Terminal Intermunicipal Jabaquara

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Terminal Intermunicipal
Jabaquara
Uso atual Terminal rodoviário
Estação de metropolitano
Localização Rua dos Jequitibás, s/n, Jabaquara - São Paulo, SP
Coordenadas Gnome-globe.png Jabaquara
Linhas Metroviárias:
1-Azul
Rodoviárias:
Santos
Itanhaém
demais localidades, atendidas pelos Terminais Palmeiras-Barra Funda e Tietê.
Administração Socicam
Inauguração 2 de maio de 1977 (36 anos)
Serviços Ônibus Táxi

O Terminal Intermunicipal Jabaquara, ou simplesmente Terminal Jabaquara, é um dos três terminais rodoviários intermunicipais de São Paulo, sendo dedicado a linhas rodoviárias com destino à Baixada Santista e ao Litoral Sul do estado. Localizado no distrito paulistano do Jabaquara, o terminal possui também uma estação de metrô (Estação Jabaquara), a primeira ao sul na Linha 1-Azul.

História[editar | editar código-fonte]

Embora já fosse previsto havia alguns anos (em janeiro de 1976 divulgou-se que o terminal seria instalado já no mês seguinte[1] ), o Terminal Intermunicipal do Jabaquara foi criado por meio de decreto assinado pelo prefeito Olavo Setúbal em 21 de janeiro de 1977.[2] O decreto estipulava que todas as linhas que demandassem utilização das rodovias Anchieta e Imigrantes teriam seus pontos de embarque e desembarque transferidos para o novo terminal.[2] As empresas que não aceitassem a mudança poderiam ter seus ônibus impedidos de entrar no município e, caso o fizessem, eles poderiam ser apreendidos.[2] A administração do terminal ficaria a cargo da Companhia do Metropolitano.[2] O investimento na construção foi de 44 milhões de cruzeiros, além de oito milhões de cruzeiros em obras de readequação viária na região.[2] A intenção da Prefeitura era criar terminais descentralizados e integrados ao Metrô, para poder desativar o Terminal Rodoviário da Luz, no centro.[2] Donos de empresas calculavam que a mudança poderia reduzir em até uma hora o tempo de percurso em cada um dos sentidos.[1]

A inauguração do terminal ocorreu em 2 de maio de 1977, passando a abrigar as linhas com destino à Baixada Santista e ao Litoral Sul, que antes partiam do Terminal Rodoviário da Luz e do Terminal do Glicério. A mudança foi encarada com protestos por moradores da Baixada Santista.[3] "É uma coisa sem lógica essa mudança radical para o Jabaquara", protestou um vereador de Santos em 24 de maio. "Esse tipo de medida tende a ser aplicado somente aos ônibus de Santos, já que vários outros chegam de diversas capitais, como do Rio e Curitiba, além de cidades do interior de São Paulo. Agora o santista que viaja tem de gastar muito mais para poder locomover-se de uma rodoviária a outra, distante vários quilômetros e sem linhas de ônibus à disposição."[3] Pesquisa encomendada pela Prefeitura de Santos mostrava 92% eram contra a mudança.[4] Em São Paulo, as queixas eram quanto à distância do novo terminal, que obrigava os passageiros a fazer grandes deslocamentos, já que àquela época a única linha do Metrô era a Linha 1-Azul, que ia até Santana.[5]

A Viação Santa Rosa, que havia vinte anos tinha uma linha rumo a Santos e São Vicente saindo do bairro da Penha, na zona leste da capital, passando por cidades do ABC, optou por não se mudar para o novo terminal.[5] A empresa tinha como público pessoas que moravam na Baixada Santista e trabalhavam na zona leste de São Paulo e preferiu passar a fazer a ligação apenas entre a Baixada e as cidades de ABC.[5] "Não interessa ao passageiro sair do Jabaquara, passar pelo ABC e ir até a Baixada, gastando o dobro do horário que levaria se fosse direto", explicou um diretor da empresa.[5] Já a Expresso Luxo, que trabalhava com carros de passeio, manifestava desde mais de um ano antes a preocupação com a mudança. "Meu mercado é constituído pela classe média-alta", explicou o presidente da empresa em janeiro de 1976. "Deputados, senadores, desembargadores, juízes, delegados, advogados, engenheiros. É óbvio que essas pessoas não vão até o Jabaquara tomar um expressinho. Uma coisa que eu não compreendo é que tipo de concorrência eu faço aos ônibus, se a passagem deles custa dez cruzeiros e a minha, trinta cruzeiros. Se essa medida for definitiva, minha empresa vai acabar."[6] Os veículos da Expresso Luxo não saíam de nenhum dos terminais rodoviários, mas da Avenida Ipiranga.[6]

