Teoria do desenvolvimento psicossocial

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A teoria do desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson, é sem duvida uma das melhores teorias ja feitas a respeito deste assunto, porém ele era uma pessoa polemica, foi acusado até por pedofilia, depois deste caso ele foi condenado a morte na forca em Fevereiro de 1815.

Erik Erikson prediz que o crescimento psicológico ocorre através de estágios e fases, não ocorre ao acaso e depende da interacção da pessoa com o meio que a rodeia. Cada estágio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma vertente negativa. As duas vertentes são necessárias mas é essencial que se sobreponha a positiva. A forma como cada crise é ultrapassada ao longo de todos os estágios irá influenciar a capacidade para se resolverem conflitos inerentes à vida. Esta teoria concebe o desenvolvimento em 8 estágios, um dos quais se situa no período da adolescência:

Estágios de desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O primeiro estágio – confiança/desconfiança[editar | editar código-fonte]

  1. Ocorre aproximadamente durante o primeiro ano de vida (0 - 18 meses). (Oral-Sensorial)

A criança adquire ou não uma segurança e confiança em relação a si próprio e em relação ao mundo que a rodeia, através da relação que tem com a mãe. Se a mãe não lhe der amor e não responde às suas necessidades, a criança pode desenvolver medos, receios, sentimentos de desconfiança que poderão vir a reflectir-se nas relações futuras. Se a relação é de segurança, a criança recebe amor e as suas necessidades são satisfeitas, a criança vai ter melhor capacidade de adaptação às situações futuras, às pessoas e aos papéis socialmente requeridos, ganhando assim confiança.

Virtude social desenvolvida: esperança.

O segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha[editar | editar código-fonte]

Aproximadamente entre os 18 meses e os 3 anos. (Muscular-Anal)

É caracterizado por uma contradição entre a vontade própria (os impulsos) e as normas e regras sociais que a criança tem que começar a integrar. É altura de explorar o mundo e o seu corpo e o meio deve estimular a criança a fazer as coisas de forma autónoma, não sendo alvo de extrema rigidez, que deixará a criança com sentimentos de vergonha. A atitude dos pais aqui é importante, eles devem dosear de forma equilibrada a assistência às crianças, o que vai contribuir para elas terem força de vontade de fazer melhor. De facto, afirmar uma vontade é um passo importante na construção de uma identidade. -Manifesta-se nas "birras"; nos porquês; querer fazer as coisas sozinho.

Virtude social desenvolvida: desejo.

O terceiro estágio – iniciativa/culpa[editar | editar código-fonte]

Aproximadamente entre os 3 e 6 anos (Locomotor-Fálico)

É o prolongamento da fase anterior mas de forma mais amadurecida: a criança já deve ter capacidade de distinguir entre o que pode fazer e o que não pode fazer. Este estágio marca a possibilidade de tomar iniciativas sem que se adquire o sentimento de culpa: a criança experimenta diferentes papéis nas brincadeiras em grupo, imita os adultos, têm consciência de ser “outro” que não “os outros”, de individualidade. Deve-se estimular a criança no sentido de que pode ser aquilo que imagina ser, sem sentir culpa. Neste estágio a criança tem uma preocupação com a aceitabilidade dos seus comportamentos, desenvolve capacidades motoras, de linguagem, pensamento, imaginação e curiosidade. Questão chave: serei bom ou mau?

Virtude social desenvolvida: propósito.

O quarto estágio – indústria (produtividade)/inferioridade[editar | editar código-fonte]

Decorre na idade escolar antes da adolescência (6 - 12 anos) (Latência)

A criança percebe-se como pessoa trabalhadora, capaz de produzir, sente-se competente. Neste estágio, a resolução positiva dos anteriores tem especial relevância: sem confiança, autonomia e iniciativa, a criança não poderá afirmar-se nem sentir-se capaz. O sentimento de inferioridade pode levar a bloqueios cognitivos, descrença quanto às suas capacidades e a atitudes regressivas: a criança deverá conseguir sentir-se integrada na escola, uma vez que este é um momento de novos relacionamentos interpessoais importantes. Questão chave: Serei competente ou incompetente?

