Tempos Modernos (telenovela)

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Tempos Modernos
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Duração 60 minutos aproximadamente
Criador(es) Bosco Brasil
País de origem  Brasil
Idioma original (português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Paulo Silvestrini
Carlo Milani
Luciana Oliveira
José Luiz Villamarim
Elenco Antônio Fagundes
Eliane Giardini
Marcos Caruso
Fernanda Vasconcellos
Vivianne Pasmanter
Regiane Alves
Otávio Muller
Thiago Rodrigues
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Tema de abertura "Cérebro eletrônico", por Myllena
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 11 de janeiro de 2010 - 16 de julho de 2010
N.º de episódios 161
Cronologia
Último
Último
Caras & Bocas
Ti Ti Ti
Próximo
Próximo
Programas relacionados Geração Brasil

Tempos Modernos[1] é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo, cuja exibição ocorreu entre 11 de janeiro e 16 de julho de 2010, totalizando 161 capítulos. Idealizada por Bosco Brasil, foi escrita pelo próprio com a colaboração de Maria Elisa Berredo, Mário Teixeira, Izabel de Oliveira e Patrícia Moretzsohn, sob a supervisão de texto de Aguinaldo Silva.[2] Sua direção ficou a cargo de Paulo Silvestrini, Carlo Milani e Luciana Oliveira, e a direção-geral recaiu à José Luiz Villamarim.[3] A classificação indicativa da novela é de livre para todos os públicos, que foi trocada para imprópria para menores de 12 anos quatro dias após o fim da trama.[4]

Antônio Fagundes e Eliane Giardini interpretaram as personagens principais Leal e Hélia, respectivamente, numa trama que narra a revolução tecnológica sem deixar de lado as relações humanas.[5] Fernanda Vasconcellos, Thiago Rodrigues, Priscila Fantin, Grazi Massafera, Guilherme Weber, Marcos Caruso, Malu Galli, Vivianne Pasmanter, Felipe Camargo, Danton Mello, Paula Possani, Otávio Muller e Regiane Alves desempenharam os demais papéis principais da história.[6] [7]

A cantora Myllena executou o tema de abertura, "Cérebro eletrônico", presente em um álbum com canções nacionais lançado paralelamente ao folhetim que contou com a participação de Ana Carolina, Caetano Veloso e Cláudia Leitte. Um disco internacional também foi distribuído, com músicas de Queen, 30 Seconds to Mars e Coldplay, entre outros. O título Tempos Modernos é uma referência ao tema principal tratado na telenovela.[8] Voltada para o público em geral, a trama oscilou uma média de 24,1 pontos[9] e foi avaliada negativamente pela mídia e imprensa. Entretanto, foi indicada a uma categoria dos Meus Prêmios Nick de 2010 e a nove categorias do 13º Prêmio Contigo! de TV.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O setor de teledramaturgia da Rede Globo estreou no mesmo ano de sua inauguração, em 1965, com O Ébrio, no horário das 20 horas.[nota 1] [11] [12] No mesmo ano também seria criado o horário das 19 horas, com Rosinha do Sobrado.[13] Desde então, até Caras & Bocas (2009), haviam sido produzidas 75 novelas na faixa.[14] Antes do término desta, ficou decidido que Bosco Brasil seria o responsável pela sucessora, que iria escrever sob a supervisão de texto de Aguinaldo Silva. A telenovela marcaria seu retorno à Globo; após colaborar com Coração de Estudante (2002), o autor foi contratado pela Rede Record e ajudou no texto de Essas Mulheres (2005) e foi co-autor de Bicho do Mato (2006).[15]

Produção[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg O Lear é um cara meio inexplicável, porque ele faz aquela bobagem (decide dividir seu reino entre as três filhas, mediante o amor que cada uma sente por ele), e entra naquela bagunça. Fica meio cômico se você pensar naquele monte de besteiras que ele sai fazendo. Vou pegar essa comicidade, mas sem dúvida é uma comédia leve, que não foge da abordagem da finitude do ser humano e da potência do amor. Gosto de misturar drama e comédia, meu estilo em teatro também é esse. O desafio vai ser contar a história nesse fio de navalha. Cquote2.svg
Bosco Brasil[16]