Outra empresa, a Rápido Zefir, impetrou mandado de segurança para seguir operando na Luz e no Glicério.[7] "Não se trata de um deslocamento puro e simples no espaço, de sorte que possa a impetrante, no exíguo prazo de cinco dias, cumprir exigências que demandaria, para cumpri-las, não menos de um ano", argumentava a empresa no mandado, citando ainda que havia investido na compra de um imóvel próprio para sede nas imediações do terminal da Júlio Prestes.[7] As empresas concorrentes protestaram. "Enquanto os ônibus da Rápido Zefir partiam para Santos e São Vicente e voltavam à capital, lotados, as minhas 170 unidades faziam o percurso, nos dois, sentidos, praticamente vazias", lamentou o superintendente da Ultra, que teve ônibus apreendidos na Luz e no Glicério por estar operando ali sem ordem judicial. "Em Santos, a Zefir tem divulgado ser ela a única empresa que traz o passageiro até o centro da cidade, evitando baldeações. Assim que os usuários tomaram conhecimento dessa informação, logicamente passaram a preteria a Ultra, cujo itinerário é igual ao da Zefir."[7] O mandado da Zefir levou alguns meses para ser cassado.

Desde então, por sua fácil acessibilidade por todas as regiões da cidade (através do metrô) e por estar situado na região sul (mais próximo, assim, da costa), o terminal mantém a tradição de realizar apenas viagens curtas para o litoral sul paulista. A viagem mais longa atualmente é a com destino a Peruíbe, em um trajeto de 147,5 quilômetros. O terminal não atende a nenhum outro estado, assim como não faz viagens ao interior paulista. Ocupando 13,6 mil metros quadrados (12,1 mil metros quadrados de área construída), o terminal é utilizado por cinco empresas que realizam viagens com destino a Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Vicente de Carvalho, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. As viagens são distribuídas por dezenove plataformas de embarque e cinco de desembarque, utilizadas pelas empresas Breda, Cometa, Expresso Luxo, Rápido Brasil e Ultra.

Dados[editar | editar código-fonte]

  • 19 bilheterias
  • 10 linhas de ônibus
  • 10 relógios
  • 34 telefones públicos
  • 44 bancos de espera
  • 50 táxis
  • 8 lojas
  • 1 praça de alimentação
  • 1 elevador
  • 4 escadas rolantes
  • 1 500 lâmpadas
  • 10 tipos diferentes de árvores
  • 2 470 m² de jardins
  • 13 600 m² de área total
  • 12 100 m² de área construída

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b (4 de janeiro de 1976) "O Terminal do Jabaquara em Discussão (sic)". Folha de S. Paulo (17 099): 20. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  2. a b c d e f (22 de janeiro de 1977) "Uma estação rodoviária na Zona Sul". Folha de S. Paulo (17 460): 8. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  3. a b (24 de maio de 1977) "Abaixo-assinado em Santos para volta à Rodoviária". Folha de S. Paulo (17 583): 13. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  4. (30 de março de 1977) "Setúbal diz não: ônibus mudam". Folha de S. Paulo (17 527): 14. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  5. a b c d (8 de maio de 1977) "Empresa não aceita o novo terminal e tem prejuízos". Folha de S. Paulo (17 567): 21. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  6. a b (4 de janeiro de 1976) "Expresso Luxo avisa: irá à falência". Folha de S. Paulo (17 099): 20. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..
  7. a b c (3 de maio de 1977) "Empresas consideram-se prejudicadas". Folha de S. Paulo (17 562): 16. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A..

Ligações externas[editar | editar código-fonte]