Tanaíta

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Tanaim ou Tanaítas (do hebraico תנאים, plural de taná) é um termo usado para designar aos sábios rabínicos cujas interpretações estão registradas na Mishná, entre os anos de 30-200 DEC [1] . O período dos Tanaim é também chamado de período mishnáico, sendo posterior aos Zugot e anterior aos Amoraim.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "taná" (תנא) vem do verbo "repetir", em aramaico, referindo-se ao principal método de estudo e ensino da Lei Oral empregado por esses eruditos. A partir da época de Rabi Akiva tem-se início o trabalho de compilação das tradições orais, trabalho que continua com Rabi Meir culminando na sua compilação, organização, sumarização e redação escrita, promovida pelo tanaíta Rabi Yehuda ha-Nassí, a partir do ano 170.[2] [3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Os tanaítas aparecem historicamente como sucessores dos escribas do período de Esdras e Neemias, membros da Grande Assembléia (corpo legislativo judaico ativo entre 500 e 300 a. e. c.), que estabeleceram as normativas da prática judaica, além de iniciarem o processo de compilação e canonização do texto bíblico.

Durante os primeiros tempos (entre as escolas de Hilel e Shamai e a destruição do 2° Templo de Jerusalém) o trabalho dos tanaítas é coletivo, mas a partir dessa época, cessa o anonimato[4] . Os principais tanaítas desta 1ª geração são os cinco rabinos citados na Hagadá de Pessach: Rabi Eliézer, Rabi Yehoshua, Rabi Elazar ben Azaria, Rabi Akiva e Rabi Tarfon[5] [6] , bem como Rabi Ishmael.

Dentre os tanaítas da 2ª geração destacam-se Rabi Meir, Rabi Yossi bar Chalafta, Rabi Shimon bar Yochai e seu filho Rabi Elazar (a quem Moises de Leon atribuiu a autoria do Zôhar mesmo que historicamente ele mesmo seja o autor) e Rabi Shimon ben Gamliel.

A partir do fechamento da Mishná, tem-se início o período dos amoraítas ou amoraím, cujos estudos, comentários e conclusões, redigidos tanto na cidade de Yavne quanto na Babilônia, geraram os corpos literários denominados guemarót, dando origem aos talmudím da Babilônia (bavlí) e de Jerusalém (yerushalmi).[7]

Referências

  1. STEINSALTZ, Rabbi Adin. The Talmud: a reference guide. New York: Random House, 1989.
  2. DEL GIGLIO, Auro. Iniciação ao Talmud. 2ª ed. São Paulo: Ed. Sêfer, 2003.
  3. BIRNBAUM, Philip. Encyclopedia of jewish concepts. 3ª ed. New York: Sanhedrin Press, 1979.
  4. DEL GIGLIO. Op. cit. .
  5. BIRNBAUM. Op. cit. .
  6. FRIDLIN, Jairo. Hagadá de Pêssach. " 2ª ed. São Paulo: Sêfer, 1996. pág. 11
  7. BORGER, Hans. Uma história do povo judeu: de Canaã à Espanha". 4ª ed. São Paulo: Ed. Sêfer, 2008.