O texto da telenovela inspirou-se pela peça O Rei Lear, de William Shakespeare,[17] que também inspirou Suave Veneno, de Aguinaldo Silva,[18] que por sua vez, supervisionou o texto de Tempos Modernos. O esquema era o seguinte: Bosco enviava os capítulos assim que prontos, e como à época Silva estava em Portugal, ambos se comunicavam por Skype.[19] [20] O primeiro título escolhido para a telenovela foi Bom dia, Frankenstein!, que em seguida foi trocado para Tempos Modernos. Depois, a emissora escolheu Fim dos Tempos, mas retornou ao nome anterior.[1] Paulo Ricardo Moreira, do Jornal do Brasil, opinou que "o [título] provisório [...] era bem mais interessante."[8] As gravações iniciaram-se então em outubro de 2009 no centro de São Paulo,[21] em pontos como a praça Ramos, o Vale do Anhangabaú, o Viaduto do Chá, e a rua Líbero Badaró.[22] Após um mês na capital paulista, o elenco deslocou-se para o Projac, onde as filmagens foram finalizadas.[23] Para desempenharem seus papéis, Fernanda Vasconcellos e Grazi Massafera tiveram preparações físicas no Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Dentre outros, as duas tiveram aulas de rapel e de artes marciais.[23] Vasconcellos perdeu 8 kg,[24] e Massafera contou da sua dificuldade de fazer cenas de luta com salto alto.[25]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

A escolha do elenco foi feita pela própria direção de teledramaturgia da Globo. O casal Goretti e Bodanski foi o primeiro a ter atores definidos, assim como seus filhos. Regiane Alves e Otávio Muller foram os escolhidos para a atuação, e para seus filhos foram determinados Ana Karolina Lannes, Jennifer de Oliveira Andrade, Rebecca Orensetein e Polliana Aleixo.[26] Pouco depois, o jornal O Estado de S. Paulo confirmou a participação de Priscila Fantin em Tempos Modernos.[27] Carolina Dieckman e Fantin foram convidadas para o papel de Nelinha, mas ambas recusaram.[28] Priscila declarou que recusou devido ter feito papéis principais em suas últimas atuações.[29] Por fim, Fernanda Vasconcellos, que interpretaria a vilã Nara Nolasco, foi convidada para ocupar o posto de protagonista, e Fantin ficou com o papel.[30]

Outro jornal paulistano, a Folha, entrevistou Guilherme Weber, que se disse satisfeito pela participação na obra de Brasil, afirmando que aprecia o "filtro peculiar de humor da história", em uma novela "se parece com as que eu assistia nos anos 80, como tom do Cassiano Gabus Mendes."[17] O Jornal do Brasil foi o responsável por confirmar a participação de Malu Galli como Iolanda.[31] A novela também marcou a terceira vez que Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues formaram um par romântico; em Malhação (2005) e em Páginas da Vida (2006), eles também contracenaram.[32] [33] João Baldasserini inicialmente fez o teste para Zeca. Não conseguiu, e então tentou o de Túlio, que conquistou.[34]

Cenário e caracterização[editar | editar código-fonte]

"É vital ir ao centro. Eu observo as mudanças e lembro de momentos importantes que passei por lá. O centro para mim é uma referência".

