.br

Taguatinga é uma região administrativa do Distrito Federal brasileiro.

História[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1749, nas proximidades do Córrego Cortado, surgiu um pequeno povoado, formado por bandeirantes e tropeiros que buscavam estabelecer sesmarias na Capitania de Goiás, este foi o primeiro pouso do homem branco nas futuras terras da cidade de Taguatinga,[livro 1] antes ocupada por indígenas do tronco linguístico macro-jê, como os acroás, os xacriabás, os xavantes, os caiapós, os javaés, etc. No entanto, alguns desses aventureiros se fixaram animados pela possibilidade de ouro e diamantes, próximo ao Cortado. Às margens do mesmo córrego foi instalada a sede da fazenda Taguatinga, de propriedade de Gabriel da Cruz Miranda.[livro 1] Em 1781, a fazenda Taguatinga foi vendida a Antônio Couto de Abreu, filho do Bandeirante Urbano Couto e Menezes.[livro 1]

A consolidação da cidade se deu bem mais tarde, quase 2 séculos após esse período, gerada principalmente pelo grande contingente populacional atraído pela construção de Brasília.

Com a transferência da capital do Brasil para o interior do país, muitos operários se deslocaram de todas as regiões para construir a nova capital, no entanto, resolveram fazer ali também sua morada. Mas como, eram pobres, invadiram terras e construíram barracos, revelando para um país que cria em seu rápido desenvolvimento a realidade de pobreza em que vivia sua população.

Para conter as invasões constantes em terras próximas da capital, foi criada a cidade de Taguatinga, em 5 de junho de 1958, em terras que anteriormente pertenciam à Fazenda Taguatinga. Inicialmente, a cidade se chamava "Vila Sarah Kubitschek" mas, depois, seu nome foi alterado para "Santa Cruz de Taguatinga", permanecendo apenas Taguatinga. Não raro, é chamada pelos habitantes locais simplesmente de "Taguá".

Alguns meses depois dos primeiros moradores terem se mudado para Taguatinga, já funcionavam no local, escolas; hospitais; estabelecimentos comerciais, etc. Era o princípio do povoamento da primeira então cidade-satélite de Brasília.

Taguatinga desenvolveu-se especialmente em função do comércio e dos empregos que sua população obtinha em Brasília. Tornou-se um importante centro comercial dentro do Distrito Federal e polo de atração para a população das cidades próximas, abrigando shopping centers de grande porte. Taguatinga, hoje, é uma das regiões mais ricas do Distrito Federal, sendo hoje é considerada a capital econômica do Distrito Federal.[livro 1] Algumas cidades que antigamente faziam parte da região administrativa de Taguatinga são: Ceilândia, Samambaia, Águas Claras e Vicente Pires.

A padroeira da cidade é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,[5] cuja festa litúrgica se dá em 27 de junho.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O sufixo "-tinga" significa "branco" em língua tupi. Já sobre o prefixo "ta’wa-" há bastante controvérsia.

Em um primeiro momento "ta’wa" foi traduzido como "ave", e "ta’wa’tinga" significaria "ave branca".[6] O Centro Educacional Ave Branca (CEAB) tem este nome por este motivo, e também por este motivo uma ave faz parte da Bandeira de Taguatinga, que foi inspirada no poema Ta’Wa’Tiga de Antonio Garcia Muralha. Com efeito, o gavião-tesoura - predominantemente branco - é muito comum na região, embora não se tenha registro de o animal ser conhecido por "Taguatinga".

Mas Taguá, uma espécie de argila amarelada ou vermelha, vem do tupi "ta’wa" (que pode ter originado também a palavra "taba", casa indígena). Assim, "ta’wa" significa "barro", e "ta’wa’tinga''" significaria "barro branco"[6] [7] [8] [9] ocorrência geológica que se verifica na região,[7] principalmente perto do Córrego Taguatinga e do Córrego Cortado.[9]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Taguatinga insere-se na porção oeste do Distrito Federal, do ponto de vista geográfico. Suas coordenadas são 15°50′00 (S), 48°03′23 (O), ficando a uma altitude de 1 200 metros acima do nível do mar, cujo relevo é em sua maior parte plano, apresentando algumas leves ondulações. A flora corresponde à predominantemente típica do domínio do cerrado. Em alguns lugares da cidade é possível observarem-se espécies de gimnospermas, como os pinheiros e também diversos tipos de árvores provenientes de outros biomas brasileiros.

