Terceira guerra judaico-romana
| Terceira guerra judaico-romana | |||||||
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| Parte da(o) Guerras judaico-romanas | |||||||
Judeia no primeiro século |
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| Intervenientes | |||||||
| Império romano | Judeus da Judeia | ||||||
| Principais líderes | |||||||
| Adriano Tineius Rufus Sextus Julius Severus Publicius Marcellus T. Haterius Nepos Q. Lollius Urbicus |
Simon Bar Kokhba Akiva ben Joseph |
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| Forças | |||||||
| Legio X Fretensis Legio VI Ferrata Legio III Gallica Legio III Cyrenaica Legio XXII Deiotariana Legio X Gemina Total de forças das 12 legiões; 60,000-120,000 |
300,000 judeus + 100,000 milicianos | ||||||
| Vítimas | |||||||
| Muitos mortos, Legio XXII Deiotariana destruída (por Cassius Dio). | 580,000 judeus mortos (população civil), 50 cidades fortificadas e 985 vilas arrazadas (por Cassius Dio). | ||||||
Terceira guerra judaico-romana, também chamada de Revolta de Bar Kokhba, foi uma rebelião de judeus contra o Império Romano, que explodiu na Judeia, em 132. Para os historiadores que não incluem a Guerra de Kitos entre as guerras judaico-romanas, esta teria sido a segunda guerra dos judeus contra o domínio romano.
Índice |
[editar] Origens
Há muita incerteza acerca da causa imediata dessa revolta, pois dela só possuímos documentação esparsa e não-contemporânea (Dião Cássio [1] e Eusébio) [2], além de algumas descobertas arqueológicas nas grutas dos desertos da Judéia.
O que se sabe é que ela ocorreu após a viagem do imperador Adriano, pelo Oriente, entre os anos 130 e 131, ocasião em que ele deixou claro seu propósito de revitalizar o helenismo enquanto esteio cultural do Império Romano, naquela região. Entre seus planos estava a reconstrução de Jerusalém como uma cidade helenística e onde, sobre o monte do templo, seria erguido um santuário dedicado a Júpiter Capitolino, decisão que feriu os sentimentos religiosos dos judeus.
Este parece ter sido o estopim da revolta na Judeia. [3], embora Dião Cássio afirme que ela já vinha sendo preparada, a partir das comunidades da Diáspora, desde o levante de 115 d.C. (Segunda guerra judaico-romana).
[editar] A Revolta
Quando a revolta começou, os romanos foram apanhados de surpresa. Grupos de judeus armados emboscaram coortes da Legio X Fretensis, infligindo-lhes pesadas perdas. Ato contínuo, a fortaleza romana em Cesareia foi atacada e parcialmente destruída.
Como um rastilho de pólvora, a revolta se espalhou por toda a província, com os rebeldes fabricando e reunindo armas, e fortificando cidades.
O legado imperial, Quinto Tineio Rufo, que governava a Judeia, mostrou-se incapaz de sufocar o levante, e mesmo quando o governador da Síria, Publício Marcelo, recebeu ordens para ajudá-lo, e deslocou a Legio II Traiana Fortis e a Legio VI Ferrata para a Judeia, não foi possível impedir que os amotinados tomassem Jerusalém.
[editar] Filho da Estrela
A essa altura, evidenciou-se, entre os combatentes judeus, a liderança de um jovem comandante, Simão bar Koziba, em quem o Rabi Akiva reconheceu o "Mashiach" (Messias) davídico, aguardado ansiosamente, e lhe trocou o nome para "bar Kokhba" (filho da estrela). À frente de seus comandados, Simão entrou em Jerusalém, foi saudado como "Príncipe de Israel", e proclamou a independência do estado judeu. Moedas foram cunhadas com os dizeres "Primeiro ano da libertação de Jerusalém" e "Primeiro ano da redenção de Israel".
Pelas cartas e outros vestígios arqueológicos descobertos nos desertos a oeste do Mar Morto, têm-se uma ideia do tipo de guerra que os rebeldes empreenderam contra os romanos, atuando em pequenos grupos, atacando o inimigo de emboscada e refugiando-se em cavernas. "Em cada penhasco, em cada rochedo, ocultava-se um guerrilheiro judeu, impiedoso e desesperado, que não tinha nem esperava misericórdia" [4]. Comunidades de gentios desprotegidos, tais como os descendentes dos veteranos da Legio XV Apollinaris, que se tinham estabelecido em Emaús, em 71, foram atacadas e dizimadas sem piedade. Por cerca de três anos e meio, esses guerrilheiros atacaram os romanos - legionários e civis.