Virtude social desenvolvida: competência.

Vertente negativa nesse desenvolvimento: formalismo, a repetição obsessiva de formalidades sem sentido algum em determinadas ocasiões.

O quinto estágio – identidade/confusão de identidade[editar | editar código-fonte]

Marca o período da Puberdade e adolescência

É neste estágio que se adquire uma identidade psicossocial: o adolescente precisa de entender o seu papel no mundo e tem consciência da sua singularidade. Há uma recapitulação e redefinição dos elementos de identidade já adquiridos – esta é a chamada crise da adolescência. Fatores que contribuem para a confusão da identidade são: perda de laços familiares e falta de apoio no crescimento; expectativas parentais e sociais divergentes do grupo de pares; dificuldades em lidar com a mudança; falta de laços sociais exteriores à família (que permitem o reconhecimento de outras perspectivas) e o insucesso no processo de separação emocional entre a criança e as figuras de ligação. Neste estágio a questão chave é: Quem sou eu?

Virtude social desenvolvida: fidelidade/Lealdade

Vertente Positiva: Socialização

Vertente negativa: O fanatismo

O sexto estágio – intimidade/isolamento[editar | editar código-fonte]

Ocorre entre os 25 e os 40 anos, aproximadamente (Adulto Jovem)

A tarefa essencial deste estágio é o estabelecimento de relações íntimas (amorosas, e de amizade) duráveis com outras pessoas. A vertente negativa é o isolamento, pela parte dos que não conseguem estabelecer compromissos nem troca de afectos com intimidade. Questão chave deste estágio: Deverei partilhar a minha vida ou viverei sozinho?

Virtude social desenvolvida: amor

O sétimo estágio – generatividade/estagnação[editar | editar código-fonte]

(35 - 60 anos) (Adulto)

É caracterizado pela necessidade em orientar a geração seguinte, em investir na sociedade em que se está inserido. É uma fase de afirmação pessoal no mundo do trabalho e da família. Há a possibilidade do sujeito ser criativo e produtivo em várias áreas. Existe a preocupação com as gerações vindouras; produção de ideais; obras de arte; participação política e cultural; educação e criação dos filhos. A vertente negativa leva o indivíduo à estagnação nos compromissos sociais, à falta de relações exteriores, à preocupação exclusiva com o seu bem estar, posse de bens materiais e egoismo.

Virtude social desenvolvida: cuidado do outro.

O oitavo estágio – integridade/desespero[editar | editar código-fonte]

Ocorre a partir dos 60 anos (Maturidade)

É favorável uma integração e compreensão do passado vivido. É a hora do balanço, da avaliação do que se fez na vida e sobretudo do que se fez da vida. Quando se renega a vida, se sente fracassado pela falta de poderes físicos, sociais e cognitivos, este estágio é mal ultrapassado. Integridade - Balanço positivo do seu percurso vital, mesmo que nem todos os sonhos e desejos se tenham realizado e esta satisfação prepara para aceitar a idade e as suas consequências. Desespero - Sentimento nutrido por aqueles que considerem a sua vida mal sucedida, pouco produtiva e realizadora, que lamentem as oportunidades perdidas e sentem ser já demasiado tarde para se reconciliarem consigo mesmo e corrigir os erros anteriores. Neste estágio a questão chave é: Valeu apena ter vivido?

Virtude social desenvolvida: sabedoria.

Erik Erikson considera as 4 primeiras fases freudianas psicossexuais (Oral, anal, fálica e latência) e acrescenta mais 4, completando o ciclo do desenvolvimento humano.