Caracterização topográfica[editar | editar código-fonte]

A compartimentação topográfica, apresentada pelo IGA/DF para a região administrativa, revela os seguintes dados: relevo plano (60%) e ondulado (40%). Formado em sua grande maioria por solos Latossolos, e ainda solos Cambissolos, Hidromórficos - Plintossolos e Solos Gleis Indiscriminados.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é tropical de altitude, com um verão úmido e chuvoso e um inverno seco e relativamente frio.[10] A temperatura pode chegar aos 30,6 °C de média das máximas em setembro, e aos 13,9 °C de média das mínimas em julho.[10]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

O Distrito Federal possui grande variedade de vegetação, reunindo 150 espécies. A maioria é nativa, típica do cerrado, e de porte médio, com altura de 15 a 25 m.[11] Muitas são tombadas pelo Patrimônio Ecológico do Distrito Federal, para garantir sua preservação.[11] Algumas das principais: pindaíba, paineira, ipê-roxo, ipê-amarelo, pau-brasil e buriti.[12]

A preservação da vegetação no Distrito Federal é um tema recorrente, principalmente pela preocupação em conservar a flora original. O desmatamento provocado pela expansão da agricultura é um dos problemas enfrentados na região de Taguatinga e no Distrito Federal, sendo que, segundo a Unesco, desde sua criação, nos anos 1950, 57% da vegetação original do Distrito Federal não existe mais.[13] Para colaborar com a preservação, são realizados programas de conscientização e de reformas estruturais para diminuir a degradação da vegetação e também da fauna e rios da região.[14]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Estes são os córregos que banham a cidade, divididos por bacia hidrográfica:[2]

Bacia do Lago Paranoá Bacia do Rio Descoberto
Córrego Cabeceira do Veado Ribeirão das Pedras
Córrego Vicente Pires Córrego Currais
Córrego Samambaia Córrego Cortado
Córrego Águas Claras Córrego Taguatinga
Córrego Olho D'água Ribeirão Taguatinga
Córrego Arniqueira Córrego dos Currais
Córrego Vereda Grande

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população taguatinguense distribui-se num território cuja extensão corresponde a 121,34 km². Considerando-se as constantes perdas de território que Taguatinga sofreu nos últimos anos, o seu índice de crescimento populacional se reduziu bastante.[2] Considerando sua área e a população atualizada da região administrativa, a densidade demográfica é de 1.828,82 hab./km².

Taguatinga hoje possui cerca de 221.909 habitantes (PDAD 2010/2011).

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Vista parcial da Praça do Relógio, no centro de Taguatinga

Dividida em três áreas (Taguatinga Norte, Taguatinga Centro e Taguatinga Sul), Taguatinga é formada por setores de quadras residenciais, comerciais e industriais.

Os setores são identificados por siglas, que formam o endereçamento da cidade.

Assim, em Taguatinga Norte, há os setores Quadra Norte "A", Quadra Norte "B", etc., cujas quadras são costumeiramente referenciadas pelas siglas, seguidas da numeração da quadra: QNA 2, QNB 15, QNC 8, etc. Normalmente cada quadra corresponde a uma rua. Mas, nos setores QNL e QNM (os últimos de Taguatinga Norte, já no limite com Ceilândia), cada quadra corresponde a um conjunto de ruas de casas ou blocos de apartamento.

Em Taguatinga Sul, a identificação é análoga: Quadra Sul "A", Quadra Sul "B", etc., normalmente referenciadas pelas siglas: QSA 2, QSB 10, etc. Por ser esta região menor em extensão que a Norte, o último setor de Taguatinga Sul é o QSF (há ainda o setor CSG, comercial).

As quadras comerciais de cada setor são identificadas pela letra "C" no início da sigla. Assim, temos: CNA 1, CNB 13, CSB 8, CND 2, etc.

As quadras no centro de Taguatinga são identificadas simplesmente pela letra "C". Assim, temos: C1, C2, C3, etc.

As quadras do setor industrial, em Taguatinga Norte, são identificadas como "QI" (Quadra Industrial).