Bosco Brasil justificando a escolha de ambientar a novela no centro paulistano.[15]

O cenário de maior parte da trama é o prédio Titã I, que na realidade, se trata do Edifício Grande São Paulo.[35] A emissora montou, na praça Ramos, em São Paulo, uma cidade cenográfica. Para tal feito, equipes limparam o local com desinfetantes e com a ajuda de dez caminhões-pipa. Ainda, pediram gentilmente à moradores de rua para se retirarem. Clarice Cardoso, da Folha de S. Paulo, mostrou-se surpresa com o resultado: "Foi assim que, no sábado, o sol mal saíra e boa parte dos problemas do centro estavam resolvidos (pelo menos ali): fonte cheia e funcionando, passeio inodoro e, com pedidos gentis, sem moradores de rua [...] quase irreconhecível, a praça foi tomada por faixas, grandes bolas coloridas e paulistanos comemorando o aniversário da cidade."[36] Com o deslocamento para o Projac, foi criada uma cidade cenográfica de 7 mil metros quadrados.[37]

O figurino do personagem Leal é livremente inspirado pelo estilo de Roberto Carlos,[38] enquanto o personagem Nieman foi criado em homenagem à Oscar Niemeyer.[39] Sobre o estilo de Nara, um colunista da Zero Hora notou: "a década de 1980 está presente [em um estilo] cheio de cores e tons fortes, assim como o figurino da trama."[40] Grazi Massafera inspirou-se em três personagens do cinema para interpretar sua personagem,[41] e Thiago Rodrigues diz inspirar-se em Peter Parker, identidade real de Spider-Man, personagem da revista homônima.[42] Um bordão recorrente nos textos foi "Palavra de rei não volta atrás", repetido diversas vezes por Leal.[43] Um repórter de O Estado de S. Paulo notou que "apesar do nome e dos recursos visuais, Tempos Modernos, nova novela das 7 da Globo, vai mexer com a memória do público". Ele citou que Hélia escuta sempre seus vinis no toca-discos, enquanto Leal tem um carro Aero-willys, Portinho possui um Sidecar e Nelinha um "jipe vermelho dos anos 70". Disse ainda que há também "os nomes de personagens que o autor [...] achou no fundo do baú, como Tertuliana, Valvênio, Gaulês, Cornélia e Dulcinólia."[44]

Cquote1.svg Costumo dizer que o Albano é um arquétipo, pois ele tem noção de sua própria vilania. Uma cena que ilustra bem isso é quando algo estoura no rosto dele, e ele sai correndo para se ver no espelho. Sua preocupação é que afete sua sobrancelha, que, arqueada, é uma marca de sua personalidade maléfica. Cquote2.svg

Os efeitos especiais foram recorrentes na produção. O personagem Leal, por exemplo, tem seu próprio museu virtual secreto, chamado "Museu do Leal", onde guarda suas memórias. Lá, ele e outros personagens ligados à ele viraram holografias. Consoante José Luiz Villamarim, diretor-geral da trama, "[nós] pegamos imagens reais do Fagundes, antigas e novas. Quando Leal pedir ao Frank para "reavivar" sua lembrança, elas aparecerão holograficamente." Na cidade cenográfica, existem réplicas de algumas construções, mas a maioria do cenário, principalmente a noção de profundidade das ruas, foi toda feita por computação gráfica. Embora não sejam efeitos especiais, Albano possui "aparatos tecnológicos" para controlar o Titã,[46] e sua sala de controle é inspirada no filme Minority Report.[47] O personagem Frank foi inspirado em Hal 9000, de 2001: A Space Odyssey (1968).[48] O autor definiu a trama como "acelerada".[49]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Leal Cordeiro é um homem de origem humilde, hoje milionário que certo dia decide construir o Titã II, um gigante edifício em São Paulo.[50] Contudo, Hélia Pimenta, uma antiga paixão do passado, é contra o projeto e planeja impedir que o mesmo avance na construção. Em determinado momento, ela se vê novamente na vida de Cordeiro, quando os dois se apaixonam novamente, mesmo tendo opiniões e maneiras opostas de levar a vida.[51] Entre o amor mal-resolvido, os dois tem que cuidar de seus filhos; ele é pai de três filhas: as peruas Regeane e Goretti e a caçula Nelinha, uma astrônoma apaixonada por aventuras.[52] Hélia é mãe de Zeca, um garoto de princípios. O destino faz, ironicamente, com que Nelinha e Zeca se apaixonem, causando assim a ira de Nara, noiva dele, que planeja impedir a felicidade desse casal.[53]

