Teoria do macaco aquático

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A Teoria do macaco aquático, ou mais propriamente hipótese do macaco aquático, é um modelo científico proposto para explicar a evolução do ser humano. Esta teoria bem como as suas variantes tem recebido muitas críticas de paleontólogos.

Índice

[editar] Hipóteses

A Teoria Aquática parte de uma série de características típicas do ser humano: pele pouco desprovida de cobertura pilosa, postura ereta, grande quantidade de gordura subcutânea, grande habilidade em respeito à atividades natatórias e de mergulho para enfatizar a possibilidade de existência de uma fase "semi-aquática" na origem dos primeiros hominídeos.

Esta teoria é conhecida por vários nomes. Em inglês ela é chamada Aquatic Ape Theory ("teoria do primata aquático") ou também Aquatic Ape Hypothesis. Em alemão se usam os termos Wassertheorie ("teoria aquática") ou Wasseraffentheorie ("teoria do primata aquático"); em relação a uma teoria mais antiga existe também o termo Aquatile Hypothese, que foi usado pelo médico alemão Max Westenhöfer, o primeiro autor desta teoria.

A hipótese aquática surge como um modelo alternativo à hipótese normalmente aceita sobre a evolução do ser humano, a teoria da savana.

[editar] Teoria da savana

A história evolutiva do ser humano está intrinsecamente ligada à chamada Teoria da Savana. Esta teoria parte da ideia que os primeiros hominídeos se originaram primordialmente nas savanas africanas. Segundo esta teoria esses ancestrais dos seres humanos "desceram das árvores" e se adaptaram a uma vida nos campos abertos. A maior parte das características anatômicas do ser humano foram desenvolvidas a este novo modo de vida, segundo esta teoria.

A origem desta teoria é normalmente atribuída a Raymond Dart. A maior parte dos paleoantropólogos acreditam que a Teoria da Savana surgiu como consequência dos descobrimento de um fóssil hominídeo, popularmente conhecido como Taung-Baby ("Criança de Taung"), um Australopithecus africanus. Os primeiros fósseis de A. africanus foram encontrados na Africa do Sul em 1924; a descrição desta descoberta foi feita na revista Nature por Raymond Dart em 1925.

Em 1993 um cientista brasileiro (Renato Bender) de residência na Suíça iniciou uma análise histórica da Teoria da Savana. Em 1999 Bender apresentou os resultados desta pesquisa em uma dissertação no Instituto de Esportes e Ciências Esportivas da Universidade de Berna. Esta dissertação traz o título (traduzido) A base biológica e evolutiva da natação, do mergulho e da locomoção ereta na água do ser humano. Neste trabalho foi demonstrado que a Teoria da Savana não tem sua origem no trabalho de Raymond Dart. Bender provou que a ideia de uma adaptação a uma vida nos "campos abertos" é muito antiga, tendo sido já mencionada em 1809 pelo cientista francês Jean-Baptiste de Lamarck.

A partir desta análise Bender sugeriu que a Teoria da Savana se denominasse "Freilandhypothesen", uma palavra alemã que pode ser traduzida pela expressão "Hipótese dos Campos Abertos" (HCA). Bender insistiu no uso desta expressão no plural, a fim de abranger as diferentes versões deste grupo de especulações que foram publicadas nos últimos 200 anos da história da HCA.

Totalmente independente de Bender e a partir de outras considerações o Professor Phillip Tobias, um paleoantropólogo de renome internacional da Àfrica do Sul, sugeriu também um distanciamento das HCA. Nos últimos anos vários paleoantropólogos (cientistas especializados na pesquisa da origem do ser humano) também passaram a se distanciar das Hipóteses de Campos Abertos, reconhecendo que estas não tenham a base científica antigamente tida como certa. Um dos exemplos mais impressionantes deste distanciamento podemos ver na obra Biology, um livro clássico de Campbell e Reece (2006, 848-849). Impressionante nesta declaração é o fato que livros escritos para estudantes são considerados como sendo normalmente tradicionais, com pouca tendência em tomar partido em discussões ditas como controversas.[parcial?]

Através desta gradual perda de suporte na HCA começaram os cientistas a se interessar por explicações alternativas dentro do mundo científico.[carece de fontes?]

[editar] Os argumentos básicos da teoria aquática

Embora o ser humano tenha uma afinidade genética muito grande com outros primatas, ele possui vários caracteres totalmente distintos desses animais, como a redução progressiva dos pêlos do corpo, a postura ereta, a grande quantidade de gordura subcutânea. Entre os caracteres de comportamento se salientam a habilidade natatória e a tendência do ser humano em entrar na água por prazer ou para se refrescar. Embora a maior parte dos animais terrestres tenham a capacidade de nadar à superfície da água, poucos são capazes de nadar e mergulhar debaixo da água; o ser humano é entre os animais tipicamente terrestres uma grande exceção neste aspecto.

