Teatro Municipal de São Paulo

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Teatro Municipal de São Paulo
SaoPauloMunicipalTheatre1.jpg
Fachada principal do Theatro Municipal de São Paulo
Autor Ramos de Azevedo
Data da construção 1911
Estilo arquitetônico eclético
Cidade São Paulo, SP
Tombamento 1981
Órgão Condephaat

O Teatro Municipal de São Paulo é um dos mais importantes teatros de cidade e um dos cartões postais da capital paulista, tanto por seu estilo arquitetônico semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo, e claramente inspirado na Ópera de Paris, como pela sua importância histórica, por ter sido o palco da Semana de Arte Moderna de 1922, o marco inicial do Modernismo no Brasil[1] .

O teatro foi construído para atender o desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grande centros culturais da época, assim como promover a ópera e o concerto. Abriga atualmente a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Orquestra Experimental de Repertório, Coral Lírico, o Coral Paulistano e o Ballet da cidade de São Paulo. O edifício faz parte do Patrimônio Histórico do estado desde 1981, quando foi tombado pelo Condephaat.

História[editar | editar código-fonte]

Idealização, construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

Cartão postal do início do século XX, mostrando o Teatro Municipal.

Atualmente existem milhares de teatros espalhados em São Paulo. As peças são divulgadas em sites como www.teatrododia.com.br entre outros, e mostram o quando a cidade é berço de manifestações artísticas. O gosto pela música erudita já havia sido formado por influência da Corte, tendo grande impulso durante reinado do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina. Vários teatros foram construídos ao longo da costa brasileira e interior do Brasil. Na cidade de São Paulo, pequenos teatros cumpriam a tarefa da recepção de companhias internacionais que se apresentavam num circuito já bem conhecido: Manaus, no Teatro Amazonas, Belém, no Teatro da Paz, Rio de Janeiro, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Teatros como o Teatro Provisório Nacional, Teatro Politeama, Teatro Minerva, Teatro Apolo, assim como o melhor deles o Teatro São José, participavam deste circuito.

Inicia-se no ano de 1895, as discussões sobre a construção de um teatro especificamente para ópera com um projeto enviado para a Câmara Municipal que tramita sem sucesso. Em 1898, o Teatro São José foi destruído por um incêndio; a Câmara Municipal lança incentivo para o empreendimento da construção do novo teatro, mediante a isenção de impostos. O empreendimento será efetuado quando a concessão para isenção de impostos é estabelecida em 50 anos, neste momento, o Escritório Técnico de Ramos de Azevedo apresenta a proposta de construção. Outra proposta já havia sido apresentada por Cláudio Rossi ao primeiro prefeito Antônio Prado que faz a aproximação entre o Escritório Técnico de Ramos de Azevedo.

O Teatro Municipal de São Paulo, uma das principais casas de ópera do país.

O local escolhido para a construção foi o Morro do Chá, que já abrigava o Novo Teatro São José. Com o projeto de Cláudio Rossi, desenhos de Domiziano Rossi e construção pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, as obras foram iniciadas em 1903 e finalizadas em 1911. O estilo arquitetônico é o eclético, em voga na Europa desde a segunda metade do século XIX. São combinados os estilos Renascentista, Barroco do setecentos e Art Nouveau, sendo o último o estilo da época. A inauguração estava marcada para o dia 11 de setembro, mas devido ao atraso na chegada dos cenários da companhia Titta Ruffo,em São Paulo, pois vinham de turnê pela Argentina, foi adiada para 12 de setembro. Houve uma grande aglomeração de pessoas no entorno do teatro, muitas admiradas pela iluminação com energia elétrica vinda de seu interior e pelo entorno. A noite foi iniciada com o trecho da obra “O Guarani”, de Carlos Gomes, devido a pressão da crítica paulistana. Seguiu-se depois a encenação da ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas, com o barítono Titta Ruffo no papel principal. A companhia apresentou outras óperas durante a primeira temporada.

Os primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Vista lateral do Teatro Municipal.

No período de 1912 a 1926, o teatro apresentou 88 óperas de 41 compositores, sendo dezessete italianos, dez franceses, oito brasileiros, quatro alemães e dois russos, totalizando 270 espetáculos. Mas o fato mais marcante do teatro no período e talvez em toda a sua existência não foi uma ópera e sim um evento que assustaria e indignaria grande parte dos paulistanos na época: a Semana de Arte Moderna de 1922.