Enquanto isso, Regeane, a filha mais velha de Leal,[54] está comprometida com o asqueroso Albano, que finge amá-la mas mantém um caso extraconjugal com sua colega de serviço, a vilã Deodora, uma coodernadora de segurança bela e perigosa.[55] Albano e Deodora planejam roubar todo o dinheiro de Leal, elaborando diversos planos malignos.[56] E Regeane se vê cada vez mais envolvida por Portinho, seu ex-marido. Apesar de Portinho estar separado de Regeane e de ser o homem ideal para ela,[57] eles não conseguem ficar longe um do outro. A vida de todos muda com o retorno de Otto Niemann, antigo amigo de Leal, mas que na realidade tem planos para destruí-lo.[58]

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Exibição[editar | editar código-fonte]

O primeiro capítulo de Tempos Modernos foi exibido em 11 de janeiro de 2010 pela Rede Globo, na faixa das 19h,[59] [60] substituindo Caras & Bocas.[61] A trama foi exibida de segunda a sábado, com a classificação indicativa de livre para todos os públicos,[62] de acordo com o Ministério da Justiça. Seu desfecho foi mostrado em 16 de julho e re-exibido um dia depois, sendo trocada por Ti Ti Ti.[63] [64] Sua abertura era transmitida ao som de "Cérebro eletrônico", executada pela cantora Myllena,[65] e começava com uma panorâmica aérea sobre os prédios de São Paulo até focalizar o edifício onde se passava a trama.[66]

Quatro dias após seu término, Tempos Modernos foi reclassificada como imprópria para menores de 12 anos,[4] por "conter assassinato", conforme despacho publicado no Diário Oficial da União. Desta forma, a novela não poderia ser exibida antes das 20h. A Globo teria recebido uma advertência em 6 de julho de 2010, mas só respondido em 19 de julho, quando o primeiro capítulo de Ti Ti Ti foi ao ar. A emissora disse que a obra de Brasil foi "uma trama light", que acompanhou a "revolução tecnológica sem deixar de lado as relações humanas, explorando as mais diversas formas de amar". De acordo com a diretora-adjunta do departamento de classificação indicativa, Anna Paula Uchôa de Abreu Branco, "mudanças na trama" levaram-na a apresentar "inadequações, como premeditação, tentativas e execuções de assassinatos e agressão física", além de pontuais "conteúdos sexuais". Assim, a reclassificação impede que a novela seja reexibida no Vale a Pena Ver de Novo, por exemplo.[5]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Parte do elenco principal.

Antônio Fagundes interpreta Leal Cordeiro, um homem milionário que certo dia decidiu construir o Titã II, um gigantesco edifício em São Paulo.[38] Porém, Hélia Pimenta (Eliane Giardini),[67] uma antiga paixão sua, é contra o projeto e planeja impedir que o mesmo avance na construção. No passado, os dois viveram um triângulo amoroso com o arquiteto Otto Nieman (Marcos Caruso).[39] Leal é pai de três filhas: Regeane (Vivianne Pasmanter), Goretti (Regiane Alves) e Nelinha (Fernanda Vasconcellos). Hélia é mãe de Zeca (Thiago Rodrigues). Zeca e Nelinha acabam por se apaixonar,[68] mas sofrem com a noiva e o primo dele, Nara Nolasco (Priscila Fantin) e Renato Mattos (Danton Mello).[69] Regeane é casada com Albano (Guilherme Weber),[17] que mantém uma relação extraconjugal com Deodora (Grazi Massafera) para roubar a fortuna de Leal. Por fim, Deodora se vê cada vez mais apaixonada por Portinho (Felipe Camargo), seu ex-marido.[6] [7]

