Templo Beiyue

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Templo Beiyue
Salão Dening (chinês: 德宁殿, pinyin: Déníng Diàn) do Templo Beiyue
Salão Dening (chinês: 殿pinyin: níng Diàn) do Templo Beiyue
Local Quyang
Região Hebei
País  China
Coordenadas 38° 37′ N 114° 41′ E
Religião Daoísmo



Fim da construção 1270
Dinastia Yuan


O Templo Beiyue (chinês tradicional: chinês simplificado: pinyin: Běi Yùe Mìao, literalmente ‘templo do cume norte’) é um templo taoísta localizado a oeste da cidade de Quyang, província de Hebei, China. O templo foi usado como local de sacrifícios do Monte Heng pelos imperadores da Dinastia Song, na homenagem do Deus local — montanha a norte das Cinco Montanhas Sagradas da China[1] [2] — o qual foi provavelmente ocupado durante a Dinastia Liao. O Salão Dening é a maior e mais antiga estrutura do templo, e um dos edifícios de madeira existentes de maior importância histórica dos construídos durante a Dinastia Yuan.[3] [4] O templo possui ainda três portões, um pavilhão octogonal e várias estelas.

História[editar | editar código-fonte]

O Templo Beiyue foi estabelecido pela primeira vez ou durante a Dinastia Wei do Norte (386–584) ou durante a Dinastia Tang (618–907), entretanto o sitio talvez tenha sido tomado ainda no século II AEC durante a Dinastia Han.[4] [5] O templo foi reconstruído por duas vezes: primeiro em 991, após ter sido destruído pelo povo Kitai por volta de 950; e, em seguida, em 1270.[5] De acordo com uma imagem do templo que remonta de uma história local de Quyang escrita em 1672, o templo apresentava já por esta altura o projeto atual.[6]

Durante a Dinastia Song, o Templo Beiyue foi usado como local alternativo para a realização de sacrifícios destinados ao Cume do Norte, no Monte Heng, uma das montanha sagradas do Taoísmo. Durante este período, o Monte Heng era controlado pela Dinastia Liao (916–1125). Com o propósito de manter a legitimidade política e receber apoio taoísta, o Imperador Song elegeu o Templo Beiyue como local para esses mesmos sacrifícios a Hengshan.[7]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Pavilhão Tianyi.

O Templo Beiyue ocupa uma área total de 170 mil metros quadrados e a sua área de construção estende-se por 5 400 metros quadrados.[2] O complexo foi implantado de acordo com o eixo norte-sul e é constituído por seis edifícios, designadamente: o Pavilhão Yuxiang; o Portão Lingxiao; o Portão Principal; o sítio do já inexistente Salão Feishi;[2] um edifício octogonal chamado de Pavilhão Tianyi, construído durante a Dinastia Ming; e o Salão Dening. Numa grande plataforma em frente ao Salão Dening, encontram-se as relíquias de esculturas em pedra, naquele que foi outrora o local do Salão Feishi.[6] De acordo com as inscrições presentes no templo, grande parte dos edifícios atuais foram reconstruídos em finais do século XX.[8]

O muro que cerca o templo fazia parte de uma muralha da cidade que cercava Quyang. O portão sul do templo foi na época um dos principais portões da cidade. Para além do que permanece como parte do templo, nada mais restou desta muralha.[5] Os jardins do templo são inclusive lar de mais de 137 estelas, que remontam desde a Dinastia Wei do Norte (386–534) à Dinastia Qing (1368–1911).[9]

Salão Dening[editar | editar código-fonte]

