Talcott Parsons

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Talcott Parsons
Nome completo Talcott Edgar Frederick Parsons
Nascimento 13 de dezembro de 1902
Colorado Springs
Morte 8 de maio de 1979 (76 anos)
Munique
Nacionalidade  Estados Unidos
Alma mater Universidade de Heidelberg
London School of Economics
Amherst College
Ocupação sociólogo
Influências
Influenciados
Empregador Universidade Harvard

Talcott Edgar Frederick Parsons (Colorado Springs, 13 de dezembro de 1902Munique, 8 de maio de 1979) foi um sociólogo norte-americano. Seu trabalho teve grande influência nas décadas de 1950 e 1960. A mais proeminente tentativa de reviver o pensamento parsoniano, sob o título de "Neofuncionalismo", pertence ao sociólogo Jeffrey Alexander, da Universidade Yale.

Parsons serviu à Universidade Harvard entre 1927 e 1973. Inicialmente, foi uma figura central no Departamento de Sociologia de Harvard, e posteriormente no Departamento de Relações Sociais (criado por Parsons para refletir sua visão de uma ciência social integrada). Ele desenvolveu um sistema teorético geral para a análise da sociedade que veio a ser chamado de Funcionalismo Estrutural.

A análise de Parsons foi largamente desenvolvida em suas principais obras publicadas. Assim como outros sociólogos, ele buscou combinar atividade humana e estrutura em uma teoria e não se limitou ao Funcionalismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai foi um pastor Congregacionalista e depois reitor da Faculdade Marietta em Ohio. Como universitário, Parsons estudou Biologia e Filosofia na Faculdade Amherst e recebeu seu título de bacharel em 1924. Depois de Amherst, ele estudou na London School of Economics por um ano, onde se familiarizou com a obra e o pensamento de Harold Laski, R. H. Tawney, Bronislaw Malinowski, Leonard Trelawny Hobhouse. Depois, na Universidade de Heidelberg, recebeu o título de Ph. D. em Sociologia e Economia. Foi em Heidelberg que ele se familiarizou com as ideias de Max Weber, então relativamente desconhecido entre os sociólogos americanos. Parsons traduziu diversos textos de Weber para o Inglês. Depois de um ano lecionando em Amherst (1923-1924), conseguiu um cargo em Harvard, primeiro em Economia e depois em Sociologia. Obteve seu primeiro reconhecimento significativo com a publicação de A Estrutura da Ação Social em 1937, sua primeira grande síntese, combinando as ideias de Durkheim, Weber, Pareto, entre outros. Em Harvard, formou o Departamento de Relações Sociais, um projeto interdisciplinar de Sociologia, Antropologia e Psicologia. Nacionalmente, ele foi um grande defensor da profissionalização da Sociologia e de sua expansão na academia americana. Foi eleito presidente da Sociedade Americana de Sociologia em 1949 e serviu como secretário entre 1960 e 1965. Ele saiu de Harvard em 1973, mas continuou ensinando (em outras universidades, como professor visitante) e escrevendo até a sua morte em 1979, durante uma viagem à Alemanha.

Ideias[editar | editar código-fonte]

Parsons foi um defensor da "Grande Teoria", uma tentativa de integrar todas as ciências sociais em um amplo trabalho teorético. Sua obra inicial - A Estrutura da Ação Social - reviu a produção de seus grandes predecessores, especialmente Max Weber, Vilfredo Pareto e Émile Durkheim, buscando a partir deles uma simplificada "teoria da ação baseada na suposição de que a ação humana é voluntária, intencional e simbólica. Depois, envolveu-se com várias áreas: da Sociologia Médica até Antropologia, pequenas dinâmicas de grupo (trabalhando extensivamente com Robert Freed Bales, relações de competição e depois economia e educação.

Parsons desenvolveu suas ideias durante um período em que Teoria dos Sistemas e Cibernética estavam na linha de frente da ciência social e comportamental. Pensando sobre o uso de sistemas, postulou que os sistemas relevantes tratados na ciência social e comportamental eram "abertos", significando que eles estariam embutidos em um ambiente consistido de outros sistemas. O maior sistema é o "sistema da ação", consistindo em comportamentos humanos inter-relacionados, embutidos em um ambiente físico-orgânico.

O procedimento adotado por ele para analisar esse sistema e seus subsistemas é o chamado "Paradigma AGIL". Para sobreviver ou manter um equilíbrio respeitoso com o seu ambiente, um sistema deve se adaptar ao ambiente, atingir seus objetivos, integrar seus componentes e manter seu modelo latente. Esses são os imperativos funcionais do sistema.

No caso de se analisar um sistema de ação social, o paradigma AGIL, de acordo com Parsons, contém quatro subsistemas inter-relacionados e interpenetrantes: O comportamento de seus membros (A), a personalidade de seus membros (G), a sociedade como um sistema de organização social (I) e a cultura dessa sociedade (L). Para analisar a sociedade como um sistema social (o subsistema de ação I), as pessoas devem ordenar papéis associados a posições. Essas posições e papéis se tornam diferenciados em alguma extensão e em uma sociedade moderna são associados a coisas como papéis ocupacionais, políticos, judiciários e educacionais.

Considerando a inter-relação desses papéis especializados assim como coletividades funcionalmente diferenciadas (firmas, partidos políticos, etc.), a sociedade pode ser analisada como um complexo sistema de subsistemas funcionais interligados, sendo eles:

  • A economia - adaptação social para os seus sistemas ambientais de ação e não ação.
  • A política - atingir o objetivo social.
  • A comunidade social - a integração de seus diversos componentes sociais.
  • O sistema fiduciário - processos e unidades que reproduzem a cultura social.

