Tampografia

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A Tampografia é um processo de impressão indireta e encavográfica (baixo-relevo) que consiste na transferência de tinta do clichê (matriz) para a peça a ser decorada através do tampão. Primeiramente a tampografia era vista como uma arte de simples decoração e hoje se tornou um sistema de impressão capaz de imprimir em superfícies irregulares, côncavas, convexas, planas, etc., como a casca de uma noz, por exemplo. Sua grande vocação é para as impressões de pequenas áreas, mas com os avanços tecnológicos da tampografia e de seu desenvolvimento a nível industrial, é possível a impressão em áreas de até 300 x 300 mm.

História[editar | editar código-fonte]

Existem algumas versões acerca do surgimento da tampografia. Na primeira, a tampografia teria surgido no século XIX, na Inglaterra, com o objetivo de decorar as peças e os utensílios de cozinha da Rainha Vitória de forma rudimentar e manual com uso de tampões de gelatina que duravam em média 100 impressões. Há também a versão em que, a tampografia tenha sido inventada por volta dos anos de 1950 para decorar os finos e delicados relógios suíços, principalmente os femininos, e em 1970 ela tenha sido aperfeiçoada na Alemanha que hoje é tida como o berço da tampografia. Consta que as primeiras máquinas a funcionar na Alemanha começaram a ser comercializadas em 1978 e 1979. A tampografia, apesar de bastante acessível e desenvolvida para clientes de médio e grande porte, ainda é deixada muito de lado, como coadjuvante da impressão gráfica. Porém vem se desenvolvendo em escala industrial e modificando o pensamento de vários clientes com sua variedade de trabalhos.

Como funciona[editar | editar código-fonte]

A tampografia possui hoje dois tipos básicos de impressão (todos indiretos pois a impressão é feita do tampão para a peça e não do clichê diretamente):

Tinteiro Aberto[editar | editar código-fonte]

Uma espátula empurra toda a tinta para o clichê gravado em baixo-relevo e quando volta retira todo o excesso de tinta com uma lâmina (como se fosse um rodo), deixando apenas tinta suficiente para a impressão do grafismo do clichê. Depois desta passagem, o tampão de silicone desce até ao clichê coletando a tinta que vai decorar o objeto.

Tinteiro Fechado ou Selado[editar | editar código-fonte]

Com um processo muito idêntico, diferindo apenas no facto em que as lâminas são substituídas por um reservatório de tinta com formato cilíndrico (semelhante a um copo, geralmente fabricado em cerâmica para maior durabilidade e resistência), que se situa sobre o clichê fazendo a raspagem de toda tinta excessiva através de uma borda incluída.

Tampão[editar | editar código-fonte]

Tampão é um termo do alemão gótico tappa (alemão moderno: kappen) e significa tampar, mas é chamado na Alemanha de tampon, termo francês que é o aumentativo de tampa. O tampão é semelhante à uma almofada. É fabricado de silicone e usado para transferir a tinta depositada no clichê para a peça a ser decorada. O tampão varia de acordo com o material e o formato da peça e com as configurações do grafismo a ser impresso. Ele possui uma medida chamada dureza, que regula qual será a flexibilidade da massa de silicone do tampão. Essa medida para ser ideal deve ficar entre 8 e 18 Shores A. Cada peça pede um tipo diferente de tampão, devido às distorções que podem ocorrer com o grafismo e a pressão excessiva ou ausente, por isso é necessário saber o que se quer fazer para que não haja erros de impressão e “cabelinho de anjo” (erro de impressão).

Tintas

Existem quatro tipos de tintas usadas na tampografia que são a vinílica, a [[sintética], a epóxi e a poliuretânica. As duas primeiras são as mais usadas no mercado, porém são específicas para a impressão serigráfica. Isso acontece porque as tintas para tampografia não possuem fabricante nacional no mercado brasileiro e a importação das mesmas inviabiliza o processo elevando o custo do trabalho. As tintas específicas de tampografia são bicomponentes compostas por catalisador (aglomera os pigmentos da tinta) e solvente (que ajudam a diluir a tinta para melhor aderência), além do acréscimo que pode ser feito pelo profissional de tampografia, o tampógrafo, de aditivos secantes, anti-sedimentantes (para a não formação de coágulos de tinta), niveladores, anti-peles (para não descascar e ficar com partes de impressão soltas, anti-espumantes, etc. Em alguns casos, é necessário um tratamento superficial nas peças a serem tampografadas para melhor absorção de tinta. Existem três tipos de tratamento: Químico - ideal para peças de difícil absorção; com poro (célula) fechado. Flambagem - aquecimento da peça por cerca de 8 horas para a abertura dos poros. Corona - feito superficialmente para limpeza através de um feixe de alta frequência. Alguns tipos de materiais possuem tintas que se adaptam mais facilmente a sua superfície. Curiosamente, este é o caso do isqueiro, que por ser uma das peças mais tampografadas, possui uma tinta específica para sua decoração, ideal para plástico tipo polipropileno, dispensando qualquer tratamento superficial. Após a decoração,peças que são manuseadas contantemente como controles remoto e teclados de computador são submetidas à sublimação. Sublimação é um tratamento térmico que promove a difusão da tinta na peça tampografada e só pode ser realizado e peças que agüentem até 200ºC, caso do polyester e do polyacetato, entre outros.


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Clichê

O clichê tampográfico é a matriz de onde será gerada a impressão. Ele é gravado em baixo-relevo, tecnicamente chamado de encavográfico, com cerca de 5 a 8 mícrons (a milésima parte de um milímetro) de profundidade (esse é um dos motivos pelo qual não é aconselhável o uso de tinta serigráfica, pois o depósito de tinta de sua matriz é de 30 a 50 mícrons, aproximadamente), solicitando tintas de grãos finos. Existem 3 tipos de clichês na tampografia: · Clichê de aço – Feito em aço e de custo elevado. Sua utilização somente se justifica com altíssimas tiragens (500.000, 1.000.000 impressões) para que seu custo seja amortizado e não encareça a impressão. Tem uma vida útil muito longa de mais de 1.000.000 ciclos. · Clichê de lâmina de aço – É de difícil elaboração e tem custo médio. Utilizado para tiragens de 20.000 a 500.000 impressões. É feito através de um fotopolímero que não produz mais do que um clichê. · Clichê de nylon – Feito também por um fotopolímero e possui baixo custo e tem sua duração em até 20.000 ciclos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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