Tamus communis

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Dioscorea communis

Dioscorea communis
Classificação científica
Reino: Plantae
(sem classif.) angiospérmicas
(sem classif.) monocotiledóneas
Ordem: Dioscoreales
Família: Dioscoreaceae
Género: Tamus
Espécie: T. communis
Nome binomial
Tamus communis
(L.)
Sinónimos
Dioscorea communis

Tamus communis (ou Dioscorea communis) é uma planta trepadeira, geófita, da família Dioscoreaceae. O seu nome comum é arrebenta-boi, buganha, baganha, norça-preta, tamo ou uva-de-cão.[1] [2]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Planta trepadeira que renova os seus caules em cada ano e enrola-se em hélice na direcção dos ponteiros do relógio.

Possui folhas alternas, lustrosas, sustentadas por pecíolos delgados de 3 a 20 cm de comprimento, pecioladas, oval-cordiformes, terminadas em pontas aguda e direitas. O limbo é verde escuro, com 3 a 9 nervuras manifestas e arqueadas e ramificadas, que partem do sulco basal. Por vezes as folhas têm forma trilobada, com o lóbulo central lanceolado. O comprimento das folhas chega a 9 cm e a largura chega a 6 cm.

Os caules são trepadores, herbáceos, retorcidos, que chegam aos 4 m de comprimento, delicados e delgados, tenros e sem pelos, com estrias longitudinais, sendo por vezes ramificados.

Os tubérculo são de grandes dimensões, com 20 cm ou mais de comprimento e de cor negra.

É uma planta dióica, de flores amarelo-esverdeadas, as masculinas em ramalhetes espiciformes (em forma de espiga) de 5 a 10 cm e delgados, patentes (aberto em ângulo quase recto), com 6 estames, as femininas em espigas mais curtas, pendentes, de poucas flores, com 3 sépalas e 3 pétalas semelhantes unidas na base formando um tubo com o rudimento do fruto no fundo; A corola tem 3 mm de comprimento, com 6 lóbulos estreitos, um pouco recurvados. Florescem de Março a Junho.

O fruto é uma baga globosa, carnosa, de cerca de 12 mm de diâmetro, de cor vermelha brilhante pálido, raramente amareladas, em racemo e com uma a seis sementes arrugadas e pardas. Frutifica no Outuno.[3] [4] Os frutos são persistentes ao Inverno, após a senescência das folhas.


Na obra A flora de Portugal (plantas vasculares) disposta em chaves dichotomicas, por António Xavier Pereira Coutinho, a planta é descrita como tendo flores branco-esverdeadas, dispostas em cachos axilares, os femininos curtos, os masculinos muito compridos e às vezes ramosos; baga vermelha; folhas pecioladas, ovado-cordiformes. Floração de Março a Junho. Ocorre em sebes, margens dos campos. Distribuição: quase todo o país. Nomes comuns: uva-de-cão, norça-preta.[5]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Distribui-se em grande parte da Europa, excepto na Europa Setentrional. É comum na Península Ibérica e Baleares.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Habita em lugares húmidos e sombrios, geralmente frescos. Ocorre em matos, sebes, margens de pinhais, azinhais e de formações de outras espécies do género Quercus, e em bosques em galeria. Intervém nas associações Bupleuro-Quercetum rotundifoliae e Rubo ulmifolii-Rosetum corymbiferae. Prefere solos húmidos e não tolera lugares com grande exposição às condições marítimas. Também tolera ventos de intensidade elevada.

Para que sejam produzidas sementes são necessárias plantas com flores de sexos diferentes. São polinizadas por abelhas e moscas.

Devido às características dos tubérculos, que possuem grandes dimensões, não toleram bem solos muito rasos ou alagados. Não se apresenta como um bom colonizador.[6]

Não se encontra presente em solos que estejam muito fertilizados, com conteúdo de azoto elevado e tem preferência por solos alcalinos.

Importância económica e cultural[editar | editar código-fonte]

Propriedades

Ao nível da medicina tradicional esta planta é dado como tendo propriedades anti-reumáticas, purgativas e anti-inflamatórias.

Usos

As raízes, o tubérculo napiforme (em forma de cabeça de nabo) em cataplasma, curam contusões e feridas e em massagens aliviam o reumatismo, a artrite e a ciática; são rubefacientes e avermelham a pele.

Princípios activos

Princípio semelhante à histamina, saponósidos esteróidicos derivados da diosgenina e abundantes ráfides de oxalato de cálcio (CaC2O4).[7]

Componentes químicos[editar | editar código-fonte]

Esta planta possui glicosídeos de furostano e espirostano, esteróis, histaminas e fenantrenos dotados de actividade citotóxica.[8] A batatasina I, um derivado de fenantreno, é um inibidor do crescimento das plantas.[9]

Os esteróis detectados nas folhas e caules de Tamus communis, assim como em outro representantes do género, são principalmente o beta-sitosterol, o estigmasterol e o colesterol.[10] Também contêm diosgenina e iamogenina, em proporções variáveis conforme a altura do ano e a idade da planta.