A Semana de Arte Moderna[editar | editar código-fonte]

Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna

De 11 a 18 de fevereiro, o Teatro Municipal sediou um evento modernista que veio a ser conhecido como a Semana de Arte Moderna de 1922. Durante os sete dias de evento ocorreu uma exposição modernista e nas noites dos dias 13, 15 e 17 aconteceram apresentações de música, poesia e palestras sobre a modernidade no país e no mundo.

O Modernismo pregava a ruptura de todo e qualquer valor artístico que existira até o momento, propondo uma abordagem totalmente nova à pintura, à literatura, à poesia e aos outros tipos de arte. A "Semana" contou com nomes já consagrados, como Graça Aranha e outros, que se tornariam futuros grandes expoentes do modernismo brasileiro. Participaram da Semana Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti,Víctor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, entre outros. Tarsila do Amaral não participou da Semana, pois se encontrava na Europa na ocasião e recebeu notícia da mesma através de cartas, sobretudo de Anita Malfatti, amiga que a apresentaria, em meados de 1922, a Menotti, Mário e Oswald. Essas cinco personalidades passaram a se frequentar e se reunir a partir de então, passando a se auto-dominar como o Grupo dos Cinco, em que informações sobre a arte moderna eram trocadas, vivenciadas e praticadas.

Meados do século XX[editar | editar código-fonte]

Lateral do Teatro Municipal.

Com o passar dos anos, o teatro que havia sido feito exclusivamente para a ópera, mostrou-se capaz de abrigar outros eventos artísticos, como, além da Semana de Arte Moderna, performances de bailarinas como Anna Pavlova e Isadora Duncan.

Nas décadas seguintes, sua opulência foi desaparecendo devido a outras construções nos arredores que acompanhavam o crescimento de São Paulo, como, por exemplo, o Edifício do Banespa, além da queda de público. Na década de 50 acontece a primeira grande reforma, de 1952 a 1955, durante a gestão do prefeito Jânio da Silva Quadros. Esta reforma teve por objetivo a entrega do Teatro para as comemorações do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, mas por atraso nas obras, a reinauguração só aconteceu em 1955. A Sala de Espetáculos teve suas ordens demolidas e reconstruídas; a retirada dos camarotes de proscênio para dar lugar ao órgão; os ornamentos e mobiliário foram refeitos pelo Liceu de Artes e Ofícios; o vermelho tornou-se a cor oficial da sala, bem como da tapeçaria e estofamento das poltronas e cadeiras; houve ainda a instalação de elevadores e sistema de ar condicionado. A instalação do órgão será realizada somente no ano de 1969, com a construção pela empresa italiana G. Tamburini.

Quanto mais os anos passavam, apesar de ainda gozar de grande respeito, o Teatro Municipal, com suas exibições, foi perdendo espaço como centro de cultura para a população, que passou por diversas transformações sociais e culturais durante todo o século. Assim, as apresentações do teatro ficaram voltadas apenas para um público muito seleto.

Fim do século XX aos dias atuais[editar | editar código-fonte]

O Teatro Municipal à noite.
Vista da escada central do Teatro em dia de apresentação.

Na década de 1980, o teatro passou por uma segunda reforma, iniciada na gestão do prefeito Jânio Quadros. Essa teve como intuito modernizar os equipamentos e maquinários de palco, restaurar a fachada, e para isso buscou-se tamanha fidelidade que a fachada foi restaurada com arenito vindo da mesma mina que forneceu o material para a construção original do prédio no início do século. Além disso, a cor verde foi restituída a partir da prospecção realizada na parede interna que abriga o órgão, única a não ser alterada na reforma dos anos 50. Todo o estofamento, tapeçaria e pintura da sala passa ao verde. Esta reforma terminou em 1991 já sob a gestão de Luísa Erundina.

Atualmente, com mais de 100 anos, o Teatro Municipal de São Paulo é considerado um dos palcos de maior respeito no país, tendo abrigado apresentações dramáticas e óperas de grandes nomes nacionais e internacionais. Passou por um novo restauro em 2011, durante seu aniversário de 100 anos, que foi feito na fachada, Salão Nobre, além da reconstituição do Bar da Diana, através da restauração total das pinturas parietais e de teto e na volta das poltronas de cor vermelha, devolvendo a este espaço as características da época da inauguração em 1911.

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Original da Monographia distribuida no dia da inauguração, em 11 de setembro de 1911