Testudinata

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Tartaruga terrestre)
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaTestudines
Ocorrência: Triássico - Recente 215–0 Ma
Prancha extraída do Kunstformen der Natur (1904) de Ernest Haeckel.

Prancha extraída do Kunstformen der Natur (1904) de Ernest Haeckel.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Batsch, 1788
Distribuição geográfica
  Tartarugas marinhas   Tartarugas terrestres
  Tartarugas marinhas
  Tartarugas terrestres
Subordens
Sinónimos

Testudines(a) é uma ordem de répteis caracterizada pela presença de uma carapaça. Por vezes são referidos como quelônios, quelónios ou testudíneos. Esse grupo está representado pelas tartarugas (as marinhas e as de água doce), pelos cágados (de água doce) e pelos jabutis (terrestres).

Esses animais apresentam placas ósseas dérmicas, que se fundem originando uma carapaça dorsal e um plastrão ventral rígidos, que protegem o corpo. As vértebras e costelas fundem-se e a essas estruturas. Os ossos da carapaça são recobertos por escudos córneos de origem epidérmica. Não possuem dentes, mas apresentam lâminas córneas usadas para arrancar pedaços de alimentos.São todos ovíparos.

O grupo tem cerca de 300 espécies, e ocupa habitats diversificados como os oceanos, rios ou florestas tropicais. Os quelônios estão na lista dos maiores répteis do mundo.

A ordem subdivide-se nas subordens Pleurodira e Cryptodira, conforme a posição do pescoço quando a cabeça se encontra dentro da carapaça.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Quelônios terrestres estão presentes em quase todo o mundo, exceto em regiões polares, ou alpinas, sendo muito comuns em florestas tropicais. Já as aquáticas, estão em todos os oceanos, exceto nos polares.

Nomes comuns[editar | editar código-fonte]

Dois jabutis em cativeiro.

No Brasil, membros desta ordem podem ser denominados jabutis, cágados ou tartarugas. Os quelônios terrestres (que andam sobre a terra) são jabutis com patas grossas. Os marinhos (água salgada) são tartarugas com nadadeiras em vez de patas; e os de água doce, com pés palmados e carapaça hidrodinâmica, são os cágados.

Em Portugal, o termo cágado é exclusivamente utilizado para designar as duas espécies de tartarugas aquáticas nativas do país - a Emys orbicularis e a Mauremys leprosa, sendo o termo tartaruga utilizado para todas as espécies de quelónios.

A designação sapo-concho é um termo mais abrangente, dado que pode denominar tanto os quelônios terrestres como os aquáticos, variando de região para região.

Entre as tartarugas domésticas incluem-se as tartarugas da Florida, carnívoras. Estes seres caracterizam-se por uma peculiar mancha vermelha lateral na sua cabeça. Relacionam-se facilmente com humanos e tornaram-se, ao longo dos anos, um dos animais de estimação mais populares.

As espécies de tartarugas mais antigas já encontradas datam de 215 milhões de anos.[2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Nota (a): A ordem possui uma instabilidade nomenclatural histórica, sendo os nomes Chelonia/Chelonii, Testudinata e Testudines, os mais utilizados para a nomear.[3] O termo Testudines, historicamente atribuído a Linnaeus (1758), constitui de fato um nome no plural usado para referir-se aos membros do gênero Testudo, e não foi cunhado como um táxon propriamente dito.[4] Linnaeus também se utilizou dos termos Testudine e Testudinibus no mesmo contexto de Testudines, reforçando o emprego do termo como vernáculo.[5] Os termos Chelonii e Chelonia, respectivamente de Latreille (1800) e Ross & Macartney (1802), constituem latinização subsequente do termo Chéloniens de Brongniart (1800).[5] O termo Chelonii foi utilizado como nome da ordem por diversos autores,[4] [6] com a atribuição do autor variando entre Brongniart, 1800a e Latreille, 1800. Chelonia, algumas vezes também é utilizado para a ordem, mas constitui um hemihomônimo com o gênero Chelonia, podendo causar confusão de nomenclatura.[5] Alguns autores advogaram contra o uso do Chelonii como nome da ordem, preferindo o termo Testudines.[7] [8] Os termos Chelonii Brongniart, 1800 e Testudinata Oppel, 1811 foram criados com nível taxonômico de classe, por isso não devem ser usados para uma ordem.[5] Frequentemente, a ordem é chamada de Testudines, citando como autor 'Batsch, 1788', entretanto, Batsch cunhou o termo como uma família e não como uma ordem.[5] O 'Turtle Taxonomy Working Group' vinculado a IUCN, em sua lista taxonômica, utiliza como nome da ordem o 'Testudines Batsch, 1788', uma vez que o assunto ainda é controverso devido a uma variedade de possíveis interpretações alternativas quanto a validade, uso, formato e atribuição autoral dos termos, já que o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica não regula nomes acima do nível taxonômico de família.[9]