O Salão Dening (德宁殿) é o salão principal do templo, e foi construído em 1270 durante a Dinastia Yuan.[10] Encontra-se sobre uma maciça plataforma, a qual os chineses denominam de yuetai (月台, lit. plataforma), com 25 metros de comprimento e 20 de largura. Construído sobre tamanha plataforma, o Salão Dening pode ser acessado por uma das escadas centradas na parte frontal ou por uma das duas escadas laterais anexas ao yuetai. Próximo do perímetro da plataforma encontra-se uma balaustrada de mármore branco encabeçada por estatuetas em forma de leões. O salão mede sete tramos por quatro e está rodeado por uma arcada que suporta os beirais.[3] De acordo com o Yingzao Fashi, um tratado de arquitetura da Dinastia Song, o Salão Dening possui os mais complexos conjuntos de suportes dougong (puzuo) existentes, que remontam da Dinastia Yuan.[11] [12] Este tipo de cornijas têm três suportes transversais e três horizontais.[13] Com base no complexo sistema de suportes dougong, na balaustrada de mármore e na alta plataforma, Steinhardt identificou o Salão Dening com um dos dois salões de madeira mais notáveis e importantes que remontam do período Yuan.[14] [nt 1] Estas características também se assemelham às descrições realizadas sobre a arquitectura da capital Mongol, o que significa que o Salão Dening representa uma parte da então perdida arquitetura de Dadu (atual Pequim).[15]

Este salão possui pinturas murais taoístas em três das suas paredes.[9] O mural da parede de oeste, é atribuído à Dinastia Tang, e mede 17 por 7 metros. Este destaca uma divindade local da água, com o ser alado no topo. De proporções semelhantes, é o mural da parede a leste, o qual retrata o Rei Dragão (龙王).[16] O salão contém nove estátuas, e todas elas datam do mais recente período relativo à construção do edifício.[15]

Notas

  1. Steinhardt identifica também o Salão Sanqing de Yonglegong em Ruicheng, Shanxi, como um dos mais importantes salões atualmente existentes deste tipo.

Referências

  1. Mount Hengshan -- One of the Five Sacred Mountains (em inglês) china.org.cn. Página visitada em 3 de fevereiro de 2014.
  2. a b c Beiyue Temple (em inglês) chinaculture.org (2003). Página visitada em 3 de fevereiro de 2014.
  3. a b (Steinhardt 1998, p. 69)
  4. a b (Zhao e Liang 2008, p. 114)
  5. a b c (Steinhardt 1998, p. 82)
  6. a b (Steinhardt 1998, p. 81)
  7. (Goossaert 2008, p. 481)
  8. Fotografia de uma placa no Portão San Shan do Templo Beiyue.
  9. a b (Zhao e Liang 2008, p. 115)
  10. (Steinhardt 1988, p. 61)
  11. The bracket set (puzuo) (em inglês) (1997). Página visitada em 1 de fevereiro de 2014.
  12. (Steinhardt 1998, p. 71)
  13. (Steinhardt 1988, p. 68)
  14. (Steinhardt 1998, p. 72)
  15. a b (Steinhardt 2000, p. 68)
  16. (Steinhardt 1998, p. 86)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Goossaert, Vincent. In: Fabrizio Pregadio. The Encyclopedia of Taoism (em inglês). Londres: Routledge, 2008. 481–482 pp. ISBN 0-7007-1200-3
  • Steinhardt, Nancy Shatzman. Taoism and the Arts of China (em inglês). Chicago: Art Insititute of Chicago, 2000. 57–76 pp. ISBN 978-0-520-22785-9
  • Steinhardt, Nancy Shatzman. Toward the Definition of a Yuan Dynasty Hall (em inglês). 1 ed. [S.l.]: The Journal of the Society of Architectural Historians, 1988. 57–73 pp. vol. 47.
  • Steinhardt, Nancy Shatzman. The Temple to the Northern Peak in Quyang (em inglês). 1/2 ed. [S.l.]: Artibus Asiae, 1998. 69–90 pp. vol. 58. ISBN ISSN 0004-3648
  • Zhao e Liang. Hebei Tianjin (河北, 天津) (em chinês). Pequim: China Travel Press (中国旅游出版社), 2008. 321 pp. ISBN 978-7-5032-3299-2