Goretti é casada com Dr. Bodanski (Otávio Muller)[70] e mãe de Maria Eunice (Polliana Aleixo), Maria Helena (Rebecca Orenstein), Maria Clara (Jennifer de Oliveira Andrade) e Maria Eugênia (Ana Karolina Lannes).[71] Na trama, existe uma galeria de rock, onde convive Ramón (Leonardo Medeiros), que foi abandonado pela mulher, Ditta (Alessandra Maestrini) e tem dois filhos, Janis (Aline Peixoto)[72] e Led (Guilherme Leicam). Na galeria também há Zapata (Antônio Fragoso), que é agente secreto de Albano, e Gaulês (Jairo Mattos), amigo de Ramón. Seguidos por Malu (Sofia Porto), Bárbara (Luciana Borghi) e Milena (Janaína Ávila).[6] [7]

Iolanda (Malu Galli)[31] é uma ex-enfermeira formada em psicologia que ajuda Goretti a educar suas quatro filhas. Ela é mãe de Joca (Darlan Cunha)[73] e nora de Miranda (Eliana Pitman). Há na trama ainda um spa, o Pilhanatural, onde trabalham Dodô (Naruna Costa), Ricardo (Victor Pecoraro)[74] e Helô (Joana Lerner). Outro cenário é a pizzaria de Pasquale (Genésio de Barros), onde o motoboy Túlio (João Baldasserini)[75] trabalha. A pernambucana Tertuliana (Débora Duarte) foi quem criou Nelinha, enquanto Fidélio (Ricardo Blat) é o melhor amigo de Hélia.[6] [7] O robô Frank, responsável pelo edifício,[76] foi dublado por Márcio Seixas.[77]

Música[editar | editar código-fonte]

O tema de abertura da telenovela, "Cérebro eletrônico", é interpretado pela cantora Myllena.[65] [66] A trilha sonora nacional conta ainda como Ana Carolina, por "10 Minutos", Caetano Veloso, por "Vete de mi" e Cláudia Leitte, por "Paixão". Tais canções foram incluídas em um álbum lançado paralelamente ao folhetim em formato de Compact Disc, cuja produção recaiu à Som Livre. A mesma gravadora também lançou uma trilha sonora internacional, que contou com Queen, por "Crazy Little Thing Called Love", 30 Seconds to Mars, por "Kings and Queens" e Coldplay por "Strawberry Swing". Na capa do disco nacional, eram estampados Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues, enquanto que no internacional, Grazi Massafera estava presente.[78]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

"Sou eternamente agradecido ao Walcyr [Carrasco]. Torci bastante por ele. É muito melhor pegar a audiência lá em cima. Para mim, é um incentivo. Mas é impossível prever como o público vai receber minha novela".

Bosco Brasil sobre as suas expectativas da audiência em relação à Caras & Bocas.[79]

A telenovela alcançou, em seu primeiro capítulo, uma média de 29 pontos na Grande São Paulo, garantindo a liderança, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.[nota 2] Desta forma, 52% dos televisores ligados estavam sintonizados na emissora. Entretanto, o índice foi o pior entre as quatorze estreias de novelas no horário desde 2002, empatando com Desejos de Mulher.[82] Por meses, a novela continuou registrando índices baixos em relação à antecessora, chegando, em diversas vezes, a ser ultrapassada pela reexibição de Alma Gêmea (2005), à época no Vale a Pena Ver de Novo.[83]

Também foi superada diversas vezes pela novela "das seis" exibida à época: Cama de Gato.[84] Sua pior média foi no dia 13 de fevereiro de 2010, no carnaval, quando registrou 14 pontos em São Paulo e 10 na Grande Rio.[85] Entretanto, em sua reta final, sua audiência aumentou consideravelmente: em seu desfecho, por exemplo, Tempos Modernos conquistou 35 pontos de média, chegando a picos de 38.[86] [87] Seu recorde anterior foi registrado um dia antes, quando conseguiu 32.[88] No geral, a trama oscilou uma média de 24,1[9] pontos,[89] sendo, assim, considerada um "fracasso" pela mídia em geral.[90] Por anos, ela permaneceu como pior audiência da história do horário, tal qual Três Irmãs (2008), quando foi superada por Guerra dos Sexos (2012).[91] Em resposta à audiência, o autor disse que "nunca prometeu fazer uma revolução".[92]