O uso dos Testudines como alimento pelos nativos das Américas[editar | editar código-fonte]

Os ameríndios faziam grande uso das tartarugas, tracajás, jabutis e cágados como alimento[10] .

Era e é comum na Amazônia peixes, tartarugas e tracajás ficarem presos em lagos formados com a baixa das águas dos rios. As tartarugas saem e se dirigem para o rio mais próximo. Por alguma razão os tracajás nela permanecem e os índios, para capturá-los, batiam na água com pedaços de pau durante o dia. Os animais esperavam a noite para sair e eram facilmente capturados[11] .

Tartarugas eram facilmente capturadas após a desova por índios da Amazônia que simplesmente as viravam com o casco para baixo e depois as recolhiam e as levavam à aldeia, colocando-as em currais previamente preparados[12] [13] .

Índios amazônicos montavam um palanque dentro da água e lá ficavam observando o movimento das tartarugas marinhas. Quando alguma se aproximava, mesmo estando bem no fundo, o índio mergulhava e a dominava com as mãos[13] . Os Otomaco da Venezuela também capturavam tartarugas mergulhando na água[14] .

Os Caibí do Mato Grosso consumiam o tracajá (tartaruga amazônica que chega a pesar 12kg) e seus ovos. Cozinhavam os ovos, desta forma conservando-os por longo tempo[15] .

Índios de algumas tribos adoravam o jabuti com farofa. Removiam os intestinos do animal através de um buraco na parte ventral, através dele introduziam farinha e colocavam o jabuti inteiro paraassar nas brasas[16] ..


Referências

  1. crm 2011
  2. Archelon-Enchanted Learning Software Enchantedlearning.com. Visitado em 2009-03-14.
  3. HUNT, T.. (1958). "The Ordinal Name for Tortoises, Terrapins and Turtles". Herpetologica 14 (3): 148–150.
  4. a b BOUR, R.; DUBOIS, A.. (1984c [1985]). "Nomenclature ordinale et familiale des tortues (Reptilia)". Studia Geologica Salmanticensia Especial 1: 77-86.
  5. a b c d e DUBOIS, A.; BOUR, R.. (2010). "The distinction between family-series and class-series nomina in zoological nomenclature, with emphasis on the nomina created by Batsch (1788, 1789) and on the higher nomenclature of turtles". Bonn Zoological Bulletin 57 (2): 149-171.
  6. Bour 1981
  7. Smith & Smith 1979
  8. Dundee 1990
  9. crm2011
  10. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  11. BATES, Henry Walter (1825-1892). Um naturalista no rio Amazonas. Belo Horizonte, Edit. Itatiaia; São Paulo, Edit. da Universidade de São Paulo. 1979, 300 p.
  12. ACUÑA, Cristóbal de (1597-1675). Novo descobrimento do rio Amazonas. Consejeria de Educación de La Embajada de España. 1994, 211 p.</
  13. a b DANIEL, João (1722-1776). Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas. Rio de Janeiro, Contraponto. 2004, Vol. 1, 600 p.
  14. GUMILLA, Joseph 1686-1750 (1791). Historia natural, civil y geográfica de las naciones situadas en las riveras del río Orinoco. Tomo I. 360 p. Barcelona, em La Imprenta de Carlos Gibert y Tutó. http://books.google.com.br/books/reader?id=h_Ax_de6uIgC&hl=pt-BR&printsec=frontcover&output=reader&source=gbs_atb_hover&pg=GBS.PP7. Consulta em 09/1/2012
  15. RIBEIRO, Berta G. (1924-1997). Diário do Xingu. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1979, 265p.
  16. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikilivros Livros e manuais no Wikilivros
Wikiquote Citações no Wikiquote
Wikispecies Diretório no Wikispecies
Ícone de esboço Este artigo sobre tartarugas, integrado no Projeto Anfíbios e Répteis é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.