Tamerlano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Stanisław Chlebowski, Bayezid aprisionado por Tamerlão, 1878.

Tamerlano (HWV 18) é uma ópera em três atos escrita em 1724 pelo compositor alemão naturalizado britânico Georg Friedrich Händel (1685-1759). O libreto é de Nicola Francesco Haym (1678-1729) e foi adaptado a partir do texto original de Agostino Piovene. O libreto de Piovene havia sido musicado anteriormente por Francesco Gasparini (1661-1727) em uma obra que estreou em Veneza em 1711. A origem mais remota do texto é a tragédia francesa de Jacques Pradon (1632-1698) Tamerlan ou La Mort de Bajazet, de 1675, traduzida para o italiano em 1709.

A ópera é considerada uma das obras-primas de Händel e de toda a composição lírica do barroco. O autor compôs Tamerlano em uma questão de dias, entre 3 e 23 de julho de 1724. No entanto, até a estréia, diversas alterações e correções foram feitas por ele, em parte devido a mudanças no elenco.1 A primeira performance ocorreu em 31 de outubro, no The King's Theatre em Haymarket. Naquele ano, houve ao todo nove apresentações desde a estreia até 28 de novembro. Faziam parte do elenco original os cantores de renome como Francesca Cuzzoni, soprano (Astéria) e Francesco Bernardi, o Senesino, alto-castrato (Andrônico).

Por iniciativa de Telemann, uma versão foi apresentada em Hamburgo em 1725, com recitativos traduzidos para o alemão. Mais três apresentações voltaram a acontecer em Londres também em 1725 e outras três em 1731.2

No mesmo ano da estreia de Tamerlano, Händel compôs ainda Giulio Cesare (HWV 17) e Rodelinda (HWV 19), outras duas obras consideradas primorosas.

Durante sua estada na Itália, o jovem Händel havia assistido uma apresentação da ópera Il Gran Tamerlano de Alessandro Scarlatti (1660-1725) em Florença em 1706, composta sobre um libreto de Antonio Salvi (1664-1724), também a partir de uma adaptação do drama de Pradon. Na Inglaterra, o texto deu origem a uma peça de teatro escrita por Nicholas Rowe (1674-1618) chamada, como a ópera de Händel, simplesmente Tamerlano.3

Uma das características singulares da obra é conferir um papel de destaque a um tenor, Bajazet. Outro aspecto que merece ser citado é que "Bajazet" também é o nome de uma ópera composta por Vivaldi em 1735, fazendo uso do texto de Piovene. Na realidade, a obra de Vivaldi é um pasticcio, reunindo trechos de composições de diversos autores como Hasse, Giacomelli e Broschi, além de árias de óperas do próprio Vivaldi como Farnace (1727), Montezuma (1733) e L'Olimpiade (1734).


Papéis e intérpretes originais[editar | editar código-fonte]

Papéis Tipos vocais Elenco original, 31 de outubro de 1724
Tamerlano, Imperador dos tártaros alto castrato Andrea Pacini
Bajazet, Monarca otomano tenor Francesco Borosini
Asteria, Filha de Bajazet soprano Francesca Cuzzoni
Andronico, Príncipe grego alto castrato Senesino
Irene, Princesa de Trebizonda contralto Anna Dotti
Leone, amigo de Andrônico e do Tamerlano baixo Giuseppe Maria Boschi


Sinopse[editar | editar código-fonte]

O argumento se baseia em fatos reais, ocorridos por volta de 1402 na cidade de Prusa, na Bitínia, atual Turquia. A trama conta a história de Bajazet (ou Bayezid I, 1360-1403), monarca turco feito prisioneiro pelo imperador tártaro Tamerlão (ou Timur-i-Lenk, 1636-1405).

Ato I[editar | editar código-fonte]

No início da trama, Bajazet e sua filha Astéria são prisioneiros do líder tártaro, Tamerlano. Depois de uma abertura solene e grave, Bajazet surge para um breve passeio pelo pátio do palácio em cujas masmorras ele era mantido e é conduzido pelo príncipe grego, Andrônico. O grego, apesar de amigo e aliado de Tamerlano, ama a filha de Bajazet, Astéria. Bajazet afirma que, não fosse o sofrimento da filha, já teria dado fim à própria vida. Em coversa com Andrônico, o Tamerlano revela que se apaixonou por Astéria e encarrega seu amigo de convencê-la a se tornar sua rainha em troca da vida e da liberdade do pai. O tártaro desconhece o romance entre Andrônico e Astéria. Andrônico argumenta que o Tamerlano já prometeu casar-se com Irene, princesa do Império de Trebizonda. mas o líder tártaro oferece Irene a Andrônico, que também deve assumir o trono de Bizâncio, oferecido ao próprio Tamerlano. Ao saber da oferta do Tamerlano, Bajazet se enfurece e afirma que responde não em nome de Astéria e prefere morrer. O Tamerlano fala de seus planos pessoalmente para Astéria e ela acredita ter sido traído por Andrônico em troca do trono de Bizâncio e do casamento com Irene. Por isso, finge aceitar a proposta do Tamerlano. Irene chega e descobre que não será mais esposa do tártaro. Andrônico sugere que ela se apresente sob disfarce ao Tamerlano, fingindo ser mensageira de Irene, para poder colocar as coisas em ordem e a princesa concorda com o plano, sendo escoltada por Leone.

