Teodócio

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Teodócio († ca. 200 d.C.) foi um acadêmico greco-judeu que, provavelmente vivendo em Éfeso[1] por volta de 150 d.C., traduziu a Bíblia hebraica para o grego antigo. É tema de debate se ele trabalhou revisando a Septuaginta ou com base em manuscritos hebraicos de uma tradição paralela que não chegou até nossos tempos. No século II, o texto de Teodócio foi citado no Pastor de Hermas e na obra Trypho do apologista Justino Mártir.

A única referência contemporânea a ele está em Ireneu[2] , que o apresenta, juntamente Áquila de Ponto, outro tradutor, como "prosélitos judeus" que traduziram a "virgem" profetizada em Isaías 7:14 como "moça" ou "donzela", o que foi utilizado pelos ebionitas para supor que Jesus fora gerado por José.

Tradução da Bíblia[editar | editar código-fonte]

Sua versão final, que preencheu algumas lacunas na versão da Septuaginta do Livro de Jeremias e no Livro de Jó, formava uma das colunas da Hexapla de Orígenes (ca. 240 d.C.). Esta obra, que sobreviveu apenas em fragmentos, trazia seis textos gregos e hebraicos alinhados lado-a-lado: duas versões gregas, de Áquila e Símaco, precedendo a Septuaginta e a versão de Teodócio em seguida, aparentemente refletindo o entendimento da época sobre a ordem cronológica das obras.

A tradução de Teodócio foi tão amplamente copiada durante o cristianismo primitivo que sua versão do Livro de Daniel praticamente suplantou a da Septuaginta (que sobreviveu em poucos manuscritos, como o Codex Chisianus, Códice Chigi e o Papiro 967. Jerônimo (em seu prefácio a Daniel, de 407 d.C.) relata a rejeição da versão da Septuaginta de Daniel na época. Ele também menciona ali que a Hexapla tinha notas, indicando diversas diferenças importantes entre o Daniel de Teodócio e as versões anteriores em grego e hebraico.

A versão de Teodócio é mais próxima da versão moderna hebraica do texto masorético (que se acredita ter sido finalizada por volta de 130 d.C.), que é a base para a maior parte das traduções modernas. O Daniel de Teodócio é também a versão que saiu na edição autorizada da Septuaginta publicada pelo papa Sisto V em 1587[3] .

A precaução de Teodócio na transliteração das palavras hebraicas para plantas, animais, vestimentas e aparatos rituais, e outras de significado incerto, ao invés de simplesmente adotar a forma grega, deu-lhe uma reputação de "iliterato" entre os editores pós-renascença mais criteriosos, como Bernard de Montfaucon.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ele é chamado de "Teodócio, o Efésio" em Ireneu. Adversus Haereses: A vindication of the prophecy in Isa. vii. 14against the misinterpretations of Theodotion, Aquila, the Ebionites, and the Jews. Authority of the Septuagint version. Arguments in proof that Christ was born of a virgin. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 21. , vol. III..
  2. Ireneu. Adversus Haereses: A vindication of the prophecy in Isa. vii. 14against the misinterpretations of Theodotion, Aquila, the Ebionites, and the Jews. Authority of the Septuagint version. Arguments in proof that Christ was born of a virgin. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 21. , vol. III.)
  3. Wikisource-logo.svg "Book of Daniel" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Moses Gaster, 1894. The Unknown Aramaic Original of Theodotion's Additions to Daniel in Proceedings of the Society for Biblical Archaeology Vol. xvi. - Demonstrando que o texto aramaico existente é uma adaptação do grego de Teodócio e não o original.
  • Emil Schürer in Herzog-Hauck, Real-Encyclopädie für protestantische Theologie i. 639 (1909)
  • Theodotion's version - O texto grego e uma tradução para o inglês da versão grega de Teodócio do Antigo Testamento