Teoria da classificação

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A classificação pode ser definida como a reunião de objetos ou seres com características semelhantes e a separação das não afins. Essa definição foi posta em questão em 1961, quando James Duff Brown estabeleceu que a classificação nada mais é do que um processo mental constantemente executado de forma consciente e inconsciente por qualquer ser humano, ainda que não reconhecido como tal. A mente humana classifica objetos consciente ou inconscientemente para todos os tipos de propósito. Essa classificação perpassa pelas distinções das características comuns dos objetos até ao agrupamento de seres que desenvolvem entre si características próprias dentro de determinado grupo.

Esse processo mental era praticado por alguns filósofos gregos como Aristóteles, um dos pioneiros na introdução do processo de classificação do conhecimento humano sob as bases filosóficas. Nunes [1] sustenta que Aristóteles se utilizou de três critérios para classificar os saberes: critério da ausência ou presença do homem nos seres investigados, critério da imutabilidade e critério da modalidade prática. Essa classificação relaciona-se à divisão dicotômica dos objetos em gênero e espécie. Trata-se de uma hierarquização conceitual que divide um tema geral em espécies a partir da aplicação de uma característica classificatória. Posteriormente, na tentativa de organizar o conhecimento, surgiram vários tipos de classificações. A partir do século XVII, as classificações se dividiram em filosóficas e bibliográficas.

Piedade [2] define a classificação filosófica “como as criadas pelos filósofos, com a finalidade de definir, esquematizar e hierarquizar o conhecimento, preocupados com as ordens das coisas”. Dentre elas, merece destaque, a classificação baconiana, considerada uma das mais influentes nas diversas tentativas feitas para classificar o conhecimento.

Piedade [3] ainda define a classificação bibliográfica “como sistemas destinados a servir de base à organização de documentos nas estantes, em catálogos, em bibliografias, etc”. Dentre os sistemas de classificação bibliográficas destaca-se a de Dewey, Bliss, Cutter, Ranganathan, dentre outras.

Um pouco sobre os sistemas de classificação[editar | editar código-fonte]

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Os sistemas de classificação surgiram para organizar o conhecimento registrado. Aristóteles desenvolveu um sistema filosófico baseado em uma concepção rigorosa do Universo. Em seus tratados biológicos, apresentou o sistema de classificação dos animais que não se encontrava completo e que, originariamente em número de quatro, foram os seguintes:

  1. Gênero
  2. Espécie
  3. Diferença
  4. Propriedade, e
  5. Acidente.

Já na Metafísica, Aristóteles dividiu o conhecimento humano em três divisões e as subdividiu como segue:

Classificação aristoteles.JPG

A partir da concepção aristotélica, Porfírio descreve como as qualidades atribuídas às coisas podem ser classificadas, quebrando o conceito filosófico da substância como um genus/espécie do relacionamento, representado pela figura abaixo:

Árvore de profírio.JPG

Em conseqüência, vários sistemas de classificações escolásticas foram operacionalizadas. Na classificação baconiana, apesar de algumas de suas classes e divisões se tornarem imbricadas, este sistema foi considerado um dos mais influentes nas diversas tentativas feitas para classificar o conhecimento. A classificação de Bacon está baseada na figura abaixo:

Classificação baconiana.JPG

Posteriormente, a classificação baconiana, foi ampliada e usada por terceiros para a construção de novos sistemas de classificação. Como exemplo, citamos a ampliação feita por d’Alembert, quando o mesmo usou de critérios sistemáticos para organizar os saberes dentro de uma enciclopédia e o sistema bibliográfico da Classificação Decimal de Dewey (CDD) um sistema de classificação documentária desenvolvido por Melvil Dewey (1851 – 1931) em 1876, e desde então enormemente modificado e expandido ao longo de vinte e duas grandes revisões que ocorreram até 2004.

Partindo da CDD, novos sistemas de classificação bibliográfica foram criados. A Classificação Decimal Universal é um sistema de classificação documentária desenvolvido pelos bibliógrafos belgas Paul Otlet e Henri la Fontaine no final do século XIX, a tabela de Cutter, uma tabela de códigos que indicam a autoria de uma obra literária elaborada por Charles Ammi Cutter em 1880 e é utilizada para classificar livros em bibliotecas, a Classificação de Ranganathan ou Colon Classification, conhecida como Classificação em Facetas, classificação

que não usava classes pré-estabelecidas e prontas às quais os títulos tinham de ser relacionados, mas criava classes de livros somente no momento em que um livro era analisado segundo os elementos conceituais de seu assunto, e sintetizado segundo as regras das fórmulas de facetas ligadas às disciplinas.[4]

Partindo dessas contribuições, surgiram também esquemas especializados de classificação aplicáveis a diversos assuntos. Vários campos passaram a usar da classificação como critério de avaliação para eventuais seleções, sejam elas de notas, de resultados, de desempenho, etc.

O desporto é uma das categorias que mais se utiliza de seleções, classificando os atletas em suas diversas categorias e segmentos e que dependem de seu desempenho individual ou coletivo para conceber seu objetivo principal: a vitória.

As diversas formas de classificação do Campeonato Brasileiro de Futebol: da consagração ao rebaixamento[editar | editar código-fonte]

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O Campeonato Brasileiro de Futebol ou Brasileirão é o principal torneio de futebol interclubes do país organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sucedeu os torneios Robertão e a Taça Brasil como o torneio nacional que definiria os representantes brasileiros nas competições Sul-Americanas.

