Tecnocracia

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Tecnocracia é uma alternativa de governo, no qual a Ciência seria a controladora de todas as decisões. Seriam, portanto os cientistas, engenheiros e demais profissionais tecnológicos (e não políticos, economistas e/ou gestores) os governantes, devido ao seu conhecimento e habilidades.1 Assim, numa tecnocracia os decisores seriam escolhidos com base na qualidade académica ou não apresentada no seu campo de estudo/trabalho. Onde o resultado sempre deve ser do benefício à população.

O termo tecnocracia era usado originalmente para designar a aplicação do método científico na resolução de problemas sociais, em contraste com as tradicionais abordagens política, económica e filosófica.2 . No entanto, a palavra tecnocracia tem sido usada popularmente para indicar qualquer tipo de administração feito por especialistas de qualquer campo (não apenas da ciência física) e em diversos contextos.2 3

As aptidões técnicas e de liderança seriam selecionadas através de processos burocráticos, assentes no desempenho e conhecimentos especializados, ao invés de uma eleição "democrática". Alguns usos da palavra tecnocracia denotam a definição deste conceito como uma mera forma de meritocracia, ou não. Pois todos seriam beneficiados com a tecnologia e ciência.

Índice

História do termo [editar]

O termo tecnocracia deriva das palavras gregas tekhne, que significa aptidão, e kratos, que significa poder. Ou seja, o poder das máquinas. Onde as máquinas fazem o trabalho por nós. William Henry Smith, um engenheiro californiano, é apontado como o inventor do termo tecnocracia, que o definia como "the rule of the people made effective through the agency of their servants, the scientists and engineers", embora a palavra já tivesse sido usada várias vezes antes.4 3 5

Tecnocracia na crise das dívidas soberanas [editar]

Após a crise das dívidas soberanas, o termo tecnocrata foi novamente usado na imprensa europeia. Estes, tais como os primeiros-ministros de Itália (Mario Monti) e da Grécia (Lucas Papademos), foram vistos por uns como solucionadores de problemas que os políticos não conseguiram resolver e, por outros, como pessoas catapultadas para o topo da política, a fim de pôr em prática as ordens dos seus "patrões" na Alemanha e em França.6

A Tecnocracia no Brasil [editar]

A Tecnocracia teve seu uso durante o Regime militar do Brasil. sendo defendida por diversos setores da alta sociedade civil conservadora e militar brasileira. Teve seu conceito adaptado para a atual realidade autoritária governamental, e caracterizava-se primariamente por um crescimento economico baseada em sistemas repressivos de exclusão da classe trabalhadora das decisões políticas. Paralelamente ao endurecimento do regime, o governo militar punha em ação o plano tecnocrata de modernização da indústria nacional, baseada na racionalidade técnica.7 A tecnocracia no Brasil foi marcada por intervenções técnico-calculistas do Estado na política economica.

Alguns exemplos da aplicação da tecnocracia no regime militar7

  • Cálculo entre arrocho salarial e o crescimento econômico.
  • Reformulação das pautas do ensino médio afim de uma maior efetividade, futuramente, na produção do trabalho
  • Indexação dos preços de acordo com a inflação
  • Política cambial supervalorizante do dólar
  • Maquinização dos setores agrícolas
  • Política de juros subsidiados
  • Direcionamento da produção agrícola para o mercado externo

Referências

  1. Ernst R. Berndt (1982). From Technocracy To Net Energy Analysis: Engineers, Economists And Recurring Energy Theories Of Value” (PDF) (em inglês). Studies in Energy and the American Economy, Discussion Paper No. 11, Massachusetts Institute of Technology, Revised September 1982.
  2. a b Questioning of M. King Hubbert, Division of Supply and Resources, before the Board of Economic Warfare (PDF) (em inglês) (14 de abril de 1943). p.35 (p.44 do PDF)
  3. a b Who Is A Technocrat? - Wilton Ivie - (1953)[ligação inativa]
  4. History and Purpose of Technocracy by Howard Scott[ligação inativa]
  5. Barry Jones (1995, fourth edition). Sleepers, Wake! Technology and the Future of Work, Oxford University Press, p. 214.
  6. Em defesa dos tecnocratas (em português). Página visitada em 19 de Janeiro de 2012.
  7. a b Amarilio Ferreira Jr.. Educação e Ideologia Tecnocrática no Brasil.

Ligações externas [editar]

  • Marion King Hubbert, Howard Scott, Technocracy Inc., Technocracy Study Course, New York, 1st Edition, 1934; 5th Edition, 1940, 4th printing, July 1945.
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