Teófilo I de Alexandria

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Ruínas de Alexandria

Teófilo de Alexandria (m. 412 d.C.) foi um Patriarca de Alexandria, no Egito, de 385 até a sua morte. Ele é considerado um santo pela Igreja Ortodoxa Copta.

Ele foi um Papa copta num tempo de conflitos entre a maioria cristão, que acabara de se tornar dominante, e o establishment em Alexandria, cada grupo apoiado por um segmento da população. Edward Gibbon descreveu-o como "...o perpétuo inimigo da paz e da virtude, um homem mau e corajoso, cujas mãos estavam poluídas ora com ouro e ora com sangue.".[1]

Destruição dos templos em Alexandria[editar | editar código-fonte]

Teófilo triunfante sobre o Serapeum destruído.
De A. Bauer and J. Strygowski, "Eine alexandrinische Weltchronik," Denkschriften der Kaiserlichen Akademie der Wissenschaften: Wien 51.2 1906: 1-204, fig. 6 verso

Em 391 d.C., Teófilo (de acordo com Rufino e Sozomeno) descobriu um templo pagão clandestino. Ele e seus seguidores mostraram os artefatos religiosos pagãos de maneira jocosa para o público, o que ofendeu os pagãos o suficiente para provocar um ataque aos cristãos. A facção cristã contra-atacou, forçando os pagãos a recuarem para o Serapeum. O imperador romano enviou uma carta à Teófilo pedindo-lhe que oferecesse o perdão aos pagãos e a destruição do templo. De acordo com Sócrates Escolástico, um contemporâneo, este último pedido foi adicionado após insistentes pedidos de Teófilo. Ele prossegue:

Aproveitando a oportunidade, Teófilo levou o pedido às últimas consequências... ele limpou o Mithraeum também... e então destruíu o Serapeum e fez com que os phalli de Príapo fossem levados através do fórum... os templos pagãos ... foram assim arrasados até o chão e as imagens dos deuses deles foram derretidas e transformadas em potes e outros utensílios para uso nas igrejas de Alexandria.
 
Sócrates Escolástico, História Eclesiástica, V.16[2]

A destruição do Serapeum foi visto por muitos autores, modernos e antigos, como representativo do triunfo do Cristianismo sobre as demais religiões da época. De acordo com João de Nikiú, no século VII d.C., quando a filósofa Hipátia foi linchada e esfolada por um horda de monges coptas (os parabolani) de Alexandria, eles aclamaram o sobrinho de Teófilo e seu sucessor, Cirilo como o "...o novo Teófilo, pois ele destruiu os últimos resquícios de idolatria na cidade.".[3]

Teófilo então se voltou contra os seguidores de Orígenes após tê-los apoiado por um tempo. Depois, ele foi, juntamente com seu sobrinho, Cirilo, até Constantinopla, onde presidiu o Concílio do Carvalho que depôs João Crisóstomo.

Obras sobreviventes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Teófilo I de Alexandria
(385 - 412)
Precedido por: Gold Christian cross.svg
Lista dos patriarcas / papas de Alexandria
Sucedido por:
Timóteo 23.º Cirilo

Referências

  1. Gibbon, Edward. The Decline and Fall of the Roman Empire (em inglês). New York: The Modern Library. 57ff p. vol. 2.
  2. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Demolition of the Idolatrous Temples at Alexandria, and the Consequent Conflict between the Pagans and Christians. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16. , vol. V.
  3. João de Nikiú. Crônicas: O linchamento de Hipátia (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 84.87-103. ,

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]