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

O especialista Claudino Mayer, da Universidade de São Paulo, disse que "o casal vivido por Fernanda Vasconcellos e Thiago Rodrigues (foto) não convence".[93]

Pouco após a estreia, Aina Pinto, da IstoÉ Gente, disse que "[a trama] discute relação entre o novo e o velho, mas ainda não mostrou uma história sólida". Também criticou o cenário, e opinou que "como mostra a própria história, o novo e o velho se completam. Mas Tempos Modernos é praticamente metalinguística, já que é exibida em um momento em que se discute se novas mídias vão acabar com o interesse pelo folhetim."[94] Consoante Elizabete Antunes, de O Globo, jornal da mesma organização proprietária da emissora, "os capítulos são um empilhado de cenas que se sucedem avulsas [...] o investimento em frases pretensamente espirituosas é grande [e] sem contextualização [...] as piadinhas caem no vazio e perdem dimensão dramática". Por fim, ela disse que a trama a lembrava um "programa de esquetes" e concluiu que "a história deixa a impressão de ser uma novela com vergonha de ser novela."[95] Em outra ocasião, ela disse que "é uma novela como poucas vezes se viu", dizendo que mesmo após as alterações feitas pelo autor, "a história em si não avança nem recua."[96]

Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo, criticou o fato de Zeca ser filho de Leal, dizendo que "esperava mais dessa novela".[97] Claudino Mayer, pesquisador em teledramaturgia da Universidade de São Paulo, opinou que era impossível a obra "virar o barco do rumo do naufrágio": "Sinceramente, eu não acredito que ela consiga virar. Para isso acontecer, só se o Bosco Brasil copiar a Janete Clair, fizer um grande terremoto na trama e começar tudo outra vez. Senão, vai ficar nesse patamar [de audiência] até o fim. A novela é ruim. A história é ruim".[93] Newton Cannito, doutor em TV digital da mesma instituição, afirmou que a trama errou ao ousar "pela metade".[98] Marcelo Marthe, da Veja, citou que "ao estrear, em janeiro, Tempos Modernos se anunciava como um folhetim inovador [...] até agora, porém, o resultado é um vexame idêntico ao de antecessoras que também apostavam em fórmulas pretensamente transgressoras, como As Filhas da Mãe (2001), narrada em ritmo de rap, ou Bang Bang (2005), ambientada em um Velho Oeste de fancaria."[99] Quanto a recepção do público, foi de maioria negativa, principalmente porque o horário vinha de um grande sucesso Caras e Bocas que ficou no vídeo por 9 meses.

Quanto a recepção do público, foi de maioria negativa, principalmente porque o horário vinha de um grande sucesso Caras e Bocas que ficou no vídeo por 9 meses.

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Nos Meus Prêmios Nick de 2010, Fernanda Vasconcellos foi indicada à "atriz favorita".[100] Um ano depois, Tempos Modernos foi indicada à nove categorias do 13º Prêmio Contigo! de TV, inclusive a de melhor novela.[101] [102] Antônio Fagundes, Marcos Caruso e Thiago Rodrigues foram indicados à melhor ator,[103] Eliane Giardini e Fernanda Vasconcellos competiram em melhor atriz,[104] o autor Bosco Brasil foi colocado em "melhor autor de novela",[105] José Luiz Villamarim em "melhor diretor",[106] Felipe Camargo e Leonardo Medeiros foram indicados à "melhor ator coadjuvante",[107] enquanto Alessandra Maestrini, Ana Paula Tabalipa e Regiane Alves competiram na mesma categoria, no gênero feminino.[108] Em "melhor atriz infantil", foram nomeadas Ana Karolina Lannes, Jennifer de Oliveira Andrade, Polliana Aleixo e Rebecca Orenstein.[109] Por fim, Aline Peixoto e João Baldasserini[110] representaram a trama na categoria "melhor revelação de TV".[111] [112] [113]

