Teodora da Cazária

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Teodora da Cazária
Imperatriz-consorte bizantina
Governo
Reinado 705 - dezembro de 711
Consorte Justiniano II
Antecessor Eudóxia
Sucessor Maria
Dinastia Heracliana
Vida
Floruit 702-711
Filhos Tibério

Teodora da Cazária foi uma imperatriz-consorte bizantina, esposa de Justiniano II. Ela era irmã de Busir, o khagan dos cazares. Não se sabe qual o grau de parentesco de Teodora com os demais governantes cazares como Bihar, o pai da futura imperatriz Irene da Cazária (Tzitzak).

Casamento[editar | editar código-fonte]

Justiniano II ascendeu ao trono pela primeira vez em 685. Dez anos depois, ele foi deposto por um golpe de estado comandado pelo estratego Leôncio, que cortou-lhe a língua e o nariz e o exilou em Quersoneso, na Crimeia[1] .

Justiniano permaneceu em Quersoneso por cerca de sete anos, aparentemente em paz. Porém, rumores de que o imperador deposto estaria conspirando para voltar ao trono chegaram aos ouvidos das autoridades locais por volta de 702. Eles decidiram então prendê-lo e enviá-lo para Constantinopla para que o imperador Tibério III lidasse com ele. Justiniano escapou e se refugiou na corte do khagan dos cazares Busir.

Bem recebido, Justiniano formou um laço familiar com Busir se casando com sua irmã, cujo nome original não se conhece, em 703. Teodora foi o nome que ela adotou depois de ser batizada e se converter ao cristianismo, um nome que foi escolhido provavelmente para lembrar Teodora, a esposa de Justiniano I[2] . Busir presenteou o casal com dinheiro e uma casa em Phanagoria[3] .

Tibério eventualmente soube da nova aliança e subornou Busir para que ele lhe entregasse a cabeça de Justiniano. De acordo com o cronista Teófanes, o Confessor, por volta de 704, Busir enviou dois agentes para assassinarem seu cunhado, Balgitzin e Papatzys. Teodora soube da missão e avisou o marido, que estrangulou os dois e fugiu num barco de pesca de volta para Quersoneso. Teodora foi deixada aos cuidados do irmão e o único filho conhecido dos dois, Tibério, teria nascido em algum momento depois da separação dos pais, o que indica que Teodora estava grávida antes da fuga de Justiniano[2] .

Imperatriz[editar | editar código-fonte]

Em 705, Justiniano formou uma nova aliança, desta vez com Tervel da Bulgária. Com um exército de 15 000 cavaleiros fornecidos pelo cã búlgaro, Justiniano marchou subitamente para Constantinopla e conseguiu invadir a cidade. Ele depôs Tibério III e ascendeu novamente ao trono. Teodora se tornou a nova imperatriz-consorte bizantina, mas ainda estava com o irmão.

De acordo com Teófanes e com o Chronographikon syntomon, do patriarca Nicéforo I de Constantinopla, Justiniano planejava tomar a esposa de volta à força. Em 705-706, um destacamento da marinha bizantina foi enviado para o mar de Azov com a missão de escoltar Teodora de volta para o marido. Porém, a frota foi completamente destruída por uma tempestade antes de chegar ao destino.

Busir então escreveu para o cunhado e o informou que não era necessário usar a força. Teodora poderia partir assim que emissários chegassem para escoltá-la. De acordo com Teófanes, Busir também informou a Justiniano que ele agora tinha um filho, Tibério. Teofilacto, um cubiculário, foi enviado para buscar a família imperial e Teodora chegou à capital sem novos incidentes, sendo imediatamente coroada augusta. Tibério foi nomeado co-imperador para assegurar sua sucessão.

Deposição[editar | editar código-fonte]

Durante o seu segundo reinado, Justiniano se mostraria impiedoso em sua vingança contra os aliados de Leôncio e Tibério III. O crescente descontentamento com a dureza de seu governo levaria a novos conflitos pelo trono. Em 711, uma nova revolta se iniciou em Quersoneso sob o comando do exilado general Bardanes, que mudou o nome para Filípico, e de Busir.

Justiniano estava ausente na Armênia quando a revolta começou e não conseguiu retornar em tempo para a capital para defendê-la. Ele foi preso e executado antes de entrar em Constantinopla em dezembro de 711 e sua cabeça foi enviada para Filípico como um troféu. Ao saber da notícia da morte do filho, Anastácia correu com Tibério, o co-imperador de apenas seis anos e seu neto, para a Igreja de Santa Maria de Blaquerna e pediu santuário, mas foi perseguida pelos asseclas de Filípico, que arrastaram a criança do altar e, do lado de fora da igreja, o assassinaram, erradicando assim a linhagem de Heráclio.

Se Teodora ainda estava viva durante os eventos, não se sabe. Teófanes e Nicéforo não a mencionam em seus relatos. João Zonaras presume que ela já estaria morta, mas ele escreveu quatro séculos depois dos eventos e a acuracidade de seu relato é discutível[2] . Ao contrário de outras imperatrizes, não há menção de onde e quando ela foi sepultada e a causa de sua morte é também desconhecida.

Filhos[editar | editar código-fonte]

Teodora e Justiniano II tiveram apenas um filho conhecido:

  • Tibério (ca. 705 - dezembro de 711), co-imperador de 706 até a morte. Executado por ordem de Filípico.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Teodora da Cazária
Nascimento: fl. 702 Morte: fl. 711
Títulos reais
Precedido por:
Eudóxia
Imperatriz-consorte bizantina
705–711
Sucedido por:
Maria

Referências

  1. Norwich, John Julius. A Short History of Byzantium. [S.l.]: Penguin Books, 1998. ISBN 978-0-14-025960-5.
  2. a b c Lynda Garland "Theodora, Second Wife of Justinian II"
  3. Kevin Alan Brook,. The Jews of Khazaria. 2nd ed. Rowman & Littlefield Publishers, Inc, 2006.