Talidomida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde março de 2014). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Talidomida
Alerta sobre risco à saúde
Thalidomide-2D-skeletal-wavy.svg
Nome IUPAC (RS)-2-(2,6-dioxopiperidin-3-il)-1H-isoindol-1,3(2H)-diona
Identificadores
Número CAS 50-35-1
PubChem 5426
DrugBank APRD01251
ChemSpider 5233
Código ATC L04AX02
SMILES
Farmacologia
Via(s) de administração oral
Metabolismo Hepático (CYP2C19)[1]
Meia-vida biológica a meia-vida mádia varia entre 5 e 7 horas após dose única; não é alterada em dosagem múltipla
Ligação plasmática 55% e 66% para os enantiômeros (+)-R e (–)-S, respectivamente
Classificação legal

C3 - Substância imunossupressora (Sujeita a Notificação de Receita Especial) (BR)


Prescription only

Riscos na gravidez
e lactação
X (EUA)
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico. Devido a seus efeitos teratogénicos, tal substância deve ser evitada durante a gravidez e em mulheres que podem engravidar, pois causa má-formação ou ausência de membros no feto.

História[editar | editar código-fonte]

A talidomida esteve ao mercado pela primeira vez na Alemanha em 1 de outubro de 1957. Foi comercializada como um sedativo e hipnótico com poucos efeitos colaterais. A indústria farmacêutica que a desenvolveu acreditou que o medicamento era tão seguro que era propício para prescrever a mulheres grávidas, para combater enjôos matinais.

Foi rapidamente prescrita a milhares de mulheres e espalhada para todas as partes do mundo (46 países), sem circular no mercado norte-americano.

Os procedimentos de testes de drogas naquela época eram muito menos rígidos e, por isso, os testes feitos na talidomida não revelaram seus efeitos teratogénicos. Os testes em roedores, que metabolizavam a droga de forma diferente de humanos, não acusaram problemas. Mais tarde, foram feitos os mesmos testes em coelhos e primatas, que produziram os mesmos efeitos horríveis que a droga causa em fetos humanos.

No final dos anos 1950, foram descritos na Alemanha, Reino Unido e Austrália os primeiros casos de malformações congênitas onde crianças passaram a nascer com focomelia, mas não foi imediatamente óbvio o motivo para tal doença. Os bebês nascidos desta tragédia são chamados de "bebês da talidomida", ou "geração talidomida". Em 1962, quando já havia mais de 10.000 casos de defeitos congênitos a ela associados em todo o mundo, a Talidomida foi removida da lista de remédios indicados[2] . Os Estados Unidos foram poupados deste problema graças à atuação firme de Frances Oldham Kelsey, farmacologista encarregada pelo FDA (Food and Drug Administration) de avaliar os testes clínicos apresentados pela indústria.

Cientistas japoneses identificaram em 2010 como a talidomida interfere na formação fetal. Eles descobriram que o medicamento inativa a enzima cereblon, importante nos primeiros meses de vida para a formação dos membros.[3] [4]

Por um longo tempo, a Talidomida foi associada a um dos mais horríveis acidentes médicos da história. Por outro lado, estão em estudo novos tratamentos com a talidomida para doenças como o cancro, câncer de medula[5] e, já há algum tempo, para a lepra[6] .

Útil em doenças, como lúpus, alívio dos sintomas de portadores do HIV, diminuição do risco de rejeição em transplantes de medula e artrite reumatóide, a talidomina é indicada em cerca de 60 tratamentos.[3] .

Em 2012, a Gruenenthal, empresa produtora da talidomida pediu desculpas pelos danos causados[7] .

Química farmacêutica[editar | editar código-fonte]

A talidomida é um derivado do ácido glutâmico e estruturalmente contém dois anéis amida e um único centro quiral. Este composto existe na forma de mistura equivalente dos isómeros (S)-(-) e (R)-(+) que se interconvertem rapidamente em condições fisiológicas. O enantiómero (S) está relacionado com os efeitos teratogénicos da talidomida, enquanto o enantiómero (R) é responsável pelas suas propriedades sedativas.

Talidomida no Brasil[editar | editar código-fonte]

O uso da talidomida no Brasil é regulamentado pela Portaria SVS/MS nº 354, de 15.08.97 [8] . No Rio de Janeiro, foi editada a Resolução SES nº 1504, de 15 de junho de 2000, com o objetivo de criar um Grupo Técnico de Trabalho para Implantação de Protocolo Terapêutico de Utilização da Talidomida[9] . Pouco se sabe sobre o uso da talidomida no Brasil. Segundo consta, a talidomida, por força da Portaria nº 354, é proibida para mulheres em idade fértil em todo o território nacional[10] .

Em 2010 foi instituida a lei 12.190 [11] que complementa a lei 7.070, de 1982, e representa gastos de aproximadamente R$ 34,5 milhões como pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível aos portadores da deficiência. Serão 227 vítimas que vão receber R$ 50 mil em indenização, valor que aumentará na medida em que ocorra dependência resultante da deficiência física.[12]

No Brasil, somente o laboratório da Fundação Ezequiel Dias está autorizado a produzir a talidomida [3] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ando Y, Fuse E, Figg WD. (June 1, 2002). "Thalidomide metabolism by the CYP2C subfamily". Clinical Cancer Research : an Official Journal of the American Association for Cancer Research 8 (6): 1964–73. PMID 12060642.
  2. Gerson Oliveira Penna, Celina M. T. Martelli, Mariane M. A. Stefani, Vanize O. Macedo, Maria de Fátima Maroja, Aiçar Chaul. (2005). "Talidomida no tratamento do eritema nodoso hansênico: revisão sistemática dos ensaios clínicos e perspectivas de novas investigações". Anais Brasileiros da Dermatologia 80 (5).
  3. a b c Cientista descobre como talidomida provoca má-formação em fetos - O Estado de S.Paulo, 12 de março de 2010 (visitado em 12-3-2010)
  4. (em inglês)Takumi Ito, Hideki Ando, Takayuki Suzuki, Toshihiko Ogura, Kentaro Hotta, Yoshimasa Imamura, Yuki Yamaguchi, Hiroshi Handa. (12 March 2010). "Identification of a Primary Target of Thalidomide Teratogenicity". Science 327 (5971): 1345-1350. DOI:10.1126/science.1177319. Visitado em 27/07/2010.
  5. "Talidomida aumenta sobrevida de idosos com câncer de medula", 5 de Outubro de 2007. Página visitada em 5 de outubro de 2007.
  6. "Defeitos em bebês elevam temor por uso de talidomida no Brasil, diz 'FT'", 2 de outubro de 2007. Página visitada em 2 de outubro de 2007.
  7. Fabricante da talidomida pede desculpa 50 anos depois.
  8. Ministério da Saúde, Brasil (15/08/1997). Portaria SVS/MS Nº 354, de 15 de agosto de 1997 15/08/1997. Visitado em 31/08/2013.
  9. Resolução SES nº 1504, de 15 de junho de 2000 (2000).
  10. Como Nascemos Associação Brasileira dos Portadores de Talidomida.
  11. Revista Juridica - LEI Nº 12.190, DE 13 DE JANEIRO DE 2010 - DOU 14.01.2010
  12. Jornal Diário do Nordeste - União vai indenizar deficientes físicos