Crise da adolescência[editar | editar código-fonte]

Momento de reflexão, "pensa no significado das suas realizações", pode acontecer de forma diferente para as pessoas; ou ficar em desespero porque a morte estar próxima, ou o sentimento de dever cumprido. Para que ocorra, são necessárias as seguintes condições: um certo nível de desenvolvimento intelectual, a ocorrência da puberdade, um certo crescimento físico e pressões culturais que levem o adolescente à efetiva ressíntese da sua identidade. Para além das mudanças físicas já referidas acima, o adolescente adquire também a capacidade de operações formais e raciocínio abstrato. O pensamento formal constitui a capacidade de refletir acerca do seu próprio pensamento e do pensamento dos outros. O raciocínio abstrato permite colocar hipóteses, conceber teorias e opera com proposições. Muitas vezes um adolescente que precisa ter mais afetividade e não a encontra em casa, pensa que achará, ou a procura na escola através dos grupos de amigos, que nem sempre o aceitam sem que haja uma certa condição, que na maioria das vezes é de mau-caráter e mancha a personalidade da pessoa, ou até mesmo traz desinteligência com os pais, gerando uma falta de diálogo, que por sua vez, é essencial no entendimento sobre a vida, um vez que os pais já vivenciaram mais experiências passadas que os filhos podem estar vivenciando no futuro a qualquer momento.

É fundamental que ocorra o chamado período de moratória, em que o jovem tem possibilidades de explorar hipóteses e escolher caminhos. De fato, é nesta altura que vários agentes de socialização exercem pressão para o assumir responsabilidades e para a tomada de decisões, principalmente do foro escolar e profissional. Erikson considera que a moratória institucionalizada – rituais sociais para a entrada na idade adulta, como a escola da área profissional no ensino escolar – facilitam a preparação para a aquisição de papéis na sociedade. Por outro lado, um contexto social não estruturado pode levar a uma crise de identidade. Como não é possível separar a crise de identidade individual com o contexto histórico da sociedade em que se insere o indivíduo, momentos de crise como guerras, epidemias e revoluções influenciam o adolescente em larga escala, quanto aos seus valores morais, por exemplo.

Os outros têm um importante papel na definição da identidade: o jovem vê refletido em seu grupo de amigos parte da sua identidade e preocupa-se muito com a opinião dos mesmos. Por vezes, procura amigos com “maneiras de estar” divergentes daquela em que cresceu, de forma a poder pôr em causa os valores dos pais, testando possibilidades para construir a sua própria “maneira”. O grupo permite um jogo de identificações e a partilha de segredos e experiências essenciais para o desenvolvimento da personalidade.

Segundo Erikson, o adolescente que adquire a sua identidade é aquele que se torna fiel a uma coerente interação com a sociedade, a uma ideologia ou profissão, que é também uma tarefa deste estágio. A fidelidade permite ao indivíduo a devoção a uma causa – compromisso com certos valores. Também permite confiar em si próprio e nas outras pessoas, como tal, a interação social é fundamental. A formação de identidade envolve a criação de um sentido de unicidade: a unidade da personalidade é sentida por si e reconhecida pelos outros, como tendo uma certa consistência ao longo do tempo.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Erikson, E.H. (1976): Infância e sociedade (2ª ed.). (G. Amado, Trad.). Rio de Janeiro: Zahar.

Erikson, E.H. (1976): Identidade: Juventude e crise (2ª ed.). (A. Cabral, Trad.). Rio de Janeiro: Zahar.

Erikson, E. H. e Erikson, J.(1998): O ciclo da vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas.

Noack, J. (2006): A idéia de identidade sob uma perspectiva semiótica. GALAXIA, n. 12, v. 6., ISSN 1519-311X

Noack, J. (2007): Reflexões sobre o acesso empírico da teoria de Erik H. Erikson. Interação em Psicologia, n. 11, v. 1., ISSN 1516-1854

Rabello, E. e Passos, J. (200X): Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento. Disponível em <http://www.josesilveira.com> no dia 30 de setembro de 2007.