Atualmente se utiliza da classificação por pontos corridos, ou seja, o time que tiver o maior número de vitórias conquista o título, porém nem sempre foi assim. Em seu início, o sistema de classificação era o seguinte “20 clubes divididos em 2 grupos de 10, na primeira fase. Todos jogam contra todos (inclusive do outro grupo), totalizando 19 partidas para cada um, na fase”. [5] Seis times de cada grupo se classificavam para a fase seguinte, disputando entre si as vagas para o quadrangular final, onde, apenas dois de quatro times, disputariam o título.

Dessa forma de classificação o Brasileirão se subdivide em: Série A – onde estão os times com melhores desempenhos, Série B – onde estão os times com desempenho regular e a Série C – onde estão os times com baixo desempenho, e essas são tidas como, as principais subdivisões do torneio.

Dentro da Série A, também chamada de elite do futebol existem quatro tipos de classificação em relação ao desempenho dos clubes. Dos vinte times que disputam a título, as três primeiras colocações garantem a principal disputa pelo título e vagas no principal campeonato Sul-americano da atualidade: a Libertadores da América. O quarto colocado disputa uma vaga na repescagem com os outros quinto colocados dos campeonatos de outros países da América do Sul.

Do quinto ao décimo sexto, ou zona de estabilidade, classificam-se para a Copa Sul-Americana, uma competição internacional de clubes de futebol da América do Sul. Geralmente é disputada no segundo semestre, e é a segunda competição mais importante entre clubes no continente sul-americano, inferior apenas à Copa Libertadores da América.

Ainda na Série A, na zona de degola, estão os times com os quatro piores desempnho. Esses times são rebaixados para a Série B e dão lugar, no ano seguinte a realização do torneio, aos quatro times que tiveram o melhor desempenho na Série B ou segunda divisão.

Na Série B, assim como na Série A, a classificação também segue por pontos corridos, é composta por vinte e dois clubes, nos quais os quatro primeiros colocados sobem parta disputar a Série A no ano seguinte a realização do torneio, do quinto ao décimo sexto colocado permanecem disputando a Série B e os quatro últimos, que não tiveram um desempenho tão bom quanto os outros, disputam a Série C.

Na Série C ou terceira divisão, estão os clubes em ascensão, ou seja, os times que ainda estão se firmando no meio futebolístico. Times instáveis que ainda não conseguem desenvolver um futebol regular e geralmente é disputada pelos campeões estaduais. Como na Série B, os quatro primeiros colocados ganham as vagas dos times rebaixados e se classificam para disputar a Série B. Muitos desses times, não conseguem se manter e ao fim da disputa retornam a série C. Já outros, se destacam por sua regularidade, e muitos acabam disputando vaga para a Série A.

Considerações Finais[editar | editar código-fonte]

As teorias da classificação contribuíram para a preservação do conhecimento humano. A partir dessas contribuições surgiram diversos sistemas para organizar seres e objetos de acordo com o grau de semelhança existente entre as partes.

O campo desportivo, assim como várias outras áreas adotaram sistemas de classificações regulares para desenvolver uma forma de trabalhar seus atletas e assim classificá-los de acordo com seu desempenho. Nos campeonatos de futebol não é diferente. Vários clubes, vários estados, países e até jogadores disputam entre si para saber quem são os melhores.

Nesse cenário, vários times se reúnem para disputar um título: o de melhor. Melhor de seu estado, melhor de seu país, melhor de seu continente, melhor do mundo... É nesse contexto de quem vai ser o melhor que entram os sistemas de classificação, e é a partir desses sistemas, suas contribuições, seu aperfeiçoamento e sua atuação e adoção nesses torneios que os melhores são definidos.

Referências

  1. Nunes, Leiva. Da Classificação das Ciências à classificação da Informação: uma análise do acesso ao conhecimento. 2007. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Disponível em < http://www.bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=340 > Acesso em 22 nov. 2009
  2. PIEDADE, Maria Antonietta Requião. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro: Interciência, 1977. p. 60
  3. PIEDADE, Maria Antonietta Requião. Introdução à teoria da classificação. Rio de Janeiro: Interciência, 1977. p. 60
  4. DAHLBERG, I. Teoria da classificação, ontem e hoje. In: CONFERÊNCIA BRASILEIRA DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA, 1976, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: IBICT; Brasília: ABDF, 1979. p. 352-370.
  5. Globo Esporte. Disponível em: < http://globoesporte.globo.com > Acesso em: 20 nov. 2009.

6. Miranda, Marcos Luiz Cavalcanti de. Organização e representação do conhecimento: fundamentos teórico-metodológicos na busca e recuperação da informação em ambientes virtuais. Orientadora: Rosali Fernandez de Souza. Rio de Janeiro, 2005. 353 p. 1 cd-rom. Tese (Dout. em Ciência da Informação)-IBICT/UFRJ/ECO. Disponível em: <http://biblioteca.ibict.br/phl8/anexos/miranda2006.pdf> Acesso em: 20 nov. 2009

7. KAULA, Prithvi N. Repensando os conceitos no estudo da classificação. Disponível em:<http://www.conexaorio.com/biti/kaula/index.htm > Acesso em: 20 nov. 2009.