Ato II[editar | editar código-fonte]

Tamerlano conta a Andrônico que Astéria aceitou sua oferta e que os dois casamentos irão se celebrar conjuntamente. Ele agradece a interseção de Andrônico, ainda ignorando que ele ama Astéria. Astéria confirma a Andrônico que pretende se casar com o Tamerlano e ele se sente desanimado com a ideia. Leone traz Irene disfarçada à presença do Tamerlano que defende os direitos da princesa de Trebizonda e exige o cumprimento da promessa de casamento, mas o Tamerlano apenas se desculpa. Quando estão sozinhas, Astéria e Irene demosntram simpatia uma pela outra. Astéria fala de seus reais sentimentos e Irene se sente esperançosa. Bajazet , desconhecendo as reais intensões da filha, fica extremamente indignado com a perspectiva de seu casamento com um inimigo. Andrônico, também contrariado, promete vingar-se, matando o próprio Tamerlano. Bajazet consegue impedir o casamento e exige que a filha desça do trono ou utilize seu próprio corpo como apoio para os pés. Quando o Tamerlano pede a Astéria que pise sobre o próprio pai, ela se recusa e mostra um punham com o qual pretendia matar o Tamerlano. Bajazet e Andrônico se impressionam com a coragem de Astéria. Descoberto o plano para matá-lo, o Tamerlano decreta a morte de Bajazet e Astéria que se sente frustrada por não ter alcançado seu objetivo.

Ato III[editar | editar código-fonte]

Bajazet e Astéria cogitam se matar com um veneno que o otomano tem escondido em um anel. Tamerlano tenta mais uma vez conquistar Astéria, mas ela não o atende. Andrônico e Astéria cantam seu amor um pelo outro e prometem vingança contra o Tamerlano. Andrônico revela ao Tártaro que é seu rival e ama Astéria. O Tamerlano, por sua vez, pretende humilhar os prisioneiros e exige que Astéria lhe sirva vinho. Ela despeja o veneno na taça e a oferece ao Tamerlano. Irene revela sua identidade e o plano de matar o Tamerlano. Irado, o tártaro declara que se casará com Irene e determina que Astéria escolha quem irá beber o vinho envenenado: seu pai Bajazet ou seu amado Andrônico. Astéria está prestes a beber o veneno ela mesma, mas é impedida por Andrônico, o que irrita o Tamerlano. Bajazet declara que, mesmo morrendo, sua alma virá assombrar o tártaro. Tamerlano e Irene cantam sua felicidade quando entram novamente Astéria e Bajazet. Este agora se mostra sereno, mas esclarece que é porque ele próprio tomou o veneno. Diante do sacrifício de Bajazet e do desespero de Astéria, o Tamerlano finalmente se comove e concorda em libertar Astéria e consente em sua união com Andrônico.


Discografia[editar | editar código-fonte]

Uma gravação importante disponível em CD foi feita pela Erato em 1987. Elenco: D.L. Ragin (Tamerlano), M. Chance (Adrônico), N. Robson (Bajazet), N. Argenta (Astéria), J. Findley (Irene) e R. Schirrer (Leone). o The English Baroque Soloists é regido por J. E. Gardiner.

Em 2007, a Scene DG lançou outra gravação com a orquestra de Patras regida por George Petrou. O mesmo selo gravou outras obras de Händel, como Giulio Cesare e Oreste. Elenco: Nicholas Spanos (Tamerlano), Tassi Christoyannis (Bajazet), Mari-Ellen Nesi (Andrônico), Mata Katsuli (Astéria), Irini Karaianni (Irene) e Petros Magoulas (Leone).

DVD Arthaus (também disponível em CD), gravação ao vivo do ano de 2001. Elenco: M. Bacelli (Tamerlano), G. Pushee (Andrônico), T. Randle (Bajazet), E. Norberg-Schulz (Astéria), A. Bonitatibus (Irene), A. Abete (Leone). The English Concert sob a regência de T. Pinnock e direção cênica de J. Miller.

DVD Opus Art, gravação ao vivo feita no Teatro Real de Madri em 2008. Destaque para a participação de Plácido Domingos (Bajazet) e Sara Mingardo (Andrônico). O elenco conta ainda com Monica Bacelli (Tamerlano), Ingela Bohlin (Astéria) e Jennifer Holloway (Irene). Coro e orquesta do Teatro Real, regência de Paul McCreesh e direção cênica de Graham Vick.


Libreto[editar | editar código-fonte]

Disponível para download em http://www.haendel.it/composizioni/libretti/pdf/hwv_18.pdf


Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Ver http://www.baerenreiter.com/html/vosco/tamerlano.htm
  2. Fonte: http://www.haendel.it/
  3. Fonte: http://www.operabaroque.fr/Cadre_baroque.htm