Temiminó

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Distribuição dos grupos indígenas na costa brasileira no século XVI
Estátua do líder temiminó Arariboia no Centro de Niterói, cidade por ele fundada em 1573

Os temiminós, também chamados temininós[1] , timiminós, tomominos e tegmegminos[2] , foram uma tribo indígena de língua tupi que habitou a baía de Guanabara e o sul do atual estado do Espírito Santo, no Brasil, no século XVI.[3] Era inimiga tradicional dos seus vizinhos tupinambás na baía de Guanabara, mas possuía muitos traços culturais em comum com estes e com outras tribos tupis, tais como a língua, crenças, costumes como o canibalismo ritual e a agricultura de subsistência baseada em queimadas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Temiminó" é oriundo do termo tupi temiminõ, que significa "descendente".[4]

História[editar | editar código-fonte]

Os inimigos tupinambás chamavam pejorativamente os temininós de maracajás, isto é, gatos-do-mato. Os temiminós aliaram-se aos portugueses contra os franceses, que eram os aliados dos seus inimigos tupinambás. Um dos principais centros territoriais dos temininós foi a atual ilha do Governador, na época, chamada Isle Belle ("ilha bela") pelos franceses, Paranapuã ("mar redondo") pelos tupis e Ilha do Gato pelos portugueses. Uma outra região ocupada pelos temiminós foi o sul do atual estado do Espírito Santo.

O instante melhor conhecido da história temininó se relaciona com a criação e destruição da França Antártica. Em 1554, os tupinambás da famosa Confederação dos Tamoios (ou tamuyas, isto é, literalmente, dos anciões, dos mais antigos), ajudados por franceses, atacaram os temiminós na ilha de Paranapuã (ilha do Governador) e os expulsaram da Baía de Guanabara. Os temininós, liderados pelo chefe Maracajá-guaçu, foram ajudados pelos portugueses na viagem que fizeram até encontrarem a outra parte de sua nação, no atual estado do Espírito Santo. Nessa capitania, fundaram, com os jesuítas, uma aldeia que deu origem à atual cidade de Serra.

Em 1567, os temininós, liderados pelo filho de Maracajá-guaçu, Arariboia, juntaram-se os portugueses e destruíram as fortificações dos franceses e tamoios na Baía de Guanabara. A convite dos portugueses, que queriam manter a baía protegida dos franceses dispersos e dos tamoios, Arariboia passou a residir no local onde atualmente é o bairro de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse local, os temiminós ainda resistiram a um ataque tamoio.

Alguns anos depois, em 1573, Arariboia e os temiminós se mudaram para o outro lado da entrada da Baía de Guanabara, onde tinham a missão de proteger a entrada da baía. Nessa região, os temiminós fundaram São Lourenço dos Índios, que foi o início da atual cidade de Niterói.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. CALMON, Pedro. História do Brasil - Primeiro volume. (Brasiliana)
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 659.
  3. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  4. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 100.