Teoria do rio contínuo

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A teoria do rio contínuo (em inglês: River Continuum Concept) deriva da sucessão em rios que foi descrita por Robin Vannote et al (1980).[1]

Esta teoria descreve o rio como um gradiente espacial fluvial utilizando alguns conceitos da dinâmica de funcionamento dos componentes físicos de sistemas fluviais. Tem como objetivo prever o funcionamento biológico desses sistemas. Sugerindo que as características estruturais e funcionais das comunidades devem se ajustar ao gradiente fluvial, estando condicionadas aos padrões de entrada, transporte, utilização e armazenamento da matéria orgânica.

O sistema é comparado a um gradiente, que da cabeceira a foz apresenta um aumento gradual de tamanho. Sendo que os gradientes fluviais são classificados em três grupos: riachos de cabeceira, riachos pequenos ou médios e grandes rios. A teoria sugere ainda que a importância de matéria orgânica que entra na cabeceira deve diminuir conforme o rio vai aumentando, ou seja, da nascente ate à foz.

O sistema sofre mudanças graduais passa de heterotrófico para autotrófico. As adaptações das comunidades ao longo do rio são visíveis. O modelo do Rio Contínuo prevê que a matéria que entra no sistema nos trechos de cabeceira que não é processada no local deve ser carregado rio abaixo e totalmente utilizada pelas comunidades ao longo do rio, de forma que a dinâmica do sistema como um todo permaneça em equilíbrio.

Entretanto há uma diminuição da matéria orgânica particulada grossa e o aumento da matéria orgânica particulada fina no sentido cabeceira-foz, devido aos efeitos da fragmentação resultantes de processos físicos e biológicos. Como a autodepuração, alimentação das comunidades aquáticas, animais filtradores e coletores.

Em trechos de cabeceira onde há o predomínio de corredeiras rasas, existe uma tendência às espécies apresentarem corpo achatado e possuírem mandíbulas cortadoras para lidar com partículas grandes de serrapilheira, aumenta o número de insetos raspadores e peixes insetívoros. Já em riachos de pequeno e médio porte, que são mais largos, quase não estão sombreados. Sendo assim comum a incidência de produção primaria .Nessa área encontra-se comunidades de peixes raspadores e alguns invertebrados predadores.

Com o aumento do leito do rio, há a incidência de luz solar sobre o substrato, mudanças de temperatura e os teores de sais dissolvidos na água aumentam. Com isso, algas e macrófitas aquáticas começam a ocorrer, aumentando a produtividade primária. Logo, a base da cadeia trófica é gradualmente substituída.

No curso de grandes rios aumenta a incidência de peixes predadores e detritívoros, a correnteza esta reduzida e a água geralmente é barrenta, desta forma diminui a penetração luminosa e a fotossíntese aquática.Neste ponto o rio torna-se novamente heterotrófico.

Referências

  1. Stroud Water Research Center: River Continuum stroudcenter.org (2009). Visitado em 2 de julho de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • R. L. Vannote, G. W. Minshall, K. W. Cummins, J. R. Sedell e C. E. Cushing: The River Continuum Concept. Em: Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences. Volume 37, Ottawa 1980, Nr. 1, p. 130–137. ISSN 0706-652X
  • Ricardo Motta Pinto Coelho. Fundamentos em Ecologia, Ed.Artmed, 2000.
  • Colin R. Townsend, Michael Begon John. Fundamentos em Ecologia, Ed. Artmed, edição 2, 2006.
  • Odum. Ecologia, Ed. Guanabara, 1988.
  • Robert E.Ricklefs. A economia da natureza, Ed. Guanabara, edição 5, 2003.