Estes caracteres são realmente pouco usuais para um primata vivendo na savana. O babuíno é um entre vários primatas admiravelmente adaptados a uma vida em campos abertos; porém neste animal (como em nenhum animal típico das savanas) não podemos encontrar nenhum destes caracteres típicos do ser humano.

Foram estas características que atraíram a atenção de dois cientistas. Eles sugeriram que o ser humano desenvolveu estes componentes anatômicos e fisiológicos em uma fase semi-aquática na filogenia de nossa espécie.

[editar] Surgimento da teoria aquática

O primeiro autor desta teoria foi um patologista alemão de nome Max Westenhöfer (1871-1957). A vida e obra deste autor foi analisada pela médica suíça Nicole Bender-Oser no ramo de uma dissertação médica-histórica na Universidade de Berna (Bender-Oser 2004).

Em 1960 sugeriu o biólogo marinho inglês Alister Hardy (1896-1985) praticamente a mesma teoria, sem ter conhecimento do trabalho de Max Westenhöfer. Ele sugeriu que os antepassados do ser humano há milhões de anos iniciaram uma fase semi-aquática, colhendo moluscos e outros animais à beira da praia. Nesta fase semi-aquática os antigos hominídeos se adaptaram ao novo ambiente, perdendo o pêlo (como vários outros animais aquáticos como o golfinho, o dugongo ou o hipopótamo, mamíferos que se adaptaram a uma vida aquática), desenvolvendo uma camada de gordura para diminuir a perda de calor na água, e desenvolvendo a postura ereta a fim de poder adaptar uma postura hidrodinâmica durante mergulhos em pouca profundidade ou durante natação à superfície da água.

Poucos cientistas prestaram atenção a essas hipóteses. Em 1972 a jornalista inglesa Elaine Morgan publicou um livro sobre esse assunto. O estilo popular e as declarações feministas nesta obra fizeram com que muitas pessoas se interessassem pela teoria, mas tendo uma reação negativa por parte do mundo científico.

Atualmente a Teoria Aquática está sendo defendida por várias pessoas, se destacando entre elas Elaine Morgan, Marc Verhaegen, Renato Bender, Nicole Bender-Oser e Algis Kuliukas.

[editar] Bibliografia

  • Bender, Renato: Die evolutionsbiologische Grundlage des menschlichen Schwimmens, Tauchens und Watens: Konvergenzforschung in den Terrestrisierungshypothesen und in der Aquatic Ape Theory. Dissertação no Instituto de Esporte e Ciência Esportiva, Universidade de Berna (1999).
  • Bender, Renato; Verhaegen, Marc und Oser, Nicole: Der Erwerb menschlicher Bipedie aus der Sicht der Aquatic Ape Theory in: Anthropologischer Anzeiger 55 (1), 1-14 (1997).
  • Bender, Renato und Oser, Nicole: Gottesanbeterinnen, Maulwürfe und Menschen. Unipress 95, 20-26 (1997)
  • Bender-Oser, Nicole: Die Aquatile Hypothese zum Ursprung des Menschen: Max Westenhöfer's Theorie und ihre Bedeutung für die Anthropologie. - Dissertação médica na Universidade de Berna.
  • Hardy, Alister: Was man more aquatic in the past in: New Scientist vom 17. März 1960
  • Langdon, John H.: Umbrella hypotheses and parsimony in human evolution in: Journal of Human Evolution 33.1997 – S. 479–494
  • Morgan, Elaine: The Aquatic Ape: A Theory of Human Evolution
  • Morgan, Elaine: The Scars of Evolution: What Our Bodies Tell us about Human Evolution
  • Morgan, Elaine: The Aquatic Ape Hypothesis: The Most Credible Theory of Human Evolution
  • Niemitz, Carsten: Das Geheimnis unseres aufrechten Gangs: unsere Evolution verlief anders. München: Beck, 2004.
  • Westenhöfer, Max: Der Eigenweg des Menschen: dargestellt auf Grund von vergleichend morphologischen Untersuchungen über die Artbildung und Menschwerdung. Berlin: Die Medizinische Welt, 1942
  • Westenhöfer, Max: Die Grundlagen meiner Theorie vom Eigenweg des Menschen: Entwicklung, Menschwerdung, Weltanschauung. Heidelberg: Winter, 1948

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