Toxicidade[editar | editar código-fonte]

Os frutos são venenosos, podendo ser mortais. Por vezes produzem intoxicações graves em crianças, que ingerem acidentalmente as suas bagas, de uma atractiva cor vermelha. A intoxicação desenvolve-se com intensa irritação das mucosas, dor abdominal, diarreias e vómitos, acompanhados de abatimento, sonolência, calafrios, podendo ocorrer alterações respiratórias e coma.

A planta, como um todo é venenosa devido a possuir saponinas, que são degradadas com o cozinhar. As saponinas são absorvidas de maneira fraca pelo corpo, mas mesmo assim não se aconselha a ingerir alimentos com alto teor desta substância. São os cristais de oxalato de cálcio, presentes essencialmente no fruto, que causam o efeito tóxico, não as saponinas.[11] [12]

Do sumo da baga e dos rizomas foram isolados depósitos de oxalato de cálcio e histaminas que contribuem para irritação da pele e podem produzir dermatite de contacto. A dermatite é provocada por irritação mecânica, devido à penetração na pele dos cristais de oxalato de cálcio.

Citologia[editar | editar código-fonte]

O número de cromossomas de Tamus communis (Fam. Dioscoreaceae) e táxones infraespecíficos é [13] 2n=48.[14]

Patologia[editar | editar código-fonte]

Vários virus têm sido isolados de Tamus communis . Em particular, o vírus TRMV (tamus red mosaic virus) mostrou causar distorção da folhas e formar mosaico vermelho.[15]

Sinónimos[editar | editar código-fonte]

Tamus communis apresenta a seguinte sinonimia:[16]

  • Dioscorea canariensis Webb & Berthel.
  • Smilax rubra Willd.
  • Tamus cretica L.
  • Tamus baccifera St.-Lag.
  • Tamus canariensis Willd. ex Kunth
  • Tamus cirrhosa Hausskn. ex Bornm.
  • Tamus communis L.
  • Tamus communis subsp. cretica
  • Tamus communis var. cretica
  • Tamus communis f. subtriloba
  • Tamus communis var. subtriloba
  • Tamus communis var. triloba
  • Tamus cordifolia Stokes
  • Tamus cretica L.
  • Tamus edulis Lowe
  • Tamus norsa Lowe
  • Tamus parviflora Kunth
  • Tamus racemosa Gouan
  • Tamus smilacifolia Jullien ex Boreau[14]

Referências

  1. Tamus_communis. Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Página visitada em 30 de Novembro.
  2. Tamus communis Linnaeus. naturdata.com. Página visitada em 30 de Novembro de 2012.
  3. González Corregidor, J.; Parejo A.. Plantas Silvestres de la Flora Ibérica. [S.l.]: Toledo:Grijalbo (ed.), 1999. ISBN 84-253-3336-9
  4. Amo y Mora, Mariano del. Flora fanerogámica de la peninsula Iberica, ó, Descripcion de las plantas cotyledóneas, que crecen en España y Portugal ... (1871). [S.l.]: Granada : Imprenta de D. Indalecio Ventura, 1871.
  5. Coutinho, Antonio Xavier Pereira. A flora de Portugal (plantas vasculares) : disposta em chaves dichotomicas (1913). [S.l.]: Paris, Aillaud, Alves, 1913.
  6. Online Atlas of the British and Irish flora. Tamus communis (Black Bryony). Página visitada em 30 de Novembro de 2012.
  7. Bautista Peris, J.; Stübing G., Romo A.. Plantas Medicinales de la Península Ibérica e IslasBaleares. [S.l.]: Madrid:Jaguar (ed.), 2001. ISBN 84-89960-51-6
  8. Adriana Kovacs, Peter Forgo, Istvan Zupko, Borbala Réthy, Gyorgy Falkay,Pal Szabo, Judit Hohmann, « Phenanthrenes and a dihydrophenanthrene from Tamus communis and their cytotoxic activity », dans Phytochemistry, vol. 68, 2007, p. 687-691
  9. R. Aquino, I. Behar, F. de Simone, C. Pizza, F Senatore, « Phenantrene Derivatives from Tamus communis », dans Biochemical Systematics and Ecology, vol. 13, no 3, 1985
  10. Gerald Blunden, Colin J. Briggs, Roland Hardman, « Steroidal constituents of the aerial parts of Dioscorea and Tamus species », dans Phytochemistry, vol. 7, 1968, p. 453-458
  11. Chiej. R. Encyclopaedia of Medicinal Plants. MacDonald ISBN 0-356-10541-5
  12. Frohne. D. and Pfaender. J. A Colour Atlas of Poisonous Plants. Wolfe ISBN 0723408394
  13. Proves Números cromosómicos para la flora española, 504-515. González Zapatero, M. A., J. A. Elena- Rosselló & F. Navarro Andrés (1988) Lagascalia 15(1): 112-119. :
  14. a b Tamus communis. Real Jardín Botánico: Proyecto Anthos. Página visitada em 8 de Outubro de 2010.
  15. P. CACIAGLI, G. BOCCARDO, V. LISA, O. LOVISOLO. (Abril 1993). "Tamusred mosaic virus, a potexvirus from black bryony (Tamus communis)". Plant Pathology 42 (2): 294–301. DOI:10.1111/j.1365-3059.1993.tb01503.x.
  16. Catálogo da Vida: Checklist annual de 2012. Página visitada em 30 de Novembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Galeria[editar | editar código-fonte]