Notas

  1. Ilusões Perdidas, de Enia Petri, foi a primeira telenovela exibida pela emissora. Contudo, sua produção recaiu à TV Paulista, que tinha sido recém-comprada por Roberto Marinho, o que culminaria na sua transformação em Globo São Paulo.[10]
  2. Em 2010, cada ponto equivalia a 60 mil domicílios[80] na Grande São Paulo.[81]

Referências

  1. a b Redação EGO, SP (24 de outubro de 2009). Próxima novela com Grazi Massafera vai se chamar 'Tempos Modernos' (em português) Portal Ego. Página visitada em julho de 2010.
  2. Memória Globo. Tempos Modernos. Página visitada em 15 de fevereiro de 2014.
  3. Tempos Modernos Teledramaturgia. Página visitada em 24 de janeiro de 2014.
  4. a b Classificação indicativa Ministério da Justiça. Página visitada em 24 de janeiro de 2014.
  5. a b Castro, Daniel (29 de julho de 2010). Após final, governo proíbe Tempos Modernos às 19h (em português) R7. Página visitada em julho de 2010.
  6. a b c d Personagens Globo. Página visitada em 23 de janeiro de 2014.
  7. a b c d Elenco Teledramaturgia. Página visitada em 23 de janeiro de 2014.
  8. a b Moreira, Paulo Ricardo. (27 de outubro de 2009). "O outro era melhor". Jornal do Brasil. Página visitada em 22 de janeiro de 2014.
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  10. Memória Globo. Ilusões Perdidas. Página visitada em 23 de dezembro de 2013.
  11. O Ébrio (em português) Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 28 de janeiro de 2011.
  12. O Ébrio Teledramaturgia. Página visitada em 10 de janeiro de 2014.
  13. Rosinha do Sobrado (em português) Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 28 de janeiro de 2011.
  14. Memória Globo. Caras & Bocas. Página visitada em 18 de dezembro de 2013.
  15. a b Tempos Modernos Teledramaturgia. Página visitada em 23 de janeiro de 2014.
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  18. Memória Globo. Suave Veneno - Trama principal (em português) globo.com.. Página visitada em 7 de outubro de 2013.
  19. Moreira, Paulo Ricardo. . "Conversa via internet". Jornal do Brasil. Página visitada em 23 de janeiro de 2014.
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  22. Villalba, Patrícia. . "Um centro pra sonhar". O Estado de S. Paulo. Página visitada em 24 de janeiro de 2014.
  23. a b Moreira, Paulo Ricardo. (23 de novembro de 2009). "Luta e escalada". Jornal do Brasil. Página visitada em 22 de janeiro de 2014.
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  30. Gitahy, Carolina (15 de dezembro de 2009). Priscila Fantin pede papel secundário em novela: 'Não queria mais protagonista' (em português) Portal Ego. Página visitada em julho de 2010.
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  33. (10 de janeiro de 2010) "Juntos de novo". Zero Hora. Página visitada em 24 de janeiro de 2014.
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  102. Indicados a Melhor NOVELA (em português) Contigo Online. Página visitada em 25 de setembro de 2011.
  103. Indicados a Melhor ATOR DE NOVELA (em português) Contigo! Online. Página visitada em 25 de setembro de 2011.
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  109. Indicados a Melhor ATRIZ INFANTIL (em português) Contigo! Online. Página visitada em 25 de setembro de 2011.
  110. Indicados a Melhor REVELAÇÃO DA TV (em português) Contigo. Página visitada em 26 de setembro de 2011.
  111. Fábio Assunção recebe 'Prêmio Contigo!' de melhor ator; veja lista (html) (em português) Terra (10 de maio de 2011). Página visitada em 26 de setembro de 2011.
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