Parsons elaborou a ideia de que cada um desses sistemas também desenvolveu alguns mecanismos simbólicos especializados de interação análogos ao dinheiro na economia. Vários processos de "intercâmbio" entre os subsistemas do sistema social foram postulados.

As análises mais elaboradas de Parsons sobre análises de sistemas funcionais usando o paradigma AGIL aparecem nos livros Economia e Sociedade e A Universidade Americana.

Parsons contribuiu para o campo do Evolucionismo Social e Neoevolucionismo. Ele dividiu a evolução em quatro subprocessos: 1)diferenciação, que cria subsistemas funcionais a partir do sistema principal, como discutido acima. 2)adaptação, quando esses sistemas evoluem para versões mais eficientes. 3)inclusão de elementos previamente excluídos dos sistemas dados. 4)generalização de valores, aumentando a legitimidade do sistema mais complexo.

Parsons explorou esses subprocessos em três estágios da evolução: 1)primitivo; 2)arcaico; 3)moderno. Sociedades arcaicas já teriam o conhecimento da escrita e sociedades modernas já teriam o conhecimento da lei. Parsons via a civilização ocidental como o pináculo das sociedades modernas, e de todas as culturas ocidentais, ele declarou os Estados Unidos como os mais desenvolvidos. Por isso, ele foi acusado de ser um etnocentrista.

Os últimos trabalhos de Parsons focalizaram-se em uma nova síntese teórica em torno de quatro funções comuns a todos os sistemas de ação - do comportamental ao cultural, e a possibilidade de comunicação entre eles. Sua tentativa de estruturar todo o mundo da ação social em apenas quatro conceitos foi demais para muitos sociólogos americanos, que estavam saindo das grandes pretensões dos anos 60 para adotar uma abordagem mais empírica. Isso levou a influência de Parsons a rapidamente desaparecer dos EUA de depois de 1970. Seu filho Charles Parsons é uma destacada figura na filosofia e na matemática.

Talvez, as mais notáveis contribuições teóricas de Parsons tenham sido as "variáveis de modelo"(Pattern Variables), o "paradigma AGIL" (The AGIL Paradigm) e o "Ato de unidade"(Unit Act).

Parsons influenciou Niklas Luhmann, sociólogo alemão, autor da "teoria dos sistemas autopoiéticos" (Autopoietic Systems Theory).

Variáveis de modelo[editar | editar código-fonte]

Segundo Parsons, há duas dimensões para as sociedades: instrumental e expressiva. Aqui, ele disse haver diferenças significativas entre tipos de interação social. Ele observou que os indivíduos podem ter relacionamentos personalizados baseados em seus papéis. As características que são associadas com cada tipo de interação, ele chamou de "variáveis de modelo". Alguns exemplos de sociedades expressivas poderiam incluir famílias, igrejas, clubes, torcidas e grupos sociais menores. Seriam exemplos de sociedades instrumentais os mercados, os agregados e as burocracias.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • A Estrutura da Ação Social (1937)
  • O Sistema Social (1951)
  • Economia e Sociedade - com N. Smelser (1956)
  • Estrutura e Processo nas Sociedades Modernas (1960)
  • Teorias da Sociedade - com Edward Shils, Kaspar D. Naegele e Jesse R. Pitts (1961)
  • Sociedades: Perspectivas Evolucionárias e Comparativas (1966)
  • Teoria Sociológica e Sociedade Moderna (1968)
  • Política e Estrutura Social (1969)
  • A Universidade Americana - com G. Platt (1973)
  • Sistemas Sociais e a Evolução da Teoria da Ação (1977)
  • Teoria da Ação e a Condição Humana (1978)

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Francois Chazel, La théorie analytique de la société dans l´æuvre de Talcott Parsons, Paris, Mouton, 1974.
  • Reinhard Damm, Systemtheorie und Recht: Zur Normentheorie Talcott Parsons, Berlin, Duncker & Humblot, 1976.
  • José Almaraz, La theoría de Talcott Parsons: la problemática de la constitución metodológica del objecto, Madrid, Centro de Investigaciones Sociológicas, 1981.
  • Jeffrey C. Alexander, The Modern Reconstruction of Classical Thought: Talcott Parsons, London, Routledge & Kegan Paul, 1983.
  • Alberto Marinelli, Struttura dell'ordine e funzione del diritto. Saggio su Parsons, Milano, Angeli, 1988
  • Riccardo Prandini, a cura di, Talcott Parsons, Milano, Bruno Mondadori, 1998.
  • Uta Gerhardt, Talcott Parsons. An Intellectual Biography, Cambridge, Cambridge University Press, 2002.
  • Realino Marra, Talcott Parsons. Valori, norme, comportamento deviante, «Materiali per una storia della cultura giuridica», XXXIV-2, 2004, pp. 315-27.
  • Manuel Gómez Herrera, La cultura de la sociedad en Talcott Parsons, Cizur Menor, Navarra,Thomas Aranzadi, 2005.
  • A. Javier Trevino, Talcott Parsons on law and the legal system, Newcastle, Cambridge Scholars, 2008.
  • Sandro Segre, Talcott Parsons: un'introduzione, Roma, Carocci, 2009.
  • Christopher Hart (ed.), Talcott Parsons. A Collection of Essays in Honour of Talcott Parsons, Chester, Midrash, 2009.