Teatro Oficina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde Fevereiro de 2008).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.

O Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, ou simplesmente Teatro Oficina, é uma companhia de teatro do Brasil, localizada em São Paulo no bairro do Bixiga. Foi fundada em 1958 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo por Amir Haddad, José Celso Martinez Correa e Carlos Queiroz Telles.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Papagaio preso no Terreiro Eletrônyco

O Teatro Oficina reuniu grandes artistas que passaram em seus palcos ao longo de suas décadas de existência, como Etty Fraser, Maria Alice Vergueiro (Tapa na pantera), Leona Cavalli.

O Teatro Oficina foi local de grande parte da experiência cênica internacional, que reuniu de Brecht, Sartre ao Living Theatre. Foi neste lugar que foi lançado um importante manifesto da cultura brasileira, o Tropicalismo, versão na década de sessenta do movimento antropofágico de Oswald de Andrade. Este influenciou músicos, poetas e outros artistas.

Em 1967 o oficina monta O Rei da Vela, atuada por outro importante elemento desta companhia, Renato Borghi, junto com Itala Nandi e Fernando Peixoto. Segundo Renato Borghi "A dramaturgia bombástica me fazia sentir atuando dentro da raiz e da alma brasileira; nesta peça, o Oswald de Andrade falava do Brasil de uma forma Movimento antropofágico, devorando o que gente tinha de bom e de péssimo. O Oswald pegou o Brasil por todos os lados, devorou-o e depois o cuspiu no palco. E eu assinei em baixo, com sangue, suor e lágrimas...".

Atualmente a companhia é dirigido por José Celso Martinez Corrêa.

Incêndio[editar | editar código-fonte]

Houve um incêndio no Teatro Oficina, em 31 de maio de 1966. Depois desse episódio o espaço cênico mudou. Antes era chamado de Sanduíche, um palco, com plateia de um lado e do outro. Depois torna-se um palco italiano, com uma roda giratória grande. O Rei da Vela foi o primeiro espetáculo que estreou no novo espaço (Balbi, Marilia. Depoimento: Fernando Peixoto: Em Cena Aberta). Onde a o palco giratório desempenhou um grande papel na encenação. Seu formato foi finalmente transformado na década de 1990 onde foi transformado em um espaço passagem, como se fosse uma rua com a plateia dos dois lados, em duas fileiras de cadeiras, em andares.

Este novo Oficina foi tombado pelo Condephaat em 1982, e foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi, italiana radicada brasileira, transformando-o em um teatro-pista, com parede de vidro em um dos lados, teto retrátil, sendo sua arquitetura vencedora da Bienal de Praga em 1999. A mesma arquiteta desenhou dois edifícios emblemáticos na cidade de São Paulo. O famoso prédio do MASP - Museu de Arte de São Paulo, um edifício que parece flutuar no ar, devido seu imenso vão livre e o SESC Fábrica da Pompéia, onde buracos nas paredes nos andares superiores, e passarelas interligando andares, tentam amenizar qualquer sensação de claustrofobia que um edifício numa cidade como São Paulo pode causar.

Atualmente, o maior projeto de Zé Celso é construir um Teatro de Estádio no Bairro do Bixiga em São Paulo, onde também estaria funcionando uma escola para as crianças e moradores do bairro, realizando o antigo vislumbre da Ágora.

Os Sertões[editar | editar código-fonte]

O Grupo tem uma trajetória que ultrapassa os limites estéticos, passando por várias formas de interpretação, gestão e arquitetura. Uma das últimas montagens do Oficina foi a adaptação de "Os Sertões", de Euclides da Cunha, para o palco, que recriou a Guerra de Canudos (1896-1897) e apresentada como está no livro, em 3 partes: a Terra, o Homem (I e II) e a Luta (I e II). A peça foi apresentada no Festival de Teatro de Recklinghausen, na Alemanha, e na Volksbühne de Berlim. A saga sertaneja iniciada em 2001, em toda a sua extensão tem 25 horas de encenação, em um dos projetos mais ousados das artes cênicas mundiais.

A montagem da obra de Euclides da Cunha faz referência à resistência do grupo contra o projeto de construção de um shopping center, nos arredores do teatro Oficina, pelo Grupo Silvio Santos. Além de, em todas as peças, fazer uma ponte irônica entre a guerra de Canudos e os acontecimentos do momento, como o Papa Bento XVI, a invasão do Iraque, o mensalão e os ataques do PCC.

Sua última montagem, em 2008, foi "Os Bandidos", baseado na obra "Die Räuber" de Schiller e também abordava a resistência do grupo contra o grupo Silvio Santos.

Estão entre as principais montagens do Grupo textos de Eurípedes, Shakespeare, Antonin Artaud, Nelson Rodrigues, Jean Genet, entre outros.

Referências[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Guerra, Marco Antonio. Carlos Queiroz Telles. História e Dramaturgia em Cena. São Paulo: Anna Blume, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]