Economia[editar | editar código-fonte]

Os principais centros comerciais da cidade são a Avenida Comercial (dividida em Norte e Sul), Avenida Central e Avenida Hélio Prates, o Alameda Shopping e o chamado Pistão Sul, onde se localizam o Taguatinga Shopping, hipermercados, uma feira de moda, um centro empresarial, diversas faculdades, uma fábrica de refrigerantes, e inúmeras revendedoras de automóveis, entre outros estabelecimentos.

Um pequeno centro de indústrias (a QI) encontra-se entre a Avenida Samdu Norte e a Avenida Hélio Prates. Há outra área industrial importante nas proximidades da BR-060.

A região conhecida como "Setor H Norte", próxima à BR-070, concentra uma grande variedade de oficinas e lojas de auto-peças. Já no setor QNL, próximo à Avenida Elmo Serejo, há um pequeno setor de indústrias gráficas (SIGT).

A cidade foi a 12ª região com lançamentos mais caros do Brasil em 2012, segundo o "Anuário do Mercado Imobiliário Brasileiro da Lopes", com oito empreendimentos, 1.192 unidades e 639 milhões de reais em "Valor Geral de Vendas".[15] Comparativamente, o DF foi o quarto maior mercado nacional em 2012, com lançamentos que somaram um VGV de 3,3 bilhões de reais.[15]

Acesso e transportes[editar | editar código-fonte]

As chamadas "Estradas Parques" fazem a ligação rodoviária entre Taguatinga e Brasília. São três as vias de acesso:

  • DF-085 (Estrada Parque Taguatinga - EPTG, ou "Linha Verde");
  • DF-095 (Estrada Parque Ceilândia - EPCL, ou "Via Estrutural");
  • DF-075 (Estrada Parque Núcleo Bandeirante - EPNB).

A rodovia federal BR-070, que margeia o setor norte da cidade, dá acesso aos municípios goianos de Águas Lindas de Goiás e Pirenópolis.

Algumas das principais vias internas de Taguatinga são:

Taguatinga é servida por três estações do Metrô de Brasília:

Há vários terminais de ônibus urbanos, além da Rodoviária de Taguatinga, de onde partem ônibus interestaduais.

A Praça do Relógio, na região central da cidade, é a área melhor servida por transporte público. O usuário pode optar por metrô, ônibus e táxi.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Após denúncias, GDF nomeia novo administrador de Taguatinga Correio Braziliense (06/12/2013). Visitado em 14/01/2014.
  2. a b c Geografia de Taguatinga Portal do Cidadão - Taguatinga. Visitado em 17/07/2012.[ligação inativa]
  3. Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios - 2010/2011 Codeplan. Visitado em 14/01/2014.
  4. Ranking decrescente do IDH-M das Regiões Administrativas do Distrito Federal Secretaria de Planejamento e Orçamento do Governo do Distrito Federal (SEPLAN/DF) (2000). Visitado em 22/07/2012.
  5. LEI Nº 2.908, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2002 (PDF) CLDF. Visitado em 22/10/2013.
  6. a b Taguatinga - Origem do Nome Anuário do DF. Visitado em 10/12/2010.
  7. a b Regiões Administrativas situadas na Bacia do Lago Parano: RA III – Taguatinga SEMARH Projeto Memória - SUCAR. Visitado em 10 de dezembro de 2010.
  8. Taguatinga (pdf). Visitado em 10/12/2010.
  9. a b Paulo Bertran. História da Terra e do homem no Planalto Central (pdf) GTPA - Fórum EJA/DF. Visitado em 17/07/2012.
  10. a b Climatologia para Taguatinga-DF Jornal do tempo. Visitado em 14/01/2014.
  11. a b Correio Braziliense Diários associados (11/07/2003). Visitado em 22/07/2012.
  12. Flora Aspectos físicos Guia de Brasília. Visitado em 22/07/2012.
  13. Meio Ambiente Secretaria de Comunicação da UnB. Visitado em 22/07/2012.
  14. Governo.
  15. a b As 20 regiões com lançamentos mais caros do Brasil em 2012 Exame.com (22/04/2013). Visitado em 10/09/2013.

Bibliografia

  1. a b c d Alberto Bahouth Júnior. Taguatinga - Pioneiros e Precursores (em <código de língua não-reconhecido>). Taguatinga, DF: HP Mendes, 2008. 228 pp. 1 vols.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Taguatinga (Distrito Federal)