Essas cartas também mostram o controle que Simão exercia sobre o povo das aldeias: confisco de cereais, recrutamento compulsório e outras medidas coercitivas [5], a exemplo das praticadas na Primeira Revolta Judaica.
[editar] Reação romana
A situação tornou-se tão séria que Adriano despachou para a Judeia seu melhor general, Sexto Júlio Severo, que estava governando a Britânia. Contando com dez legiões, além de tropas auxiliares (ao todo, cerca de cem mil homens), Severo usou a mesma tática dos guerrilheiros judeus: dividiu sua forças em grupos de pequenas unidades móveis, comandadas por tribunos e centuriões, formando grupos de reação rápida que podiam responder prontamente, sempre que chegavam relatórios de atividades de guerrilha. Além disso, localizou e cercou os redutos rebeldes, obrigando-os à rendição ou à morte por fome.
Dião Cássio nos diz que cerca de 50 esconderijos dos rebeldes foram localizados e eliminados. Diz também que 985 vilas judias foram destruídas na campanha e 580 mil judeus mortos pela espada (além dos que morreram por fome).[6].
Até que, em 135, Severo finalmente encurralou bar Kokhba em Betar, 6 milhas a sudoeste de Jerusalém.[7] Apesar da tenacidade de seus defensores, o reduto foi invadido e os romanos massacraram todos os que nele encontraram. Foi o fim do "Filho da Estrela" e da terceira revolta judaica.
[editar] Depois
Terminada a guerra, a Judeia estava devastada. Dião Cássio descreve-a como "quase um deserto". Centenas de milhares de judeus morreram lutando, de fome ou por doenças. Prisioneiros judeus abarrotavam os mercados de escravos, aviltando os preços dos cativos ("Um escravo tornou-se mais barato do que um cavalo" [8]). Os inaptos ao trabalho eram enviados aos circos, para servir de entretenimento a plateias sanguinárias, que apreciavam vê-los ser retalhados pelas lâminas dos gladiadores ou dilacerados pelas presas de animais selvagens.
Os romanos também sofreram perdas consideráveis. Em 135 d.C., ao informar ao senado sobre o fim da guerra, o imperador Adriano, preferiu omitir a fórmula habitual: "Eu e as legiões estamos bem".
Jerusalém foi reconstruída de acordo com o projeto do imperador, recebendo o nome de Aelia Capitolina [9], onde os judeus ficaram proibidos de entrar, sob pena de morte, enquanto o nome da província foi mudado de Judeia para Síria-Palestina (Syria Palaestina).
Além disso, um édito imperial que combatia a prática da mutilação, equiparou a circuncisão à castração, proibindo os judeus de praticá-la. E como os recalcitrantes se valessem de argumentos religiosos, ficaram também proibidos o ensinamento da Torah e a ordenação de novos Rabinos. Rabi Akiva negou-se a obedecer, continuando a dirigir o povo judaico. Surpreendido ensinando a Torah, pagou com a vida sua fidelidade à Lei Mosaica.
Referências
- ↑ Dion Cassio I xis 12-14
- ↑ Eusébio. Historia Ecclesiae iv, 6,8.
- ↑ De acordo com Eusébio, os excessos do governador romano (massacres, confisco de bens, etc), em muito contribuíram para aguçar o clima de revolta.
- ↑ Allegro, John. The Chose People. London. Hodder and Stoughton Ltd, 1971. P.234
- ↑ Allegro, John. The Chose People. London. Hodder and Stoughton Ltd, 1971.
- ↑ Dion Cassio I xis 14
- ↑ Restos da muralha circundante romana, desenterrados por arqueólogos, podem ainda ser vistos no local.
- ↑ Borger, Hans. Uma história do povo judeu, vol.1. São Paulo. Ed. Sefer, 199
- ↑ "Aelia" refere-se ao imperador, cujo nome gentílico era Aelius
[editar] Bibliografia
- Bowder, Diana - Quem foi quem na Roma Antiga, São Paulo, Art Editora/Círculo do Livro S/A,s/d
- Allegro, John - The Chose People, London, Hodder and Stoughton Ltd, 1971.
- Borger, Hans - Uma história do povo judeu, vol.1, São Paulo, Ed. Sefer, 1999.
[editar] Ver também
- Guerras judaico-romanas
- Primeira guerra judaico-romana
- Segunda guerra judaico-romana
- História judaica
- Simão bar Kokhba