Teatro Brasileiro de Comédia

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Teatro Brasileiro de Comédia
Franco Zampari
Inauguração 1948
Geografia
País  Brasil
Cidade Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo, São Paulo São Paulo

Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) foi um importante teatro brasileiro, localizado na cidade de São Paulo, na rua Major Diogo. Fundado em 1948, pelo industrial italiano Franco Zampari.

História[editar | editar código-fonte]

O Teatro Brasileiro de Comédia - TBC - surgiu no dia 11 de outubro de 1948. Fundado por Franco Zampari, empresário italiano amante das artes, que escreveu em 1945 uma peça de teatro chamada "A mulher de Braços Alçados".

O Napolitano Franco Zampari e a esposa brasileira, de Família tradicional Paulista, Débora Prado Marcondes, reuniam em sua casa Industrias Italianos e a elite intelectual Paulistana. Essas reuniões criaram um grupo de intelectuais, a moda italiana, e a convivência com este grupo reforçou o gosto de Zampari pelas artes, principalmente pelo teatro. Unido a membros da burguesia, Zampari criou a Sociedade Brasileira de Comédia uma entidade sem fins lucrativos, com o objetivo de abrir espaço para o Teatro Amador.

Em 1948 Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina da carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Uma grande estrutura para a época. Na noite de 11 de outubro, o TBC estreia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau. E a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco principal estava Cacilda Becker e o próprio Abílio Pereira de Almeida.[1]

A peça "Nick Bar...Álcool, Brinquedos e Ambições" foi a primeira montagem profissional do TBC. A peça de William Saroyan teve direção de Adolfo Celi e o elenco contava com: Madalena Nicol, Cacilda Becker e Maurício Barroso.

Depois de se tornar referência e ser um grande teatro brasileiro, passou por várias crises e ficou fechado em alguns períodos. Há alguns anos foi reformado e voltou a atuar, até ser fechado novamente.

Durante as várias fases por que passou e durante os anos em que existiu como companhia estável (de 1948 a 1964) o TBC chegou a ter o melhor elenco do país. Com destaque para: Cacilda Becker, Tônia Carrero, Fernanda Montenegro, Dionisio Azevedo, Cleyde Yáconis, Nydia Lícia, Nathalia Timberg, Tereza Rachel, Paulo Autran, Sérgio Britto, Jardel Filho, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Ítalo Rossi entre outros.

A encenação estava confiada aos Italianos: Adolfo Celi, Luciano Salce, Ruggero Jacobbi, Flaminio Bollini Cerri, Alberto D'Aversa e Gianni Ratto, que se alternavam nas montagens. Além deles o TBC teve o fundamental apoio do belga Maurice Vaneau e do polonês Ziembinski

As premissas eram a implantação de um teatro de equipe, em que todos os papéis recebiam o mesmo tratamento, e se valorizavam igualmente a cenografia e a indumentária, a cargo de Aldo Calvo, Bassano Vaccarini, Tulio Costa, Gianni Ratto e Mauro Francini; e a política do ecletismo de repertório, revezando-se no cartaz Sófocles, John Gay, Goldoni, Strindberg, Bernard Shaw, Pirandello, Tennessee Williams, Arthur Miller, Sauvajon, Sardou, Roussin, Barillet, Grédy, Jan de Hartog, André Mirabeau, entre muitos outros.

Um desdobramento do TBC foi a criação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, cujos galpões em São Bernardo do Campo abrigaram inúmeras produções nacionais, algumas premiadas internacionalmente.

O TBC consolidou a renovação estética do espetáculo brasileiro, iniciada pelo grupo amador carioca de Os Comediantes, e tornou-se a origem de outros conjuntos dele desdobrados, como a Companhia Nydia Lícia-Sérgio Cardoso, a Companhia Tônia-Celi-Autran, o Teatro Cacilda Becker e o Teatro dos Sete. Maria Della Costa, enquanto aguardava a construção de sua casa de espetáculos, passou por ele, e adotou no Teatro Popular de Arte os mesmos princípios.

Acusado de certo conservadorismo, tanto na encenação quanto na escolha de seus textos, além de certo privilégio a uma cultura oficial que mantinha laços com a burguesia dominante, o TBC entrou em sua última fase, alterando suas diretrizes. Passou a confiar as encenações aos brasileiros Flávio Rangel e Antunes Filho, além do belga Maurice Vaneau, e o repertório privilegiou os dramaturgos nacionais Dias Gomes, Jorge Andrade e Gianfrancesco Guarnieri, quando, antes, o autor da casa havia sido Abílio Pereira de Almeida.

Bibliografia recomendada[editar | editar código-fonte]

  • TBC - Crônica de um Sonho, de Alberto Guzik (Editora Perspectiva)
  • Cem Anos de Teatro em São Paulo, de Sábato Magaldi e Maria Thereza Vargas (Editora Senac)
  • Pequena História do Teatro no Brasil, de Mário Cacciaglia (EDUSP)
  • Panorama do Teatro Brasileiro, de Sábato Magaldi (Editora Global)
  • Eu vivi o TBC, de Nydia Licia (Imprensa Oficial)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]